GenusJuice
1 Capítulo 1
— Black, Potter! Minha sala, agora! — a voz de Moody reverbera pelo escritório dos garotos
— O que você fez agora Pads! — James diz com a mão no peito se recuperando do susto causado pelo patrono do auror
— Por que você assume que quem fez alguma coisa fui eu?
— Quando não é? — Remus responde sem esconder o sorriso irônico
— O Prongs também vive quebrando as regras e fazendo o que não devia. Por que não poderia ser ele?
— Porque eu vivia fazendo isso, verbo no passado. Já esqueceu quem foi monitor no sétimo ano? — diz ajeitando as vestes e saindo do escritório
— Ainda não sei como isso aconteceu... — Black retruca o seguindo
— Ninguém sabe — a voz distante de Remus soa atrás dos garotos que já estavam no corredor
Os rapazes seguem pelos corredores do ministério em meio a alfinetadas e risos até que, finalmente, chegam a sala de Moody
— O quão encrencado você acha que nós estamos?
— Se você me disser o que você andou fazendo, talvez, eu tenha uma resposta
— Já disse que não fiz nada e...!
A porta se abre interrompendo Black. Moody estava sentado na sua mesa, um olho lendo os papéis e o outro vidrado nos garotos que, apesar de não terem feito nada errado, começam a temer que tipo de punição eles iriam receber
— Entrem, entrem! Não temos a porcaria do dia todo!
— Nos chamou pr... — Black tenta perguntar quando os garotos entram no escritório
— Claro que eu os chamei! Precisamos de puros-sangues para uma missão, vocês são os únicos que estão disponíveis... Não são o ideal, mas nas atuais circunstâncias... — falou enquanto revirava o olho normal ignorando completamente os punhos cerrados dos garotos e a expressão indignada — Temos um grupo de Comensais caçando bruxas puro-sangue que não aderiram a Você-Sabe-Quem. Vários desaparecimentos foram reportados, no início apenas daqueles que se consideravam neutros, mas agora algumas das integrantes da Ordem também desapareceram. Dumbledore acredita que eles estão... tentando manter a pureza do sangue — completa com um tom sombrio
— E você quer que a gente procure essas mulheres? — James diz ainda não entendendo o motivo de ser necessário um puro-sangue para a maldita missão
— Não, Potter — um sorriso sarcástico cruzou seu rosto — Eu quero que vocês sejam estas mulheres
— Hã?!
— Isso mesmo que você ouviu Black, queremos que vocês circulem nas áreas onde foram reportados os desaparecimentos e descubram o que está acontecendo e...
— Por que precisamos ser puros-sangues pra isso?! — Sirius interrompe com raiva visível em sua voz
— Porque não sabemos se eles têm algum feitiço ou poção que verifique a droga da suposta pureza do sangue — os rapazes se acalmam — O Ministério já autorizou a missão e prepararam uma quantidade de poção suficiente para um mês e...
— Poção Polissuco? Ficar UM MÊS tomando poção Polissuco?
— Pare de me interromper Black! Não é poção Polissuco, infelizmente não sabemos de todas as pessoas que eles mantêm detidas e podíamos correr o risco de escolher alguém que já foi descartado ou, pior ainda, alguém que já está lá
— Mas então... — Potter interrompe sua pergunta ao ter o olho mágico do auror voltado para sim
— Dumbledore nos indicou uma nova poção, não está completamente testada, mas não temos tempo a perder!
— Nova poção?
— Poção Genussuco, senhor Black. Quase igual a Polissuco, mas não transforma uma pessoa em outra apenas muda o gênero
Os rapazes arregalam os olhos e ficam sem saber o que dizer. Moody, sem paciência como de costume, vai até eles com duas pastas nas mãos
— Vocês começam amanhã. Dentro da pasta vão encontrar os lugares pelos quais deverão circular e a documentação feminina de vocês — o sorriso dele pareceu aumentar ao falar essa última parte
— Jane Potter... — James sussurra abrindo a pasta
— Serena McKinnon? — Black fala com um tom bem mais alto que o amigo — Por que meu sobrenome muda e o dele não?
