Notas iniciais
Apos um longo periodo de tempo, eu resolvi continuar a historia, o Motivo de eu ter demorado para fazer foi que a historia provavelmente vai se extender um pouco alem do normal, claro ela ainda tem o fim, eu so estou querendo dizer que esta extensão sera Necessaria, no modo literal, porque tem muitas perguntas que ainda não tem resposta e eu não quero rushar tudo, Agradeço a todos pela leitura amo todos vocês.


Lilith ergueu-se de seu trono. Com um simples levantar de mãos, exigiu silêncio,

e tanto os humanos quanto as bestas acataram imediatamente.

— Agora que a situação está mais calma, gostaria de dar início ao Torneio das

Nações. O objetivo deste evento é puramente a nossa diversão. Espero que gostem

— anunciou ela.

Ao terminar a frase, um sorriso carregado de sarcasmo despontou em seus lábios.

No trono ao lado, Leonardo sorriu de volta, deliciando-se com a ideia de uma

carnificina. Já Salocin, o Rei Demônio, apenas fitou os combatentes e murmurou

com sua voz abafada e espectral:

— Interessante.

Das sombras de um dos portões do coliseu, Jacó emergiu acompanhado pelos outros

desafiantes. Lilith assumiu o papel de anfitriã:

— Os desafiantes, como todos sabem, serão os cinco que se inscreveram: O

Ceifador, A Muralha, Jacó, Conor e Las Platas.

Nas arquibancadas, Sanstone e Leônidas arregalaram levemente os olhos.

— Platas? — murmurou Sanstone.

A mulher que caminhava para o centro da arena usava uma armadura de prata polida

e botas de salto metálico. Com seus longos cabelos loiros e postura impecável,

ela parecia um reflexo da própria Sanstone.

Quando os cinco guerreiros formaram uma linha, Leonardo cruzou os enormes braços :

— Ué, quem vai ser o líder dos humanos?

Num piscar de olhos, Lilith teletransportou-se para o centro da arena, surgindo

diante do grupo.

— Eu mesma liderarei a equipe. Aquele que me derrotar terá o direito de assumir

o meu lugar no reino.

Um murmúrio de choque varreu as arquibancadas. Leonardo soltou uma gargalhada

estrondosa, balançando a cabeça.

— Hoho! Quer dizer que, neste duelo, você está se sacrificando apenas para

ganhar atenção? Que atitude mais meiga.

Lilith com uma destreza e um tom zombeteiro, ela rebateu:

— Se eu ficasse apenas sentada assistindo, seria uma chatice vergonhosa não

acha? Todo governante precisa esticar as pernas e treinar com alguns bonecos de vez em quando.

Conor, o irmão mais novo de Jacó, ferveu de raiva ao ouvir o tom de desdém.

— Você pode ser a filhinha intocável do governador humano — cuspiu o garoto —,

mas eu vou te mostrar por que meu clã é tão temido. Nós vivemos no inferno

enquanto você brincava em seu berço de ouro!

Lilith o olhou de cima a baixo, como se observasse um inseto.

— Certo, pessoal, a primeira luta vai começar — declarou ela, ignorando Conor

completamente.

Ela ordenou que os combatentes recuassem para as áreas designadas. Duas

arquibancadas haviam sido erguidas nas extremidades da arena para acomodar os

times. Jacó encostou-se no parapeito, observando tudo com atenção redobrada.

Conor sentou-se, ainda bufando de raiva. A "Muralha", que na verdade era um

hipopótamo humanoide colossal, apenas se sentou. Já o Ceifador,

uma figura esguia de dois metros de altura, permaneceu de pé, envolto em um

manto que ocultava seu corpo e arma, deixando à mostra apenas olhos gélidos sob

a sombra de um chapéu.

Do outro lado, Sanstone, Alexandre e Marcos tomaram seus lugares. A mente de

Sanstone ainda girava em torno daquele nome.

