Geração Pamerval - A história do início ao fim
172 Capítulo 172
Notas iniciais
Por Herval:
Eu abri a porta e meus olhos procuraram logo a figura da Pamela. Ela estava deitada, dormindo tranquilamente como se há menos de uma hora atrás ela não estivesse me deixando maluco tentando me abandonar na terra sozinho...
Eu me aproximei fiquei ao seu lado e afastei do seu rosto alguns cabelos desalinhados. Ela estava um pouco pálida e parecia estar realmente frágil. Tão frágil quanto a nossa filha. Sem conseguir evitar o meu sorriso de felicidade por saber que ela estava bem, sussurrei para que ela não acordasse:
— Obrigado por não desistir de viver, Pam... obrigado por voltar pra mim... – Ela se mexeu. Eu acabei segurando a sua mão e seus olhos foram abrindo gradativamente, percebendo a minha presença. Então ela abriu um sorriso doce e sussurrou sem força na voz:
— My love...
— Sim, sou eu, Pam... eu tô aqui com você... – Ela sorriu mais uma vez e apertou a minha mão.
— I love you...— Eu sorri e acariciei seu rosto com carinho.
— Eu também te amo... minha princesa... – Pamela não conseguia manter os olhos abertos. Ela estava tomada por um sono que a estava entorpecendo, mas resistindo a ele, perguntou:
— And the baby? Como ela está…?
— Ela tá bem, Pam... – Seus olhos estavam apenas entreabertos. – Dorme vai... descansa pra você ficar boa e voltar pra casa... – Fiquei mexendo no seu cabelo até que ela voltasse a dormir. Eu ia esperar até que ela estivesse mais forte para conversar.
Fiquei ali por alguns bons minutos lhe observando. Não queria sair de perto dela nunca mais! Só que algo me fez querer ir ver nossa menina. Eu queria dizer a ela que sua mãe estava bem e que logo, logo elas poderiam se conhecer... melhor. Porque com certeza elas já se conheciam, a conexão era inquestionável, só o que faltava era o contato visual.
Deixei que Dorothy fosse vê-la e fui ver a garota. Por um buraco na incubadora eu coloquei minha mão para tocar a dela. Mão tão pequena e branquinha... dedos curvados com a mão quase fechada. Mão tão pequena que quase não conseguia envolver meu dedo mindinho por completo.
— Hey, filhinha... é o papai... vim ver se você tá legal. – Ela dormia como um anjo. – E... dizer também que a mamãe tá bem... ela resistiu pra ficar com a gente... e você não tem ideia do quanto eu tô feliz...! Imagino que você também tá. – Suspirei passando a mão por sua cabeça co poucos vestígios de cabelo. – Espero que você consiga respirar sozinha logo pra gente ir pra casa... você vai adorar lá! Vai adorar seus irmãos... – Foi aí que eu lembrei que tinha que contar tudo o que aconteceu para o Quim. E tinha que ligar para a Megan também. – Eu te amo, minha pequena... eu não demoro. – Quando cheguei à sala de espera, Dorothy já estava lá novamente. Disse que recebeu uma ligação do Brian e que preferiu atender fora do quarto para não acordar a Pam.
— Brian disse que sentiu alguma coisa relacionado à Pamela e ligou para confirmar. Ele tá vindo pra cá.
— Ótimo. Dorothy... v-você se importa se eu for na mansão agora? Alguém tem que falar com Joaquim sobre o que está acontecendo. Já é noite e ele deve estar preocupado.
— Não, não, tudo bem, vá lá! Eu cuido das nossas meninas. – Acenei agradecendo e ia lhe dando as costas, quando ela me chamou: – Herval! – Olhei-a. – “Se eu for na mansão agora...” não, diga “se eu for em casa”! Aquele nunca deixou de ser seu lar. – Sorri, confirmando, e agora sim fui embora.
(...)
— Daddy! Cadê a mamãe? – Joaquim correu para me abraçar, assim que eu cheguei em casa. – A Kate me disse que você levou ela pro hospital... – Kate me olhou preocupada e eu sorri fraco antes de tranquiliza-los.
— A Pam tá bem... ela foi pro hospital para ter o seu irmãozinho, Quim... na verdade, irmãzinha. — A expressão do rosto do garoto era linda. A pupila dilatou e seus olhos marejaram instantaneamente. – E tem umas coisas que eu queria te explicar, meu filho. – O fiz sentar no sofá e me ajoelhei na sua frente.
— Eu posso ir ver elas?
— A-agora não. E gravidez da sua mãe era difícil, o bebê nem era pra ter nascido agora. Então... sua mãe ficou muito fraquinha e sua irmã... ainda não consegue respirar sozinha. Isso quer dizer que elas vão ter que ficar no hospital por um tempo descansando. Mas não demora muito pra você poder ir ver elas...
