Gentleness
2 Tudo de acordo com o plano (não existente)
Notas iniciais
Era uma decepção admitir, mas esperar por algo interessante acontecer era o mais perto que ele chegava de uma vida animada. Claro, ele não era uma dessas pessoas que podiam dizer que estavam entediadas porque suas vidas eram normais demais, ele nem conseguia acreditar que alguém vivesse tão bem a ponto de dizer que estava entediado. "Cadê as dificuldades da vida dessa pessoa?" Era o que ele geralmente pensava quando dava de cara com um desses, e era bem fácil encontrá-los em histórias fictícias. Se realmente havia gente assim vivendo no mesmo mundo que ele, Ephir só podia pensar duas coisas:
"Que sorte, ter uma vida tão tranquila longe de dificuldades" e "Eu que não quero isso, viver protegido do resto do mundo e manter um horizonte tão pequeno".
Ele até se considerava um indivíduo protegido, de certa forma, mas sua vida não era tão fácil que ele pudesse reclamar de não ter nada pra fazer. Tinha mais gente que não ia com a cara dele do que gente que gostasse de sua companhia, então ele passava tanto tempo lidando com intolerância quanto passava respirando. Até sua mãe havia admitido que se não fosse sua mãe, não conseguiria conviver com ele.
Ele era muito frescurento? Um rebelde sem causa? Um gênio incompreendido? Até ele se perguntava de vez em quando, como naquele momento em que tentava descansar um pouco em sala de aula, durante o intervalo. Ele saiu às pressas de casa sem tomar café da manhã (por ter dormido até o último minuto possível), mas comer barrinhas de cereal enquanto se reflete na vida até pegar no sono parecia melhor que sair e ver todas as coisas que ele não podia comprar na lanchonete porque esqueceu seu dinheiro.
E não, isso não era interessante ou um exemplo de vida animada. Era um desastre mesmo.
Pra piorar, não parecia que seus amigos estavam com vontade de deixá-lo domir ou remoer como seu dia não havia estava indo bem. Queriam saber como ele não havia terminado a prova de matemática com cara de desgosto ou no mínimo uma dor de cabeça.
Ephir de fato teve dor de cabeça, mas foi uma das poucas ocasiões que ficou feliz por isso, então ninguém percebeu. Não, ele não gostava de dor, mas gostava quando assuntos que havia estudado caiam na prova, e foi o caso de trigonometria. Obviamente, ele agradeceu mentalmente a Célio várias vezes, mas ainda estava chateado pelo outro ser tão lento pra explicar as coisas. Eles poderiam ter estudado mais, se não fosse por isso. E aí ele não teria deixado uma questão da prova em branco.
Alguém puxou uma mecha de seu cabelo para lhe chamar a atenção, e ele se moveu abruptamente para encarar o ser humano. Mo, diminutivo de Morgana, o encarava impacientemente.
— Você não está respondendo as perguntas. — Ela acusou, mas seus olhos estavam presos no cabelo caramelo bagunçado de Ephir. Era macio. Se não fosse por sua irritação temporária, brincaria com os fios.
O garoto soltou um suspiro pesado e voltou a encostar a bochecha na mesa. Ele respondeu num tom exausto: — O que vocês querem tanto saber? Eu estudei. Cumpri meu dever de estudante. Não é tão difícil assim, sabia?
Não era mentira, ele estudou. Os detalhes eram detalhes, que diferença fazia mencionar a ajuda de Célio ou seu experimento? Realmente era necessário explicar a história toda? Ele queria dormir.
Nante, sentado perto, lhe deu um soco de leve na cabeça e bagunçou ainda mais seus cabelos. Ele parecia frustrado quando disse "Vai dormir, vai. Só não reclama quando a professora chegar." Claro que Ephir iria reclamar, e no fundo o outro garoto sabia disso, porque acrescentou um suspiro com sorriso quando seus olhos se encontraram. Mo reclamou, mas sem o quarto integrante do grupo presente, era só ela contra dois.
