Geni
3 Deus Perdoa
Notas iniciais
Geni.: Deus perdoa
Geni, que nunca foi de ninguém a não ser dela, nem isso mais era.
Ela, que era tão quente, não passava de um corpo frio.
Naquela cama, a mulher que espelhava a vida, clamava baixinho pela morte.
Seu corpo não passava de uma massa maleável nas mãos daquele homem, aqueles lençóis lhe eram desconhecidos, aquelas mãos...
Sentiu repulsa, nojo e medo.
Temia, pela segunda vez em sua vida.
Virou o rosto, fitando a janela, a cidade estava escura e a lua se negou a ver aquilo.
E então tudo acabou, tão rápido quanto começou. O corpo que antes não tinha vontade própria virou, de lado, encolhendo-se.
Fechou os olhos com força. O cheiro de tabaco invadindo seu nariz.
“Bela rapariga você é” rompeu o silencio, a voz áspera, lhe parecia lixa.
Nada respondeu, preferindo o silêncio.
Logo Geni! Que nas pequenas festas da cidade, embebedava-se com as musica, lá estava, miúda.
Mas o que poderia fazer? Se seu castelo fora rompido, sua fortaleza destruída, seu eu... Corrompido.
Aquela, ali naquela cama, não era Geni.
E então saiu nas ruas, semanas depois da partida do zepelim, a cidade em nada mudou.
Pequena e pacata, suas tiranias continuou. Mas Geni não era a mesma, o sorriso não estava lá.
A cidade? Está não ligava, voltava a repetir as palavras duras, julgavam, sem cessar, não ligando para o fato, escancarado, que Geni os tinha salvado.
Mas ela nada dizia, apenas assentia, com uma falsa alegria, que tudo estava bem.
O peito apertava, com tal possibilidade, o que eles diziam, era verdade?
Porém ainda era Geni, o cabelo cheio, o corpo bonito, o sorriso bobo, de menina moleca.
No fundo sabia, era Geni, rainha dos detentos, das loucas, dos lazarentos. Posso de bondade.
Pois se bem sabia, seu nome dizia: Deus perdoas-te.
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