— Porque — Moody diz pegando dois malões que estavam num dos cantos da sala — A família Black é conhecida pelos comensais. Não iriam acreditar que, justo quando bruxas puro-sangue estão desaparecendo, convenientemente aparece uma prima distante chamada Serena Black — deposita os malões aos pés dos garotos
— Ok... — Sirius murmura encarando o chão
— Dentro dos malões vocês vão encontrar os frascos com as poções e algumas roupas. Cada frasco dura um dia, então NÃO desperdicem. Caso sejam capturados se comuniquem com o Patrono, se eles confiscarem suas varinhas colocaram uma extra em cada malão. Acredito que ambos têm domínio de feitiços de transfiguração e de ilusão para disfarçar os frascos se for necessário?
Ambos assentem não contendo o sorriso maroto que se formou em seus lábios
— Muito bem! Mandem relatórios diários por meio dos patronos sempre a mim ou a Dumbledore. Contamos com a completa discrição dos dois. Ainda não sabemos quem é o espião infiltrado na Ordem e estamos descartando vocês dois dessa posição, não desapontem Dumbledore — diz voltando a sentar na cadeira
Eles assentem mais uma vez, orgulhosos da confiança que o Professor depositou neles. Os rapazes pegam seus novos malões e se direcionam para a saída abrindo a porta do escritório
— E garotos... — eles se viram, já fora da sala — ...Boa sorte
James e Sirius sorriem, James murmura um obrigado enquanto o amigo fecha a porta
— Então... Serena, pronta pra missão?
— Eu estou e você Jane?
Os amigos sorriem um para o outro enquanto brincam sobre a situação. Antes de irem para o apartamento do Black eles passam pelo escritório que dividiam com Remus e Peter. Os dois recolhem as coisas e ponderam se deveriam contar ou não a missão para o amigo. Por fim decidem não contar, Olho-Tonto havia sido claro sobre a descrição. Quando chegam na casa de Sirius, James manda um patrono para Lily avisando que ficaria fora por causa de uma missão da Ordem e lhe contaria tudo assim que voltasse.
— Então, como você quer guardar nossas coisas? — Sirius pergunta abrindo o malão
— Acho que podemos colocar um feitiço indetectável de extensão nessa bolsa — James fala segurando o objeto de couro
— Capacious extremis?
— Esse aí...
Sirius assente e pega a bolsa que estava dentro de seu malão e murmura o encantamento, Potter faz o mesmo com a própria bolsa e eles começam a guardar, cuidadosamente, a caixa de poções.
— Vamos ter que usar feitiços protetores — James diz analisando a bolsa
— E definitivamente vamos deixar essas bolsas mais leves — Black diz com a bolsa no ombro e uma careta no rosto
— Sempre exagerado Pads — James diz revirando os olhos antes de lançar o encantamento Peso-Pena na bolsa do amigo
— Bem melhor! — Potter ri e faz o mesmo com a sua bolsa
Depois de guardarem tudo que julgaram necessário os rapazes começaram a lançar os feitiços de proteção eles não poderiam correr o risco que um simples Finite Incantatem acabasse com uma missão tão importante. Já passava da meia-noite quando os dois terminaram de arrumar tudo e finalmente foram dormir.
(...)
— Eu me recuso a usar isso! — Sirius diz pela milésima vez segurando uma saia rodada preta que parecia ir até metade do joelho do rapaz
— Pads é só uma saia — Potter diz revirando os olhos enquanto pega suas roupas
— Você diz isso porque você vai poder ficar de calças! — o amigo retruca
— Você está sendo um pouco exagerado e... — Potter para de falar quando vê uma coruja no batente da janela — Aquela é a coruja da...
— Da ruiva? Com um berrador no bico... boa sorte Prongs — Sirius diz rindo ao abrir a janela e pegar o berrador que começa a gritar com a voz de Lily
— JAMES FLEAMONT POTTER NÃO OUSE SAIR NESSA MALDITA MISSÃO ANTES DE EU CHEGAR NO APARTAMENTO DO CACHORRO DO SEU AMIGO! SE EU APARATAR E VOCÊ NÃO ESTIVER MAIS AI OS COMENSAIS VÃO SER SUA ÚLTIMA PREOCUPAÇÃO!
