Geração Pamerval - A história do início ao fim
127 Capítulo 127
Por Pamela:
– Não, Pamela, por favor, não faz isso... – Ele implorava enquanto eu o arrastava para a roda-gigante. – Você não sabe, mas eu tenho trauma desse negócio!
– Ah é? – Disse sem dar ouvido a sua súplica e o empurrando para subir no brinquedo.
– Eu simplesmente fiquei preso no alto de uma roda-gigante dessas por 30 min, quando criança.
– Isso é motivo para trauma, Herval!?
– Para uma criança de 5 anos é sim. – Disse com uma careta, meio infantil.
– Se você sentir medo, pode segurar na minha mão, okay? – Disse, fazendo-o olhar para mim com um sorriso não sarcástico, mas verdadeiro no rosto. Sem muita demora, o brinquedo começou a funcionar. Ele institivamente segurou firme minha mão e fechou os olhos. Quem diria que um homem daquele tamanho teria medo de uma coisinha daquelas... – Abre os olhos! Tá perdendo toda a beleza, Herval...!
– Não. Tô bem assim, obrigado. – Quando a roda-gigante fez um giro de 120 graus, eu podia ver Joaquim e Dorothy brincando. Do meu ângulo de visão eles estavam minúsculos, mas nem por isso deixei de ver seu sorriso.
– Herval, abre os olhos... olha lá o Quim brincando! – Negou com a cabeça e eu insisti mais uma vez: – Se você abrir... eu prometo te fazer uma surpresa quando chegarmos em casa. – Sussurrei em seu ouvido, era minha última tentativa, se aquilo não adiantasse, eu ia ter que implorar para que o rapaz do brinquedo nos deixasse descer, porque o caso seria mesmo sério.
–Surpresa? Que surpresa? – Ele me olhou imediatamente. Safado. Sorri e respondi:
– No momento, não interessa, apenas olha. É bonito, não é?
– Você é mais. – Tentou continuar a me olhar para não ter que se dar conta de que estava no alto de uma roda-gigante.
– No, Herval! Você não tem medo de altura, que eu sei... então porquê isso agora?
– É que além de ficar preso por 30 min numa roda-gigante, o nervosismo fez com que eu vomitasse lá do alto. Foi um super mico!
– Mas você era uma criança e isso não vai acontecer de novo, okay? Até porque se você vomitar em cima de mim, eu quebro a sua cara. – Disse, encostando a cabeça em seu ombro e entrelaçando meus dedos aos seus. – Apenas aproveite a noite, a paisagem e a companhia...
Ele finalmente sorriu e cedeu.
– A noite tá linda né... – Fala, finalmente prestando atenção na noite agradável que nos rodeava.
– Muito. – Falo, seguido de um suspiro.
(...)
Joaquim brincou tanto que não aguentou: pegou no sono no braço de Herval enquanto conversávamos ainda no parque. Sem o principal interessado naqueles brinquedos todos, havia chegado a hora de voltar para casa. Para não correr o risco de acordá-lo, Herval foi com ele no banco de trás, eu dirigia e Dorothy estava ao meu lado.
Por um instante dei uma olhada pelo retrovisor de dentro do carro, e assisti justamente a cena de Herval com os dedos perdidos entre os cabelos do Quim, olhando para ele dormindo inocentemente, e sorrindo. São momentos assim, pequenos, quase imperceptíveis, que me fazem ter a certeza de que eu fiz a coisa mais certa da minha vida em ter casado com ele e ter adotado o Joaquim. Eles eram a minha Family... a melhor que eu poderia sonhar em ter.
Assim que chegamos em casa, Herval saiu com ele do carro direto para o quarto. Uns dois a três minutos depois, cheguei na porta e ele despia o garoto para fazê-lo tomar banho. Estava suado, brincara muito. Joaquim, recém-acordado, estava com aquela típica carinha manhosa de criança que está morta de sono.
– Quer que eu faça isso, baby? – Perguntei em relação a dar um banho no Quim.
– Não, pode deixar... – Sorri para mim, e foi levando o Quim para o banheiro. – Eu quero a minha surpresa... – Sussurra e pisca para mim antes de entrar no banheiro.
Fui para o quarto e diretamente para o banheiro também. Aquela noite de brincadeiras me deixara exausta e nada como um bom banho para recuperar as forças! Não saí de lá até que Herval chegasse.
– Pam? – Ouvi sua voz no quarto. – Pamela? – Insistiu e eu não falei nada. – Deve ter ido falar com a Dorothy... – Suspirou; dei mais um minuto no banheiro e depois saí de fininho. Ele estava de costas sem camisa e desabotoava a calça.
Pé ante pé cheguei perto e fiquei atrás dele. Minhas mãos cobriram seus olhos e ele logo as tocou deixando que a calça caísse por si só.
