Genies ▶ BTS ❴oneshot❵
1 ❝ M a k e ⋅ a ⋅ W i s h ❞
Notas iniciais

— Parabéns para o nosso centésimo vigésimo quinto aniversário! — Seokjin comemorou em pé na cabeceira da mesa, erguendo uma taça com vinho rosé.
Seus seis companheiros o olharam sérios, sem um pingo de comemoração dentro de si. Uma farta mesa se dispunha com as mais variadas comidas. As favoritas de cada um, especificamente. Jin tinha se esmerado em fazer aquela comemoração valer a pena, mesmo que os outros não concordassem.
— Eu não entendo qual o intuito desse jantar. Comemorar a nossa desgraça? — Yoongi comentou acidamente mantendo uma carranca desagradada, mas não menos feliz por ter vários espetos de cordeiro à sua frente.
— 125 anos juntos e presos nesta casa não é de fato motivo de comemoração. — Namjoon assentiu recostado na sua cadeira, com o braço apoiado na cadeira onde Tae se sentava.
— Não é como se Jin precisasse de um motivo para comemorar. Ele só quer nos fazer sentar todos juntos à mesa para comer com ele. — Hoseok apontou com um sorriso e todos concordaram, sabendo bem que o que Jin mais gostava de fazer era comer.
— Estamos entrando numa nova fase, meus amigos. Sinto que coisas boas logo virão. — Jin comentou com um sorriso e olhar pensativos.
— Devemos fazer apostas? — Jimin questionou com um sobrolho erguido, vagando o olhar por seus companheiros. — Seria bom ressuscitar velhos hábitos. Não fazemos isso há quase 20 anos.
— Tss se bem me lembro nós desistimos de fazer apostas porque a cada nova expetativa a desilusão era mil vezes pior. — Suga relembrou com negatividade e Jungkook baixou a cabeça e assentiu.
— É só aprendermos com os nossos erros e não criar expetativas. Vamos apenas nos divertir e tentar ficar felizes pelas escolhas feitas. Podemos não ser felizes, mas estaremos realizando os desejos dos outros e os deixando consequentemente felizes. — Tae apontou e todos assentiram, mesmo que alguns relutantemente.
— Devemos tirar a sorte para escolher a ordem? — Jin questionou com um meio sorriso e após todos acenarem ele fez 6 quadrados de papel surgirem numerados de 1 a 6.
Ele sempre era o último por isso não colocava a sua numeração em escolha. Cuidadosamente ele dobrou e colocou os papeis entre suas mãos, chacoalhando para os misturar e então abrindo as mãos para que cada membro retirasse o seu número. Todos abriram os papeis dobrados e assentiram aos seus números, fazendo os mesmos desaparecer em suas mãos. Uns queimados, outros virando pó.
— E as apostas? — Jungkook questionou, mas antes que pudessem começar a apostar quem dos 6 concederia o desejo um sentimento avassalador os petrificou anunciando que não estavam mais sós.
— Essa foi rápida... — Hobi comentou sorridente, esfregando as mãos e se recostando na cadeira.
Jin olhou para trás ansioso.
— Boa sorte para nós. — Desejou se retirando para ir receber o novo visitante.
Seokjin caminhou com as mãos nos bolsos até a entrada da mansão, onde uma garota admirava fascinada a grandiosidade daquele que era considerado um mausoléu para os seus sete habitantes. A jovem trajava roupas sujas e rasgadas e sua aparência não tinha bom aspeto. Parecia uma mendiga aos olhos de Jin e ele não se admiraria se ela de fato fosse uma. Talvez ela saísse dali com sorte e conseguisse um desejo que mudaria completamente sua vida. A jovem girou seus olhos ao redor ainda admirando tudo, porém se sobressaltou ao se deparar com aquele homem a encarando.
— Não sou uma ladra, eu juro! — Proferiu apressadamente, erguendo as mãos abertas na altura do seu tronco para demonstrar ser inofensiva. Jin sorriu.
— Parece cansada e faminta. Venha, tem uma imensa refeição a esperando. — Comentou casualmente, mas a garota não se moveu.
Ela o olhava desconfiada, alerta. Seokjin suspirou. Não estava habituado às diversas formalidades dos humanos e aos seus problemas com confiança.
— Desculpe, estamos habituados a receber pessoas perdidas e em busca de ajuda frequentemente. Foi para isso que aqui veio, não foi? — Seu tom era doce, baixo e calmo, passando para ela uma tranquilidade imensa.
