Genie

1 A menina que queria ser escritora.


Notas iniciais
Espero que gostem e comentem.

A N T E S –morte-

Um sentimento.

Era hora de parar para escrever.

APRESENTANDO:

Geni, 15 anos, nordeste do Brasil.

Pisciana, ascendente em aquário e lua em sagitário. Mais conhecida como aquariana ou de lua. Bipolar por modo de falar. Oxe!

Cabelo comprido, negro e ondulado. É de dar dó quão deprimido é o seu olhar. Matutina por obrigação, mas tem amor platônico pela escuridão.

Que chama a lua em voz e tom tão agudo que dói o meu ouvido. Oh menina!

Mas, mais doce do que rapadura, demonstra ser dura como tal.

☼☼☼

Inspiração que Geni buscara, havia encontrado em tal caos que lhe cercava.

Três minutos de conversa e... bingo! Já são inúmeras poesias, prosas e afins.

Porém, havia algo que fazia Geni entristecer. Algo que ficava subentendido na cabeça de outras pessoas, mas para ela, era nítido e não restavam dúvidas: o porquê da vida.

Só conseguia encontrar sentido quando escrevia.

Não é para ter sentido. É para ser sentida.

Josh, seu namorado, lhe era como a mais doce e inenarrável poesia em forma de pessoa. Ela o amava. Era recíproco.

☼☼☼

Geni havia deixado uma carta.

D U R A N T E

Durante o momento no qual a carta foi aberta, Josh derramava suas incansáveis lágrimas como se não houvesse fim. A final, o que Geni havia deixado de tão grandioso?

☼☼☼

“Querido Josh, não estou mais aí com você. Me desculpe. Quero deixar claro que me sentimento para contigo sempre foi o mais verdadeiro e puro que podera existir. Eu amo você.

Por te amar, tive que sacrificar-me. Em busca do sentido da vida. Então, lá vai:

Continua com a poesia, ó meu querido.

A vida é como um mar de perdição

Sem sentido, não encontramos a razão:

E por fim, isto bastara.

Porque não se pode entender.”

Fora em vão, Geni. – Disse alto Josh. –prantos-

E pensou:

“Leve-me contigo, pois, para buscar a luz

Dedicara a estrela que havia me aparecido noites dessas.

Que dizia-me, no final, daria certo.”

☼☼☼

Naquele dia não houve sol. Era como se o sol se escondesse com tristeza pela ida de alguém tão jovem, com um futuro tão próspero, era como se o céu também chorasse junto a Josh.

Como iria viver depois dali? Se Geni, a única pessoa onde pôs toda a sua confiança e amor tenha o deixado. Ah, o coração dele, tinha se partido em vários, e depois triturados em mais mil.

Mas algo naquele brisa serena que acompanhava o dia cinza, dizia-lhe, sussurrava-lhe, que Geni com ele ali sempre estaria. Ah, a paz que essa brisa o causara...

DEPOIS

Ah, o depois... O depois é sempre o mais difícil, como se você reaprendesse a andar, porque perder a pessoa amada é isso, deixar de andar acompanhado para andar só. Como se parassem de segurar sua mão bruscamente enquanto andares, e você tivesse que se virar, sozinho, sem apoio.

Geni deixara Josh apenas com seus poemas, histórias, era tudo o que ele tinha e tudo em que era apegado. Josh sentia com todo seu coração que Geni estava ali, com ele.

E ela estava, estava em seus pensamentos, em seus poemas, em suas fotos, em um perfume qualquer, mas que para Josh, ali também estava Geni, até no restaurante preferido, ou na cadeira que Geni costumava sentar na sala de aula, lá estava Geni também.

Josh pensava que nunca aprenderia a reandar, não sem Geni.

☼☼☼

50 anos depois...

Lá, na beira da morte, à beira de ser levado para sei lá onde, para os religiosos, para o céu, ou quem sabe para o inferno, mas Josh não acreditara nessas coisas, seu paraíso era outro.

Josh não se preocupava com o desespero de seus filhos, dizia-lhes que ia ficar tudo bem, que eles reaprenderiam a andar sem ele. Josh não se arrependera de nada que fez em toda a sua vida, as músicas que escreveu, os livros que publicou, todos tinham uma coisa em comum, o espirito de Geni estava em todos, impregnados em todas as suas canções.

Ah, como fora difícil amar somente uma pessoa para toda a vida, mas Josh sentia, agora, no leito da morte, que estava tudo acabado, ele a veria outra vez.

☼☼☼

Josh abriu os olhos, assustado, estava tudo muito escuro, sentia-se diferente, não sabia como explicar.

Onde ele estava?

Algo tocou seu braço, suave.

Virou-se.

E Josh viu, seu único paraíso, a luz no fim da escuridão.

Ah, aqueles olhos...

Ah, aquele sorriso...

Como tinha sentido falta.

Josh sorriu, ela sorriu.

Ele sentiu a brisa dela passar por ele novamente.

Seu coração se aqueceu.

Agora, porém, ele viu que a morte é só o começo.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!