— Mas o que eu fiz? — James fala encarando a carta do berrador que agora estava em suas mãos meio trêmulas
— Não sei, mas eu acho melhor a gente esperar a ruiva aparecer — Sirius diz segurando o riso enquanto o amigo assente com uma feição um pouco aterrorizada
Os dois continuam a lançar alguns feitiços de proteção e testam alguns feitiços de transfiguração nos frascos se certificando que eles voltavam ao formato original sem nenhum estrago. Eles tiram na sorte para ver quem iria testar a poção primeiro, Sirius perdeu. Com uma careta Black dá um pequeno gole na poção fazendo uma careta logo em seguida.
— Isso consegue ter um gosto pior do que de Polissuco
— Será que demora muito pra surtir efeito?
— Sei lá! O filho do cara que faz poções é você! — Sirius diz irritado segurando sua saia indo para o banheiro
— Meu pai faz poções capilares não poções de transfiguração!
— Que seja! — ele responde com a voz abafada pela porta fechada
James volta a organizar as coisas colocando as roupas que iria usar em cima do sofá. Uns bons minutos haviam se passado desde que Sirius havia se trancado no banheiro e quando ele começou a se dirigir para o corredor que levava ao banheiro a campainha toca. Potter vê pelo olho-mágico sua noiva com uma expressão nenhum pouco contente, ele respira fundo antes de abrir a porta.
— Bom dia, Lírio — diz sorrindo
— Nem tente — ela fala entrando ignorando a tentativa dele de dar-lhe um beijo — Eu posso saber por que, em nome de Merlin, você ia em uma missão sem falar comigo pessoalmente?
— Eu...
— AAAAHHH! — um grito feminino vindo do corredor interrompe os pensamentos do maroto
Pelo mesmo caminho que Sirius havia desaparecido minutos atrás surge uma mulher de cabelos longos e traços delicados apesar da musculatura bem definida em suas pernas, que por sinal estavam descobertas já que a figura só vestia uma blusa social semiaberta.
— Eu não acr... — a versão feminina de Sirius para ao ver a ruiva ali olhando boquiaberta — Ih, sujou...
— Desculpa eu não sabia que o Potter estava ocupado — ela responde seca indo para a porta
— Lírio, não é o que você está pensando eu juro!
— É mesmo Potter? — o tom de voz dela era frio — Então você não está indo pra algum lugar com essazinha e...
— Hey! — Sirius protesta e James olha com raiva para o amigo
Lily observa a cena e seus olhos passam rapidamente pelas roupas espalhadas pelo sofá e pela identidade bruxa atirada de qualquer jeito, o sobrenome McKinnon saltando em seus olhos que agora se enchiam das lágrimas enquanto a ruiva tirava suas próprias conclusões
— Você... você disse que nunca faria a mesma coisa que ele! — Lily disse sem controlar as lágrimas
— Mas Lír...
— NÃO OUSE ME CHAMAR ASSIM! — exclama se afastando da mão estendida do rapaz — Pelo menos o Snape disse na minha cara o que pensava de mim. Você nem teve os nervos pra fazer isso
— Lily eu não estou entendendo nada e... — ela ri sarcástica
— Não? — fala se aproximando enquanto tira o anel — Talvez isso esclareça e...
— O QUE? COLOCA ESSE ANEL DE VOLTA! — Sirius, ainda em seu corpo feminino, grita saindo do transe que ele parecia ter entrado
— Você gosta de ser a outra então? Que vocês procurem outra idiota pra en... — Lily não pode terminar sua frase
James, desesperado, aproveitou a que sua noiva estava gritando com 'Serena' e a puxou para um beijo. A ruiva tentou se desvencilhar, mas não conseguiu e se entregou a ele. Como alguém que fazia com que ela se sentisse assim tão segura iria machucá-la daquela forma.
— Deixa eu explicar... — ele sussurra quando eles se separam
— Er eu vou deixar o casal se resolver e...
— Você não vai mover um músculo Pads! — James diz
— Pads? — Lily pergunta confusa — Pads de Padfoot? Essa aí é o Sirius?
— Merlin, como você é inteligente — Potter diz sorrindo abobalhado e Sirius revira os olhos
— Mas como?