Sua cabeça meneou positivamente e ele então continuou caminhando. Tudo o que ela podia fazer era segui-lo, ainda que permanecesse apreensiva. Vários metros depois ela passou por uma entrada em arco com portas envidraçadas e saiu para o que parecia ser um jardim, onde uma comprida mesa retangular se dispunha com outros seis homens ali sentados. Todos voltaram seus rostos para ela e isso a inquietou. Vários homens num só recinto e apenas uma mulher; ela não precisava ser muito inteligente para saber que isso podia acabar muito mal para si, mas sua barriga roncou alto ao sentir o perfume de todas aquelas iguarias a inebriar.
— Esses são Jimin, Yoongi, Hoseok, Jeongguk, Namjoon, Taehyung e eu sou Seokjin. — O homem que a fora receber apresentou todos pela ordem horária dos seus lugares, começando pelo lado direito da mesa.
Jin foi se sentar na ponta superior da mesa, despretensiosamente, e todos retornaram aos seus alimentos ignorando completamente a presença dela. Ela sentiu que eles faziam isso de propósito, talvez como um meio de a fazer sentir à vontade e não o centro das atenções. Nenhum deles parecia perigoso, pelo menos ela assim o quis acreditar. Talvez eles fossem parte de uma instituição que ajudava pessoas desabrigadas... mas a localização da casa deles era bem remota para esse intuito. Nervosa e lentamente ela se aproximou do único lugar livre, a ponta oposta da cabeceira onde Seokjin tinha se sentado. Ninguém se mexeu ou a olhou quando ela se sentou, estavam todos demasiado concentrados em comer. Eles falavam entre si, comentando sobre a comida, pedindo para passar pratos e garrafas, mantendo o à vontade de pessoas que se conhecem à muito tempo. Eventualmente ela relaxou e começou se servindo de comida, percebendo que não se tinha apresentado e que agora estava demasiado ocupada enchendo sua boca de alimento para o fazer.
Quando por fim todos terminaram de comer, o silêncio se fez e a atenção se voltou novamente para ela. A jovem mulher limpou a boca com a manga do seu casaco e engoliu em seco esperando alguém dizer algo.
— Como você nos achou? — Jimin perguntou curioso.
— Por acaso. Eu não estava de fato procurando nada, mas acabei me deparando com essa mansão. — Os sete se entreolharam confusos.
— Não estava nos procurando? — Joon perguntou com um sobrolho erguido.
— Na verdade eu estava apenas perdida na floresta tentando achar o caminho de volta à cidade. Tive a brilhante ideia de vir acampar e bom... me perdi. Por momentos achei que ia morrer esquecida nessa floresta e foi quando estava quase perdendo as esperanças que avistei essa casa. Lugar estranho e escondido para se construir uma casa. Não tem estradas nem caminhos para aqui, como vocês saem daqui para a cidade? — Agora que tinha começado a falar, ela não se conteve mais. Sentia um estranho à vontade para se expor e somente percebeu que tinha falado demais quando terminou.
— Então agora estamos numa floresta... — Guk murmurou e Yoongi chutou sua canela por baixo da mesa.
A garota estreitou os olhos diante daquela cena.
— Porque eu haveria de estar procurando vocês? Seokjin falou que vocês costumam ajudar pessoas, vocês são algum tipo de instituição? — questionou olhando delongadamente para os sete homens.
Estes se entreolharam, esperando alguém se pronunciar.
— Porque é o que todos os humanos fazem quando ouvem sobre a nossa existência. — Tae repondeu após todos encolherem os ombros sobre falar a verdade ou não.
— Humanos? Fala como se vocês não fossem humanos. — Comentou com o sobrolho franzido, estranhando aquele discurso. Ao perceber a seriedade das suas expressões, seus olhos arregalaram. — Vocês são aliens? — Havia uma ponta de ironia e descrença em sua pergunta.
— Não somos de outro planeta, mas também não somos terrestres. — Hoseok respondeu e os olhos da jovem se arregalaram surpresos.
— Ou vocês acham que essa conversa é engraçada ou eu devo ter batido a cabeça muito forte para estar tendo esse tipo de alucinação. — murmurou com o olhar baixo e uma mão na nuca, caçando algum papo no seu crânio.
Suga se inclinou sobre a mesa e alcançou o braço dela, o agarrando com força e o beliscando. A jovem soltou uma interjeição de dor e encarou o homem com uma expressão furiosa misturada com uma incrédula com o que ele acabara de fazer.
