Notas iniciais
Hello, it's me! Voltei e com fortíssimas emoções nesse capítulo. Please, não se antecipem em me matar, okay? ~Boa leitura!

Por Pamela:

Toc-toc-toc. “Pamela! Pamela, você está aí? Acorda!” Toc-toc-toc.

Meus glóbulos oculares reviravam-se dentro das pálpebras que insistiam em continuar fechadas.

Toc-toc-toc. “Pamelaa! Pamelaaa!”

Os berros faziam meus ouvidos zunirem e as batidas, minha cabeça tamborilar. Finalmente fiz meus olhos abrirem aos poucos e senti-os arder com a claridade do dia.

“Pamelaaa!”

E o Toc-toc não parou mais de se repetir.

— Já vai! ... Já ouvi!... Que pressa...! Calma, Kate!! – Reclamei berrando. Foi com extrema dificuldade que me enrolei num hobbe e me arrastei até a porta abrindo-a só um bocadinho. – What are you doing here? — Mal conseguia olhá-la, era só abrir os olhos para minha cabeça ameaçar estourar.

— Eu cheguei e a porta estava sem a tranca, entrei desconfiada e vi algumas coisas espalhadas, um vaso quebrado no chão...

— Ah isso fui eu...! – E Richard.

— Achei que poderia ter acontecido alguma coisa com você! – Eu expirei pesadamente e isso me deixou tonta. Passei a mão no rosto e saí da porta, deixando-a entrar.

— Achou certo. Aconteceu coisa até demais... – Ela me olhou dos pés à cabeça, passou a vista pelo quarto, que estava de pernas para o ar e enquanto isso acontecia, eu corria para o banheiro por causa de um enjoo súbito.

— Pamela? O-o que é que você tem...? – Correu atrás e mim e acariciava meus cabelos enquanto eu tentava me manter respirando, ajoelhada ao pé do bidê.

— Ressaca, Kate... ressaca. – Levantei e fui lavar o rosto.

— A farra foi grande, não? – Sorriu de canto e eu revirei os olhos, não demorou para correr novamente para o bidê. – Oh my... você está bem? Não quer que eu chame um médico ou te leve num hospital? – Eu não era capaz de falar nada, só vomitar, mas disse que não, com o dedo indicador. – Vou preparar um café bem forte. – Me deixou sozinha e saiu. Minha respiração estava meio ofegante e a cada esforço meu, minha cabeça latejava mais. Parecia que tinham me dado uma surra!

Me sentindo minimamente melhor, me desenrolei do hobbe, deixando-o em cima do balcão e me dirigi ao chuveiro. A água escorria direto pelo meu rosto e cabelo e se espalhava pelo meu corpo. Fiquei todo o tempo de olhos fechados, tentando conter a respiração e o enjoo e aos poucos, só aos poucos, algumas pouquíssimas coisas da noite anterior começavam a reaparecer na minha cabeça. O vaso quebrado foi obra minha quando tentei empurrar Richard contra a parede sem perceber que bem ao lado estava o bendito vaso. Wathever! Eu não gostava dele mesmo...

Acabei por soltar um suspiro e esboçar um mínimo sorriso. Mas eu não me sentia tão bem quanto eu imaginei que ficaria; eu estava esquisita até para mim mesma e sentia que deveria ter esperado mais para dar aquele passo. Agora já era tarde! Ao sair do banho e me enrolar num roupão, sentei na cama com o pensamento distante. Sem me dar muita chance de viajar nas ideias, Kate surgiu com uma bandeja nas mãos.

— Pensei que só era um café forte. – Ironizei provocando um revirar de seus olhos.

— Você precisa comer. Deve ter vomitado tudo o que comeu ontem à noite.

— Eu não comi nada...

— Bebeu de estômago vazio, Pamela?! Não me admira que esteja nesse estado... – Ergui as mãos em redenção, admitindo que errei e ela foi abrir as cortinas no quarto depois de pôr a bandeja em cima da cama. – O que é isso aí?

What? — Ela me apontou um pedaço de papel em cima do travesseiro. Como não vi isso antes?

— Quando terminar de comer, é só me chamar. – Disse quando peguei o pedaço de papel.