— Dumbledore — Serena diz dando de ombros e ruiva assente. Vindo do antigo diretor nada surpreendia
— Eu vou querer explicações quando você voltar — diz abraçando o noivo — E é bom que você volte, porque se você morrer James Potter eu te mato — o rapaz sorri
— Também te amo, Lírio — diz dando outro beijo na garota que sorri enquanto 'Serena' fazia sons de nojo ao fundo
— Volte logo e tomem cuidado — fala lançando um olhar significativo a 'Serena'
— Por que tá olhando pra mim? — Black pergunta e Lily apenas balança a cabeça se dirigindo para a porta
— Boa sorte — diz antes de desaparatar
Depois que Lily foi embora, os rapazes terminam os últimos detalhes e James toma um gole da poção. Quando começaram a se vestir ambos concluíram que não deveriam ter deixado a ruiva ir embora sem dar uma ajuda. Um bom tempo se passou até que Serena conseguisse colocar a saia de cintura alta junto com a blusa florida e com Jane não foi diferente. A calça boca de sino com uma blusa polo e uma jaqueta igual a calça foram um certo desafio para o Maroto.
— Por onde você quer começar? — Serena pergunta ajeitando a saia pela milésima vez
— King Cross? — Jane pergunta e o amigo assente. Eles se dão as mãos e aparatam para um dos lugares na lista fornecida por Moody, a Estação King Cross
(...)
Eles já estavam na segunda semana da missão, metade dos lugares na lista já haviam sido rondados pelos dois marotos em seus corpos femininos. James e Sirius estavam ficando cansados de nada acontecer
— Pra onde vamos hoje? — Sirius, já transformado em Serena, pergunta
— Whitechapel?
— Que Jack, o Estripador nos dê sorte — Serena diz segurando no ombro de Jane e aparatando
As duas chegam em uma parte afastada do bairro e seguem a rotina já familiar: andar pelo lugar separadas com a varinha levemente a mostra e olhando todos os objetos trouxas com uma expressão de fascínio ou de estranheza. Jane estava andando próximo a um pub quando sentiu uma varinha em seu pescoço.
— Nome e sobrenome — a voz masculina disse
— Ja-jane... Jane Potter — diz fingindo estar mais apavorada do que realmente estava
— E então? — o homem segurando seu braço pergunta
— É puro-sangue — outro comensal responde
— Parece que é seu dia de sorte, gracinha
— Eu não teria tanta certeza — Serena diz se postando em frente a amiga com a varinha a postos
Serena e um dos Comensais começam a duelar e, como planejado, ela se deixa ser derrotada para que também fosse levada.
— Nome e sobrenome — o Comensal com a varinha apontada para a coluna de Serena diz autoritário
— Siri... — Jane olha apavorada pra amiga e ela corta suas palavras antes de estragar tudo e começa novamente -Serena McKinnon
— Duas puro-sangue no mesmo dia! O Lorde das Trevas vai ficar satisfeito quando ouvir a notícia — um dos comensais que Jane reconheceu como sendo um antigo colega de Hogwarts, Alexander Nott comenta — As varinhas, por favor — diz esticando a mão
Fingindo relutância as duas entregam as varinhas agradecendo mentalmente a ideia que tiveram de sair com as varinhas reservas e deixar as principais dentro da bolsa. Agora só tinham de torcer para que os encantamentos funcionassem.
Sem nenhuma delicadeza ou pedido o outro Comensal arranca a bolsa das garotas e começa a verificar o conteúdo as virando de cabeça para baixo
— Nada aqui além de coisas de mulher
— Tem certeza? — Nott pergunta sarcástico e aponta a varinha para as bolsas — Finite Incantatem — Serena e Jane congelam no lugar só voltando a respirar normalmente quando Nott olha entediado para as bolsas vazias
— Devolva a bolsa para as senhoritas e vamos embora — Nott fala autoritário
O outro Comensal solta um resmungo, mas obedece. Em seguida cada um dos Comensais coloca a mão sobre o ombro das garotas e eles desaparatam. Quando abrem os olhos eles se encontram em frente a enormes portões de metal. Nott se aproxima e murmura alguma coisa fazendo os portões desaparecerem, eles passam e os portões reaparecem como se nada tivesse acontecido.