No centro da arena, Lilith fez o anúncio:

— O primeiro combate será: Leônidas Stone contra Las Platas!

Em um flash, Lilith retornou ao seu trono.

A mulher de cabelos loiros manteve uma distância segura. Ela empunhava uma

espada longa, mas a segurava com apenas uma das mãos, manuseando-a com a leveza

de uma espada curta. Ela ergueu o queixo e fitou o gigante à sua frente.

— Então você é o lendário Leônidas? Vai ser um...

— Chega de conversa. Vamos começar! — cortou Leônidas, com a voz carregada de

frustração.

Las Platas fechou os olhos por um breve segundo, suspirando.

— Você é muito impaciente.

Do alto, Lilith bateu palmas. O som ecoou, dando início ao combate.

Leônidas disparou em uma investida brutal. Las Platas ergueu a lâmina para

bloquear o impacto. A espada dourada resistiu sem um único arranhão, mas a força

do golpe a arrastou para trás. Usando a arma como freio, ela cravou a ponta no

chão de terra, parando o deslize. Em seguida, girou a lâmina para frente e

murmurou:

— Você não me deixa escolha. Caminho da Prata.

Sua armadura começou a pulsar com um brilho ofuscante, e a espada tornou-se

ainda mais reluzente. Leônidas assumiu uma postura de combate mais firme,

erguendo uma sobrancelha.

— Feitiço de aprimoramento? Interessante. Mas você está apenas se defendendo.

Com um movimento devastador, Leônidas desferiu um soco direto no chão. A arena

tremeu violentamente, abrindo fendas na terra e desequilibrando a garota.

Imediatamente, Lilith conjurou paredes translúcidas ao redor do campo de batalha

para proteger as arquibancadas dos tremores. Nos tronos, tanto Leonardo quanto

Salocin inclinaram-se para frente, intrigados com a força bruta do patriarca

Stone.

Quando Las Platas tentou se apoiar para levantar. Não houve tempo. Leônidas surgiu à sua frente e conectou um soco direto em seu peito.

O impacto estilhaçou a armadura de prata em milhares de pedaços brilhantes. A

garota foi arremessada contra a parede da arena, restando apenas com as calças e a cota de malha por baixo. Ela desabou, tossindo sangue, mas com as pernas trêmulas, forçou-se a ficar de pé.

Leônidas cruzou os braços, observando-a.

— Desista. Eu não quero matar você. Pois não serei eu quem vai tirar a vida da minha sobrinha.

O coliseu inteiro mergulhou em um murmúrio chocado. Alexandre piscou, confuso.

— Sobrinha? Como assim, Sans?

Sanstone, que já havia se recuperado do susto inicial, ajeitou-se na arquibancada e explicou em voz baixa para Alexandre e Marcos:

— Aquela ali é minha prima. Filha da irmã da minha mãe. O nome dela é Valentina,

mas agora atende por Las Platas. Diferente de mim, ela e a família foram

enviadas para as linhas de frente na guerra para apoiar meu pai. O Clã Platas é

uma ramificação direta da família Stone.

— Mas por que eles estavam em outro clã se são da mesma família? — perguntou

Marcos, coçando a cabeça.

Alexandre, ligando os pontos rapidamente, respondeu:

— Para fazer o trabalho sujo. Os Las Platas foram separados para atuar como os

"vilões", assumindo as táticas cruéis e as baixas necessárias. Enquanto isso, os

Stones ficavam com a glória e a imagem de heróis bondosos, garantindo o

prestígio e a confiança do povo.

— Correto — confirmou Sanstone, com um olhar amargo. — Para que meu clã não

fosse alvo de calúnias, os Las Platas carregaram o peso. Porém, durante a

guerra, os pais dela foram mortos. Quando fomos ao funeral, o olhar da minha

prima não era de tristeza. Depois daquele dia, ela sumiu. Nunca mais a vi... até hoje.

Na arena, Las Platas tentava firmar a postura, o sangue escorrendo pelo queixo.

