Por culpa dele, acabei dormindo tarde. Mas... parece que não teve muita importância, acabei acordando bem mais cedo do que imaginei. Meu quarto cheio de cartazes, com um fundo preto da parede, era um ambiente perfeito pra alguém que prefere o escuro. Em casos assim, normalmente volto a dormir, mas senti saudade do meu console. Mesmo que o Playstation 5 esteja "fora de moda", eu ainda o considero melhor que o atual.

"Agora é o fim, ninguém nunca foi capaz de me enfrentar, venha para a sua morte"

— Ei monstro, quantas vezes vai me repetir isso antes de morrer?

"Cale a boca e venha"

— Ei.. *pequena risada*, isso é muito legal. Interagir com os inimigos nos jogos, deixa as coisas bem mais emocionantes, que paixão pela tecnologia. Vejamos... são 06:35 da manhã... então ela vai entrar aqui pra me acordar em cinco minutos. Como eu imaginei... consigo até ouvir seus passos.

— Bom dia..-

— Peguei você! — disse enquanto a erguia pra cima.

— Eii, não é justo! *carinha emburrada*.

— Claro que é. — dizia beijando sua bochecha.

— Hoje é o seu jogo! — recuperou bem rápido seu rostinho fofo.

— Tudo bem, vou ganhar (espero). Mas e então, o que quer hoje senhorita?

— Hoje é minha vez!

Ela disse já descendo as escadas. Garotinha rápida demais, melhor não ficar muito atrás, não fica muito bem pra um irmão mais velho. Parecia estar um pouco pensativa.

— Ei, o que é isso?

— Parece que é uma carta do papai. — seus olhos começavam a brilhar.

Talvez estivesse dizendo sobre me esforçar no meu primeiro jogo, ou coisa parecida. Talvez até um recado amoroso pra Mayu.

" O que comer hoje? Trabalhem juntos! "

Ei, não posso superestimar esse cara. Felizmente, sabe mesmo cuidar da família quando está ausente. Afinal, minha irmãzinha ficou feliz com a mensagem. Vou deixar assim, sem teorias da conspiração hoje. Ele tinha deixado uma lista dos pratos que nossa mãe adorava, ela era muito divertida, adorava viajar o mundo inteiro. Imagino o que ele deve ter feito pra conseguir tudo.

" Yuu, sei que consegue fazê-los! Mantenha o Harry longe!"

Sério? Não sou tão ruim assim...

— Sei disso, sei disso. — Mayu dizia baixinho.

Queria não ter ouvido, é uma mensagem entre vocês, por favor, não tentem me atingir no processo. Foi divertido tentar reproduzir tudo que a mãe gostava... pelo incrível que pareça eu ajudei (a comprar).

— Uou, esse foi o primeiro sucesso! Prova maninho!

Caramba, não cansa de se superar? Ela tinha tentado várias vezes o primeiro da lista, quanto esforço. Não tinha como não elogiar, estava bom demais.

— Meu Deus, está muito bom, muito muito muito muito!

— Sério?!

— Não faça esse sorriso fofinho de felicidade, não deveria ser uma surpresa. — dizia fazendo carinho em seu rosto. — Mas... há quanto tempo estamos aqui?

* silêncio *

Tudo bem, tudo bem. Perdemos as duas primeiras aulas. Acho que podemos entrar na terceira. Estranho nenhum segurança nos dizer que estava na hora, será que aquele velho pensou até mesmo nisso? Parece que agora é aula de educação física, parece perfeito pra um aquecimento.

— E então, estão prontos? — disse me aproximando.

— Quem pensa que somos? — Daniel parecia estar convencido.

— Por que chegou atrasado?

— Não é como se pudesse reclamar de mim, Guilherme. Mas já repararam? É aquele cara, quem chamam de "o melhor jogador". Estranho né? Ele sempre fica no banco, mas ainda assim, o professor também afirma que ele é o nosso Às.

— Vamos jogar um pouco lá, tente conversar com ele. — Guilherme dizia enquanto ambos se dirigiam à quadra.

— Ei, você vai nos ajudar?

— Ah, oi Harry. Prometo, só... tenham cuidado com o Às deles.

— É alguém forte?

— Não sei, nunca o vi jogando.

— Entendo esse sentimento. Contamos com você.

Assim como eu, ele também não subestima o desconhecido. Mas será que isso quer dizer que ele viu todos os outros jogando? Talvez ele tenha dito algo convencido sem que eu percebesse.

— Já conversou com ele? Parece que superestimei um anti-social. — claro que ele não podia nem esperar que eu chegasse pra jogar a realidade na cara. Tudo bem Guilherme, vou te perdoar dessa vez.

— Vai nos ajudar. Parece que teremos muita vantagem, tudo está a favor da vitória.