Adorei a noite, meu amor... queria ter me despedido de você antes de embarcar para o Brasil, mas você estava dormindo tão linda que fiquei com pena de te acordar. Obrigado por reaparecer na minha vida, Pamela Parker. Com você, tudo ficou mais colorido. Vou te esperar ansioso na terra tropical. I love you...

Rick.”

Eu coloquei o papel em cima da mesinha de cabeceira e mirei a bandeja na minha frente. Rick era um doce, mas olhar para qualquer tipo de comida naquela manhã, para mim, amargava qualquer coisa. Na verdade, eu me senti um pouco culpada... Richard era um cara maravilhoso e eu não lembrava e quase nada da primeira noite que passamos juntos! Só me vinham flashes muito curtos e confusos à mente... da bandeja, só tomei o café e segui para me arrumar. Não existe ressaca certa para uma empresária à beira do lançamento de um produto que pode salvar sua empresa! Resolvi não ligar para Richard. Falaria sobre a noite só quando estivéssemos juntos novamente. Talvez desse tempo e eu lembrar de mais alguma coisa.

...

No decorrer dos dias eu tive que me dedicar inteiramente à Marra. Lançaríamos o novo produto dali há duas semana e nada poderia dar errado, primeiro: porque eu não queria que a Marra entrasse em processo e falência e segundo: porque assim que o lançamento acabasse, eu correria de volta para o Brasil. Estava morrendo de saudades de Joaquim, Megan e Dorothy. Com pesar, na terça-feira da semana seguinte fui a minha penúltima consulta à Dra. Jennifer, na qual tive que iniciar a libertação dos traumas relacionados à Jonas. Eu já tocava violão, já tinha um namorado e tinha dado um passo importante na nossa relação me divorciando completamente de Herval e... bem, tendo aquela noite inconsequente com o Rick. Só me faltava mesmo a libertação dos traumas relacionados ao meu ex-husband morto.

— Essa é uma das partes mais difíceis do tratamento, Pamela. Muito do que você vai enfrentar agora transformou todo o resto em coisas piores do que eram! Logo... nós não vamos terminar as suas consultas, faremos o seguinte: você me passa o contato do psicólogo que consultou no Brasil e eu o deixarei ciente de tudo que diz respeito ao seu caso. Você volta a frequentá-lo lá e só vai parar quando ele disser que é a hora, ok? – Assenti e ela sorriu. – E talvez nem precise parar. É sempre bom frequentar um psicólogo. Chega um momento na vida que é difícil dar conta de tudo sozinho... muito bem, vamos começar: hoje eu quero que você fale com o Jonas.

What?

— Eu preciso ver nitidamente como você está lidando com ele hoje para podermos prosseguir então... imagine-o na sua frente. Imagine que você tem a chance de falar tudo o que quiser na cara dele sem consequência nenhuma, sem medo, apenas tem a chance de exteriorizar tudo o que ficou engasgado.

Okay... I’ll try — Respirei fundo e mirei o nada. Depois de um tempo em silêncio a imagem de Jonas começou a se formar na minha mente. Há tanto tempo eu tinha me proibido de pensar nele, que até tive uma certa dificuldade em fazer sua figura ganhar face na minha imaginação. Quando consegui, me arrepiei completamente e minha garganta tapou. Era aterrorizante! – I... I can’t do that...

— Calma. É normal se sentir insegura, com medo... mas saiba: ele não vai fazer mais nada contra você, essa é só uma maneira de você pôr para fora tudo o que guardou por tantos anos. Não há maneira mais eficaz de se aliviar de algo do que tirando-o do lugar que você não o quer deixar, certo?

Yes...

— Vamos tentar mais uma vez? – Assenti sem muita convicção e respirei fundo. Mais uma vez precisei de esforço para me lembrar de Jonas, só que dessa vez, um pouco menos. O arrepio voltou, mas em menor intensidade e a garganta só doeu um pouco. Ele ainda me assustava, mas a consciência de que era só a minha imaginação, me tranquilizava.

