Generation
14 Não veja isso como um fim, apenas como um começo.
Notas iniciais
POV Thalia
Eu e Nico tínhamos cantando a manhã inteira e resolvemos parar um pouco para descansar. Ele estava comendo balinhas como sempre e eu estava contando o dinheiro e um homem se aproximou de nós.
– Vocês cantam muito bem. — O homem disse. Nico engoliu a bala que estava na boca.
– Obrigado. — Ele disse sorrindo. Eu quase ri dele.
– Eu sou um caça talentos de uma gravadora famosa, e gostei muito do que ouvi aqui. — Ele disse. Eu e Nico nos entreolhamos. — São vocês quem escrevem as músicas?
– Eu escrevo as letras e ele faz as melodias. — Eu disse. O homem sorriu.
– São talentosos, porque usam esse talento em praças? — O homem perguntou.
– Porque não temos tempo para procurar outro lugar. — Nico disse. — Precisamos desse dinheiro para sobreviver.
– São de famílias pobres? — O homem perguntou.
– Muito pelo contrário. — Eu disse. — Mas nós estamos nos virando sozinhos.
– Fugiram de casa? — O homem perguntou com uma sobrancelha arqueada.
– Pode-se dizer que sim. — Nico disse colocando outra bala na boca.
– Posso apresentá-los para meu chefe? — O homem perguntou. — Se ele gostar de vocês, pode ser que fiquem famosos.
Olhei para Nico. Ele deu de ombros.
– Não temos absolutamente nada a perder. — Ele disse indiferente. — Só precisamos avisar Annie e Percy.
– Não sabemos onde eles estão. — Eu disse.
– Quem? — O homem perguntou confuso.
– Convivemos com mais dois adolescentes. — Nico disse. O homem olhou para nós dois.
– Acha que os dois estão muito longe? — Ele perguntou por fim. Eu olhei para Nico.
– Não sei, provavelmente não. — Nico disse dando de ombros.
– Podemos procurar pelas redondezas, estou de carro, não deve ser tão difícil achar os dois. — O homem disse. — Vocês tem alguma ideia de onde possam estar?
– Eles contam histórias em parques. — Eu disse.
– Temos uma pista então. — O homem disse sorrindo. — Podem me acompanhar?
Nico pegou minha mão e fomos de mãos dadas atrás do homem, que cantarolava uma das músicas que nós tínhamos cantado. Eu sei que nossos pais nos ensinam a nunca entrar em carros de estranhos, principalmente quando ele oferece algo para você, mas cara, há dois meses atrás eu dormi em um motel sujo com um garoto que eu tinha conhecido a pouco tempo, já fui capturada por um maníaco e depois fui atropelada e entrei em coma, entrar em um carro de um desconhecido não me parece ser tão perigoso agora. E eu também tenho Nico, sei que ele vai me proteger, e se ele não vê problema nenhum nisso é porque ele já pensou em tudo que pode acontecer conosco, então estou definitivamente segura.
Entramos em um carro cujo o nome eu não sabia que era preto. Eu e Nico fomos no banco de trás e o homem no banco do passageiro, com seu motorista dirigindo, ele deveria ser bem rico para ter até mesmo um motorista.
Andamos por mais ou menos meia hora até acharmos os dois. Eu e Nico descemos do carro e fomos falar com eles. Annabeth ficou preocupada, mas disse que tudo bem, já Percy ficou animado com a possibilidade de eu e Nico sermos famosos.
Voltamos para o carro, onde o homem, que nós descobrimos se chamar Scott, nos esperava ainda com um sorriso no rosto. Ele definitivamente não se parecia com um maníaco, pelo menos não como Gabe. Depois que eu e Nico entramos no carro Scott fez um sinal para o motorista e ele começou a dirigir em direção á parte rica da cidade. Fiquei olhando pela janela, todas aquelas casas eram bem bonitas, era um tipo de arquitetura que eu estava acostumada a ver sempre que ia obrigada em festas.
Paramos em frente a um prédio enorme. Scott entrou e nem mesmo passou pela recepção, já nos levou diretamente ao elevador. Apertou o botão para o sexto andar e começou a se balançar no ritmo da música brega do elevador, aquilo parecia ser bem normal para ele, quem sabe até mesmo sua rotina.
Chegamos enfim ao andar e ele nos levou até uma grande porta preta. Bateu duas vezes e então entrou fazendo sinal para que entrássemos também. A sala era na verdade um escritório, tinha uma grande mesa no centro, prateleiras nas paredes com Discos de vinil e CDs, uma grande janela com vista para a cidade e sentado do outro lado da mesa um homem bronzeado, com cabelos escuros e olhos castanhos, ele tinha um grande sorriso no rosto.
– Senhor, esses são os adolescentes que lhe falei. — Scott disse para o homem, que se virou para mim e Nico e seu sorriso se alargou.
– Então vocês foram os dois que capturaram a atenção de Scott de tamanha forma que ele queria que viessem diretamente até mim? — O homem perguntou ainda com seu grande sorriso brilhante. — Devem ser muito talentosos.
– O senhor tem que ouvi-los, são maravilhosos! — Scott disse com um grande sorriso.
– Antes, acho melhor nos apresentarmos, não? — O homem perguntou e fez um gesto para as duas cadeiras que estavam de frente para a mesa. — Sentem-se. — Eu e Nico nos sentamos. Ele colocou as mãos na mesa. — Sou Apolo Olympius, dono dessa gravadora.
– Nico di Ângelo. — Nico disse. Ele brincava com os dedos da mão, provavelmente estava um pouco nervoso. Ele e Apolo olharam para mim.
