Eu tinha colocado a mão em seu rosto e feito uma carícia quando tínhamos nos separados para conseguir oxigênio. Foi nesse mesmo instante que o seu médico chegou. Escutamos seu chamado e sua batida na porta.

Me levantei para me recompor e ele apenas ficou me olhando buscando ar. Essa foi a lembrança que eu tive quando desci do meu carro após estaciona-lo. Caminhei lentamente e parei na porta, a mesma que ontem eu estava de frente totalmente preocupada.

Ontem Poncho tinha me ligado por que teve uma crise, na qual sua memória voltou, quando cheguei e ele ter desabado, depois de termos nos beijado. O médico o avaliou e disse que tinha sorte por ter conseguido recuperar a memória, receitou alguns remédios e exames para fazer uma análise completa aquela noite, finalmente a quantidade dos remédios que ele tomou surtiu efeito e ele dormiu profundamente e até quando eu sai bem cedo na manhã seguinte ele não tinha acordado.

Tive um dia perturbado. Não tivemos uma conversa e isso foi pior por que a lembrança do nosso beijo ficou constante e vinha o dia todo, quando ele acordou me ligou e conversamos brevemente sobre sua saúde, ele estava ótimo. Fui para o meu escritório, não consegui trabalhar, não tinha concentração alguma.

Só pensava nele.

Até que interrompi meu expediente e dirigi para sua casa onde agora eu estava aqui, em frente sua porta. Me questionava se estava louca por cogitar o que eu em fazer o que eu queria tanto. Talvez ele não sentisse o mesmo que ela, que para ele foi apenas um beijo.

Soltei um suspiro alto e apoiei num vão da porta que foi aberta repentinamente, nos encaramos brevemente e conseguia ver fogo em seus olhos, era como se ele me esperasse ou estivesse prestes a sair para ir ao meu encontro.

:- Eu precisava te ver. – soltei essa frase.

:- Eu te vi pela janela. – e ele soltou essa.

Que aparentemente parecia não se conectarem, mas tinham tudo a ver uma com a outra. Representava nossa saudade, nosso incomodo, nosso desejo, nossa gana. Mordi o lábio e entrei em sua casa o obrigando a dar passos para trás. Joguei minha bolsa em qualquer lugar como ontem e quando pensei em falar algo para que não parecesse tudo tão estranho ele fechou a porta.

E me empurrou para me encostar nela e me prensou.

:- Eu pensei em você o dia inteiro.

:- Eu também. – ele começava a respirar mais rapidamente.

:- Não sei como dizer isso... Não sei como você vai interpretar isso..- eu engoli saliva sem saber como agir, mas meu corpo já dizia assim como o dele. Coloquei minhas mãos em seu peito e ele entendeu o recado que era para se aproximar ainda mais.

:- Você quer? — ele me fez uma pergunta fatal e tão direta que me fez ter um arrepio que correu todo o meu corpo.

Eu respondi que queria, como queria e o quanto só em puxar sua cabeça e beijá-lo entregando tudo para ele. Meu corpo, minha alma, meu coração como foi na minha primeira vez.

Me entreguei para ele como me entregava ao desejo, a paixão que ainda sentia correndo nas minhas veias. Me entreguei a mágoa que sentia pelo destino, por não deixarmos ficar juntos no passado, me entreguei a liberdade de fazer o que eu queria, o que mais queria era estar nos braços dele sendo sua mulher, comandando aquele homem e estando a sua mercê. Me entreguei ao amor que ainda sentia e que quando ele me fez chegar ao paraíso me dei conta que nunca deixaria de sentir.

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