Gemialidades Weasley
24 "Irmãos e amantes" Um.
Notas iniciais
Fred dormia serenamente em meus braços. Ele abraçava meu tronco de um modo forte como se tivesse medo que eu fugisse correndo dali, mas eu não iria de qualquer maneira. Seu peito subia e descia lentamente e sua respiração era quase imperceptível, sua pele ainda possuía uma fina camada de suor decorrente ao que fazíamos há horas atrás. Os cabelos ruivos caiam sobre os olhos e as sardinhas acrescentavam um detalhe engaçado à sua pele.
Era tão bom amá-lo. Era como amar à mim mesmo.
Acordei naquela manhã e percebi que meu irmão não estava mais nos meu braços, mas vestido sentado em sua cama. Coloquei minhas roupas rapidamente também, éramos os únicos acordados no dormitório.
Os dias que antecederam a Páscoa estavam sobrecarregados de tantos deveres, no entanto, Fred, Lino e eu conseguimos colocá-los em dia. Mamãe ficaria feliz já que isso significava nenhuma detenção. No fim do feriado de Páscoa enquanto estávamos tomando nosso café da manhã, recebemos ovos de chocolates caseiros feitos por Molly. Eram grandes e recheados. Mamãe sabia como agradar meu gêmeo e eu. Pela barriga, é claro.
- Você viu o tamanho do ovo que mamãe mandou para a Mione? – Fred comentou enquanto já abria o seu embrulho para devorá-lo.
- Acho que ela leu o que Rita escreveu.
- Vou dar um pedaço do meu ovo para Mione mais tarde – Ele deu de ombros. – Isso se sobrar, é claro.
- Então ela vai ficar sem – Rimos.
Depois do café e muito chocolate, seguimos para o lado exterior do castelo. Sentamo-nos perto do lago e meus olhos logo caíram sobre o campo de quadribol há alguns metros da onde estávamos.
- Cara, eu sinto falta de voar, rebater alguns balaços – Comentei.
- É, verdade.
- Sei que vocês sentem falta da minha esplendida narração, eu sei, não precisam esconder, garotos – Lino brinco e jogou os braços para cima. Rimos. Na verdade eu sentia falta de toda a loucura que era um jogo de quadribol, a ansiedade, as vassouras, os balaços, a vitória.
Estávamos no início do trimestre de verão, normalmente estaríamos treinando para a última partida de quadribol da temporada, no entanto, agora estávamos esperando pela última tarefa do Torneio Tribruxo que definiria o campeão. Harry precisava ganhar, a grifinória merecia mais uma glória. Era como se ganhássemos a taça das casas.
Os dias foram passando e logo ficou perceptível que algo estava diferente no campo de quadribol. Parecia que plantas altas estavam sendo cultivadas de um modo estranho ali. Estava Dumbledore fazendo algo incomum com o campo? A resposta era óbvia, claro que sim, só esperava que o diretor não transformasse o campo numa estufa adicional para Herbologia. Nah, ele não faria isso, de qualquer maneira. Não estava me preocupando muito com o campo de quadribol, algo me dizia que logo descobriria o que estava acontecendo.
Era de manhã e estávamos na Torre da Grifinória quando ouvi um suspiro de Fred, logo ele disse energético:
- Eu simplesmente não consigo esquecer o Ludo Bagman! Ele não pode simplesmente nos roubar! – Levantou-se da cama e jogou os braços para cima. – Precisamos continuar Jorge, mas de um modo diferente!
- Como assim?
- Venha comigo – Chamou-me com a mão, ainda energético, e desceu apressado até o patamar do Salão Comunal. Logo passamos pelo quadro da Mulher Gorda e pelas nossas passagens secretas para cortamos caminho.
Fred andava a passos largos até o corujal, ao chegarmos lá ele escolheu uma das corujas e eu decidi perguntar:
- Mais cartas? Nossas tentativas não foram totalmente frustradas?
- Olha, vamos fazer diferente dessa vez... – Conjurou um pergaminho, pena e tinteiro e começou a escrever. Minhas sobrancelhas se erguiam a cada palavra que ele escrevia e foi impossível não soltar uma exclamação quando vi o destinatário. – Tentamos ir com calma, mas agora devemos jogar sujo com o cara. Ele não ia gostar nada que o Ministério da Magia ficasse sabendo do que ele fez...
- Se você colocar isso por escrito será como chantagem!
- Sim, mas você gostaria de conseguir um pagamento por isso, não? – Ergueu as sobrancelhas.
Fred estava abrindo a boca para falar algo, mas fora interrompido pelo barulho da porta do corujal sendo aberta. Rony, Hermione e Harry entraram por ela com olhares curiosos.
- Que é que estão fazendo aqui? – Meus dois irmãos disseram juntos.
- Despachando uma carta – Harry e eu respondemos ao mesmo tempo.
- A esta hora? – Exclamaram Hermione e Fred.
Até que foram três timings engraçados se não fosse pela situação.
Meu gêmeo sorriu e deu de ombros logo para dizer:
- Bem, nós não perguntamos nada se vocês não nos perguntarem nada também – E tratou de esconder o destinatário da carta com as mãos quando um olhar curioso de Harry caiu sobre o envelope em suas mãos. – Não se prendam por nós.
Aquela era nossa deixa, Fred e eu nos dirigimos até a porta, mas antes de podermos passar por ela, Rony nos chamou mais uma vez:
- Quem é que vocês estão chantageando dessa vez?
Fred engoliu seu sorriso e o olhei pelo canto dos olhos. Mas que garoto mais irritante, esse Rony. Abri um sorriso antes de respondê-lo.
- Não seja bobo, estávamos só brincando.
Mas aquele maldito e querido ruivo não desistiu, então acabou por levar uma resposta atravessada de Fred. Bem dada, devo dizer. Peguei a carta das mãos do garoto ao meu lado e amarrei na perna da primeira coruja que vi, esta que logo alcançou vôo. Antes de deixarmos o corujal não resisti em fazer uma pequena provocação ao meu irmão mais novo.
- Você está falando igual ao nosso amado irmão mais velho, continue assim que em pouco tempo vai virar monitor-chefe, Ronald.
Saímos o mais rápido que pudemos do corujal e voltamos até a Torre da Grifinória, lá me joguei num pufe vermelho e suspirei.
- Intrometido ele, o Rony.
- Por pouco ele não escuta nossa conversa, Jorge.
- É, foi por pouco mesmo. De qualquer maneira... Espero que dessa vez obtenhamos algum resultado.
Notas finais
E devo dizer que a fic está na reta final!
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