— Você não está alucinando e nós não estamos brincando. Somos gênios mágicos. — contou sem mais rodeios, recebendo resmungos dos seus seis companheiros.
A jovem olhou para todos séria e repentinamente caiu numa gargalhada histérica, fazendo com que os sete silenciassem e a fitassem confusos.
— Gênios mágicos ahn? Ai céus isso virou o Alladin foi? Então tenho direito a 3 desejos cada? — Retrucou sarcástica, realmente desacreditada daquela conversa.
Não entendia porque eles estavam brincando com aquele assunto, talvez com o intuito de a fazer relaxar e de certa forma estava resultando.
— Na verdade você só tem direito a um desejo relacionado com um tema. — Jin corrigiu.
— Sete gênios e um desejo cada? Nada mau. — retrucou cruzando os braços.
— Só um desejo; total. — Yoongi ressalvou, aborrecido com aquela conversa.
— Nossa, vocês são bem mão de vaca, uhn. Tá tá, vamos dizer que eu acredito, o que vocês poderiam conceder? — Questionou entrando no joguinho deles.
— Beleza. — Taehyung começou.
— Fama. — Jimin prosseguiu.
— Dinheiro. — Yoongi ao seu lado falou.
— Amor. — Jungkook seguiu.
— Inteligência. — Namjoon pronunciou.
— Felicidade. — Hoseok falou com um sorriso.
— Liberdade. — Seokjin finalizou.
— E eu só posso escolher um desses desejos? — Perguntou após alguns segundos de silêncio admirando a seriedade com que eles levavam aquela brincadeira.
— Nós temos primeiro de mostrar o que você vai ganhar escolhendo um de nós. — Taehyung adiantou.
— Estilo apresentação de trabalho escolar? — indagou irônica.
— Mais sofisticado, mas sim. — Hobi respondeu com um sorriso ladino.
— Nossa, vocês estão realmente comprometidos nisso. Tá, ok, me seduzam com as propostas de vocês. — Cedeu ainda totalmente desacreditada, mas achando graça a tudo aquilo.
Só rezava para que nenhum deles – ou todos – fosse psicopata e ela estivesse caindo numa armadilha. Os sete se olharam e Taehyung foi o primeiro a se levantar, caminhando até a garota e estendendo a mão cavalheirescamente para ela.
— Eu começo. — Indicou esperando ela depositar sua mão na dele para a guiar ao interior da casa.
Os dois caminharam pelos longos corredores da mansão e subiram uma escadaria de mármore para o segundo andar, onde ficavam os quartos. A garota travou sua caminhada e, por ainda estar segurando a mão de Tae, o puxou para parar igualmente. V olhou para trás e sorriu.
— Cada quarto é temático e relacionado com os nossos desejos. — Explicou, mas mesmo assim ela não se sentiu confiante. — Você está segura aqui. — Garantiu e por mais que ela tivesse problemas de confiança, o modo como ele a olhou e falou aquelas palavras trouxe uma segurança desconhecida para ela.
Talvez ela estivesse caminhando para o abismo, mas quando não se tem mais nada a perder, o inferno não faz diferença. V entrou pelas portas de um dos quartos, deixando a mesma aberta na espera da convidada. Ele sumiu no interior e ela caminhou lentamente, pé ante pé, hesitante. Quando chegou na frente do cômodo espreitou o interior curiosa, vendo um quarto como outro qualquer, requintado, em tons cremes e com mobília de madeira entalhada. Todavia, assim que pisou o interior seu corpo foi puxado para o centro por uma força invisível, a porta se fechou e tudo ficou escuro por segundos. Um foco de luz iluminou o local onde ela agora estava parada e à sua frente surgiu um largo espelho de corpo inteiro com entalhamento florido no ferro pintado a prata na sua moldura. Se aquilo era um truque, era bastante convincente. Ou talvez eles fossem realmente gênios mágicos.