— Por aqui, senhoritas — Nott diz adentrando a mansão e as empurrando escada a baixo — Espero que gostem das novas acomodações, vocês ficarão aqui por um bom tempo — completa com um sorriso ao ver as duas mulheres no chão devido ao empurrão
— Desgraçado — Serena murmura se levantando
— Quem está aí? — uma voz feminina familiar pergunta na escuridão
— As mais novas prisioneiras — Serena diz sarcástica enquanto analisa o ambiente
Estavam em uma espécie de calabouço de pedra onde a única luz era proveniente de pequenas e altas janelas no canto mais a frene das garotas.
— Eles machucaram vocês? — a mesma voz pergunta mais próxima
— Não muito — Jane responde colocando a mão na bolsa buscando sua varinha, quando a encontra lança um lumus iluminando um pouco o local
— Marlene? — Serena pergunta olhando surpresa para a loira a sua frente
— Perdão, eu te conheço? — a loira retruca
— Na verdade não..., mas... hãn... somos parentes — Serena diz meio atônita. Elas não esperavam encontrar alguém tão próximo ali. Muito menos a namorada de Serena
— Somos? — a loira diz desconfiada — E qual é o seu nome?
— Er... Serena, Serena McKinnon e essa e Jane Potter — fala apontando para a garota de cabelos castanhos fazendo com que a loira arregale os olhos
— Eu vou matar o Moody!
Jane e Serena ficaram confusas. Em que confusão o Olho-Tonto os havia metido?
— O que foi Lene? — outra voz fraca pergunta na escuridão
— Moody não confia na gente! — Marlene grita cerrando os punhos
— Alguém pode me explicar o que está acontecendo? — Jane pergunta e a loira volta a olhar para eles
— Claro, Jane — ela começa com o sarcasmo presente na voz — Acredito que estejamos aqui pelo mesmo motivo...
— Sermos puro-sangue? Nossa não me diga! Você é um gênio priminha — Serena completa irônica fazendo a loira revirar os olhos
— Quando sairmos daqui eu vou ter uma conversa com Alastor. Nada discreto mandar vocês dois marotos aqui. Será que o Olho-Tonto não sabe que não adianta mandar um homem fazer o trabalho de uma mulher! — Jane e Serena abrem a boca sem saber o que dizer. Como Marlene sabia que eram eles? — Ah, fala sério! Vocês ainda estão surpresos. Reparem no nome que vocês ficaram, Jane e Serena, só alguém muito idiota pra não perceber
— Nott não percebeu — Serena murmura ainda em choque
— Exato! — diz impaciente — Já que vocês ainda têm suas varinhas mandem um patrono ao Moody. Diga que estamos todos bem — Jane assente e murmura o feitiço fazendo com que um cervo azul ilumine o ambiente todo
Potter observou chocada a quantidade de mulheres que estavam ali. Pelo menos vinte, provavelmente mais da metade das bruxas puro-sangue do Reino Unido.
— Serena e eu conseguimos ser capturadas. Ainda estamos em posse das poções e das varinhas. Marlene e Longbottom estão conosco. Estamos todos vivos — Jane diz para o patrono que se esvai em uma bola de luz azul
— Lene? — Alice chama com a voz fraca — Quem está aí com você?
— Prongs e Padfoot — a loira diz indo na direção da voz — Eles estão com as varinhas, você logo vai ficar melhor — fala e as garotas a seguem com as varinhas em punho e iluminadas na ponta
— Hey Longbottom — Serena diz em tom zombeteiro quando se aproximam da garota
— Hey Pads, gostei da saia — a morena responde sorrindo
— O que ela tem? — Jane pergunta preocupada se aproximando da amiga
— Tem uma fratura exposta no tornozelo. Eu fiz o que pude sem magia, mas ela perdeu muito sangue — Potter assente e se ajoelha na frente de Alice observando a fratura
— Não vou mentir pra você Al... Isso vai doer — a morena faz uma careta, mas assente
— Só... tente não gritar — Lene diz segurando a mão da amiga
— Estou pronta — a morena diz olhando para qualquer lugar que não fosse seu tornozelo enquanto aperta a mão da amiga
— No três — Jane diz posicionando a varinha — Um, dois ... episkey — fala e o barulho do osso voltando ao lugar ecoa no calabouço enquanto Alice morde os lábios com força
— Você disse no três! — a garota fala arfando
— O elemento surpresa diminui um pouco a dor — Potter fala dando de ombros e se senta ao lado da morena
— Há quanto tempo estão aqui? — Serena pergunta se sentando, com certa dificuldade por causa da saia, de frente para Alice e Marlene suspira sentando-se ao seu lado
— Perdemos a conta depois do primeiro mês...
