Geração Pamerval - A história do início ao fim
141 Capítulo 141
Notas iniciais
Por Pamela:
Nós nos divertíamos horrores no restaurante. Lembrávamos algumas coisas que já havíamos passado e muitos momentos marcantes de nossas histórias. Haviam vezes em que ficávamos desconfortáveis, porque simultaneamente lembrávamos de algum momento do ápice de uma paixão pela princesa Shelda. Isso já provocara muitos ciúmes em Herval, mas me parecia que depois de anos sem uma correspondência minha, Ernesto tinha desistido. Viramos mesmo bons amigos e eu esqueci absolutamente todas as vezes em que ousou me beijar ou até tentou algo a mais contra minha vontade. Ele tinha recebido lições e posteriormente se mostrado muito útil a todos nós.
Mas aí eu ouvi meu celular tocar dentro da bolsa. Enquanto tentava controlar o sorriso devido a uma lembrança engraçada, atendi ao telefonema e logo reconheci ser Herval, que por sinal, já falou comigo em tom seco.
— Pamela, onde é que você tá? – Eu já senti que ele estava possesso!
— Num restaurante, honey, fiquei sem comer praticamente o dia todo e...
— E esqueceu que tem casa e saiu pra comer com o Ernesto? – Possesso é pouco perto do que ele estava. Eu devia ter escutado a minha intuição... era óbvio que não iria dar certo sair com Ernesto, tendo um hubby que o detestava!
— Nós só estamos comemorando o...
— O sucesso da dupla! Claro, ele te ajudou a resolver o problema da Marra... tem sido seu braço direito... – Passei a mão no rosto e Ernesto pôs uma cara de preocupado. Eu já tive certeza do que me aguardava em casa e tentei manter a serenidade.
— Herval, a gente só...
— Só estão se divertindo enquanto o idiota do seu marido vai atrás de você pra te fazer uma surpresa, te levar pra um lugar bonito... e dá de cara com a porta, com a notícia de que você saiu com outro cara!
— Herv... – Tentei me explicar, mas ele desligou o telefone na minha cara.
— O que foi, Pamela? – Ernesto questionou.
— E-eu preciso ir para casa, Ernesto... I’m sorry, depois nos falamos, okay?
— Tá, tudo bem... p-pode deixar que eu fecho a conta. – Disse atônito. Coloquei o celular dentro da bolsa com pressa, tirei a chave do carro, mas antes de sair perguntei:
— E como vai voltar para casa?
— Eu pego um táxi, não se preocupe. – Sorri levemente e lhe dando um beijo no rosto, saí apressada.
Ao chegar em casa, Dorothy estava com Joaquim na sala e eu questionei-a onde estava Herval, só com os olhos.
— No quarto. Parece não estar nada bem... – Dei um beijo em Joaquim, que me olhou um pouco abismado e fui para o quarto.
— Herval, você precisa me ouvir.
— Eu não tenho que fazer nada! Você que disse que vinha para casa e foi jantar com o Ernesto! – Disse, levantando-se da cama irritado.
— Baby, eu não ia passar a noite toda fora de casa... nem chegaria tarde! – Ele só dava voltas, guardando as palavras. – Um acionista da Marra estava desviando muito dinheiro da empresa, por isso eu e Ernesto fomos atrás dele. – Ele fez uma careta ao ouvir o nome do rapaz. – Se não fosse a ajuda dele, a Marra agora estaria com gravíssimos problemas, não acha que o nosso sucesso merecia uma comemoração?! – Ele suspirou e me olhou de lado.
— Custava me avisar? – Respirei fundo e joguei a bolsa em cima da cama, caminhando até ele e segurando seu rosto. Herval ainda hesitou, mas cedeu.
— I’m so sorry, honey... mas Ernesto me chamou para esse restaurante em cima da hora, quando já estávamos quase saindo da Marra. By the way eu só aceitei porque ele insistiu muito e me garantiu que não iria demorar! – Ele relaxou um pouco, olhou para baixo e depois voltou a me fitar. – Desculpe, okay? Eu sei eu devia ter avisado... mas eu não vi problema.
— EU que iria te levar pra jantar hoje... – Lamentou e eu me senti muito culpada por ter aceitado o convite de Ernesto.
— Oh baby... eu... eu não imaginava, sorry, não queria te ver assim. – Acariciei-lhe a barba e insisti: – Você me desculpa? Eu não quero mais brigar com você... – Então ele passou as mãos em meus braços e tentou sorrir.