Satisfeito por conseguir mais tempo de descanso, Ephir teria dormido o mais rápido possível se sua cabeça não estivesse cheia de Célio. Cheia de alívio pela ajuda e questionamentos sobre sua bondade. As aulas de sua mãe eram uma vez por semana, e quando ele parou pra pensar que passar sete frações de dia com Célio levaria sete semanas, ele estava determinado que precisava fazer as coisas irem rápido.
Pra isso, um passo a passo de seu plano seria muito útil, mas fazer um era mais complicado do que ele pensava. Se Célio não seguisse o roteiro ou algo inesperado acontecesse, ele precisava repensar tudo... Os dias acabaram passando sem que ele conseguisse completar aquilo.
Claro que ele questionou os próprios motivos e achou o que queria fazer estúpido, mas não era como se ele fosse agir muito diferente do que era considerado normal: se aproveitar de uma oportunidade, ou melhor, dos outros. Afinal, ninguém fica mais chocado quando ficam sabendo que alguém fez algo assim. Por outro lado, as pessoas deixaram de se surpreender com muita coisa.
Quando chegou o dia que sua mãe tinha aula, ele precisou tentar convencê-la de ir junto. Da última vez, ela tinha um objetivo o levando, mas nessa era possível que ela achasse inconveniente. Felizmente, não foi o caso, ela já pretendia levá-lo antes dele pedir. Algo sobre ele ter saído com uma expressão satisfeita de lá, e se ele estava se divertindo, então era melhor do que deixá-lo em casa mofando.
Ele não ficou tão incomodado com a resposta, afinal já estava esperando por isso, mas ainda quis argumentar que se não fosse por Célio, ele ficaria mofando na escola de artes também. Parecia levar anos enquanto ele esperava por ela, e teria que usar muita criatividade pra passar o tempo. Afinal, nem sempre o telefone saia da escola carregado ou ele tinha crédito para pagar internet.
Bem, se pudesse escolher, queria que seu próximo encontro com o rapaz fosse depois que recebesse pelo menos a nota da prova. Claro, ele não podia, e tinha que ir de mãos abanando.
Não literalmente. Claro que ele não iria chegar em Célio abanando as mãos. Mas que raios, por que ele estava imaginando a cena? Ele parecia uma galinha tentando voar...
Ephir entrou sem conseguir resistir rir sozinho, com sua mãe do lado interpretando aquilo como que ele estava se divertindo no lugar. Não parecia que muita gente por ali se importasse com leves ataques de riso aleatórios, e ele imaginou que talvez já tivessem visto pior. Se ali tivesse algum tipo de atividade para palhaços ou comediantes, estava tudo explicado.
Sua mãe se despediu antes de entrar numa sala, e de repente ele se sentiu curioso sobre que tipo de atividades o lugar oferecia. Algo pra descobrir depois, quando Célio não aparecesse, ficasse doente ou fosse levado por alienígenas. Quem sabe.
O garoto parou um pouco em seu caminho para a escada. Estava de bom humor? Era isso por não ter prova pra estudar e não ter que desperdiçar tempo livre, ou estava empolgado? Não fazia muito sentido... Mas por alguma razão, quando ele parou de andar uma parte dele se sentiu um pouco angustiada.
"Mas que...?" Ele pensou, franzindo as sobrancelhas e olhando pros próprios pés. "Eu acabei despertando um desejo profundo dentro de mim por me aproveitar dos outros ou o quê?"
Após uns minutos casualmente pensando em pé (um momento de autoconhecimento, ele decidiu), Ephir finalmente voltou a andar. A melhor forma de esclarecer aquilo era testando, e a escada era o melhor lugar que ele conhecia da escola até então. Dava pra ver quando sua mãe saísse, apesar de que ela precisava ser muito observadora para vê-lo também, e não era muito longe da sala dela. Não havia nenhum grande motivo pra que ele não fosse, de qualquer forma.
Célio não estava lá.