— Não é à toa que Moody nos mandou! Eu achei que você estava em uma missão na Romênia, eu fiquei preocupado, droga! — Serena diz alterada e Jane coloca a mão no ombro da amiga
— Pads, se acalma. Ficar nervoso não vai adiantar nada — Black assente respirando fundo — Precisamos descansar agora e amanhã pensamos em uma maneira de sair. Eu fico com o primeiro turno — Potter termina e todos assentem
Jane e Serena tiram alguns cobertores de dentro de suas bolsas e fazem uma cama improvisada. Alice se deita virada para a parede e Potter se acomoda virada para a porta enquanto Serena e Marlene ficam mais afastadas discutindo.
— Você não tem a menor ideia de como eu fiquei preocupado! Olho-Tonto não me falava nada e eu estava há séculos sem notícias suas! — Serena sussurra para não atrapalhar as demais
— E o que você queria que eu fizesse? Hey Six, eu sei que nós tivemos uma briga super feia, mas adivinha só? Eu estou indo numa missão quase suicida pra ordem. Beijos e até
— Você podia ter dito alguma coisa! Qualquer coisa! — a loira suspira e abaixa a cabeça
— Desculpa — diz por fim — Eu jamais achei que essa missão fosse durar tanto tempo. Eu só queria ficar um pouco afastada de você... pra poder pensar
— E você pensou? — Serena pergunta claramente curiosa
— Sim
— E...?
— Infelizmente eu não consigo ficar longe de você
— Bom saber — Black diz se aproximando para beijar a namorada que corresponde sem hesitar
— Isso conta como experiência lésbica? — a loira pergunta brincalhona
— Provavelmente — Serena diz e puxa a namorada para mais perto voltando a beijá-la deixando Jane extremamente feliz e desconfortável em seu posto de vigia
(...)
Haviam se passado mais ou menos dois dias desde que Jane e Serena haviam sido capturadas. Durante esse tempo as quatro formularam um plano junto com Moody. Elas sabiam mais ou menos o horário que cada guarda aparecia e qual deles parecia ser o mais amedrontado entre todos os Comensais. No terceiro dia Jane mandou um patrono para o Auror informando que eles iriam sair dali hoje e que assim que estivessem do lado de fora mandariam a localização do lugar. Olho-Tonto concordou, mas disse que a prioridade máxima eram as prisioneiras.
Naquela manhã Marlene acordou abraçada com Sirius, que não havia tomado a poção durante a noite. Ela sorri e beija o queixo do rapaz até que ele abra os olhos
— Bom dia — Sirius diz sonolento
— Bom dia... Acho que está na hora de alguém tomar uma certa poção — Sirius resmunga, mas se levanta e pega um frasco dentro da bolsa virando o conteúdo fazendo uma careta
— Eu odeio o gosto disso
— É tão ruim assim? — Lene pergunta receosa, afinal parte do plano era fazer com que elas tomassem
— É pior — Sirius diz botando a língua pra fora — Já está tudo pronto?
— Sim, Jane já está vestida e Alice já bebeu e distribuiu a poção entre todas
— Só falta você então? — a loira assente e Sirius entrega um frasco para ela — Boa sorte
A loira vira o conteúdo do frasco e faz uma careta maior do que a de Sirius, fazendo o maroto rir. Eles esperam a poção fazer efeito e depois chama todas as mulheres, agora transformadas em homens e repassam o plano. Depois de todos concordarem com tudo, mais uma vez, eles começam.