— Eu nunca vou me render... Me mate! — rosnou ela.

Leônidas não se moveu apenas desferiu um soco no ar. A pressão do

vento gerou uma onda de choque invisível que atingiu a garota em cheio. Las

Platas perdeu os sentidos e desabou na terra, inconsciente, mas respirando.

— Eu não preciso. Matar o seu orgulho já é o suficiente.

Leônidas virou as costas e caminhou em direção à sua equipe. Soldados de Jacó

entraram rapidamente para retirar a garota caída, enquanto Lilith anunciava:

— A vitória vai para Leônidas Stone!

Salocin recostou-se confortavelmente em sua cadeira, a aura espectral ao seu redor. Lilith olhou para ele, sorrindo.

— Está gostando da atração, Senhor Salocin?

— O poder físico é evidente. Mas é um desperdício estar aqui — ecoou a voz do lorde.

Lilith fez uma careta entediada.

— Que sem graça. Pensei que diria algo mais intimidador. E você, Leonardo?

O Rei das Bestas escorou o queixo no punho enorme.

— Achei bastante divertido. Mas, na verdade, estou apenas esperando o momento em

que você vai enfrentar o Conor e passar o seu reino para as minhas mãos.

Lilith deu uma risadinha aguda, jogando as pernas por cima do braço do trono.

— Haha! Pelo jeito, o gatinho está bem animado. Vamos continuar. Round 2: Marcos

contra Jacó!

Marcos saltou da arquibancada e aterrissou na arena com uma pose heróica e um

tanto exagerada.

— Haha! Graças aos deuses chegou a minha vez! Eu estava quase explodindo de

ansiedade. Vamos lá, Jacó!

Do outro lado, Jacó afastou-se do parapeito. Com as mãos nos bolsos e uma

postura desleixada, ele caminhou pelos fundos, preferindo descer as escadas

normalmente em vez de saltar. Seu rosto era a imagem pura do tédio. O contraste

entre os dois fez a plateia mergulhar em um silêncio constrangedor.

Marcos murchou um pouco, decepcionado.

— Poxa, você podia ser um pouquinho mais animado.

Jacó parou a uma boa distância, suspirando.

— Vamos apenas acabar logo com isso. Eu tenho compromissos importantes e detesto

me atrasar.

O sangue de Marcos ferveu. Ele cravou a lança no chão, furioso.

— O que quer dizer com isso? Está insinuando que eu não sou um oponente digno?!

Enquanto os dois trocavam farpas, Leônidas sentou-se na arquibancada humana, bem

ao lado de Sanstone. Imediatamente ela se levantou, caminhou até o outro lado

de Alexandre e sentou-se novamente, murmurando no ouvido dele:

— Apenas fique aqui. Não quero ficar perto dele.

Alexandre assentiu discretamente, mantendo os olhos na arena. Lá embaixo, Marcos

apontou a lança para frente, preparando sua investida clássica.

Do trono, Lilith baixou a mão com firmeza:

— Comecem!

Enquanto a poeira começava a subir no coliseu, nos corredores silenciosos do QG,

Laura caminhava silenciosamente.

Preciso encontrar esse espião. A Sans confia em mim, pensava ela.

Seus olhos rastreavam uma leve assinatura de mana, indicando que o intruso

estava agindo de forma descuidada. O rastro a levou diretamente até a porta da

sala do Comandante. Laura abriu a porta de supetão e deu de cara com uma

Valquíria mexendo nos documentos.

Sem hesitar, sacou seu chicote. Porém, antes que pudesse estalar a arma, a

Valquíria esquivou-se com uma agilidade anormal, aplicando uma investida de

ombro que jogou a Sargenta contra a parede. Aproveitando a brecha, a intrusa

disparou pelo corredor.

— Droga! — praguejou Laura, massageando o ombro. Ela guardou o chicote e correu

no encalço da fugitiva, gritando a plenos pulmões: — Guardas! Parem essa

Valquíria! Ela é uma traidora!

