Gemialidades Weasley
21 "Apenas Momentos?" Um.
Notas iniciais
Manhã seguinte da noite de natal. Manhã seguinte da... transa com meu irmão. A noite passada havia sido o fato mais surreal de toda minha vida, como eu pude fazer aquilo? Na verdade, não me arrependia. Tinha sido uma das minhas melhores experiências, ainda foi dividida com Fred. Ouvir seus gemidos baixos perto de minha orelha... Saber que todo aquele prazer sentido por ele era por minha causa. Arrepiava-me só de pensar. Quando acabamos, ficamos abraçados em silêncio por um longo tempo, mas então meu gêmeo teve que pular para sua cama. Não seria legal alguém acordar e nos ver do jeito em que estávamos.
Levantei-me da cama e troquei o pijama pelas vestes. No dormitório Fred e mais um garoto ainda dormiam, Lino já havia descido para o Salão Comunal. Depois de devidamente vestido, sentei-me na minha cama e comecei a observar o quarto, ficando demasiado feliz ao notar uma pequena caixinha mal escondida entre os cobertores da cama de Lino. Sapo de Chocolate. Puxei minha varinha e apontei para o meu objeto de desejo.
- Wingardium Leviosa – A caixinha escapou dos cobertores, logo sendo guiada por mim até minha mão. Sorri. Feitiço útil, preciso dizer.
- Seria melhor você ter usado um feitiço convocatório, não? – Fred murmurou ainda de olhos fechados.
- Tanto faz – Dei de ombros. Logo após o primeiro e último salto do sapo, o enfiei na boca.
Meu irmão não falou mais nada, permaneceu por longos minutos em silêncio. Queria olhar para ele, observar sua feição, reparar nos seus detalhes para me lembrar da noite de ontem, mas estava com... vergonha. Sim, vergonha. Não sabia explicar exatamente o porquê disso, mas eu tinha a certeza que se eu olhasse em seus olhos meu estômago se reviraria. As malditas borboletas.
Não tardou para o outro garoto que ainda dormia acordar, vestir-se e deixar o dormitório. Éramos mais uma vez, Fred e eu.
O ruivo na cama ao lado levantou-se e colocou o traje da escola, ainda em silêncio se sentou ao meu lado na cama apoiando a cabeça em meu ombro.
- Está tudo bem com você? – Perguntou baixinho. – Eu não machuquei você, machuquei?
- N-Não... – Respondi totalmente constrangido. Sentia meu rosto queimar. Logo escutei uma risada de Fred seguida por um comentário:
- Suas bochechas estão da cor do seu cabelo!
Se eu soubesse aparatar, já teria sumido do dormitório naquele instante.
- Olha aqui, Jorge – Ele disse levantando sua cabeça e segurando meu rosto com ambas as mãos. Virou-me para ele, obrigando me olhar em seus olhos. Esperei que meu gêmeo falasse algo, mas ele não o fez, apenas surpreendeu-me com seus lábios.
Seu beijo era calmo e carinhoso, fazendo-me sorrir entre o ato. Quando nos separamos meu sorriso se alargou ainda mais. Como eu poderia ter vergonha dele mesmo? Eu era mesmo um idiota por deixar que um sentimento bobo tomasse conta de mim depois de algo tão incrível.
- Vamos descer? – Perguntou ainda com a voz baixa. – Estou faminto.
- Vamos – Ri.
Descemos até o andar inferior encontrando quase toda grifinória lá, porém diferentemente do dia anterior, o Salão Comunal estava muito mais calmo e sossegado do que o normal. Alguns conversavam entre bocejos e outros dormiam sentados nos pufes.
Aquela manhã, assim como o resto do dia foi bastante monótono. Fred, Lino e eu aproveitamos para colocar dias os deveres que havíamos adiado. A pilha de deveres já estava grande, não podíamos voltar com desculpas para adiar ainda mais. Então foi esse o nosso dia e boa parte da semana vaga, narizes enfiados em livros e penas que não paravam de escrever. Na segunda seguinte, voltavam as aulas.
Estávamos num intervalo de História da Magia quando Lino se aproximou com um Profeta Diário nas mãos.
