Gerações De Shadarea
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O sol se aproxima do horizonte e o vento balançando as árvores frondosas, arrebatando dos galhos as folhas amarelas é a vista que Jezmine tem, sentada na janela. Ela sempre diz que uma das poucas vantagens de se morar no topo da serra é a paisagem.
—Mãe! Por favor... Me faz um chazinho! Pra esse final de tarde ficar perfeito, só falta um chá doce e quentinho.
—Vai querer de quê? –Diz a mãe enquanto corta umas verduras.
—Dá pra misturar erva doce com hortelã?
—Dá Sim... -Jezmine me faz um favor enquanto isso! –Vá chamar o Harlequim! Já chega de treino por hoje!
A moça recolhe suas pernas compridas que estavam estiradas na janela e saltando dali toma uma trilha que dá no campo de treino do clã.
Em uma planície cercada por árvores, o som das aves se abrigando era proeminente. Um jovem ofegante tem gotas de suor percorrendo toda a sua pele bronzeada. Ele está treinando com seu imenso bumerangue de quarto pontas. Passando a respirar lentamente, busca se concentrar no aguardo da corrente de vento ideal. Finalmente sente uma brisa passando por trás de sua cabeça, que faz levantar seu longo cabelo castanho.
Com as mãos cansadas, ergue mais uma vez o bumerangue metálico e o arremessa com o restante de sua força. O som dos pássaros foi sobreposto pelo barulho agudo da rotação. A arma percorre uma reta e ganhando altura, passa raspando a copa de uma árvore, podando galhos e espantando alguns passarinhos.
—Muito bom Harly! — A voz de sua irmã mais velha surge por trás dele.
Ele olha ligeiramente para ela, a mandando se afastar e voltando os olhos para a frente. Sua atenção está focada no menor desvio que a trajetória do bumerangue poderia ter para não errar a recepção.
— Foi mal! A intenção era te assustar mas não quero que você acabe igual àquela história do desastrado que literalmente perdeu a cabeça por causa do bumerangue.
Completando a curva, o bumerangue vem em sua direção, entretanto, um pouco mais alto do que o previsto. O jovem dá alguns passos para trás e saltando, estica seu braço, colocando precisamente a mão no centro, evitando as lâminas trituradoras. Antes de aterrissar, é arrastado pelo bumerangue e quando seus pés tocam o chão, continua se deslocando mais um pouco, deixando um pequeno rastro na terra. Ele interrompe a rotação e finca seu bumerangue no chão. Arfando, olha para a sua irmã e sorri.
—Do caramba né?
—É... dá pro gasto!
—Jez, Imagina só essa potência quando eu usar meu poder?
—Vendo você e outros do clã, bate até uma vontade lançar meu bumerangue também...
—Bumerangue? Está mais para um bambolê amassado, pra que tirar o miolo dele? – Era melhor você ter deixado ele quieto e arrumado só uma espada se quer lutar corpo a corpo.
—Ah, não gosto de espadas, e maninho, você só tem moral para me dar conselho de luta no dia que conseguir ganhar uma de mim! – Vamos logo! A mãe tá fazendo um jantar especial pra você!
—Oba! Rango! Harlequim sorri, mas logo faz uma careta lembrando da última vez que perdeu para Jezmine, olhando para uma cicatriz em seu ombro. -Mesmo assim você nem pode mais ser considerada do clã spin, nossa marca é o bumerangue, respeita pelo menos tua história! – Ei, como foi que você chegou do nada? Me diga como é que nunca faz barulho?
—Aiai Harley... hahaha... -Tenho meus truques! -Queria aproveitar para te fazer uma pergunta! — Qual dos cinco partidos você vai escolher?
—Tá maluca, é claro que Kamakura! -E eu sou traidor por acaso? – Harlequim rir maliciosamente – Finalmente amanhã vou fazer dezoito e vou ter moral quando me registrarem no kamakura!
— Você não vai se filiar agora! Quando chegar lá no quartel irá apenas se apresentar e só quando for servir o exército é que irá ser associado a um partido.
—Afs!
—Talvez não você lembre bem, pois no tempo tu era pivete, de quando eu escolhi me filiar aos Grace!
—É claro que eu lembro! – Foi uma época muito ruim, a mãe vivia chorando porque o pai ficava falando que não deixaria você voltar para casa. Mas acho que era só porque uns velhos da vila ficavam dizendo que era culpa dele.
—Foi uma barra pesada mesmo. Mas tenho que admitir uma coisa. Não me arrependo de nada! – To bem satisfeita com essa decisão e espero que eles cresçam mais ainda e engulam esses Kamakuras babacas! – O que mais quero atualmente é que o próximo presidente possa ser dos Grace!
—Ah Jez, tu é egoísta, viu! Só quer fazer tudo do seu jeito! – Mas eu sei que você é uma pessoa boa! Uns anos depois que você não voltou para casa. Enquanto você estava servindo, um dia, alguém da família kamakura falou para o pai que você realmente tinha nos traído. Algumas pessoas na vila me olhavam com cara feia e eu fiquei com muita raiva de você. Pensava que você odiava a nossa casinha ou que fosse uma dessas rebeldes.
—Não sabia disso, sinto muito!