Mais à frente, duas Valquírias ouviram o aviso. Elas sacaram suas espadas e

ergueram os escudos, bloqueando o corredor. Sem desacelerar, a fugitiva brilhou

intensamente. Seu corpo se contorceu, transformando-se em uma espécie de lagarto

humanoide. Correndo sobre quatro patas, ela deslizou por baixo das pernas de uma

das guardas e, em um movimento fluido, voltou a correr bípede.

Laura arregalou os olhos.

— Maldição! Ela é uma Besta!

Para não colidir com as guardas confusas, Laura deslizou pelo chão em uma

rasteira tática, passando por elas e retomando a perseguição em direção à saída

do QG.

A mulher-lagarto usava os dedos pegajosos para escalar as paredes dos prédios

com facilidade, saltando rapidamente para os telhados da cidade.

Alguém com essa habilidade... só pode ser uma oficial de alto escalão do Reino

das Bestas, deduziu Laura.

Sem perder o ritmo, a Sargenta lançou seu chicote. A ponta de aço enrolou-se na

sacada de uma varanda. Com um puxão forte, Laura catapultou-se para cima, caindo

rolando nas telhas e retomando a caçada nas alturas.

A fera olhou para trás, viu Laura em seu encalço e acelerou, saltando de telhado

em telhado em direção à arena.

Por que ela está indo para o coliseu? Questionou-se Laura, ofegante. Será que

quer entregar alguma informação no meio do caos?

De volta ao coliseu, a luta havia começado com a marca registrada de Marcos: uma

investida frontal e completamente imprudente.

Jacó apenas ergueu uma sobrancelha. Com um salto lateral preguiçoso, ele saiu do

caminho. Marcos passou direto, freou arrastando as botas na terra e virou-se,

indignado.

— Ei! Por que não me atacou?

Jacó pousou suavemente. Sem pressa, sacou sua lâmina curvada, mas, para a

surpresa de todos, Deixou atrás de si. Ele assumiu uma postura de

combate onde arma ficava atras e uma das mãos na frente, com uma das mãos estendida para frente.

Na arquibancada, Alexandre estreitou os olhos.

— Ele está assumindo uma postura de mão livre.

Sanstone e Alexandre observavam com tensão, enquanto Jacó fazia um gesto

provocativo com os dedos.

— Venha, garoto. Eu não tenho o dia todo.

Marcos abriu um sorriso feroz.

— Com prazer!

O Capitão disparou novamente, mas desta vez Jacó correu ao encontro dele.

Prestes a colidirem, os olhos de Jacó desviaram-se rapidamente para

uma das aberturas no alto do coliseu. Ele viu a figura de Laura perseguindo a

lagarta pelos telhados próximos.

Essa distração momentânea custou caro. Marcos, prevendo o desvio de Jacó, usou a

lança não para perfurar, mas girou o cabo de madeira como um bastão, acertando

as costas do jacaré com força e empurrando-o para longe.

Aproveitando o desequilíbrio do inimigo, Marcos fincou o pé na terra e usou a

lança como impulso para uma nova investida.

Jacó, mesmo tropeçando para frente, deu um sorriso afiado.

— Nossa. Que descuido o meu.

Em vez de tentar se firmar, Jacó jogou o corpo para baixo, caindo em quatro

patas. Marcos tentou frear, mas tropeçou no corpo da besta. Jacó rolou para a esquerda, deixando Marcos beijar a terra. Com um movimento ágil, o jacaré agarrou a lança que o humano deixou cair, levantou-se e apontou a ponta da lâmina para o pescoço de Marcos.

— Eu venci — declarou a fera.

Ainda no chão, Marcos esmurrou a terra com frustração. Mas, com o impacto do

soco, a ponta de metal da lança simplesmente se soltou do cabo de madeira,

caindo na areia com um tinido metálico. Jacó arregalou os olhos.