— Mas ta tranquilo também?

— Como assim? — por favor, não diga algo sem coerência.

— Deixa, você não entende referências antigas.

*Pouco antes do começo da partida*

— Não achei que estariam interessados em ganhar dessa forma. — parece que estavam anotando o que os oponentes são capazes de fazer só pela aparência. — Sabe, isso não é muito normal...

— Eu sei, mas olha o Guilherme. — Daniel dizia baixinho. Está apaixonado? Os olhos dele... não desviam daquela garota.

— Hum... interessante. Ei senhor anti-social, é verdade? — cutucamos ele.

— O que foi agora?

— Olha, fica irritadinho quando a garota está envolvida. — está bem claro que Daniel adora provocá-lo.

— Eu estava só analisando quais seriam os oponentes problemáticos de hoje.

— Claro que estava. — pelo menos de acordo com o Daniel.

— Mas eu estava.

— Foi o que eu disse.

Tudo bem, recebemos um leve soco pela provocação. Merecido. Se bem que doeu. Estamos prontos, nosso uniforme é preto. Todos na competição decidiram que a cor representaria o nível de potencial que o time teria. Socialismo reinando aqui. A classificação estava assim:

Azul — Ótimo; Roxo — Profissional; Preto — Demônio; Branco — Anjo.

Nem mesmo tinha algo abaixo de "ótimo". Me pergunto se seria exagero colocar algo como anjos e demônios, afinal estamos tão acima da média assim? O time de Mayu era Preto também. Isso é a classificação geral de um time, através de uma avaliação individual feita antes. Os jogadores individualmente também tem suas próprias cores. Eu mantive a mesma, mas minha irmãzinha era um anjo... literalmente, é.. acho que em todos os sentidos. Nosso oponente agora, era um time com a cor roxa, parece que não teremos grandes dificuldades.

— Harry, obrigado por me ajudar.

— Alice? Ah sim, tudo bem.

— Parece que vai ser fácil.

— Aparentemente.

Ei... não fique tão perto, você está muito linda, não vou conseguir prestar atenção.

— Boa sorte, e tente aguentar pelo menos os primeiros 5 minutos, por favor.

Não sei ao certo se isso é uma provocação ou preocupação.

— Ta bom. — deveria ter provocado ela também? Poderia ser considerado pelo menos uma tentativa.. mas tudo bem.

Ela estava do meu lado, será que não confia muito em mim? Não posso culpá-la, não fui em sua casa todos os dias que planejei. Com certeza deve ter melhorado muito. Nossa classe parece ter começado com a bola, acho que é um bom começo. Alice começaria atacando. Parece que estava bem animada, decidiu que tentaria derrubar o Às deles como primeiro alvo.

— Comecem!!

Ei, o que há com essa velocidade? Ela realmente mandou com uma força incrível e teria sim acertado ele. É isso o que chamam de "escudo humano"? Um dos garotos ao lado entrou na frente e acabou sendo acertado em seu lugar. Mas.. foi uma jogada incrível.

— Alice! Alice! Alice!

Parece ter muitos garotos "torcendo" por ela. Bem desnecessário ficarem gritando tão alto, e por que ficar repetindo tanto assim? Isso é o que chamam de ciúmes? Não sei como algumas pessoas podem achar esse sentimento fofo. O estranho é que ela só recebeu apoio da platéia, mas e quanto à seus companheiros? Ninguém disse nada enquanto o garoto estava indo ao "cemitério". Acho que vou assumir a responsabilidade.

— Ei, isso foi incrível.

— Por que está me abraçando? — idiota, não responda como se não quisesse. Droga, espero que ela não tenha entendido dessa forma.

— É que... é o que eu fazia com meu irmão quando estava com vergonha.

— Entendi, você é tímida?

— Eu..-

— Espera, parece que aquele garoto está mirando aqui.

— Sério que pensam que estamos "indefesos" assim?

O garoto realmente jogou contra a gente. Mas não é como se tivesse alguma chance de eliminar um de nós. Apenas estiquei um de meus braços e acabei parando a bola. Acredito que tenha faltado vontade nesse lançamento. Mesmo assim foi bem legal, foi como...

Sim, a "Mão Fantasma" do Endo. Só que infelizmente, não sou capaz de criar uma defesa tão boa quanto aquela. Ao menos foi suficiente. Me senti como um herói protegendo seu amor, parecíamos ser um daqueles casais clichês de adolescentes. Parece que a torcida se animou com isso, mas provavelmente provoquei os que estavam gritando pelo seu nome. Talvez seja um dos motivos pra ter me abraçado também. Isso acabou sendo bom pra nós dois, devo admitir. Acabei jogando de volta e o garoto foi queimado. Nosso Às permaneceu no banco durante todo o jogo. Daniel e Guilherme foram como o ataque do time, responsáveis por derrotar a maioria dos oponentes. Alice e eu reforçamos o ponto oposto, a defesa. Em relação ao Às deles, acabou sendo queimado facilmente por Lucas, responsável pela proteção coletiva. Este primeiro jogo não teve muito sentido. Espero que os próximos não sejam tão entediantes quanto este. Não que tenha sido justo, o time adversário não possuía qualquer jogador com o nível Demônio ou acima.

