Gemialidades Weasley
25 "Irmãos e amantes" Dois.
Notas iniciais
Quando voltamos para a Torre da Grifinória, sentei-me num canto e Fred ao meu lado. Inconscientemente puxei sua mão e a segurei forte, mas também de modo delicado. Seu dedão escapou de meu aperto e ofereceu-me um carinho leve. Sorri e olhei para o dono da mão.
- Vamos dar uma volta pelos corredores? – Ele sugeriu – Não quero ficar parado.
- Vamos.
Levantamo-nos e passamos pelo buraco da Mulher Gorda. Começamos a andar sem um destino certo, estávamos no sétimo andar e minha mão coçava para poder segurar a dele de novo, mas não poderia fazer aquilo ali, na frente de qualquer um que passasse por nós. Precisava de um lugar para nós.
- Nunca reparei que havia uma sala aqui, nesse corredor – Fred observou olhando para a direita.
- Verdade – Parei de andar e encarei a porta. Estiquei o braço e girei a maçaneta revelando o interior da sala. Tinha tamanho médio, mas era pequena para ser uma sala de aula. Havia um sofá de cor escura e um espelho largo que cobria quase por inteiro uma das paredes. – Vem – O guiei para dentro. Poderíamos ficar um pouco sozinhos ali.
Sentei-me no sofá e Fred logo ficou ao meu lado, apoiou a cabeça no estofado escuro e sorriu.
- Eu senti sua falta, sabe.
- Mas eu estava do seu lado sempre – Franzi o cenho. Talvez pelo fato de sermos gêmeos, desde pequenos somos inseparáveis. Onde um estava, o outro estava também. Não que eu reclamasse disso, é claro.
- Não essa ‘falta’ – Esclareceu-me e se aproximou, segurando meu rosto com ambas as mãos.
Beijou-me os lábios com tanta calma que foi impossível impedir minhas mãos de fugirem para seu pescoço e se manterem lá oferecendo um carinho. O beijo era tão calmo e nele eu podia perceber sentimentos que nunca havíamos falado sobre, mas que sabíamos da existência.
- Como vai ser quando voltarmos para casa?
- Já está pensando nisso? Ainda vai demorar um pouquinho – Estralou os lábios.
- Nah, logo vai acontecer a última tarefa do Torneio e pouco depois o Expresso de Hogwarts vai estar nos esperando para nos levar de volta.
Fred deu de ombros e concordou com um murmúrio.
- É, verdade... Mas o que você quer dizer com “como vai ser quando voltarmos”?
- Eu... – Suspirei. Estávamos enfim conversando sobre nós. – Em relação à gente, mamãe não aprovaria.
- Ela não precisa saber – Respondeu-me com simplicidade.
- Não gosto de esconder as coisas dela.
- Quem é você o que fez com Jorge Weasley? – Fred perguntou com um tom de surpresa em sua voz. Foi impossível não rir. – Qual é, nós somos os gêmeos Weasley! Podemos tudo. Você não acha isso um desafio gostoso para você?
- Acho – Dei-me por vencido, mesmo que para mim isso tudo era mais do que um desafio.
- Então vem cá – Segurou meu queixo e beijou-me de um modo extremamente carinhoso. Podia perceber todos os menores movimentos de seus lábios e língua.
Minhas mãos se perderam em seus cabelos ruivos enquanto ele depositava um carinho singelo em minha cintura.
- Eu... – Fred sussurrou separando minimamente o beijo.
- O quê?
- Eu amo você – Completou. – Eu amo todas as suas sardas, seu cabelo ruivo e esse rosto ridiculamente igual ao meu.
Olhei em seus olhos e percebi que me observava com cautela. Sorri. Era tão bom ouvir isso dele, a melhor coisa que eu poderia ouvir. Então o beijei novamente, ainda um contato lento e dessa vez divido por sorrisos de ambas as partes.
Só deixamos aquela sala quando nossas barrigas começaram a reclamar. A fome move um Weasley.
Depois de comermos o que podíamos agüentar, dirigimo-nos até o Salão Comunal. Surpreendi-me ao ver um aviso pregado:
“AULAS DE APARATAÇÃO
Se você tem dezessete anos, ou vai completá-los até 31 de agosto, inclusive, poderá se
inscrever em um curso de Aparatação de doze aulas semanais com um instrutor do
Ministério da Magia.
Se quiser participar, assine abaixo, por favor.
Custo: 12 galeões”
- Finalmente! – Fred exclamou.
- Isso vai ser incrível! – Concordei. Logo assinamos nossos nomes no espaço adequado.
As primeiras aulas de aparatação foram um pouco complicadas. Alguns alunos acabaram estrunchando, o que me rendeu algumas risadas, mas não gostaria que isso acontecesse comigo. O homem baixinho sempre prosseguia com seu mantra “destino, determinação e deliberação”. Ás vezes os três D’s simplesmente fugiam da minha cabeça, mas um dia antes de completarmos 17 anos e, conseqüentemente, perto do teste final para conseguirmos a licença para aparatar, Fred e eu conseguimos desaparecer e reaparecer no pequeno arco que era o nosso destino.
- Wow! – O garoto exclamou quando chegamos no dormitório. – Fomos incríveis hoje, Jorge. Aparatamos!
- Sim, sim, o teste vai ser moleza. Com certeza passaremos de primeira.
- yeah! – Jogou-se em sua cama. – Vem cá, Jorginho – Chamou-me com um aceno.
Fui até ele e aconcheguei-me em seus abraços abertos que me acolheram num abraço.
- Amanhã fazemos dezessete – Fred sussurrou perto do meu ouvido.
- É verdade – Respondi no mesmo tom de voz. – Está animado?
- Claro que sim! Seremos maiores de idade, vamos poder usar magia fora da escola!
- É, esperei muito por isso, pra falar a verdade... Mamãe não vai conseguir segurar a gente.
- Com certeza – Rimos só de imaginar a Molly louca com tudo o que faríamos...
- Jorge, o que acha de fazermos uma festa particular na cozinha amanhã? Ora, precisamos comemorar nossos aniversários com estilo – Disse com ar maldoso.
- Fred, é por isso que gosto de ser seu irmão – Sorri e selei nossos lábios num selinho rápido. Ele sorriu também.
E foi isso o que fizemos no dia seguinte. Escapamos da cama quando não deveríamos perambular pelos corredores e chegamos na cozinha. Os elfos domésticos nos arranjaram algumas cervejas amanteigadas e o resto da noite Fred e eu soubemos lidar. Não preciso comentar que quando voltamos para o dormitório, não conseguíamos separar nossas bocas, nossos corpos. Foi uma festa divertida, devo dizer.
Junho chegou com uma atmosfera tensa e ao mesmo tempo elétrica, a terceira e última tarefa do Torneio Tribruxo estava chegando. Todos estavam animados para a execução dela.
Notas finais
Boa leitura!
Fale com o autor