Agindo rápido, Marcos agarrou o pedaço de madeira. Jacó perdendo a vantagem,

tentou usar a adaga para cortar o braço de Marcos, mas Marcos puxou o cabo com força mais rápido que ele o desequilibrando e fazendo soltar sua adaga para trás. Jacó largou o bastão e saltou para trás em direção à sua adaga caída no chão. Ao pegá-la, assumiu novamente a postura de quatro patas :

— Você vai se arrepender por não ter aceitado a derrota.

Marcos levantou-se, girando o bastão de madeira sem ponta.

— Relaxa, lagartixa. Eu estava apenas pegando leve. Por que não decidimos isso

agora?

— Concordo com as duas coisas. Embora eu preferisse ter resolvido isso de forma

mais civilizada — respondeu Jacó.

O assassino olhou novamente para as frestas do coliseu. A lagarta estava perdendo fôlego, e Laura se aproximava perigosamente.

Tsk, estalou a língua, impaciente. Aquele ritmo é patético. Ela não vai

conseguir escapar. Preciso limpar a bagunça dessa incompetente e ainda lidar com

esse guerreiro teimoso.

Sem avisar, o corpo de Jacó sumiu.

— Passo Sombrio!

No instante seguinte, materializou-se nas costas de Marcos.

Antes que pudessem ver, Jacó cravou a adaga na coluna do Capitão.

Marcos travou, paralisado pela dor e pelo choque. Jacó sussurrou em seu ouvido:

— Você pode ser resistente garoto, mas sua coluna ainda é uma parte vital.

Quando Marcos rosnou e tentou girar o corpo, Jacó torceu levemente a lâmina,

forçando-o a parar.

— Se não ficar quieto, eu arranco a sua capacidade de andar para sempre —

advertiu Jacó, a voz fria e franca. — Aceite a derrota. Eu não quero presenciar

o assassinato de outro guerreiro honrado.

O sangue de Marcos gelou, mas a fúria foi maior.

— O que?! Outro?! Você é mesmo um cão sarnento!

Com um grito primal, uma rajada de ar explodiu do corpo de Marcos, repelindo

Jacó e a adaga para trás por pura pressão invisível. A arquibancada inteira

prendeu a respiração. Sanstone arregalou os olhos.

— Como ele conseguiu usar essa técnica?! Meu pai é o único que a domina!

De braços cruzados, Leônidas respondeu, a voz carregada de um respeito raro:

— Ele aprendeu mais rápido que o meu antigo aprendiz. É um prodígio de sua

linhagem.

Alexandre virou-se para o gigante.

— O que quer dizer com isso?

— O pai do Marcos foi o criador do Estilo da Lança. Ele era excelente, mas

faltava algo para coroar seu ponto forte: a resiliência. Então, tomei a

liberdade de ensiná-lo a técnica “Liberar”. O pai dele levou anos para dominar.

Já este garoto, instintivamente, a ativou mesmo estando apunhalado. Um belo

feito.

Na arena, Marcos chutou o bastão de madeira do chão direto para sua mão e

avançou. Jacó, recuperando o equilíbrio, usou o Passo Sombrio repetidas vezes,

piscando pela arena para confundir o adversário.

Ele é perigoso, analisou Jacó. Estava fingindo ser um brutamontes descerebrado?

Você não me engana, rapaz.

Em vez de correr, Marcos começou a caminhar calmamente, os olhos varrendo o

espaço.

— Por que está fugindo feito um rato? Está com medo? — provocou Marcos.

Jacó, ainda teleportando-se, olhou para o telhado. Laura estava quase alcançando

a Lagarta. Maldita seja.

Marcos subitamente jogou seu bastão de madeira para o alto e deu um passo largo

para frente. Jacó, focado na movimentação do bastão e no telhado,

materializou-se no ponto cego do Capitão. Mas Marcos já esperava por isso. Com

um giro rápido, agarrou o pescoço do jacaré em pleno ar, interrompendo

o teletransporte.