— Por quanto tempo elas vão ficar lá?
— Eu não sei... mas o importante é que elas estão bem agora. – Ele confirmou e ficou um tempo em silêncio.
— O Richard sabe que a filhinha dele nasceu? – Eu e Kate nos entreolhamos e eu respirei fundo antes de voltar a falar com ele. Que beleza... como explicar para o garoto que a mãe dele tinha mentido quanto a paternidade da criança?
— Quim, escuta, a história e longa e complicada, mas... sua irmã não é filha do Richard.
— Não? Mas a mamãe disse que...
— A mamãe teve os motivos dela. Mas como eu disse, a história é longa e complicada. É coisa de adulto, a gente sempre faz coisas que não devia... só que... eu sou o pai daquele bebê. Ela não é só sua meia irmã. Vocês têm o mesmo pai e a mesma mãe.
— Mas eu não sou... – Nem o deixei terminar.
— É sim. Vocês dois são nossos filhos! – Ele sorriu fraco. – Você precisa ver... ela até parece com você! – Seus olhos brilharam.
— Isso é possível?
— Claro que é... – Ele se jogou nos meus braços e ficou abraçado a mim por um bom tempo.
(...)
— Quando ela vai poder sair da incubadora, Dr.? – Questionei o médico no dia seguinte.
— Bem, até ela atingir dois quilos, o que não falta muito... e... inquestionavelmente, conseguir respirar sozinha. Mas não se preocupe, ela está evoluindo muito e muito em breve poderá ir para casa. – Eu acenei e ele foi embora.
Dorothy tinha ido para casa com Brian, depois de fazerem questão de passar a noite toda no hospital, e estava só eu lá no momento. Aproveitei que ainda podia, e fui falar com a Pam. Dessa vez ela estava acordada. Para falar a verdade, bem desperta! Milagrosamente restava pouco daquela Pamela frágil do dia anterior.
— Hey you... — Ela estava sentada na cama, me viu entrar e abriu um lindo sorriso.
— Hey! Como é que cê tá? – Me acheguei, dando-lhe um beijo na testa.
— Estou melhor agora com você aqui... – Ela segurou minha mão e com os olhos fixos nas mesmas, acariciava-a nervosamente como se quisesse falar algo.
— Tem certeza de que tá tudo bem? – Ela se jogou para trás e me olhou nos olhos.
— Você vai me perdoar algum dia por ter escondido a verdade sobre a paternidade da...
— A gente não precisa falar sobre isso... eu não tenho que te perdoar! Você tava com medo de perder o bebê e ter me dado falsas esperanças, eu entendo... – Ela suspirou com um sorriso fraco. – Foi burrice, mas eu entendo. – O sorriso se alargou.
— Okay... thank you. — Eu me inclinei segurando seu rosto com as duas mãos e encostando nossos narizes, falei:
— Obrigado você por ainda estar aqui.
— So... você não vai me odiar por toda besteira que eu fiz?
— Nós dois fizemos muita besteira, Pamela. Mas se você ainda não percebeu, nosso amor é muito maior que tudo isso. E... eu sinto que tudo o que veio acontecendo nos últimos tempos, foi castigo o bastante para nós dois, não? – Ela concordou abaixando a cabeça.
— Como será daqui para frente? – Eu segurei seu queixo, erguendo-o até fazer ela olhar para mim e me sentei ao seu lado.
— Vamos começar do zero. – Ela inclinou a cabeça tentando entender esse “zero”. – Você quer namorar comigo? – Ela sorriu e baixou a cabeça achando engraçado. Depois voltou a erguê-la e com a mão puxou os cabelos do rosto para trás.
— A gente não tem mais idade pra isso, Herval...
— A gente tem idade pro que a gente quiser, meu amor! Nosso casamento deu errado porque começou errado. A gente saiu atropelando tudo, nem nos conhecíamos direito! Porque se eu realmente te conhecesse, jamais teria imaginado que você tava tendo um caso com o Ernesto. – Ela voltou a abaixar a cabeça e eu senti a necessidade de lhe abraçar. Meus braços a envolveram por completo e eu senti sua respiração no meu pescoço. – Hoje, com certeza, nós somos completamente diferentes do que éramos. – Recomecei ainda abraçado a ela. – E se a gente começar do zero, pode se conhecer de verdade. E o nosso amor se torna uma coisa sólida, inabalável.
— Você sabe que isso é uma loucura, né? – Confirmei. – But it is totally true.