Well... Hi, Jonas, acho que você deve estar num lugar muito ruim agora, o que eu acho justo, mas ainda assim, deve satisfeito por eu estar separada de Herval, seu pior inimigo... eu queria ser capaz de te perdoar por tudo o que você fez, talvez até me sentisse bem, mas eu não consigo; sou humana demais para isso e me sinto bem melhor te odiano. Eu só consigo sentir ódio, muito ódio! Se eu pudesse pôr as mãos em você uma última vez, Jonas... eu te juro: não sobraria pedra sobre pedra de você. Eu esgotaria as palavras do mundo para te xingar e te machucaria, te encheria de porrada para você sentir fisicamente um décimo da dor emocional que você me provocou. Você provavelmente imaginou que eu seria o tipo de mocinha que perdoa o vilão pois tem um espírito muito elevado, enganou-se! Eu te odeio com todas as minhas forças e me sinto uma idiota por um dia pensar ter sido eu a culpada pela sua morte. Não Jonas... eu não sou. Mas hoje gostaria de ser! Você cavou sua própria cova, só queria subir, subir e subir! Estar no topo de tudo! Agora, está a sete palmos debaixo da terra e longe de tudo o que disse amar. Você danificou a minha vida, me deixou com traumas e com cicatrizes, mas eu ainda estou aqui. Sou dona da sua empresa e aos poucos, seu nome está sendo pagado da memória de todo mundo... Yeah... isso pode ser um sentimento muito ruim para se alimentar, de certo ponto de vista, mas eu sinto que estou me vingando de você! – Era como se eu o visse de verdade na minha frente e um ódio fora do comum me possuísse; depois, de repente, ele sumiu. Eu olhei para a Dra. Jennifer e ela sorriu de leve acenando positivamente.

— Por hoje é só.

Depois que me despedi dela, me senti bem mais leve. Foi bem mais fácil concluir os preparativos para o lançamento do Androphone, que aconteceu na sexta-feira da semana seguinte. Eram flashes para todos os lados, repórters, nerds de todas as idades e muitos investidores. Eu não sou o tipo de pessoa que se sente desconfortável diante dos holofotes, mas sinceramente estava incomodada naquele dia. Desejei profundamente que Davi estivesse ali para ficar no meu lugar, já que a ideia o produto foi dele, ou até mesmo Richard para me dar apoio.

Estava tudo bem, todos estavam animados com a nova ideia da empresa e não tinha como algo dar errado. O lançamento era internacional, em cada filial nossa estava havendo uma festa como aquela, mas mesmo com tudo entrando nos trilhos novamente, algo me incomodava. Estava com a sensação de que devia lembrar de algo e não conseguia.

Falei pouco com Joaquim durante essas três últimas semanas e das vezes que falei, ele parecia meio frio e nem tocava no nome do pai dele. Melhor assim! Mas eu queria falar com ele naquele dia, foi aí que decidi sair da festa, aquele lançamento já havia dado o que tinha que dar para mim.

— Chang, conto com o seu jogo de cintura para inventar uma desculpa para a minha ausência aqui. – Disse, já caminhando para a saída.

— M-m-mas...

— Confio em você, han! – E saí sem dar ouvidos a ninguém. Ao chegar em casa, Kate desligava um telefonema no mesmo instante. Ao me ver, sorriu e deu o recado:

— Sua madrinha acabou de ligar. Pediu para você ligar para ela quando puder.

— Ela disse sobre o quê quer falar?

— É sobre o lançamento no Brasil e...

— Ok, então não vou ligar nunca! Já estou pela tampa com esse assunto!

— E sobre seu filho também.

— Vou ligar para ela agora mesmo.— Subi até o quarto enquanto discava o número de Dorothy no celular e ela atendeu justamente quando entrei no quarto. – Hi, marinha!

“Darling!”

— Acabei de chegar em casa e Kate tinha acabado de falar com você, o que houve?

“Sinto lhe informar, mas rolou um desentendimento entre o bonitão que apresentou o Androphone e o Davi. Parece que ele distorceu alguma coisa, o Davi foi tentar consertar e o cara se esquentou.”

What?! Richard e Davi se desentenderam no meio da apresentação?

“Exactly, nada muito grave, mas com certeza vai causar fofoca na internet...”

— Nós não podemos nos envolver em nenhuma fofoca agora, será que esses moleques não entendem isso?! – Ficou em silêncio. – Ah Rick...! Não podia controlar esse temperamento explosivo quando é contrariado?