A mulher fitou o espelho e viu diante de seus olhos o seu reflexo se transfigurar. As roupas grossas, pesadas, sujas e velhas se transformaram num lindíssimo e delicado vestido azul céu cintado, com um decote em coração e uma saia levemente rodada. Seu corpo ganhou formas mais curvilíneas nos lugares certos e perdeu volume em outros pontos. Seu rosto perdeu o ar acabado com fundas bolsas escuras e pele de aspeto baço e manchado, adquirindo uma tonalidade mais uniforme e lisa, sem sinais, marcas ou cicatrizes. Sua fisionomia se alongou e afinou. Ela se analisou demoradamente. Seus cílios estavam mais longos e cheios e seus lábios mais grossos. As linhas que marcavam seu rosto desapareceram e seu cabelo ficou mais volumoso, com um corpo bonito e com fios saudáveis e brilhantes. Aquela na sua frente não era ela no entanto era exatamente ela, com menos impurezas, imperfeições e padronizada; elegante e esbelta. Não havia dúvida que aos olhos da maioria ela estava deslumbrante, atraente, mas aos seus sua identidade estava perdida. Do nada a figura de Taehyung surgiu atrás de si no reflexo.
— Eu nem precisei mexer muito. Você já é naturalmente bonita. — Ele murmurou roucamente ao pé do seu ouvido, colocando as mãos em seus ombros.
A jovem mulher estremeceu com o toque e a proximidade e fitou V pelo reflexo. Ele era lindíssimo, um verdadeiro príncipe arrebatador de corações. O sonho de qualquer garota.
— Com sua beleza você pode conseguir tudo. Fama, amor, dinheiro até... — Acrescentou ao ver o olhar perdido e deslumbrado dela sobre si.
— Essa não sou eu. — murmurou desviando o olhar dele para o seu próprio reflexo, franzindo o cenho em tristeza.
— Mas pode ser, basta você querer.
— Beleza não é eterna. — contestou firmemente.
— Nada é eterno, mas faça o melhor proveito o máximo que puder e poderá ter o mundo a seus pés. Beleza abre portas. — Suas palavras tinham um fundo de razão, mas ela sabia que beleza trazia mais miséria do que felicidade.
Nem sempre ela fora assim, um pedaço de trapo humano, desagradável ao olhar. Um dia ela esteve perto do que o seu reflexo mostrava que ela podia ser e nada em ser bonita e atraente foi benéfico o suficiente para compensar o sofrimento pelo qual passou.
— Eu não quero ser bonita. — negou veemente.
— Pense bem, se recusar não terá mais direito a esse desejo. — Tae alertou.
— Isso não é para mim. — decretou, saindo apressada do quarto e dando de caras com Jimin a esperando.
O homem estava encostado à parede oposta com o pé apoiado na mesma e as mãos nos bolsos.
— Minha vez. — cantarolou estendendo a mão para ela.
A garota olhou para trás e mordeu o lábio e depois se olhou, percebendo ter perdido a aparência que o espelho lhe mostrara. Teria tomado a decisão correta? Ela era demasiado nova quando tinha beleza. Era inocente, ingénua. Agora ela sabia o que a esperaria e como lutar. As últimas palavras de Taehyung ressoaram em sua mente e ela hesitou.
— Se eu sair do quarto sem aceitar ou recusar o desejo eu não posso mudar de ideias depois? — questionou querendo esclarecer todas as regras.
Agora que tinha a certeza que eles estavam falando a verdade, não queria arriscar arruinar suas chances.
— A oferta só se mantém de pé até você pisar em outro quarto com outro gênio. No momento que você aceita seguir em frente você perde o desejo anterior e não pode mais voltar atrás. —Jimin explicou pacientemente.
— Então se eu não entrar agora com você eu ainda posso escolher o desejo anterior? — Indagou, querendo saber todos os trâmites que suas escolhas e decisões implicavam.
— Sim. — Tae informou surgindo na porta do seu quarto.
A garota hesitou olhando de um para o outro e ponderando. Aquela decisão parecia mais difícil do que era, mas no fim ela decidiu que preferia não se arriscar a ser bela de novo. Sua mão alcançou a de Jimin e os dois entraram no quarto dele. Novamente assim que ela pisou no interior o belíssimo quarto vermelho se transformou. Tudo ficou escuro e lentamente à sua frente pequenos flashes começaram disparando em sua direção, se tornando mais numerosos e mais persistentes.
— Olhe aqui!
— Como é ser a mais nova sensação do momento?
— Pose para aqui por favor.
— Qual o segredo do seu sucesso?
— Sorria.
O local estava um caos de vozes e silhuetas diferentes do lado de trás de uma divisória e dos flashes consecutivos.