Bem, por que raios ele esperava que Célio estivesse lá? Uma semana atrás, haviam se encontrado por acaso. Talvez o cara tivesse saído mais cedo, ou não tivesse mais o que fazer ali. Em momento nenhum Ephir perguntou porquê o outro estava ali, afinal. Mas ele disse "até mais", então ele viria de novo, certo?
— Nos encontramos de novo. — Ele deu um pequeno sorriso exasperado para a escada, e se sentou. A escada não disse nada, apenas o acomodou como da última vez.
Dava pra ouvir alguns grilos cantando no jardim, então ele tirou os fones de ouvido e o celular da bolsa para ouvir música enquanto esperava, e seus olhos se fixaram no sinal de que ele estava conectado ao wi-fi. Ah, sim, Célio havia conectado o celular na internet pra ele naquele dia... Huh? Estranhamente, ele não estava conectado no wi-fi para os alunos, e sim em algo com a sigla da escola seguido do nome "Célio". Ok... Por que raios...?
Ele bruscamente olhou para todos os lados, como se estivesse procurando alguma coisa, ou como se quisesse tirar algo da cabeça sacudindo-a. Nem o próprio Ephir sabia qual era a verdadeira intenção, ele só não sabia mais o que pensar. A música em seus ouvidos incentivava os movimentos, mas logo ele parou quando aquilo começou a cansá-lo. Um suspiro escapou de seus lábios. De certa forma, depois de tanta agitação, sua mente ficou mais calma, e pelo menos agora ele tinha certeza de uma coisa: Célio era permanente.
Ou tão permanente quanto possível, ele se corrigiu.
Pensando, Ephir encostou a cabeça no corrimão da escada. Um sorriso lentamente se formou em seus lábios. Se ele desconsiderasse muitas possibilidades que o convencessem do contrário, eles tinham chance de se ver de novo. Quando isso acontecesse... Ele se perguntava se já estaria mais certo do que fazer ou como fazer. Se sentir incerto sobre porquê fazia era demais pra ele. Seus ideais eram tão permanentes quanto Célio, e ao mesmo tempo estavam se formando o tempo todo...
Ah, ele estava com sono... Ele geralmente ficava contraditório e um pouco confuso quando com sono. Seus olhos foram fechando, e ele só conseguia pensar no quanto queria dormir. Não importava muito se ele acordava na hora ou dormia até o último minuto, acordar de manhã o deixava com sono da mesma forma, e dormir tarde também não ajudava.
Sem nada pra lhe impedir, ele acabou dormindo. Só acordou com a sensação de algo lhe cobrindo, e ainda se sentiu relutante pra abrir os olhos. Sua mãe já havia saído da aula? Estava com dó de acordá-lo? Bem, então ele podia aproveitar um pouco, ou foi o que decidiu no seu estado sonolento, cansado demais pra considerar que o estavam sequestrando ou algo do tipo. Apenas o cheiro do casaco realmente incomodava seu sono. Quando sua mãe começou a usar perfume masculino?
"...Perfume masculino?"
Os olhos de Ephir se arregalaram e imediatamente fixaram na figura sentada ao lado dele, lhe mostrando um típico sorriso simpático.
— Você tem um gosto musical inusitado pra mim, mas eu gostei. — Foi a primeira coisa que Célio disse, o que fez o garoto perceber que ele estava com um de seus fones conectado no ouvido. Ele fez uma careta. — Huh? Desculpe, foi algum tipo de invasão de privacidade?
— Não realmente... É mais que eu não esperava por isso. — E ele realmente não esperava. Aquele cara brotou de repente e já foi tomando atitudes que exigiam certo grau de intimidade ao mesmo tempo que fazia bondades apesar de Ephir ter feito absolutamente nada além de dormir.
O sorriso de Célio aumentou por alguns instantes, até voltar ao tamanho normal.
— Eu espero não ter incomodado você ou atrapalhado seu sono, eu só senti o impulso de te deixar confortável.