— Sem dúvida é! A gente namora... – Segurei seu rosto lhe dando um selinho. – Sem cobranças... – Dei-lhe mais um. – Depois a gente fica noivo... – E beijei de novo.
— Essa parte a gente pode pular. – Sorriu. – Really, really não temos mais idade para isso. – Sorri também concordando.
— Ok. Então a gente namora...
— Sem cobranças...
— É, sem cobranças... e aí, quando a gente tiver preparado, casa de novo. – Ela acenou positivamente e nós ficamos nos olhando a partir de então. – E então?
— E então o que?
— Você não respondeu claramente a minha pergunta. Quer namorar comigo? — Dessa vez foi a vez dela segurar meu rosto com as duas mãos e depois e analisar cada milímetro, me deixou um beijo delicado nos lábios.
— I do. — Respondeu finalmente. Ouvimos alguém pigarrear.
— Desculpem incomodar o casal, mas você precisa fazer uns exames, Sra. Parker. – Disse o médico que surgira do nada.
— Pamela, please. — Ele sorriu e confirmou.
— Hora de fazer alguns exames, Pamela.
— E depois eu posso ver minha filha?
— Se estiver tudo bem com você... claro!
Ela foi fazer os exames e eu tive que voltar para a sala de espera. Me surpreendi ao chegar lá e dar de cara com a Megan e com o Davi.
— Como vocês vieram parar aqui? – Perguntei, abraçando Davi que não via há um bom tempo e em seguida Megan me abraçou.
— É bom te ver também, Herval. – Sarcástica como sempre. – Nós viemos de helicóptero para o Rio e Dorothy me disse em qual hospital vocês estavam. So, how’s mom?
— Ela tá bem! Foi fazer uns exames pra ter certeza disso e daqui a pouco está de volta no quarto.
— And my little sister? Eu posso vê-la?
— E-eu acho que pode sim. Quer que eu te leve lá?
— Não, não, eu me viro. Quero falar com ela sozinha. – E foi embora sem olhar para trás.
— Tradução: “vou falar palavras muito doces para a minha personalidade, e com voz de criança. Além de chorar muito, portanto não quero plateia.” – Davi brincou, sentando-se no sofá da sala de espera.
— Você conhece bem essa bad girl não é, garoto?
— Ela é minha mulher...! Eu sou capaz de identificar o que ela tá sentindo até pela respiração dela... – Nós dois rimos e eu me sentei ao seu lado.
— Tá feliz?
— Muito. Casar com a Megan foi a melhor escolha que eu já fiz, mestre. – Sorri de canto e bati em seu ombro.
— Sei como é... – Respirei fundo e sorri com um pouco mais de vontade.
— O que foi?
— É, my friend... essas Parkers nos conquistaram pra sempre...
— É bom saber disso... – Me levantei virando imediatamente para encontrar Pamela acompanhada de uma enfermeira. Todos sorrimos e eu me aproximei, questionando-a:
— Você não devia estar fazendo uns exames?
— Já fiz! Foi super rápido. E o doctor disse que eu já posso ver nossa baby.
— Oi, Pamela, tudo bom? – Davi foi finalmente cumprimenta-la.
— Davi! What are you doing here? Megan veio com você? – Eles deram um abraço curto.
— Veio, veio sim. Ela foi ver a irmã. Sozinha... — Pamela riu revirando os olhos.
— Oh yeah... Megan não gosta de se mostrar sentimental em público. So... vamos baby? Estou louca para ver minha little girl... — Confirmei e segurei sua mão para irmos. – Vem também, Davi? – Ele assentiu e fomos todos.
Quando nós chegamos ao local, Megan estava saindo. Ao ver a mãe se apressou em abraça-la, perguntar se estava tudo bem e dizer que se ela desse outro susto daqueles, a Pamela ia ver só. Depois da cena engraçada, Pamela focou sua atenção na incubadora que continha nossa menina. Foi só ela olhar para as lágrimas caírem. Pamela colocou a mão pelo buraco e acariciou o rostinho dela com todo o carinho que você pode imaginar.
— She’s so beautiful... — Murmurou sem conseguir parar com as lágrimas. Eu envolvi sua cintura e beijei seu ombro.
— Como a mãe dela... – Murmurei.
— Vocês já escolheram o nome? – Davi perguntou.
— Nós ainda não...
— I think so. — Eu e Pamela falamos ao mesmo tempo, mas eu parei a minha frase no meio para ela terminar a sua.
— Acha que sim? – Questionei-a. Ela me olhou como se visse além de mim e disse:
— Branca.
— O nome de grandma? – Megan perguntou.
— Yeah... uma homenagem à minha mãe. – Ela me olhou. – O que você acha?
— Acho que você fez uma linda escolha...
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