- Vocês já leram o Profeta de hoje? – Perguntou. Fred e eu discordamos com um aceno, então Lino quase enfiou o jornal em nossas mãos. – Então leiam! É sobre Hagrid.
- Hagrid? Por que ele apareceria no Profeta Diário?
Peguei o jornal e o abri diante de meus olhos, franzi o cenho logo no título da matéria: “O MAIOR ERRO DE DUMBLEDORE”. Ao que continuava a ler, minha boca se abria em surpresa.
- Não sabia que Hagrid fosse metade gigante – Fred deu de ombros fechando o jornal. – Sempre achei que fosse só grandão mesmo.
- Esse Malfoy, é um babaca. Como “Todos odiamos Hagrid”? – Perguntei perplexo. – Acho que sua experiência de doninha acabou prejudicando seu cérebro.
- Essa Rita Skeeter é aquela que há tempos atrás publicou um artigo ridículo sobre Harry, não?
- Sim, é ela – Concordei ao lembrar da matéria mentirosa. – Acho que depois dessa matéria Dumbledore vai ficar incomodado.
- Os sonserinos gostaram – Lino comentou e deu de ombros. Pff, sonserinos, é claro que eles gostaram.
No dia seguinte tivemos aula de Trato Das Criaturas Mágicas, e como esperado Hagrid não estava lá. Uma tal de Grubbly-Plank estava o substituindo temporariamente. Era uma boa professora, mas confesso que ainda assim preferia o grandalhão do Hagrid.
Teríamos uma visita à Hogsmeade no meio de janeiro. Seria bom sair da escola um pouco para variar a rotina. Poderia tomar cerveja amanteigada e me reabastecer com artefatos da Zonko’s.
Meu cachecol já estava enrolado no pescoço, as luvas nas mãos e para finalizar uma touca. Como ainda estávamos na metade do primeiro mês do ano, o clima ainda era demasiadamente frio.
Quando caminhava até os portões de entrada vi alguém nadando no lago. Parei para observar quem era.
- Quem é o maluco que está se divertindo com a lula? – Fred perguntou esticando o pescoço para ver melhor. – Uau, é Vítor Krum.
- Ele deve estar congelando – Comentei sentindo frio por ele.
- Krum é pirado, isso sim.
Continuamos a andar, ainda comentando sobre o búlgaro que nadava numa manhã extremamente gelada. Depois de afundar os pés várias vezes na neve fofa chegamos a Hogsmeade, esta que estava excepcionalmente cheia por conta dos alunos de Hogwarts.
- Vamos ao Três Vassouras? – Perguntou Fred. Apenas concordei com a cabeça.
O bar estava apinhado de gente como sempre, a maioria dos clientes eram alunos da escola. No entanto, o que mais me chamou a atenção entre as pessoas foi a presença de Ludo Bagman. Cutuquei meu irmão nas costelas e apontei para o homem. Nos aproximamos dele.
- E ai Sr. Bagman. Quer tomar algo com a gente? – Fred disse apontando para ele e para mim.
- Ah, não, não... Muito obrigado, garotos, mas não... – E mais uma vez fugiu de nós.
Fred deu de ombros visivelmente decepcionado e se sentou ao meu lado num canto mais afastado do bar. Pedimos nossas cervejas amanteigadas e logo fomos servidos.
- Eu estou quase desistindo, sabe – Começou. – Do nosso ouro.
- É, eu também. É difícil aceitar que nós, fomos enganados.
- É – Bufei.
Quando chegamos no dormitório, desenrolei o cachecol e o joguei encima da cama. As paredes grossas do castelo não deixavam o frio adentrar. Sentei-me na minha cama e chamei Fred com um aceno, ele sorriu e veio se sentar ao meu lado. Nosso último contato mais íntimo havia sido na manhã após o natal, já fazia muito tempo e eu estava com saudades.
Arrumei seus cabelos ruivos e então acariciei seu rosto, ele me observava atentamente.
- O que foi? – Perguntei.
- Nada – Deu de ombros. – Posso beijar você?
- Nem precisava pedir – Brinquei.
Mais uma vez nós estávamos nos beijando. Um beijo calmo de saudades. Por que esse intervalo de tempo tão grande entre nossos contatos mais íntimos?
Notas finais
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