— Socorro! Me tirem daqui! — Serena e Jane gritavam, já que eram as únicas mulheres na sala, para chamar a atenção do guarda
— Calem a boca! — alguém grita ao pé da escada
— Socorro! Por Merlin, tenha piedade! — elas continuam e quando escutam passos apressados descendo as escadas se escondem
— Eu mandei calar a boc... — o Comensal fala erguendo a varinha antes de congelar no lugar, chocado — Mas em nome de Salazar o que é isso? — diz tentando encontrar sentido no que estava acontecendo
Jane saindo de trás de Alice aponta a varinha para o Comensal que tentava entender para onde foram todas as mulheres que se encontravam ali.
— Expelliarmus — James grita fazendo com que a varinha do homem caia e suas mãos
— Estupefaça — Serena diz logo em seguida não dando tempo para o Sonserino pensar em contra-atacar ou pedir ajuda
— Vamos! — Marlene diz com sua recém adquirida voz grossa. Todos começam a seguir Marlene que estava com a varinha do Comensal desmaiado
— Se mantenham atrás de nós até que consigamos recuperar a varinha de todas — Jane fala andando com a varinha em punhos
Enquanto andavam pela mansão, mais dois Comensais caem desmaiados no chão, ou seja, mais duas varinhas para duelar. O grupo continua a se mover até dar de cara com, pelo menos, dez comensais mascarados em frente a porta bloqueando a única saída.
— Eu não sei o que vocês fizeram, ou como fizeram. Mas para o bem de vocês sugiro que voltem para baixo e me contém como reverter a situação
— Acho que não! — Alice diz lançando um Expelliarmus no bruxo que falava. Infelizmente ele havia sido rápido utilizando um feitiço de proteção
O duelo começou. Eram dez contra cinco, mas cada Comensal desarmado significava uma varinha a mais para eles. A luta estava ficando cada vez mais equilibrada até que apenas um Comensal sobrou na mansão. Com raiva de ter sido passado para trás ele direciona um Avada Kedavra para um dos homens que estavam afastados do grupo antes de aparatar. Jane e Serena correm até o corpo, mas não conseguiam reconhecer a mulher que estava sobre o efeito da poção Genussuco.
Marlene e Alice começaram a organizar todas tentando manter a calma enquanto Jane mandava um patrono para Moody e Serena procurava pelas varinhas e demais pertences das bruxas.
— Conseguimos sair, estamos na casa de um dos seguidores de Você-Sabe-Quem. Vamos retirar os feitiços de proteção para que vocês possam nos encontrar — Jane diz para o cervo azul a sua frente com a voz fraca
O patrono sai pela janela como uma bola de luz azul e Jane suspira indo informar Marlene que iria procurar por Serena, mas isso não foi necessário, já que Serena voltava descendo pela escada principal com dois baús flutuando atrás de si. Marlene lançou um Alohomora nos objetos e as bruxas começaram a pegar seus pertences para, em seguida, começar a desfazer os feitiços protetores.
Horas depois vários aurores aparecem na mansão. Mais da metade das bruxas já havia voltado ao seu gênero original. Apenas Marlene, Alice, James e Sirius estavam com os gêneros trocados o que fez com que Moody demorasse o dobro do tempo para encontrá-los.
— Muito bem garotos — Olho-Tonto disse com um fantasma de um sorriso nos lábios — Dumbledore está muito contente com o serviço de vocês
— Não foi nada — Jane diz bagunçando o cabelo e os demais concordam
— Tivemos alguma baixa? — Alastor pergunta e o sorriso no rosto do quarteto se desfaz
— Uma... e alguns feridos — Serena diz cabisbaixa
— Quem?
— A irmã de Vance — Jane diz com um nó na garganta olhando para o corpo coberto por um lençol
— Não se culpem. Isso é uma guerra e hoje ganhamos uma das batalhas — Moody diz antes de se afastar para verificar o corpo
— É impressão minha ou Olho-Tonto acabou de nos elogiar? — Marlene diz e todos afirmam rindo levemente
— Sabe Lene... Você estava certa... — Serena diz deixando todos confusos
— Eu normalmente estou — responde sorrindo — Mas você poderia ser mais específica
— Sobre não mandar um homem fazer o trabalho de uma garota — Serena diz alisando a saia inocentemente e descontraindo a tensão no ar
Os quatro se sentiram culpados por estar rindo depois de terem perdido uma aliada, mas como Alastor disse hoje eles ganharam uma batalha e tinham todo o direito de ficarem felizes por isso.
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