Notas iniciais
Olá, demorei, mas apareci E pra avisar que talvez volte a demorar. Daqui a pouco minha faculdade começa e aí que ferrou mesmo... então espero contar com a paciência de vocês! ^^ Ah, e como esses próximos capítulos serão um tanto quanto complicados, eu estou precisando da ajuda de algumas músicas, além de que ler com trilha sonora é sempre melhor U.u Então, pra esse capítulo, temos Turning Tables: https://www.youtube.com/watch?v=qeStG-nlrR4

Por Pamela:

A dor em meu peito era insuportável. Herval tinha ido embora e levado consigo, sete anos da minha vida! Na verdade, até mais que isso, se contando com o tempo em que namoramos... eu definitivamente não estava bem, caminhei até a cama, me jogando em cima dela. Parecia que não havia mais nada dentro de mim... eu estava oca. Me sentindo incapaz de continuar viva, mas também de morrer.

Darling, eu posso entrar? – Ouvi a voz de Dorothy, da porta. Companhia era a última coisa que eu queria! Meu coração doía demais e não permitia que minha boca falasse. – Pamela? Está tudo bem? – Não obtendo resposta alguma minha, ela entrou.

Eu estava com o rosto enterrado no travesseiro e não parava de soluçar. Chorava como uma criança, mas com dores de uma mulher adulta, magoada.

— Ah Pam... – Ela veio até mim, com cuidado para não pisar no vaso estilhaçado no chão. – Não fica assim, dear... – Sentou-se ao meu lado e deslizou sua mão nos meus cabelos. Isso não me ajudou em nada; eu simplesmente chorei ainda mais, a dor só aumentava e eu nunca imaginei que alguém fosse capaz de me deixar de tal modo...

— Ele foi embora, madrinha... – Disse com dificuldade. Minha garganta doía como se uma faca lhe rasgasse um pouco a cada palavra.

— Ele volta, Pam...

— No. Ele duvidou de mim...!

— Estava de cabeça quente...

— Nada justifica tudo o que ele me disse e a maneira com que me olhou, Dorothy! – Tentei olhá-la e os sucessivos soluços vieram.

— Calma, Pam, calma... – Madrinha me abraçou fortemente, mas diferente de todas as outras vezes, dessa vez não aconteceu nada...

A dor só crescia. Era o fim do meu casamento. Era o fim de uma vida juntos! Eu apenas deixei meu rosto cair em seu ombro. Chorar já era normal demais naquele dia, eu estava destruída! Era como se a imagem dele indo embora por aquela porta, não saísse mais da minha cabeça, eu a vi se repetir inúmeras vezes na minha frente.

— Herval me odeia, Dorothy!

— Não, ele te ama, Pamela...

— Ele foi embora!

— Ele está magoado.

— Mas eu não fiz nada! Eu não o traí, está me ouvindo?!

— Eu sei! E ele também sabe! Só está de cabeça quente, dear... faz o seguinte: – Segurou meu rosto entre suas mãos enxugou as lágrimas que escorriam. Inutilmente, já que outras tomaram meu rosto, mais vívidas. – Vai tomar um banho quente, comer alguma coisa, dormir... han? Que tal? Deixa o Perigo Tropical esfriar a cabeça e você também, depois vocês voltam a conversar, okay?

— Você não está entendendo, não é, madrinha? Não tem jeito... – Me levantei, enxugando os olhos e lhe dando as costas. Me senti fraca e precisei me apoiar na cama. Ela correu para me amparar e disse:

— Você não tem o poder de dizer isso. Apenas faça o que eu estou dizendo, que vai se sentir melhor. Depois você pensa no depois.

— É O FIM O MEU CASAMENTO, DOROTHY! A MENOS QUE HERVAL ESTEJA AQUI DO MEU LADO, EU NÃO VOU ME SENTIR MELHOR! – Sei que Dorothy não merecia que eu gritasse com ela, mas foi inevitável...

Eu estava com incansáveis gritos presos na garganta. O ódio pela injustiça que ele estava cometendo também. A cena de Ernesto se declarando pela enésima vez, seu súbito beijo, a voz indignada de Herval, tudo isso pairava na minha cabeça e as lágrimas insistiram. Dorothy não se ofendeu com o meu berro. Ela estava calma, completamente o oposto de mim; ela estava sendo o que eu precisava naquele momento.

— Mas você precisa estar bem. Seu filho vai chegar da aula daqui a pouco, o que vai pensar ao ver a mãe dele nesse estado deplorável e o pai dele fora de casa? – Foi aí que o meu coração parou. Joaquim não aceitaria a nossa separação, ele sofreria muito...

Oh my God... Dorothy... e-eu acho que... não sou capaz de falar o que aconteceu para o Quim hoje. Eu desmontaria na frente dele! – Ela me conduzia ao banheiro.

— Não se preocupe com isso. Se você me obedecer e for dormir, eu invento qualquer coisa para o moleque não te encher de perguntas. Amanhã você conversa com ele, está bom assim? – Fui obrigada a concordar. Eu queria não precisar falar sobre aquilo com o Joaquim nunca!

Na verdade, eu nunca imaginei que precisaria falar... eu sentia que o meu casamento com Herval era sólido demais e que nada poderia nos fazer chegar ao estado que chegamos. O fio que nos prendia havia se rompido e eu... não tinha forças para contar isso para o Quim.

Dorothy ajudou a me despir e preparou a banheira.

— Pamela, eu tenho certeza de que tudo vai ficar bem. Claro que o que o Herval viu não foi de fato o que ele formulou na cabeça dele, mas você precisa relevar... ele está nervoso, enciumado...