— Sua ascenção estará em todos os tablóides do mundo, seu trabalho será o mais requisitado, tudo o que sempre sonhou se concretizará. Todas as pessoas se espelharão no exemplo do seu sucesso, você será uma inspiração e isso irá atrair poder e muito dinheiro consequentemente. Tudo o que sempre quis está a um palmo de distância do seu alcance, basta você dizer sim para mim. — Jimin discursou com um sorriso sedutor, difícil de resistir.
Ter sucesso na sua carreira foi algo que um dia significou tudo para si, mas fama era uma coisa que ela nunca apreciou. Isso era sinônimo de falta de privacidade e pressão exagerada e consecutiva e ela não lidava bem com nenhum dos dois. Por mais tentador que Jimin fosse, ela não podia aceitar aquela oferta.
— Fama é sufocante. Eu não quero me sentir mais angustiada do que já me sinto. — Negou recuando até a saída e vendo aquela fantasia sumir e dar lugar a um quarto normal.
No exterior do aposento ela se apoiou sobre seus joelhos e respirou fundo. Sabia que tinha de pensar direito antes de tomar alguma decisão, mas só aquela pequena prévia do que seria sua vida a deixou num estado de pânico iminente.
— Venha logo que decidir. — Suga anunciou aborrecido, rolando os olhos e entrando no seu quarto algumas portas depois da de Jimin.
A mulher estreitou os olhos para o humor genioso do gênio e pensou se poderia pular o desejo dele apenas por implicância. Puxou pela memória para se lembrar qual era o desejo dele. Se lembrava que ainda faltava amor, inteligência e dinheiro e que o último, liberdade, pertencia e Seokjin, mas não sabia qual era o de Yoongi. Qualquer um dos três eram mais irresistíveis que os dois primeiros e ela não queria arriscar perder um desejo importante.
Contrariada ela respirou fundo e caminhou até o quarto por onde Suga tinha entrado. Do lado de fora ela olhou o quarto de paredes azuis, totalmente vazio. Seu cenho se franziu e encarou o gênio sentado numa cadeira dourada no centro.
— Preciso de todo o espaço necessário para concretizar o seu desejo. — Ele anunciou, fazendo um sinal convidativo para ela entrar.
Logo que o fez o quarto se encheu com os mais variados tesouros. Um pirata ali se sentiria no paraíso. Montanhas de barras de ouro empilhadas, variadas jóias de ouro e prata com as mais diversas pedras preciosas enchiam baús e haviam maços de notas enrolados e espalhados pelo aposento.
— Pense em todo o dinheiro do mundo e você o terá. Tudo o que quiser comprar será seu. Sem limites. — Suga apresentou sua proposta e por mais que ele não fosse muito apelativo ou sedutor como Tae e Jimin foram ao apresentar seus desejos, o seu desejo definitivamente era irresistível.
A mente da mulher viajou para tudo o que poderia fazer se fosse rica. Sempre achou que dinheiro era a fonte para resolver todos os seus problemas, mas não era ingênua demais para achar que também não seria a fonte de outros problemas. Aquela era uma decisão totalmente impossível de tomar, mas necessária. Deveria ela recusar o amor e a felicidade? E o que significaria ter liberdade? Seria ambição demais sua querer mais do que dinheiro? Dinheiro não preencheria sua vida com amor e felicidade. Seriam esses sentimentos mais importantes que todo o dinheiro do mundo?
Yoongi a olhou impaciente, quase inexpressivo e imóvel, aflorando gradativamente a irritação da jovem. Impulsivamente ela saiu do quarto. Não suportava ter de continuar a olhar para aquele gênio arrogante.
— Não ressinta Suga. Ele parece um cara mal-humorado e irritante, mas no fundo é um coração de manteiga. Ele só está preocupado. — Jungkook comentou e ela se voltou para vê-lo parado a poucos metros de distância, do outro lado do corredor.
— Com o quê?
— Com a gente.
— Porque? — questionou curiosa, de cenho franzido.
— Lembra a história do Alladin? — Ingadou retórico como resposta, exibindo um sorriso misterioso antes de regressar ao seu quarto.
Ela lembrava, mas não entendia onde ele queria chegar. Alladin tinha três desejos, ao contrário dela. Ele desejou ser um príncipe rico. Seria essa a dica de Kookie para ela? Que ela devia aceitar o desejo de Suga? Agora ela tinha de tomar uma decisão, voltar para Suga e aceitar o seu desejo ou seguir em frente. Pensar em Alladin também a fez lembrar que ele tentou se tornar uma pessoa diferente para conquistar o amor da sua vida. Ficou arrogante, como Suga.