– Pamela? Você tava aí escondida todo esse tempo?
– Yeah...! – Sussurro em seu ouvido e deixo-o se virar. – It’s your susprise! – Ele me olhou dos pés à cabeça, eu estava ainda completamente nua, para quê colocar roupa? Só para ter o trabalho de tirar novamente? No... Empurro-o para cima da cama e ele abre um sorriso. – Gostou da surpresa? Valeu a pena ter ido na roda-gigante? – Digo subindo e me sentando sobre ele.
– Se eu gostei? E se valeu a pena? – Confirmo, depositando um beijo sensual em seu pescoço. Suas mãos percorrem minhas costas. – Eu acho que vou enfrentar uma roda-gigante todo santo dia, só pra receber uma surpresa dessa! – Sorri contra seu peito, que foi para onde os beijos correram enquanto respondia. – Você é incrível, Pamela Parker... – Disse segurando meu rosto entre suas mãos, me fazendo olhá-lo nos olhos. Segundo após segundo eu me apaixonava mais...
– I love you... – Respondo assim, antes de nos perdermos num beijo romântico e fogoso. Enquanto suas mãos apertavam minhas coxas, sua boca fazia carícias na minha! Uma mistura de doce e selvagem...
Deixei-me ficar ereta sobre ele e suas mãos correram aos meus seios. Seus toques sempre me tiraram toda e qualquer noção de certo, errado, intensidade, tempo... tudo me enlouquecia e estando os dois excitados, não me demorei a segurar sua cueca. Foi quando bateram na porta.
– Não responde que vão embora. – Ele murmurou.
– Mommy... daddy... – Ouço a voz manhosa de Joaquim.
– Já vai, baby! – Digo, fazendo Herval socar o colchão, decepcionado. – Deixa de besteira! – O censuro. Corri para o closet, vestindo uma calcinha, uma camisola e me enrolando num hobbe, e vi Herval se levantando para ir ao banheiro. Quando abri a porta, Joaquim estava quase dormindo em pé. Tinha o travesseiro apertado contra o peito e cabelo bagunçado.
– Posso dormir aqui com vocês...? Tive um pesadelo... – Pede em tom de súplica.
– Of course, my baby boy! Come on... – Deixo-o entrar e ele vai direto para a cama deitando-se no meio.
– Cadê o papai? – Pergunta doce.
– Deve estar tomando banho, dear... você quer que mommy cante uma canção pra você? – Confirma com um movimento curto da cabeça e eu me deito ao seu lado. Apoiada sobre um cotovelo, passei a mexer em seu cabelo enquanto cantava:
“Sonhar é pedir aos anjos
Quando o sono vem...
Nos sonhos não há tristeza
E todo desejo cai bem
Pois sonhe com fé e um dia
O arco-íris vai chegar...
Pois quem no sonho acredita
Torna a vida bonita
O sonho vai desabrochar...
D-rá d-riran d-rantan, daran dariri riran...
dan diriran dirantan
dadiraran rariri riran
Pois quem no sonho acredita
Torna a vida bonita
O sonho vai... desa...brochar...”
Herval já aparecia e novo e me olhava com uma cara que era de dar dó. Deitou-se do outro lado da cama e olhou Joaquim por um instante.
– Tá brincando comigo, né?
– Infelizmente não... acho que você vai ter que esperar, baby... – Suspirou e olhou de novo para o Quim. Ele já tinha fechado os olhos, mas ao sentir a presença do pai, os abriu com muito pesar, sorriu e jogou um braço para ele, lhe envolvendo num abraço.
Olhei para Herval e um sorriso sutil surgiu em sua boca, me contagiando. A chegada de Joaquim não fora tão ruim afinal... sexo é poesia, é invasão, é carnaval, é uma selva! Mas algo que ultrapassa esse prazer todo é o amor a um filho... esse amor é um livro, é divino, é bossa nova, é pensamento, teorema, nos torna patéticos e ao mesmo tempo, as pessoas mais felizes de toda a humanidade.
– Perdi a surpresa, mas ganhei um abraço... – Sussurra, já sem aquela cara implorativa e sim com um semblante doce e satisfeito.
– Foi uma boa troca... – Sussurro de volta, passando a mão ainda pelos cabelos de Joaquim.
– Não troquei nada...! Ainda quero minha recompensa por ter andado naquela obra do capeta!
– Mas...
– Amanhã. – Me interrompeu com um sorriso safado.
– Okay, amanhã... – Confirmo, mandando-lhe um beijo pelo ar. – Good night, hubby...
– Boa noite, Pam... – Dei um beijo em Joaquim e virei para o lado. Com um sorriso no rosto, o sono foi me conquistando aos pouquinhos até eu me entregar completamente a ele.
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