O casaco era macio e acolchoado por dentro, tão confortável que Ephir decidiu ficar com ele até que um dos dois fosse embora, em vez de devolver imediatamente, então sacudiu a cabeça e ajeitou a peça de roupa em si para se sentir mais confortável. A forma que o outro havia coberto ele foi um pouco desastrada, e na verdade nem estava fazendo frio, então ele concluiu que Célio estava consciente de como seu casaco era macio.
— Obviamente você atrapalhou meu sono, ou então eu não estaria falando com você agora, mas obrigado mesmo assim.
— Agradecer depois de reclamar não soa muito sincero, sabe. — O outro respondeu, com um risinho.
— Você quer que eu seja sincero? Ok então. Você sabe que ter impulso pra deixar uma pessoa que você não conhece direito confortável e pegar um dos fones de ouvido dela não são coisas muito normais que qualquer um aceitaria numa boa, não sabe?
O sorriso de Célio diminuiu pra quase inexistente e ele levantou as mãos, como que se rendendo.
— Eu pensei que nós nos conhecessemos.
— Direito. — Ephir corrigiu. — Quero dizer, eu nem sei porquê cargas d'água tem um wi-fi da escola com o seu nome.
— Hum? É porque eu trabalho aqui, obviamente. — O homem deixou as mãos caírem no próprio colo. — Por falar no wi-fi, como você foi na sua prova?
"Bem, graças a você", o garoto pensou, mas mordeu a língua lembrando que tinha reclamações. Doeu. Que idiota da parte dele morder a língua de propósito. Que sem sentido ele reagir mais rápido àquela pergunta do que ao fato que Célio trabalhava ali.
— Eu provavelmente vou tirar uma nota melhor do que se tivesse ficado aqui fazendo nada, mas podia ter ido melhor também. Podíamos ter estudado mais.
— Hum... Entendo. — O outro disse, agora com um sorriso de quem estava pensando algo mas se estava se contendo para não falar. — Pense que pelo menos você entendeu completamente o que expliquei aos poucos. De nada.
E com isso ele afagou um pouco os cabelos de Ephir, mais bagunçando do que qualquer outra coisa. O garoto congelou, pensando coisas como "HUH?! ELE VAI ME SEQUESTRAR? Mas se fosse ele já não teria feito isso enquanto eu dormia? TALVEZ ELE GOSTE DE VER AS VÍTIMAS RESISTIREM?!"
— Heh, não precisa me olhar assim. Foi sua recompensa. Você me lembra um gato às vezes, sabia Ephir? Eu sinto que você pode me dar uma patada à qualquer momento, também... — Célio soltou um risinho, e seus olhos se encontraram com os cheios de confusão e um pouco de irritação do outro.
— ...Eu sinto que eu vou lhe dizer algo assim toda semana, mas você é um esquisitão.
— Por falar em coisas esquisitas, como está seu relacionamento com a escada? — O rapaz mudou de assunto inteligentemente.
Foi uma piada engraçada? Foi. Mas por que raios Célio tinha levado a sério isso? Ou melhor, por que ele mesmo estava levando um pouquinho a serio? Tantas coisas confusas no mundo. Talvez a escada tenha as respostas, mas não possa contar pra ninguém.
— Eu diria que estamos nos acostumando um com o outro.
Eles continuaram conversando sobre bobagens depois disso. Assuntos sérios raramente duravam. Célio não tirou o fone de ouvido, o que acabou levando eles a mostrarem músicas (usando a internet) um pro outro, e uma das que o rapaz colocou deixou Ephir com muito sono, se recusando a dormir duas vezes perto de alguém que ainda não havia ultrapassado suas desconfianças como sequestrador. Célio até ofereceu o ombro pra que ele dormisse, e Ephir pensou seriamente em recusar, mas lembrou que tinha que testar até onde ia a gentileza do outro.
— Eu não vou dormir. — Ele resmungou, depois de se apoiar em Célio. O rapaz soltou um risinho.
— Tudo bem.