“Rick? Você chama seus funcionários pelo apelido, Pamela Parker...?”— Revirei os olhos.

No, dear... don’t you remember? Eu falei o Richard para você! É ele que é o...

Oh my God!” — Berrou, antes que eu terminasse. – “Aquele deus grego é o seu atual namorado?!”

Thanks por me deixar surda, e sim, é ele. – Sentei na cama por sentir uma leve tontura súbita. Isso vinha acontecendo com uma certa frequência nas últimas semanas...

“Eu não acredito! Eu vou voltar lá agora e falar com ele!”

— Não! Dorothy, controle-se, okay? Você terá tempo para conhece-lo. Agora eu quero saber do Quim! What is wrong with my son?

“Ah é, o Joaquim... bom, ele não quer mais vir para casa. Parece que está com raiva de mim e também tá evitando falar com você, pelo que eu entendi.”

— O que? M-mas por que?!

“Well... digamos que... eu falei demais.”

— O que você disse, Dorothy Benson?

“Contei para ele que você tá namorando.”

WHAT?!

“Mas já deve fazer umas três semanas... eu achei que ele fosse uma criança moderna e que percebendo que o casamento dos pais não tem mais jeito, ficaria feliz em ver a mãe feliz com outro cara.”

What hell você tem na cabeça, madrinha? Joaquim é louco pelo pai! Jamais aceitaria me ver com outro homem!

“E como pretendia dizer a ele?”

I don’t know! Eu ia dar um jeito... mas agora... oh my... meu filho me odeia e... – Senti um enjoo de repente e corri para o banheiro ainda com o celular na mão e Dorothy na linha. Se ela falou alguma coisa, eu não sei, só sei que estava mais uma vez ajoelhada ante ao bidê e não conseguia parar de vomitar. Depois de lavar o rosto, pus o celular no ouvido novamente e ela ainda estava lá.

“O que aconteceu, Pamela? V-você tava...”

— Foi só um mal-estar, madrinha... – Um mal-estar que vem se repetindo nos últimos tempos. A menos que eu estivesse passando três semanas de ressaca, aquilo não era normal. Mas também tinha o lance de doença emocional que o Dr. Afonso falou.

“Pamela!” — Fiquei muito tempo em silêncio me olhando no espelho, até que madrinha me chamou a atenção.

Yes! D-Dorothy, eu... eu preciso desligar agora, ok? Depois a gente se fala, bye!— Olhei o meu reflexo no espelho mais uma vez e só então eu lembrei o que tinha e lembrar. Um certo pavor começava a tomar conta de mim e eu pus a mão na boca sem acreditar no que estava pensando.

— Enjoo de novo? – Levei um susto e me virando para a porta,encontrei Kate me olhando com cara de que sabia o que eu estava pensando. Assenti. – Atrasada? – Assenti novamente. – Pamela!

I know! I know! Eu devia ter notado isso antes, mas eu não achei que fosse algo grave. Eu estou envelhecendo, Kate, os hormônios ficam descontrolados, e também tem os problemas que o psicólogo indicou, eu... eu não me dei conta, achei que... fosse normal.

— V-você quer que eu marque uma consulta? Para ter certeza...

— Não! Eu não vou a medico nenhum. Se o que estamos pensando for verdade, eu prefiro fazer isso no Brasil, junto com a minha família. – Ela assentiu. – Você pode... pode ir em alguma... farmácia e comprar um... – Eu estava meio desnorteada. – Teste?

— Mas você acabou de dizer que...

— Eu sei! Eu sei o que eu disse, mas eu estou apavorada, Kate! Apenas faça o que eu estou mandando, ok? – Ela fez que sim e correu para me obedecer.

Não podia ser, minha cabeça estava à ponto de explodir! Estava anoitecendo e parecia que o chão estava afundando sob meus pés... eu só estava rodeada de pavor e mal conseguia respirar. A imagem de Richard veio em minha mente. Se o teste confirmasse minha suspeita, eu teria que viajar para o Brasil o mais rápido possível para falar com ele. Eu fiquei sentada na cama até Kate voltar. Ela apareceu ofegante e me estendeu a caixinha.

— Vou esperar aqui. – Disse, apertando minha mão em sinal de cumplicidade. Eu voltei a entrar no banheiro, agora, sem saber o que seria da minha vida depois que saísse de lá novamente.

