Notas iniciais
Olá! Essa é a minha primeira história original, estou muito ansiosa para saber o retorno de vocês, então por favor, comentem.

“Será que o que realmente falta no mundo é o amor? Será que esse seria capaz de combater até o pior dos males? Será que realmente existe o amor em sua forma pura? Será que existe Destino? Será que esse é responsável por tudo o que acontece em nossas vidas? Será que existe uma pessoa destinada a encontrar outra?”

A Terra é um planeta fértil, não só pela ampla variedade de animais e de plantas, como também por ser responsável por abrigar várias espécies de seres pensantes. Não existem só humanos no mundo, existem quase todas as criaturas que você ouviu falar como sendo lenda, entretanto nós tivemos que nos esconder para não sermos mais caçados, os Elfos se confinaram em suas florestas, as sereias em seus oceanos, e os vampiros, bruxos e lobos tiveram que encontrar uma forma de se mesclar na sociedade. Era difícil para uma criança entender isso, porém eu não era qualquer criança e principalmente, tinha várias pessoas para me orientar.

Nesse exato momento eu estava observando atentamente o meu pai contando todos os detalhes sobre os quatro elementos e como eles influenciavam em nossas vidas. Aquelas aulas exotéricas eram comuns para mim, todos os dias, durante duas horas eu e o meu pai nos sentávamos no escritório principal do nosso clã para eu ter aulas sobre bruxaria.

Para uma garota de doze anos a minha vida era bastante agitada, manhã escola convencional, tarde aulas sobre os vários clãs e bruxaria, e na parte da noite ouvia e anotava as reuniões que tinham no clube La Luna. Ser uma jovem feiticeira não era fácil, principalmente quando se tem um lado vampírico, que tem que ser constantemente controlado.

-Safira, estás me escutando? –O meu pai pergunta e eu olho para o meu Grimório, que estava todo rabiscado com desenhos do sistema solar. –Filha, eu sei que esse assunto não é dos mais divertidos, porém você tem que aprender.

-Eu estou cansada de teoria. –Falo fazendo bico e o meu pai assente de leve. –Eu prefiro a parte prática, não sei por que demoramos tanto na parte técnica.

-Para podermos aprender a controlar os nossos instintos, querida. –Ele fala com um sorriso e eu fico observando os olhos castanhos do meu pai. –Somos bruxos, pertencemos a um clã importante e você no futuro irá fazer parte da direção.

-Só que os instintos são importantes, pai. –Retruco e observo-o me olhar de forma terna. –Li em um livro que temos uma parte de nossa mente que precisa ser acionada com os nossos instintos.

-Ele estava se referindo a intuição, Saf. –O Oliver fala com um sorriso e eu olho para baixo, me condenando pelo erro. –A intuição é você saber o que tem que ser feito, é você sentir no seu coração algo e distinguir que aquilo não veio de sua fantasia. Os instintos são diferentes, eles são responsáveis por outros comandos do nosso corpo, e para sermos bruxos poderosos temos que deixa-los de lado, caso contrário a nossa magia será utilizada por qualquer futilidade.

-Mas eu não consigo, pai. –Falo quase chorando e olho para o meu mestre. –É difícil controlar os meus instintos, hoje na escola quase ataquei uma garota que fez piada comigo. Eu quase lancei um feitiço nela, por puro instinto.

-Querida, fique calma. –Ele diz com um sorriso e toca em minha cabeça, em um gesto divertido. –O que importa é que você não o fez, significa que algo dentro de você conseguiu controla-lo.

-O Enzo quem me ajudou. –Falo olhando para baixo e o meu pai parece um pouco menos otimista. –Se não fosse ele eu teria atacado a Isabelle.

-Vou chamar a Melissa para ela te ensinar um pouco mais sobre a divisão dos clãs, querida. –Ele comenta se levantando da cadeira e eu assinto. –Acho que já chega de bruxaria por hoje.

O meu pai sai da sala e eu o acompanho com o olhar, sentindo uma vontade imensa de derramar as minhas lágrimas. Eu não suportava quando ele se decepcionava comigo, não só pelo fato dele ser o meu pai, como também pelo fato de ser o meu mestre. Nós trabalhamos muito com o controle, porém parece que aquilo não surte efeito em mim, é como se ele estivesse falando tudo ao vento, e quando o mesmo percebia isso fica extremamente decepcionado, não comigo, mas consigo mesmo.

Todo o meu descontrole deve-se a minha metade vampírica. Tenho cinquenta por cento de meu corpo de puro instinto e dificuldade de concentração, e outros cinquenta por cento de racionalidade e inspiração. Meu corpo é como o Yin Yang, eu tinha duas partes opostas que se completavam entre si, essa era uma anormalidade.