— Harry, por que seu amigo está conversando com a Laura?

— Ah, ele só está apaixonado.

— Achei que fosse por causa do baile.

Vai ter um baile? Estranho, não sabia. Provavelmente colocaram no site da escola, dizem que todos os alunos devem dar uma olhada diariamente. Se um evento como esse vai acontecer em alguns dias, obviamente não irei participar. É demais para um anti-social. Mas... Alice estava conversando comigo sobre isso, será que tenho alguma chance? Improvável, mas talvez seja interessante tentar...

— Falando nisso, Alice... quer ir comigo?

— Hã?! V-você quer ir comigo?! — ei... não precisa ficar vermelha assim... Não é algo tão grande assim, é só uma festa sabe, não precisa ter tanta vergonha.

— Se não quiser, não tem problema.

— Eu aceito... Harry...

Não acredito que ela disse meu nome daquele jeito. Só faltava cair no chão de tanta fofura. A atitude do Guilherme me fez conseguir criar alguma também.

— Ei brasileiro.

— Não precisa chegar me ofendendo. — talvez ele fosse o único que conseguisse entender.

— Conseguiu alguma coisa com ela?

— Bom, ela disse sim, mas saiu daqui com mais vergonha do que eu imaginava.

— Então conseguiu uma namorada primeiro que eu? Que vergonha.

— Não... só chamei ela pro baile.

— Mas então é algo próximo disso, vai facilitar as coisas. Se for assim, estamos no mesmo nível.

— Ei, não me compare a você.

— Ah, me perdoe. — por favor, não entendam errado, é apenas nosso modo "carinhoso" de tratar um ao outro.

* Em casa *

— Você ganhou maninho, mas acho que não se divertiu muito não é? — Mayu me recebia alegre como sempre.

— Não muito, mas acabei chamando uma garota pro baile.

— Verdade?!

— Sim sim. — por que todos tratam com tanta importância?

— Huhu, sabe o que significa? Deveria dar uma olhadinha no site dessa vez!

— Ei, espera ai, não quer me contar? — droga, já foi pro quarto, espertinha.

Caramba, agora entendo a reação das pessoas. Se for isso, acho que estou começando a ficar com vergonha, mesmo estando sozinho. De acordo com a escola, os alunos deveriam escolher uma garota para a realização de um "novo projeto". Parece que tratam os alunos como cobaias, isso é bem assustador. A ideia é unir dois alunos (não tem diferença entre opção sexual, interessante) para que dividam um mesmo quarto. Os dois serão uma dupla que deverá fazer tudo proposto pela escola, juntos. Não se sabe ao certo o motivo, foi apenas uma exigência. A pessoa que irá com você no baile, é a mesma que ficará ao seu lado. Um dos objetivos têm assustado algumas pessoas. Eles dizem ser a ideia de uma família, pois pensam em manter os alunos na escola até mesmo depois do ensino médio. Ou seja, a faculdade será na própria Geração dos Milagres, independente do que cada um deseja seguir, tudo será disponibilizado na própria escola. A maioria levou isso como benefício, outros consideraram estar em uma prisão, sem contato com o mundo exterior. As crianças não participariam de algo assim, elas tem a opção de ficar com quem moram. Parece que a sociedade continua machista, as garotas devem se mudar para ficarem com os garotos. Expandiram a casa dos garotos, mas vão destruir a outra. Isso é bem imoral, mas se a maioria aceitou... Ei, se for assim, vai ser como se eu fosse o namorado dela, até por que é realmente essa a intenção. E eu chamei ela tão naturalmente, acho que quero morrer. Se bem que ela aceitou, será que já sabia? Por que tudo acontece assim que você vai embora hein, pai? Essa ideia está me fazendo pensar muito, será que vou ter que beijar ela? Se ela já espera uma atitude assim, estou com problemas. O pior de tudo é que dessa vez não é um sonho. Alice já é linda no dia a dia, imagina como vai estar em um evento desses. Mayu com certeza vai ficar comigo, isso não é um problema. Como ela mora sozinha, talvez seja mais fácil pra ela aceitar essa ideia. Preciso dormir, mas não acredito que vou conseguir olhar pra ela amanhã... droga.

Notas finais
Achei legal incluir alguns gifs :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.