Por Herval:

Depois que eu assinei o divórcio, perdi a vontade de fazer qualquer coisa. Eu juro que na primeira semana eu tentei reagir e não pensar na besteira que tinha feito. Dei uma aula atrás da outra, levei e busquei o Quim nas aulas, inventei passeios com ele, brincadeiras em casa mesmo, e passei madrugadas desperto, tentando bolar novos projetos para a Plugar. Usei a velha tática de ocupar a mente para esquecer do que me fazia sofrer, e certa forma funcionou. Quando eu deitava na cama a única coisa que fazia era dormir, de tão cansado que estava não dava nem para pensar na Pamela.

Mas isso acabou me deixando doente. Na segunda semana, Rita sequer me deixou entrar na Plugar. Disse que eu só voltaria a dar aula se me alimentasse e dormisse direito. Tenho que admitir: eu estava um trapo. Há tempos não mexia no cabelo ou na barba, estavam quase o dobro do tamanho habitual e minhas olheiras estavam imensas! Joaquim não falava nada, tentava me manter ocupado como eu o pedira e se afastava o máximo que podia quando a Pamela ligava, para que eu não ouvisse a conversa.

Na terceira semana eu já nem saía do quarto. Estava impossibilitado de dar aula na Plugar e incapaz e cuidar do meu próprio filho. Se não fosse Margarida, eu não sei o que seria e mim... Joaquim não queria mais ficar com a Dorothy, o que só dificultou mais a situação. Eu estava um trapo humano, mas precisava aparentar que estava acontecendo a coisa mais normal do mundo! Claro, é muito normal duas pessoas que se amam se separarem sabe-se Deus por que motivo.

— Pai... você não vai comer? – Joaquim se achegou à cama. Era sexta-feira e já deveria ser umas 18h.

— Papai tá sem fome, filho... vai comer você, vai.

— Mas você não comeu nada o dia todo...! Se não for jantar, eu também não vou.

— Você tem que comer, Quim... vai acabar doente se não fizer todas as refeições direitinho.

— Você tem que comer, Herval... vai acabar doente se não fizer todas as refeições direitinho. – Fez com que eu o olhasse com essa citação. – Eu sei que está assim por causa da mamãe, mas você precisa comer...!

— Eu só tô cansado, Quim... o dia foi longo na Plugar.

— Papai, a tia Rita proibiu o senhor de dar aula, você passou o dia inteiro nessa cama.

— Deixa de ser rabugento, garoto! Vai jantar e deixa o coroa aqui dormir... – Fingi brincar, mas ele não viu graça. Só suspirou e se dirigiu para a porta.

— Primeiro: eu não sou rabugento. Segundo: Você não é coroa, aliás, eu nem sei direito o que é isso! E terceiro: se você quer a mamãe de volta, lute por ela. Nada nem ninguém importa, se você a ama. – E o mini filósofo foi embora me deixando com a cara no chão.

Por Pamela:

— E aí? Qual o resultado? – Kate se levantou da cama subitamente e se aproximou de mim. Eu ainda olhava aquele trequinho, abismada. – Pamela?

— Hã? – Olhei-a, desnorteada. Sua figura estava turva na minha frente porque as lágrimas que me tomaram o olhar não me eixavam vê-la nitidamente.

— Qual o resultado? – Eu só consegui voltar a olhar o teste de gravidez que tinha em mãos e, sem mais nem menos, me atirei em seus braços.

— Eu estou grávida, Kate! Eu estou grávida! Look! — Mostrei-lhe o teste e ela arregalou os olhos, voltando a me abraçar.

— Isso é maravilhoso! É tão... é tão incrível...! – Eu não conseguia parar de chorar.

I... I can’t bevieve this!

— O-o pai é aquele rapaz? O...

— Richard. É… sim.

— Tem certeza?

— Eu só estive com ele nos últimos tempos, Kate. Estávamos bêbados naquela noite em que eu te dispensei, provavelmente ele esqueceu de... – Passei a mão no rosto, tentando despertar. Só podia ser um sonho! – Aconteceu.

— Vai contar para ele?

Of course! E não vou esperar mais! Parto segunda-feira para o Brasil!