Muitas crianças de meu clã me consideram uma aberração e algo antinatural. É fora dos padrões da natureza um vampiro procriar e ainda por cima uma criança ser metade feiticeira e metade vampiro, os meus pais levaram um susto quando descobriram que eu iria nascer. Minha mãe é uma vampira, e foi muito difícil o casamento dela com o meu pai, porém sentiram-se menos culpados pelo seu relacionamento quando descobriram que ela estava grávida, eles viram esse fato como um presente dos deuses.

Bruxos e vampiros são seres completamente opostos e que não se dão bem de forma alguma, porém eles conseguiram vencer essa barreira. Quando eu nasci foi revelado que eu poderia gerar filhos, que também seriam vampiros, já que o meu corpo funcionava normalmente e sentia todas as necessidades humanas, eu era um ser que iria crescer e constituir família, com o diferencial de que não iria morrer e poderia controlar o meu envelhecimento de acordo com a quantidade de sangue que fosse ingerido.

-Olá, Saf. –A Melissa fala entrando no escritório e eu saio dos meus devaneios, desviando o olhar para a mãe de meu melhor amigo. –O seu pai me pediu para iniciarmos a nossa aula agora, fez a revisão ontem?

-A minha mãe estava me explicando um pouco mais sobre os clãs dos vampiros. –Falo de forma fraca e a Mel assente com um sorriso. –Ela disse que quando eu completasse a idade iria me levar para conhecer o Oleander.

-Isso é maravilhoso, Saf. –Ela fala animada e senta-se ao meu lado. –É muito importante o estudo de todos os clãs, mas hoje nós vamos focar na história do La Luna.

Ela começa a explicar como foi que os meus antepassados fundaram o clã e deu a história completa dele, desde a Grécia antiga, passando por Roma, Inquisição e agora no período Moderno. A Melissa falava sobre o tema com paixão no olhar e eu me contagiei um pouco com a sua felicidade, ela parecia extremamente compenetrada em me dar aula e eu até comecei a gostar mais do nosso clã, o que foi um grande passo para mim, já que eu não costumava nem gostar de ouvir falar do local em que eu passo a maior parte do meu tempo.

-Mel? –Chamo a minha professora e ela assente me olhando. –Desculpe-me perguntar, mas eu ouvi uma conversa dos meus pais e fiquei curiosa.

-Safira, escutar a conversa das outras pessoas é errado. –Ela me repreende com cuidado e eu dou de ombros, como se aquilo não fosse importante.

-Eles falaram de algo que me deixou bastante interessada. –Eu comento ignorando a pequena interrupção e ela revira os olhos, percebendo que não dei atenção à repreensão. –Eles estavam comentando sobre o que estava acontecendo de ruim no mundo. E a minha mãe falou para ele ficar tranquilo e confiasse na profecia da Nova Era.

-A profecia da Nova Era. –A minha professora fala com um sorriso e olha de forma sonhadora para a janela da sala. –Ela é muito importante para nós do sobrenatural.

-O que ela fala? –Eu pergunto com um sorriso no rosto e percebo que era algo bom, afinal, a Melissa estava irradiando paz só de ouvir falar naquilo.

-Ela foi feita pela Agatha, uma feiticeira muito poderosa. –A Sra. Chiarelli comenta me analisando e eu assinto de forma devagar. –Na época ela tinha dezessete anos e estava começando o ritual de iniciação, foi quando ela teve um sonho e logo em seguida um recado do próprio Oráculo, esquecido há anos.

-O Grande oráculo? –Eu pergunto com brilho nos olhos e ela assente, animada pela minha curiosidade.

-Foi um ano conturbado àquele, alguns clãs estavam se desfazendo e os lobos davam inicio a uma luta interna com os vampiros. –A minha mentora comenta, fechando os olhos ao se lembrar daquele tempo. –E para o mundo natural também não estava sendo bom, a Europa havia acabado de sair da segunda Guerra Mundial e ainda se restabelecia aos poucos. Era o ano de 1950.

-O que dizia na profecia, e por que foi dada justo em um período ruim? –Pergunto quase me levantando da cadeira e ela sorri.

-Ela foi dita naquele ano porque nós precisávamos de esperança, Safira. –Ela fala com um sorriso e eu assinto, me encantando um pouco mais com essa profecia. –“Dois opostos iguais irão se encontrar, o mundo se restabelecerá, e o sobrenatural não mais temerá.”

Sinto o meu coração bater de forma acelerada ao ouvir aquela frase e os meus lábios soltam um pequeno sorriso. Estava eufórica com aquilo, sentia uma adrenalina percorrer todo o meu corpo e uma felicidade imensa irradiava dentro de mim, um lado meu sentia que fazia parte daquilo e uma forte esperança se instalou em minha mente. Eu sabia que aquilo iria acontecer.

Notas finais
Esse foi o prólogo, espero que tenham gostado e por favor, comentem para eu poder saber se devo continuar.
Bjs;
Lady Oliveira
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.