A plateia foi ao delírio. Lilith sorriu, apoiando o queixo na mão.

— Hoho! Parece que o garotão não é de todo inútil. Usou a arma como distração.

No trono bestial, Leonardo espumou de raiva:

— Jacó! Pare de brincar com a comida e acabe logo com isso!

Sendo enforcado e suspenso no ar, Jacó manteve a calma irritante.

— S-sim, majestade.

Num movimento furtivo, a mão livre de Jacó sacou uma segunda faca curvada

debaixo da manga. Marcos arregalou os olhos, mas não teve tempo de reagir. A

lâmina cravou-se fundo no peito dele.

— Foi uma honra conhecer você, Marcos II — sussurrou o assassino.

Marcos afrouxou o aperto, o corpo ficando dormente. Ao tocar o chão, Jacó girou

sobre o próprio eixo e desferiu um chute brutal no estômago do Capitão. O corpo

de Marcos voou pela arena, chocando-se violentamente contra a parede de pedra

logo abaixo da fenda por onde Laura corria.

O estrondo fez a Sargenta olhar para baixo. Ao ver seu amado estirado e

ensanguentado, o desespero tomou conta dela. Distraída, Laura tropeçou em um

monte de telhas soltas deixadas pela lagarta, caindo e perdendo a espiã de

vista. Ela ignorou a missão. Arrastou-se até a beirada e olhou pela fenda da

arena.

Jacó caminhava lentamente em direção a Marcos para o golpe de misericórdia.

— Não! Por favor, poupe ele! Não o mate! — gritou Laura, as lágrimas borrando

sua visão. Mas sua voz foi engolida pelo rugido ensurdecedor da torcida.

Na arquibancada, Alexandre e Sanstone levantaram-se, tensos. Alexandre olhou

para o trono de Lilith. Ela continuava sentada de pernas cruzadas, parecendo

levemente entediada.

Droga, Lilith! Faça alguma coisa! Você realmente não liga?! pensou o Comandante.

Desesperada, Laura começou a esmurrar os tijolos da parede para abrir passagem,

mas seus punhos sangraram sem causar dano. Ela sacou o chicote, golpeando a

pedra freneticamente.

Lá embaixo, Jacó ergueu a faca. Ele olhou para a garota chorando lá no alto e

deu um sorriso melancólico. Quando a lâmina desceu com força, Marcos, num último

esforço, abriu um sorriso torto.

TOC!

O bastão de madeira que Marcos havia jogado para o alto finalmente caiu... bem

no topo da cabeça de Jacó. Não causou dano real, mas o susto fez a fera hesitar.

Marcos fez um sinal de "joinha" com o polegar trêmulo e desmaiou com um sorriso

no rosto.

Jacó piscou, surpreso. Ele guardou a faca, colocou a mão no peito e anunciou:

— Eu venci!

Ele virou-se para o trono de Lilith e fez uma reverência profunda.

— My Lady.

A atitude enfureceu Leonardo, Jaco caminhou até a saída e a arquibancada humana foi à loucura.

O momento de glória foi interrompido por um estrondo. Laura finalmente quebrou

os tijolos soltos e saltou para dentro da arena, aterrissando pesadamente na frente do corpo de Marcos. Seus olhos estavam injetados de fúria e lágrimas.

— Maldito! Você vai pagar!

Ela armou o chicote. Antes que pudesse atacar, uma parede de energia

translúcida e vermelha materializou-se ao redor dela, prendendo-a em um cubo

impenetrável.

— Quem você pensa que é para insultar as regras deste coliseu com atitudes

bárbaras? Sargentinha. — A voz de Lilith ecoou fria e autoritária por toda a

arena.

Sanstone fez menção de pular, mas Alexandre segurou seu pulso com força,

balançando a cabeça negativamente. Ela trincou o maxilar, mas voltou a sentar.

