Geração Pamerval - A história do início ao fim
108 Capítulo 108
Notas iniciais
Por Pamela:
Em questão de um milissegundo, aquele abraço que parecia nos confortar, se desfez. Durante 2 segundos apenas, nós nos entreolhamos. E quem correu até o telefone fui eu.
Passei as mãos nos olhos para enxugar as lágrimas e peguei o telefone:
–Hello? – Minha voz estava embargada.
–Hi, Pamela? – Era Brian, eu finalmente respirei, mas não sei se de alívio ou decepção.
–Oi, Brian... – Disse desanimada.
–Nossa! Por que está tão desanimada? Estava esperando a ligação de alguém?
–Yeah! Na verdade, de seu amiguinho!
–De Jonas?! Mas... ele entrou em contato com vocês?! – Nem tive tempo de responder. – Eu sabia! Eu sabia que ele estava armando alguma coisa! Jonas andava muito estranho ultimamente...
–E você vem dizer isso agora?! Muito obrigada, Brian Benson, agora já é tarde demais! – E as lágrimas me tomaram o rosto novamente. Senti as mãos de Herval em meus ombros e Megan querer segurar a minha mão.
–Como assim, tarde demais? – Idiota!
–Jonas sequestrou o meu filho, Brian! Ele levou meu baby e você nem se deu ao trabalho de nos alertar, nos mandar tomar cuidado! – Berrava furiosa.
–E-ele sequestrou o Quim?! What?! M-mas como eu iria desconfiar de uma coisa dessas, Pam, eu sou o Guru da física quântica, não o gênio da lâmpada! Eu tô indo...
–Ah! Go to hell! – Não me vi paciente e bati o telefone na cara dele.
–Mom, se acalme, não vai ser estressada desse jeito que você vai trazer o Quim de volta... – Só consegui me jogar no sofá e enterrar a cabeça entre as mãos, aos prantos.
–Eu quero o meu filho... eu quero my baby boy aqui, perto de mim... – Herval sentou-se ao meu lado, parecia sem uma gota de forças dentro de si e queria matar Jonas, se soubesse onde ele estava, tenho certeza de que o faria!
–Pam, eu te dou a minha palavra de que o Joaquim vai voltar pra casa, são e salvo! Você tá me ouvindo?! – Segurou meu rosto entre suas mãos e embora seus olhos transmitissem muito medo, ele queria mesmo que eu acreditasse que nosso baby voltaria para casa, e ele ia fazer de tudo para que isso acontecesse.
Eu senti o corpo inteiro estremecer... pareciam ter tomado todas as minhas forças. Me deixei cair em seus braços redobrando as lágrimas que não saíam do meu rosto.
–Megan, vai pegar uma água com açúcar pra ela, por favor... – Disse Herval após perceber que eu não pararia de chorar. Ela se levantou e eu segurei sua mão.
–Eu não quero água, eu quero meu filho! Nada vai me acalmar agora, nada!! A não ser ter o Joaquim aqui nos meus braços e rasgar a cara de Jonas!! – Um ódio sem tamanho tomava conta de mim. Eu já estava cheia, exausta, cansada de tanto sofrimento! Se a vida estava tentando fazer uma piada comigo, não vi graça alguma! Será possível que minha felicidade não pode durar mais de dois dias??!
–Você precisa sim, Pamela, não faz jogo duro. Vai lá Megan... – Me levantei, me desvencilhando dele.
–Eu não quero nada, já falei! Herval, eu não quero me acalmar, eu tenho, eu preciso ficar assim com o sangue fervendo nas veias, eu preciso! Se eu me acalmar, eu desmorono em cima da cama e não saio de lá nunca mais... – Ouvi a porta se abrir e uma voz perguntando por mim:
–Pamela, eu quero falar com a Pamela! – Edmilson tentava segurá-lo, mas ele entrou desembestado. – Pamela eu quero te ajudar!
–O que é que você está fazendo aqui?! Fora! Eu sabia que não devia ter te perdoado! – Vi Dorothy aparecer logo atrás.
–Pamela eu não tinha como prever...!
–Fuck! Você me disse no telefone que notou Jonas estranho, remember?! Deveria lembrar que a vida de Jonas, depois que Davi assumiu a Marra, se resume a mim, a me atormentar e consequentemente deveria imaginar que ele estava aprontando alguma coisa!
–Mas, Pam...
–Não me chama de Pam!! Eu não duvido que você esteja envolvido nisso também!!
–Não, você não pode me acusar disso...
–Posso! Não só posso, como estou acusando!
–Pamela, Brian Roberto não tem nada a ver com isso... – Dorothy o defendeu.
–Não me interessa!! Eu só quero o meu filho de volta, só que sem a ajuda desse traidor! Ele esteve todo o tempo ao lado de Jonas! Eu tenho nojo de você!
–Pamela, você enlouqueceu?! Me parece que você está precisando de uma reprogramação urgente, eu posso fazer isso agora...
–Você não vai fazer sua LAVAGEM cerebral em mim! O que há han?! Faz parte do seu plano, com Jonas?! – E nesse instante eu simplesmente me vi voando em cima de Brian como uma leoa furiosa.
–Pamela!! – Herval apenas se surpreendeu. Por que? Uma mulher não pode mais ultrapassar todos os limites da sua paciência?!