— Dinheiro não pode comprar tudo. — Murmurou para si mesma, inspirando fundo e seguindo atrás de Kookie.
Seu coração falhou uma batida ao entrar no quarto em tons de rosa. Várias pétalas estavam espalhadas pelo recinto e as portas da varanda estavam abertas. No exterior uma mesa redonda estava posta com uma toalha branca, dois pratos tapados com cúpulas de alumínio e uma vela branca ardia no centro. Um sorriso emocionado se abriu quando Jungkook surgiu da varanda com um ramo de flores brancas, as quais ele cheirava antes de erguer o olhar para ela e sorrir do jeito mais apaixonante possível.
Seu coração acelerou. Aquela sensação era tão preciosa para si, uma romântica incurável. Sempre desejou um amor avassalador, intenso, profundo e eterno. Um amor verdadeiro capaz de fazer sua vida parecer um mar de rosas. Por isso sempre que se apaixonava suas expetativas ultrapassavam os limites da normalidade e ela sempre acabava quebrando a cara, o coração e a confiança em si mesma.
— Amor não é felicidade... — Ela negou veemente, nem dando oportunidade para Guk apresentar seu desejo propriamente.
Com algumas passadas ela se viu de novo no corredor. Estava sendo inconsequente e desperdiçando desejos à toa. Se arrependia agora de ter recusado o desejo de Yoongi. Pelo menos com dinheiro ela poderia ter tudo o que quisesse. Poderia viajar, comprar coisas que ela sempre quis, conhecer novos lugares, novas pessoas...
— Burra burra burra! — Se reprimiu, batendo em sua cabeça e soltando o ar pesadamente.
Agora ela tinha apenas mais três desejos pela frente. Liberdade, felicidade e inteligência. Naquele momento ela de fato precisava de inteligência para tomar uma decisão, e como resposta ao seu pensamento Namjoon surgiu e apontou para o interior do seu quarto. Sem hesitação ela se encaminhou até o quarto dele, que nada mais era que uma enorme biblioteca.
Os olhos da convidada ganharam um brilho de fascínio e Joon surgiu ao seu lado carregando uma enorme enciclopédia e portando uns óculos redondos que assentavam perfeitamente em seu rosto.
— O quão maravilhoso seria ter o conhecimento do universo em sua cabeça? Você poderia ser um gênio de inteligência, o novo grande nome para a história da ciência, medicina, astrologia, literatura, física... tudo o que você quiser saber, tudo o que você quiser ter. Inteligência te trará as melhores oportunidades, as melhores ideias, te dará fama, dinheiro e a sensação de ter todo o mundo nas suas mãos. — Joon apresentou sua proposta e de fato ela parecia tentadora.
Ela poderia encontrar a cura para doenças, inventar novas tecnologias, salvar pessoas, países, o mundo! Seu nome ficaria para a história... ela poderia mudar a vida de todos, menos a sua.
Por anos ela colocou todos à sua frente e isso nunca a levou a lado nenhum. Inteligência poderia ser esmagadora, solitária, demais para ela suportar. Sabia o quão avassalador poderia ser para um gênio — não o concededor de desejos, mas o inteligente — ter tantos pensamentos e ideias guardadas, querer trazer tudo à vida e morrer sem conseguir concluir metade dos seus projetos. Era angustiante.
— Droga, porque eu só consigo achar defeitos em todos os desejos que me são propostos? — bradou irritada consigo mesma, enfiando os dedos em seus cabelos totalmente emaranhados.
— Nenhuma destas decisões é fácil, não cobre demais de si. — aconselhou, colocando uma mão sobre o ombro dela na tentativa de a acalmar.
— Neste momento eu precisava de um pouco de inteligência para tomar decisões com a cabeça e não com o coração. — choramingou olhando para Namjoon com um olhar frustrado e derrotista.
Ele apenas comprimiu os lábios num claro gesto de impotência em ajudá-la. Nenhum deles poderia decidir por si e ela apenas precisava pesar os prós e contras de cada desejo. Por mais sedutor que aquele desejo fosse ele não era idealista. Tinha o mesmo sentimento de agonia que a fama trazia e ela detestava esse sentimento. Derrotada ela se encaminhou para o exterior e se deixou escorregar no chão, chorosa.
— De que adianta todos os outros desejos se você não pode desfrutar deles plenamente? — Hoseok inquiriu surgindo agachado ao seu lado com um sorriso grandioso e contagiante.