Leônidas ergueu-se de seu lugar e olhou para o trono.

— Senhorita Lilith, por favor. Permita que eu lide com essa falta de disciplina.

Lilith sorriu docemente, desfazendo a barreira mágica com um estalar de dedos.

— Deixo em suas mãos.

Assim que a barreira sumiu, Laura, cega pela raiva, tentou chicotear Jacó pelas

costas. Porém, Leônidas materializou-se atrás dela. O gigante agarrou a ponta do chicote com a mão nua, sem se importar com a toxina, e aplicou um golpe preciso e suave na nuca da garota. Laura apagou instantaneamente.

Leônidas jogou Marcos sobre um ombro e segurou Laura pelo braço com a outra mão,

desaparecendo com um salto poderoso.

Leonardo gargalhou, apontando para Lilith.

— Haha! É isso que você chama de disciplina em seu exército? Que decepção patética! Não acha, Caveirão?

Salocin não moveu um milímetro de seu capuz. Continuava aguardando a próxima

luta em silêncio absoluto.

Lilith deu de ombros, sorrindo de forma cortante para o Rei das Bestas.

— O único patético aqui é você, gatinho. Por que não admite logo que implorou

aos seus subordinados para lutarem com desvantagens só para se exibirem para o

meu reino?

Nas arquibancadas, Sanstone e Alexandre arregalaram os olhos. A ficha caiu. Jacó

não lutou a sério em nenhum momento. Ele lutou assim de propósito, apenas

para humilhar as forças do império.

Não acredito, pensou Alexandre, cerrando os punhos. Eles fizeram tudo isso

apenas para mostrar como somos inferiores? E a Lilith trata isso como um jogo de

provocações?

Ignorando a tensão, Lilith cruzou as pernas e anunciou para o público com voz

vibrante:

— Bem, bem! Agora que as criancinhas foram colocadas para dormir, vamos ao que

realmente importa! Uma das lutas mais pesadas do século: Sanstone contra A

Muralha!

O hipopótamo colossal saltou da arquibancada, caindo na arena como um meteoro e

causando um tremor que sacudiu a terra.

Sanstone levantou-se em silêncio. Sem pressa, desceu as escadas e caminhou até o

centro do coliseu. Alexandre observou os olhos da parceira e sentiu um frio no

estômago.

Sans, por favor, não me diga que você vai tentar fazer isso. não é do seu feitio.

Parada a alguns metros de distância, Sanstone encarou a criatura gigantesca.

— Eu vou esmagar você até virar pasta, garotinha baixinha! — rugiu o hipopótamo.

A Vice-Comandante descruzou os braços. Com uma frieza assustadora, ela sacou seu

pesado escudo.

Enquanto isso, nos bastidores do coliseu, Jacó caminhava pelos corredores sombrios. Seu irmão, Conor, correu até ele e o abraçou com força. Jacó aceitou o gesto sem parar de andar, até chegarem perto da sacada da arquibancada com vista para a arena.

— Hoho. Esses olhos — murmurou Jacó, observando Sanstone lá embaixo. — São os

olhos de um membro do clã Stone determinado a executar. Parece que a nossa

Muralha vai ter problemas sérios. Mas, pouco importa.

Conor soltou o irmão, indignado.

— Como assim "pouco importa"? Você não liga para a nossa Irmã?

Jacó olhou para o garoto com uma serenidade mortal.

— Conor, lembre-se do que nos foi ordenado. Neste torneio a morte é permitida. Se acontecer, não temos como interferir. É uma pena, pois não poderei assistir ao desfecho deste combate.

— Mas a Muralha é muito forte! Ela não vai morrer aqui, ela vai esmagar a filha

do Leônidas! Aquela garota é só pose! — argumentou Conor. — Espera, você não vai

assistir?!

Jacó lançou um olhar furtivo para as arquibancadas humanas, focando diretamente

em Alexandre. O Comandante, sentindo-se observado, devolveu o olhar.