—Tudo bem, depois de um tempo, quando o pai ainda era vivo, chegou um mensageiro na nossa casa e deu uma caixa para minha mãe. Ela levou a caixa para o quarto e foi até o quintal para ler uma carta no sol. Entrei rapidinho no quarto para ver o que tinha na caixa e havia várias moedas de ouro. Levei um susto e perguntei de quem mandou a carta e ela falou que era sua. Os anos passavam e você sempre mandando aquelas caixinhas. Então vi que você não era ruim, e comecei a te respeitar e fiquei até curioso se tinha valido a pena pra você ter desistido daqui.
—Eu vou te contar porque eu não vinha mais aqui! – Primeiro que eu não era bem vinda na vila e também tinha vergonha do nosso pai, sabia que ele não me aceitaria. Mas finalmente passei a ter orgulho de mim mesma e aprendi muitas coisas sobre a vida. Estava juntando coragem para confrontá-lo. Mas só quando ele morreu foi que senti o quanto era uma aberração aquela situação! -Só porque a gente pensa diferente não precisávamos nos afastar. -Ficar longe da família só por causa de um modo de vida, não poder conversar- A voz da garota muda com a vontade de chorar. –Não poder abraçar, rir junto. –E o pai morreu sem eu nem conseguir fazer as pazes com ele – A boca de Jezmine faz um biquinho, mas engolindo o choro, respira fundo e se recompõe -Agora todo ano aproveito as férias para passar uns dias com vocês!
—Uau, é... puxa... que bom que a gente pôde conversar sobre essas coisas! No meu caso o meu lugar é aqui mesmo! – Houve outras pessoas que fizeram como você e nunca mais voltaram. Eu admito que em outras circunstancias eu poderia escolher, por exemplo, os Vatiari. Sempre quis velejar pelos mares hahaha. -Queria que a vida não fosse tão complicada assim!
—Né! –Jezmine tenta enxugar alguma lagrima que ficou presa nos olhos.
—Mas é como eu sempre digo, o meu sonho é fazer o Xogum de kamakura nos reconhecer.
—Harly, infelizmente as pessoas são difíceis demais de mudar suas convicções. Você é gentil, mas só vivemos uma vez, sério, não tenho arrependimentos e espero que você se preocupe também consigo mesmo.
Os dois estavam andando lado a lado enquanto o vento estava mais frio e já era possível ver alguma estrela sobre o crepúsculo. Apressando os passos, a irmã toma a frente e discursa: “O mundo é muito grande e incrivelmente lindo, cheio de experiências novas em todos os lugares e tem tantos lugares novos, estilos de vida completamente diferentes.
—Harly, uma vez que você perceba isso, acho difícil fechar sua mente. –Talvez nem queira mais voltar hahaha, não é que eu não ame nossa família ou o clã, mas quando perceber o mundo e como é resumida a vida na periferia vai me entender.
—hei, não ligo de ser pobre, e tamb... Ecaaa!!! você tá sem calcinha, que nojo... Eu vou na frente!
Os irmãos chegam em casa.
No jantar, enquanto o vapor da sopa subia e o cheiro já estava empregado em cada centímetro da cabana, ao som de um coral de grilos e corujas, a família faz uma prece agradecendo pelo alimento e a união.
—Harlequim, preste bem atenção para não esquecer! — Jezmine levanta a ponta do dedo e suas sobrancelhas franzidas.
—Fale logo! – Responde o garoto soprando o macarrão enrolado no garfo.
—O primeiro quartel é muito concorrido, pois ele foi o primeiro feito do pais. Ele é o menor quartel de todos, porém é o que reúne os mais fodões.
— Filha! A mesa é sagrada!
— Foi mal! Geralmente só os ricos ou nobres poderiam se alistar, mas pra não ficar um monte de bunda mole fazendo disputa de qual pai é mais rico, sempre tem uma vaga para os habilidosos.
Jezmine leva a xicara a boca e estica os lábios fazendo biquinho para tomar o chá quente devagar.
—Olha Jez, só tô indo na sua onda, porque você é mais experiente, mas eu não ligo para ficar perto de riquinho. –E ainda vou ter que gastar um dia todo, logo no meu aniversário para ficar viajando sozinho um dia todo, para ir naquele quartel longe. -Por mim eu iria para um mais perto mesmo.
-Poxa Harly, você é difícil hein! Como acha que vai realizar seu sonho? Acha que é indo ser um soldado e morrendo numa batalha? Não mesmo! Você tem que ter fazer amizades influentes, ser reconhecido pelos cabeças!
—Tá certo! Já tem três dias que você fica falando no meu ouvido, desde que chegou parece uma arara hehehehe. – Mas me diz uma coisa, você comentou hoje de manhã sobre eu ganhar dinheiro lá quando me alistasse, como é essa história?
— Às vezes uns encarregados de partido tentam convencer um candidato a se alistar nos partidos deles. Ai rola uma propina básica. Já vi acontecer muito com quem tem digitais magicas.
— Jezminha, isso que você falou é o que o seu irmão tem né?
—Não mãe! Uma coisa é o manejo de um elemento da natureza, já outra é nascer com uma habilidade única. -Por exemplo uma colega de batalhão tinha a D.M de cristalizar a terra.
—Poxa que legal, com certeza vão me disputar hehehe
—Tem também uns nobres que pagam pelo direito do nome de um soldado. Mas isso pra pegar seus dados da ficha do exército e colocarem no jogo. Tem uns dois anos que o senhor Martin criou esse jogo, mas foi perto do final do ano passado que inventaram isso de pagar pela imagem. Não entendo muito mas admito que recebi uns trocadinhos por isso hahaha. Aquele Martin é uma resenha.
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