— Tá, tudo bem, Pam... eu também não quero mais brigar com você. – Disse, enquanto me abraçava suavemente. Apertei-lhe mais em meus braços e então e ele correspondeu com um pouco mais de avidez.
— I love you... — Disse. – Ever!
— Eu também, Pam... pra sempre. – Apartei-me dele e perguntei:
— You too, what?— Ele sorriu docemente.
— Eu também te amo, minha gringa preferida...
— E por um acaso você tem outra gringa, Mr. Domingues?! – Joguei-o na cama, fingindo irritação e ele caiu sorrindo.
— Não! Nunca! Você é a primeira e a única! – Disse, ficando sentado e me puxando para perto. Envolveu os braços em minha cintura, enquanto eu perdia meus dedos em seus cabelos e meus olhos nos seus.
Talvez ele ainda estivesse um pouco magoado, ressentido... Herval não é do tipo que fica curado de uma crise de ciúmes assim tão depressa... concorda comigo? Mas eu o faria esquecer... imaginei em questão de segundos fazer o feitiço voltar contra o feiticeiro. Ele não ia me fazer uma surpresa? Pois foi o que eu pretendi armar para o dia seguinte. Mas então senti a cabeça dar uma volta de repente e eu me apoiei nele para não cair.
— O que foi, Pam? Tá tudo bem? – Perguntou quando me sentei ao seu lado, tentando me livrar da tontura.
— Yeah... é só... uma tontura boba. – Respirei fundo.
— Deve ser o estresse, vem cá, deixa eu te fazer uma massagem pra relaxar...
(...)
No dia seguinte eu deixei a Marra de lado e fui para a Parker. Fazia alguns dias que eu não ia lá e eu já estava com saudades daquele que sempre fora o meu mundo... depois de fazer algumas coisas, fui para a minha sala que já estava fechada há algum tempo. Os últimos acontecimentos haviam me deixado um tanto quanto fora do normal e estar numa sala sozinha, tendo por companhia apenas o silêncio, era algo esplêndido!
Mas então lembrei de Herval. A pedido meu, ninguém me incomodaria na sala e... eu ainda pretendia compensá-lo pelo dia anterior, já que assustado pela minha tontura súbita, Herval me tratou como uma doente o resto da noite. Daí me veio a ideia de chama-lo lá.
— Hi, my love, atrapalho?
— Você nunca atrapalha, Pam. Acabei de dar aula agora. Qual o motivo da ligação?
— Você poderia vir aqui na Parker, Mr. Domingues...? Tem uma coisa que eu preciso muito te mostrar. – Insinuei.
— E... eu posso saber que coisa é essa, Mrs. Domingues...? – Acho que entendeu o recado.
— Não. Só quando chegar aqui. Mas garanto que não vai se arrepender...
— Hum... ok, tô indo agora!— Sorri com o tom apressado com que falou, nos despedimos e eu voltei a ficar em companhia do silêncio. Uns 15 min depois, ouvi alguém bater na porta.
— Ué, já?! – Pensei alto. – Está aberta! – Falei e vi a maçaneta girar, pensando ser Herval, mas me surpreendendo ao ver a figura em minha frente. – Ernesto? O que faz aqui na Parker? Você não deveria estar na Marra? – Me levantei indo ao seu encontro.
— É, eu devia, mas... eu...
— Você...? – Respirou fundo.
— Eu juro que tentei, Pamela. Juro que por todos esses anos eu tentei esquecer o que sempre senti. – E aquilo começou como sendo um tapa em mim! Ele não esquecera aquilo afinal... – Eu tentei não sentir nada quando te via beijar o Herval na minha frente, tento afastar da minha imaginação vocês se... – Não concluiu, mas eu entendi. – Só que tudo isso me deixa doido! Vivo pedindo a Deus para estar no lugar do Herval, imploro pela chance de poder te fazer feliz... e ontem... aquele jantar... o nosso papo... só me fez ter mais certeza de que... – Deu passos à frente, ficando extremamente perto de mim e eu, ainda em choque, não me movi. Será possível que qualquer coisa que eu fizesse era sinônimo e uma possível para ele?! – ...eu continuo completamente apaixonado por você. – Concluiu enfim e era a minha vez de voltar com a velha história de que aquilo não tinha o menor cabimento.
— Ernesto você n... – Ele subitamente me puxou pelo braço e me beijou, interrompendo o que eu falava. No mesmo instante eu o tentei empurrar, mas antes que conseguisse me desvencilhar dele, ouvi a voz que me deu um frio na espinha.
— O que significa isso?!
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