– Thalia Grace. — Eu disse sorrindo. Apolo levantou as sobrancelhas.
– Dois nomes grandes. — Ele disse sorrindo. — Scott me disse que vocês estavam cantando em uma praça?!
– Fugimos de casa e nos encontramos por acaso, estamos nos virando juntos desde então. — Nico disse.
– Falei recentemente com Hades, ele estava bem orgulhoso de você. — Apolo disse, mas pareceu mais uma pergunta.
– Aconteceram algumas coisas... longa história. — Nico disse sem vacilar.
– Entendo. — Apolo disse. Ele olhou para mim.
– Imagino que estejam namorando. — Ele disse. Olhei para ele confusa; como ele sabia? — O jeito que se olham; me lembra a mim mesmo quando jovem... — Ele disse meio desconfortável. — Diriamos que nunca ia dar certo... espero que seja diferente para vocês.
– Ainda a ama? — Nico perguntou. Quase dei uma cotovelada nele, será possivel que ele não tinha percebido o desconforto de Apolo? Acho que a lerdeza de Percy pega.
– Você não faz ideia do quanto. — Apolo disse, e mesmo que estivesse com o sorriso no rosto seus olhos demonstravam certa tristeza. Ele chegou mais perto de Nico. — Nunca, digo nunca mesmo, deixe Thalia escapar.
– Se depender de mim, eu nunca vou sair de perto dela. — Nico disse sorrindo e aquela minha vontade de dar uma cotovelada nele passou, sendo subistituida por uma vontade louca de beijá-lo. Apolo sorriu.
– Agora vamos ao assunto que interessa. — Ele disse voltando para trás. — Podem cantar para mim? Não precisa nem mesmo usar seu violão, quero ouvir apenas as vozes.
Eu e Nico assentimos e mexeu o lábio com o nome da música que escrevi para ele. Assenti e nós dois começamos a cantar. Quando terminamos Apolo olhou para nós dois impressionado.
– Vocês dois são... incríveis. — Ele disse animado. — Sabe tocar algum instrumento além de violão?
– Guitarra e Piano. — Nico disse rapidamente.
– É claro, todo adolescente rebelde sabe tocar guitarra. — Apolo disse sarcástico enquanto balançava a cabeça. Eu ri. — Hum, vamos lá, quero apresenta-los a algumas pessoas e ouvi-los melhor.
– Essa última parte me lembra o lobo mau. — Eu resmunguei enquanto me levantava. Nico e Apolo riram.
Passamos o resto do dia andando para lá e para cá om Apolo, cantando e, no caso de Nico, tocando. Quando já estava escuro lá fora Apolo nos levou até o escritório dele de novo.
– Bem, todos aqui gostaram de vocês, e como minha empresa é democrática e decidimos as coisas por maioria, sim, vocês vão poder gravar um álbum. — Apolo disse sorrindo. — Mas como vocês são menores de idade vou precisar que algum responsável autorize.
– Precisa ser um responsável legalmente? — Perguntei.
– Não, apenas uma pessoa que tenha idade o suficiente para autorizar. — Apolo disse.
– Pode ser meu pai, tipo para nós dois? — Nico perguntou.
– É claro. — Apolo disse. — Quer um telefone?
Nico assentiu e Apolo emprestou o celular dele. Nico ligou para o pai e explicou resumidamente onde estávamos e para que precisaríamos dele. Desligou o celular com um sorriso.
– Ele está vindo para cá. — Ele disse. — Mas antes vai passar na praça para buscar Annabeth e Percy.
– Ótimo. — Eu disse sorrindo. Apolo balançou a cabeça positivamente.
Esperamos por aproximadamente uma hora até que Hades, Perséfone, Annabeth e Percy apareceram. Apolo explicou tudo a eles e Hades assinou alguns papéis.
– Quando podem começar? — Apolo perguntou animado.
– Quando você quiser. — Nico disse dando de ombros.
Começamos a gravar no dia seguinte. Aprendemos que não seríamos mais apenas Nico e Thalia, nós seríamos famosos e cada vez mais pessoas gostariam de nós, não estaríamos seguros andando pelas ruas como fazíamos. Então Hades deu uma das casas dele para nós, no começo foi bem difícil se acostumar, mas depois de um tempo já era normal. Annabeth, mesmo não tendo idade o suficiente, conseguiu uma vaga em uma faculdade por causa de sua inteligência e agora está fazendo arquitetura. Percy conseguiu uma vaga em uma peça de teatro e está bem feliz com isso, já ganhou bastante dinheiro com suas atuações.
Quanto a mim e a Nico? Neste momento estamos nos preparando para nosso primeiro show. Mesmo em apenas três meses, eu e Nico já somos bem famosos e temos até um fã clube. Vez ou outra quando chegamos na gravadora, Apolo nos mostra o vídeo que um fã mandou. Geralmente são declarações de amor para Nico, que quase me fazem vomitar, mas eu também já recebi algumas declarações e me mandam bastante flores. Algumas fãs dizem que eu e Nico somos fofos juntos, e são dessas fãs que eu gosto mais.
Eu e Nico nos posicionamos na plataforma que subiria até o nível do palco, Nico segurou minha mão e sorriu para mim. A plataforma começou a subir e pude ouvir os gritos dos fãs, o que me deixou nervosa. Comecei cantando e mais gritos. Nico apertou minha mão mostrando que estava tudo bem e eu sorri, então ele começou a cantar também.
Posso dizer que nosso show foi um verdadeiro sucesso. Entre duas músicas o público pediu para que eu e Nico nos beijássemos. Dizem que fazemos tudo pelos fãs, mas eu diria que aquele beijo não foi exatamente para eles.
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