— É justamente esse o problema! Eu também já estou cheia esses ciúmes! Eu não sou obrigada a aturar isso, Dorothy! Herval foi um completo idiota, eu nunca dei sequer um motivo para ele duvidar de mim!

— Deu... – Abri a boca para protestar e ela concluiu: – Sua beleza.

— Isso é ridículo!

— Podia parecer que não, mas ele sempre te achou areia demais para o caminhãozinho dele, desse modo, qualquer ameaça é altamente destrutiva para ele, tenta entender! Você é linda e trilhardária, acho até normal que ele se sinta inseguro...

— No! Não dá para entender isso... Herval não é mais o mesmo. – Entrei na banheira e ela se encostou no balcão, suspirando.

— Ele não é mais o mesmo, você não é mais a mesma... – Agachou-se ao meu lado. – Pamela, você ainda não percebeu que sete anos se passaram? Você nunca ouviu falar que nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia? Os dois mudaram, mas isso não pode ser motivo para uma separação.

Whatever... – Disse, recebendo um sorriso desanimado dela. Dorothy se levantou, alegando que iria preparar algo para eu comer e me deixou sozinha.

Não devia ter feito isso. Meus gritos e os de Herval vieram com tudo nos meus ouvidos. Eu senti um vazio imenso ao pensar no vazio do closet sem suas roupas... não dava para acabar assim!

Meu banho era preguiçoso e chato. Eu estava sem Herval há alguns minutos apenas e ele já estava me fazendo uma falta quase que insuportável! Ele era a minha cryptonita. O meu ponto fraco. Foi embora, eu caí. Então ouvi um barulho vindo do quarto e logo deduzi que fosse Dorothy.

— Madrinha? É você? – Saí da banheira, me enrolando numa toalha ali perto e abri a porta do banheiro, esperando encontra-la com uma bandeja de comida, para me obrigar a me alimentar.

Mas fui surpreendida pela mesma figura que há minutos atrás havia me abandonado, havia duvidado de mim e havia ido embora de mala e cuia! Não tive tempo de absolutamente nada; ele me puxou bruscamente para si e me beijou ardentemente, como sempre fazia depois das nossas muitas brigas. Ao contrário do que deve estar pensando, eu não relutei.

Agarrei seus cabelos com força e senti meu corpo ser arrastado para dentro do banheiro novamente. No instante seguinte, estava em cima daquele mesmo balcão em que antes estava Dorothy. Minha respiração ofegante evidenciava o meu desejo e arrependimento pela briga e ele segurou minha toalha, pronto para tirá-la.

— Hey! Pamela! – Alguém me chacoalha e eu abro os olhos. – Está tudo bem? – Olho para Dorothy, confusa, olho para a porta, ninguém mais, para o balcão, e ele está intacto.

Yeah... está sim, madrinha... – Disse, decepcionada.

— Achei que tinha desmaiado aí dentro. – Diz suspirando e dando um sorriso pequeno.

— E-eu só fechei os olhos um pouco para relaxar... – E acabei imaginando o que não devia! É inacreditável a minha capacidade de me torturar!

Okay... falando em relaxar... você não vai à Marra ou à Parker nos próximos dias!

— Eu não posso deixar minhas empresas ao léu, Dorothy, eu preciso trabalhar!

— Você precisa se reestabelecer, resolver problemas realmente importantes agora: seu casamento! E não adianta contestar! – Ela me estendeu o roupão e eu saí da banheira, acompanhando-a até o quarto, onde já havia uma bandeja na minha cama. – E precisa também demitir aquele moleque! – E de repente senti um ódio imenso de Ernesto! – Só que não agora.

— Eu vou mata-lo, madrinha! Minha vontade agora é de estrangular aquele... aquele...

— Não vai não... basta colocar ele no lugar dele. Demitir está de bom tamanho.

— O pior é que eu não posso... não é nada ético demitir um profissional tão qualificado como ele, por um problema pessoal...

— E ele vai continuar sendo seu braço direito?!

Of course not. Nesse momento eu quero distância de qualquer presença masculina! Além de que perdi a confiança que tinha nele... – Ela deu de ombros e me indicou a bandeja.

— Anda, come. Depois você vai descansar! Toda essa briga te deixou meio pálida... – Diz, tocando meu rosto. – Eu vou cuidar de você, baby...

(...)

Quando Joaquim chegou, foi difícil desconversar, mas como o prometido, Dorothy não deixou que ele me fizesse muitas perguntas. Talvez my baby boy estivesse muito confuso, mas eu estava ferida; não dava para futucar no mesmo dia em que ela se abriu.

No dia seguinte Dorothy me acordou dizendo que Megan iria ao Rio para ficar comigo. Well, primeiro que não foi bem um “me acordou” eu sequer dormi! Passei boa parte da noite olhando a noite passar pela janela. Pensava em como estaria Herval e se ele estava pensando em mim, assim como eu nele, mas dormir foi a última coisa que eu fiz!

A princípio, achei desnecessário incomodar Megan com aquele problema, mas depois eu concluí que sua presença seria bem-vinda. Nada melhor que os braços filiais para ajudar a lhe dar com tamanha tristeza.

— Megan falou que vem amanhã mesmo para cá, Pam. Ela e o Davi que, afinal, é praticamente filho do Herval...

— Madrinha, please, por enquanto, evite falar este nome, okay?

— Por que a Dorothy não pode falar o nome do papai, mommy? — Joaquim entrou no quarto, já de uniforme e mochila nas costas. Minha garganta apertou e infelizmente havia chegado a hora de eu conversar sobre o que estava acontecendo, com o Quim.

Notas finais
Continua...