A jovem ergueu o rosto entristecido, abriu um pequeno sorriso e assentiu. Ela não podia se deslumbrar com coisas fúteis ou passageiras se apenas trouxessem sofrimento. Felicidade seria de certeza a sua decisão final. Hobi estendeu a mão para ela e prontamente ela depositou a sua na palma aberta dele e se ergueu com a ajuda do gênio.
Os dois entraram no quarto dele onde ele apresentou seu desejo com diversão. Durante todo o tempo ela não parou de rir, desfrutando da companhia divertida dele com a leveza que tanto precisava. De todos, Hoseok foi o gênio com quem ela passou mais tempo.
— Felicidade significa sucesso, amor, estabilidade financeira e uma vida plena. Felicidade todos os dias, a todos os momentos, em todas as situações. — argumentou com um enorme sorriso que fazia o dia dela se abrir, todavia aquelas últimas palavras a fizeram franzir o cenho e isso o deixou sério.
Para alguém que passou toda a sua vida sofrendo, felicidade parecia uma utopia. Ela sabia como se auto-sabotar sempre que beirava algo semelhante a esse sentimento. A decisão de aceitar aquele desejo era a errada. Era exatamente por ter sofrido tanto que sabia o quão importante esses sentimentos negativos poderiam ser em determinados momentos. Eles significavam empatia, aprendizado. Felicidade constante e eterna era ilusória.
Derrotada ela saiu do quarto com a plena consciência que sairia dali sem nada. Ela não entendia ainda o que liberdade significava e se surpreendeu quando encontrou todos os gênios a esperando.
— Você é a primeira em muitas décadas a recusar os seis desejos. — Seokjin anunciou.
— Desculpem por ser um fracasso tremendo e burra demais – ou talvez demasiado ambiciosa – para escolher algo. — Choramingou frustrada.
— Não se desculpe. Não ainda. — Namjoon comentou com seriedade.
— Ah sim, ainda tenho o meu último desejo. O que quer que Liberdade seja. É tudo ou nada agora. — Respondeu com os ombros encolhidos, caminhando até Jin.
— Não nos desiluda. — Yoongi comentou com um timbre diferente do que ela foi apresentada anteriormente.
Ele não estava defensivo, arrogante ou agressivo. Parecia apreensivo e um tanto esperançoso. Isso a deixou plenamente sem palavras ou reação e um tanto empática para com ele. De repente as palavras de Jungkook soaram em sua mente. "Ele só está preocupado. [...] Lembra da história do Alladin?" Ela sentia que aquilo significava algo importante e de repente se viu rebobinando a história de Alladin em sua cabeça. O segundo desejo dele foi desperdiçado quando estava se afogando e pediu para o Gênio o salvar... ou estaria Jungkook se referindo ao romance, aos sacrifícios, à originalidade que Jasmine queria que Alladin mantivesse? Ela de fato não conseguia adivinhar. Jin chamou então sua atenção e a convidou a entrar em seu quarto e ela assim o fez, frustrada.
— O último desejo não é seu. — O gênio proferiu num tom apreensivo, temeroso, a analisando cuidadosamente. — É nosso. — acrescentou e os olhos dela se arregalaram.
— Liberdade... a liberdade de vocês! — Ela concluiu ao lembrar que o último desejo de Alladin foi libertar o gênio da lâmpada mágica.
Jin assentiu brevemente e a mulher caminhou até a cama do quarto em verde água e se recostou, perplexa. Ela tinha desperdiçado todos os seus desejos e o único que lhe restava não era sequer para ela. De repente um pensamento veio em sua mente.
— Você disse que eu fui a primeira em muitas décadas a recusar os seis desejos. Isso quer dizer que anteriormente alguém chegou até você. — Comentou interrogativa e Jin acenou positivamente. — E a pessoa não libertou vocês. — Continuou e ele abriu as mãos apontando para a mansão num claro gesto de evidencia.
Se eles ainda estavam ali concedendo desejos, foi porque a liberdade lhes tinha sido negada. Isso a deixou muito furiosa e uma carranca se formou em seu rosto.
— Tome o tempo que precisar para decidir. Entendo que possa achar injusto você ter perdido seis desejos e o que era para ser seu último desejo acabou sendo uma armadilha... Não tome uma decisão de cabeça quente. — Pediu num quase imploro.