— Tenho alguns assuntos pendentes para resolver. Avise-me apenas quando o

"combate interessante" for começar — pediu Jacó.

Conor sorriu de forma cômica e apontou o dedo discretamente na direção de Alexandre.

— Ah, tá falando da luta dos Comandantes Supremos? A gente já sabe que o Ceifador vai massacrar aquele humano ali.

Jacó abriu um sorriso predatório, virando-se para o corredor escuro.

— Exatamente. Essa é a luta que eu estou louco para ver.

Alexandre viu Jacó desaparecer nas sombras. Impossibilitado de sair dali até que

sua vez chegasse, ele desviou o olhar para a arquibancada demoníaca. O Ceifador

o encarava fixamente. Seus olhos roxos brilhantes sob o chapéu não demonstravam

raiva, medo ou sede de sangue. Eram vazios. Abissais. Ao olhar de relance para o

Rei Salocin, Alexandre notou que o lorde demônio possuía o mesmo brilho roxo e

apático. Um calafrio subiu por sua espinha, mas ele cerrou os dentes e voltou a

atenção para a arena.

A Muralha bateu a pata colossal no chão. A terra se abriu em uma rachadura veloz que avançou rasgando o solo em direção a Sanstone, gerando um terremoto focado.

Perdendo o equilíbrio, a guerreira saltou para a esquerda. A fenda continuou seu caminho destrutivo rumo aos três tronos, mas Lilith nem se moveu com apenas o olhar, a terra se fechou magicamente antes de tocar o palanque. Leonardo observou a demonstração de poder da garota com uma leve surpresa e voltou o olhar para a luta.

Sanstone aterrissou, os olhos vermelhos cravados na besta, fria como uma estátua

de gelo.

Bem abaixo da arena, nos túneis úmidos do coliseu, Jacó parou de caminhar.

— Já chega de brincar de esconde-esconde. Fale logo o que descobriu, maninha.

A textura da parede de pedra ondulou. Uma camaleoa humanoide destacou-se das

sombras, ajoelhando-se diante dele.

— Jade, a Translúcida, apresentando-se, Comandante Jacó.

O jacaré fechou os olhos, suspirando.

— Poupe-me das formalidades. Por que me fez perder tempo cobrindo sua fuga na

arena se o seu único trabalho era se infiltrar e sair sem ser vista?

Jade abriu os braços em um gesto cômico e defensivo.

— Tive algumas complicações imprevistas! Aquela sargentinha humana é

assustadoramente rápida. Além disso, estou com os músculos formigando por causa

do veneno dela.

Jacó olhou para a irmã, cético.

— Você empurrou a garota humana, não foi? Que falta de profissionalismo. Sabe muito bem que um dos nossos informantes morreu exatamente ao tentar segurá-la.

Jade pigarreou, tentando recuperar a dignidade da missão.

— Bom, eu confirmei a sua teoria. O Comandante Alexandre é, sem dúvida, filho do

mesmo homem que você enfrentou anos atrás, o antigo vice-comandante de Leônidas.

Jacó estalou a língua com desdém.

— Você realmente me fez atrasar minha agenda só para dizer o óbvio? Às vezes parece que o irmão mais velho é o único que trabalha nessa família.

Tremendo levemente as pernas, Jade tirou um objeto do bolso, tentando se

redimir.

— M-mas, mano... eu também encontrei isso na sala dele. São os planos do comandante para iniciar uma rebelião e assassinar o Líder Supremo do Império

Humano!

Os olhos amarelos de Jacó arregalaram-se. O choque foi imediato. Ele pegou o

pequeno caderno preto das mãos dela e começou a folhear as páginas. A incredulidade em seu rosto derreteu-se rapidamente, transformando-se em um sorriso largo, de orelha a orelha.

Ele guardou o caderno no bolso, rindo baixo

— Finalmente... alguém à minha altura. Me mostre do que você é realmente capaz, Alexandre.