E ele não dormiu. Mas talvez isso tenha sido pior do que dormir porque depois de um tempo aquela posição começava a parecer íntima demais, e Ephir teve que se esforçar pra não se afastar. Ele estava se afundando no cheiro de Célio, daquele jeito. Seus pensamentos ficaram turbulentos.
— ...Eu não parei pra pensar nisso antes, mas tudo bem sua mãe te ver assim? — Célio perguntou, num tom cauteloso.
— Ela sabe que eu durmo muito, e eu tenho razões pra isso... Mas eu não sei como ela reagiria se me visse dormindo no ombro de um cara que até já trabalha.
O homem suspirou, mas pareceu mais um riso contido.
— Não é como se eu estivesse fazendo algo errado. Uma pessoa ofereceu seu ombro pra eu descansar, e eu gosto de descansar. Qual é o problema nisso? Se você quisesse me sequestrar já teria feito isso há muito tempo atrás. — Ephir começou a ficar ranzinza.
— Te sequestrar? — Célio perguntou, apesar de ter entendido o que o garoto disse.
Ephir deu de ombros, tão bem quanto pôde na posição em que estava.
— Dizem pra não falar com estranhos.
— Todo mundo já foi estranho das outras pessoas alguma vez. Até mesmo as que se tornaram próximas.
— Próximas o suficiente para trair a confiança? Mostrar que não se conhece melhor ninguém além de si mesmo?
— Você fala por experiência própria? — Os olhos de Célio estavam vidrados na figura em seu ombro, mas o garoto baixou os olhos para a escada.
— Falo por toda a experiência que pude coletar ao longo dos anos, usando vários métodos, mas que considero minha. — Ele se levantou do ombro. — Acho que eu ouvi minha mãe me chamando. Tenho que ir.
— Huh? Mas... — Ephir ficou em pé, com o celular na mão, e o fone caiu do ouvido de Célio. — Bem, até a próxima então...
O garoto se virou para responder um "Até" e seguiu caminho para dentro da sala de dança de sua mãe. Ela tinha dito que ele podia entrar se quisesse ver os ensaios, e se ele ficasse do lado de fora da sala, ficaria óbvio demais que ele havia mentido para Célio, caso fosse visto.
Ele tentou se distrair observando a aula. Haviam algumas pessoas mais jovens, mas a maioria parecia estar na faixa etária de sua mãe. Aparentemente, eles aprendiam vários estilos de dança e ensaiavam a coreografia para uma apresentação no fim do semestre. Era interessante, mas não era algo que o deixava muito empolgado.
No final das contas, foi inevitável não pensar em Célio, ele até tinha um pouco de dor no pescoço para lembrá-lo dos acontecimentos de intantes atrás e...
Ele congelou.
Ele ainda estava com o casaco de Célio.
Tentando não ficar nervoso, ele pensou na situação. Sua mãe havia percebido que ele estava ali, afinal a sala era cheia de espelhos, mas não lhe lançou nenhum olhar confuso questionando o casaco. Havia a possibilidade que ela estivesse concentrada demais pra isso. Ele ainda podia sair, procurar Célio por toda a escola (esperando que ele ainda não tenha ido embora) e depois de devolver o que era dele, dar alguma desculpa pra ainda não ter ido embora que ainda o permita escapar antes que a conversa tome outro rumo, ou podia esperar a semana seguinte.
Uma semana parecia tempo o suficiente pra inventar uma história que deixasse o outro satisfeito, afinal não parecia que o último assunto deles havia acabado completamente. E o casaco era confortável, apesar de dar a sensação de que Célio ainda estava por perto.
O que iria decidir isso era o que estivesse nos bolsos. Ephir procurou, procurou, e tudo o que acho foi: uma nota de dois reais, três moedas de vinte e cinco centavos, uma de cinco centavos, uma nota fiscal de uma cafeteria com um número de telefone anotado no verso e uma caneta.
"Uhum, devolver semana que vem", ele pensou.
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