Antes que ela pudesse dizer alguma coisa Seokjin se retirou, a deixando a sós no quarto. Ele parecia ter interpretado errado a sua expressão, mas ela não se queixou pelo momento a sós. Era péssima tomando decisões, precipitada, impulsiva. Tinha perdido tudo... mas ela nunca tivera nada, então ela não perdera nada de fato. Já eles estavam ali presos pela eternidade, concedendo desejos na esperança de um dia alguém poder conceder o maior desejo deles. Passariam eles a vida ali trancados naquela mansão? Há quantas décadas estariam eles ali presos? A agressividade de Suga veio à sua cabeça num flash e naquele momento ela compreendeu a reação dele. Ele podia ser o mais antipáticonuma primeira vista, mas era também o mais transparente e preocupado. Depois de tantas ilusões e desilusões ele não se permitia acreditar novamente e ela se identificava assustadoramente com isso. O brilho de esperança e tristeza em seu olhar no corredor, momentos antes, vibrou em sua mente e uma certeza se firmou em seu peito. Ela podia sair dali sem nada, mas não seria capaz de sair dali sem dar algo.
Num pulo ela caminhou firmemente para fora do quarto, percorreu o longo corredor, desceu a curva escadaria e seguiu o som das vozes dos gênios. Todos estavam entretidos com os seus afazeres numa sala, não parecendo realmente esperançosos que ela tomasse uma decisão favorável para eles. Estavam tão acostumados à decepção que não esperavam nada dela.
— Eu tomei a minha decisão. — Anunciou e Jin desviou o seu rosto para si, seguido por todos os outros. — Eu aceito. — Decretou firmemente e os sete se entreolharam confusos, descrentes. — Eu aceito o último desejo. Eu concedo a liberdade de vocês. — Clarificou e as expressões de êxtase e emoção tomaram os rostos de todos, que se abraçaram comemorativos.
— Você tem a certeza dessa decisão? Você tem plena consciência do significado desse desejo? — Jin insistiu em confirmar, respirando pesadamente de modo a que seu peito estufava a cada inspirada.
— Significa que vocês não irão conceder mais desejos a ninguém e poderão sair finalmente dessa mansão macabra? — Perguntou retórica e ele sorriu lentamente.
— Obrigado. — Murmurou com a voz fraquejante pelo embargo, a puxando para um abraço apertado porém curto e então a soltando e seguindo o seu grupo para o exterior daquela mansão.
A sensação de dever cumprido a assolou e um pequeno sorriso de alívio e felicidade cresceu no canto dos seus lábios. Ela os viu partir abraçados, livres e seu olhar vagou pela mansão. Será que ela cessaria de existir assim que eles saíssem? Não seria nada má ideia ficar aqui. Pensou, mas então Jin olhou por sobre o ombro e parou de caminhar.
— Você vem? — Perguntou e ela encolheu os ombros percebendo que a casa provavelmente desapareceria assim que eles pisassem o exterior.
Ela caminhou atrás dele e saiu por onde entrara, mas em vez da floresta em que se perdeu o exterior apresentava uma estrada comum no meio de uma vila suburbana. Seu olhar se voltou para trás e a mansão estava ali ainda, com o mesmo aspeto que tinha quando ela entrou. Ali ela entendeu o que Guk quis dizer com "Agora estamos numa floresta." A casa mudava de lugar. Isso a fez pensar que não podia ser coincidência ela ter surgido na sua frente quando mais precisava. Ela poderia ter tido tudo, seis oportunidades não lhe faltaram. Seus ombros se encolheram conformados. Ela apenas teria de seguir em frente.
— Sabe, nós somos gênios. — Jimin começou dizendo e ela se virou de frente para eles.
—Éramos obrigados a conceder desejos. — Jungkook continuou.
— Agora estamos livres. — Hobi sorriu largamente.
— Mas isso não nos livra dos nossos poderes. — Tae prosseguiu sugestivo.
— Não podemos mais conceder desejos. — Joon ressalvou.
— Não propriamente. — Yoongi sorriu fazendo um maço de notas surgir em suas mãos.
— Você aceita seguir caminho conosco? — Jin convidou, estendendo a mão para ela.
A jovem arregalou os olhos perplexa com o entendimento que aquelas palavras faziam em sua mente. Seus olhos se encheram de lágrimas e um sorriso emocionado se abriu quando sua mão tocou a de Jin. Afinal ela não tinha perdido tudo, ela ganhou tudo.
FIM
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