–Você está querendo fazer lavagem cerebral em mim Brian Roberto Benson?! Quer que eu vire uma tonta? Que eu esqueça que o meu baby foi sequestrado por aquele psicopata que você chama de amigo?! Você quer nós voltemos a ser um casal... seu... traidor... – Eu lhe agarrava pela roupa, puxava, lhe esmurrava, estapeava... – Traidor!
–Pamela, para!! Para com isso! – Herval tentava me puxar, me agarrar, segurar meus braços, mas tudo o que conseguia era me deixar com mais raiva e eu batia em Brian com ainda mais força.
–Você não vai me deixar uma bobona, Brian! Há muito tempo que eu abri os olhos! Não me interessa se você ajudou Jonas ou não, o que me interessa é que se for preciso eu percorro o Brasil inteiro! Do Rio Grosso do Norte ao Mato Grande do Sul! Mas eu encontro aquele desgraçado com o meu filho e trago ele de volta, está me ouvindo?!?! – O idiota não falava nada, só se defendia e gemia quando a dor era mais forte.
–Pamela!!! Para com isso agora! Espancar o Brian não vai trazer o... – Quanto mais ele tentava me segurar, mais eu batia. Até que por trás, segurou os meus dois braços, me arrastando para longe de Brian.
–Traidor!! Você ainda vai se ver comigo, Brian! Pode escrever!! – E Herval, que parecia já irritado com a minha atitude infantil, tenho que admitir, me arrastava para o quarto me segurando o mais firme possível e o mais rápido que pôde. – Traidor!!!
–Pamela, para!! – Bateu a porta assim que estávamos lá dentro. – O que é isso?! Você enlouqueceu de vez? Foi isso?! – Me chacoalhava segurando em meus braços. E eu ainda no transe do ódio, apenas olhava em seus olhos. – Você realmente acha que espancando o Brian daquele jeito, você vai trazer o Quim de volta??! Pois não vai! – Suas mãos agora estavam em meu rosto. – Ele está aqui para ajudar! Até eu que não vou muito com a cara dele, sei que seria incapaz de estar envolvido nesse sequestro! O Jonas não tem escrúpulos, Pamela! Ele pode muito bem ter armado isso sozinho, aliás, ele é Jonas Marra! – Disse o nome de Jonas em deboche. Me olhava nos olhos, parecia comprimir minha cabeça em suas mãos, talvez tentando fazer com que aqueles pensamentos inertes dentro de mim, entrasse em seu eixo. Ele parou de falar. Ofegava. Seus olhos buscavam alguma resposta na minha boca ou nos olhos mesmo, mas nada encontravam. Eu estava ali, mas não estava ali, entende? – Pamela? – Sussurrou, sem entender o meu silêncio, já que há minutos atrás eu estava berrando.
Finalmente voltei a mim. Suas mãos continuavam em meu rosto, sua respiração estava acelerada e seus olhos preocupados. De repente vi tudo ficar meio embaçado, mas aquilo era somente efeito das gotículas de lágrimas que começaram a se formar. Elas se recusavam a deixar meus olhos, mas aumentavam cada vez mais. Sua feição se tornou piedosa e talvez ele estivesse se arrependendo de ter falado comigo em tom alterado. – Mas foi preciso, eu sei. – Comecei a sentir a garganta doer, ficar apertada, e a minha respiração ficou pesada. Eu me senti um caco ali.
E quando fechei os olhos, ao receber um abraço de Herval, as lágrimas enfim escorreram provavelmente molhando sua camisa. Seus braços me envolviam tão fortes que eu me sentia segura. Seu cheiro me transmitia calma, mas eu chorava. Chorava muito. Cada vez que o meu ritmo de choro aumentava, ele me apertava mais, e quanto mais apertada eu me sentia, melhor estava. Sem Herval eu não sei o que seria de mim naquele momento. Não consegui dizer nada, só chorar...
–Fica aqui... eu vou pegar um copo de água pra você... e nem adianta recusar! – Eu agi como criança, agora ele me tratava como criança. Me fez deitar na cama, enxugou as minhas lágrimas, em vão, já que outras vieram após aquelas, me deu um beijo na testa e saiu do quarto.
I want my baby boy...
Eu fechei os olhos e apenas a imagem de Joaquim passava na minha mente. Como estaria, se Jonas o machucaria... até sentir uma mão fria tocar meu braço. Abri os olhos e lá estava Herval com a água prometida.
–Bebe... – Sussurrou. Eu levantei, peguei o copo de sua mão e levei-o aos lábios já sentido aquele gosto doce incômodo. Não era só água? Por que colocou toneladas de açúcar lá dentro? Pegou o copo da minha mão, colocando na mesinha de cabeceira e se ajoelhou na minha frente, levando a mão ao meu rosto, acariciando-o. – A gente vai enfrentar isso juntos, ok? Juntos...!
–Herval! Brian quer falar com você! – Dorothy gritou e ele me olhou estranho.
–Vá... eu vou ficar bem... – Murmurei baixinho, embora tivesse certeza de que choraria mais. Ele se levantou, me deu outro beijo na testa e pegando o copo, foi embora. Dessa vez eu olhei em volta. Quarto grande... daria ele e toda a mansão para ter meu Quim de volta...
Peguei meu celular na mesinha de cabeceira para olhar a hora: 14h09min. Quando o colocaria de novo lá, o número de alguém apareceu.
Fale com o autor