Gelo E Fogo

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Um obrigado especial a Tathiane Rodrigues de Souza que recomendou a fic e agradecimentos calorosos aos amigos leitores que comentaram.
E por favor, me avisem se algo na história não tiver coerência com os livros.
Boa Leitura.

Aegon Targaryen, o sexto em seu nome estava emburrado. Ouvia atentamente seus conselheiros resmungarem nos seus ouvidos, mas realmente, ele não tinha cabeça para pensar em problemas. Sua mente voava e girava pelos acontecimentos da noite anterior. Ele olhou para a janela e suspirou. Lembrava das palavras de seus mestres que governar não era um prazer, era uma obrigação. E ele não estava gostando muito dessa obrigação. Levantou-se da sua cadeira e decidiu visitar sua prisioneira, a bela selvagem que quase o matara na noite anterior.

/~/~/~/~/~/~/~/~/~/~/~/~/

Arya queria torturar lentamente Aegon, matá-lo bem devagar. Quem ele pensava que era para mantê-la presa, se fosse assim que a condenasse logo a morte. Ou poderia acontecer algo pior, ele poderia descobrir quem ela era e qual família estava ligada e isso seria sua sentença condenatória. O norte ainda não havia sido conquistado pelos Dragões, e se Aegon se mostrasse tão interessado em possuí-la como se mostrara ontem, então ela teria muitos problemas.

Pelos boatos que ela tinha ouvido em Braavos, Stannis Baratheon e a feiticeira vermelha haviam sido mortos de forma cruel e misteriosa. A pequena Shireen e a mãe tinha voltado depois da Conquista Targaryen para Ponta Tempestade e jurado lealdade ao Trono de Ferro. Os homens de Ferro ao comando de Asha Greyjoy, haviam se retirado do Norte e se unido a causa Targaryen com a promessa de terras.

Bran agora era Rei do Norte, depois de anos escondido pra lá da Muralha, ele havia voltado, casando-se com Meera Reed. Rickon morava com eles, mas deste, ela não tinha noticias. Jon ainda continuava na Muralha como Lorde Comandante. A cada dia que se passava em Braavos os boatos sobre ele se tornava mais estranhos. Algo sobre morrer e ressuscitar. Sansa, sua bela irmã, agora era Senhora do Vale, casando-se com Henry o Herdeiro, depois da morte do enfermo Robert Arryn. O Vale não havia feito nem um juramento aos Targaryen. Correrio era governado por Edmure Tully, um homem ligado a família, uma palavra dos sobrinhos e ele com toda a certeza, declararia guerra ou dobraria os joelhos. E isso era o suficiente, isso a considerava uma noiva valiosa ao um Rei em ascensão. Com ela, Aegon teria a lealdade de Três dos Sete Reinos.

Ela estava sentada em um canto da sela em silêncio. Lá fora, ela ouvia som de risadas, passos e espadas de madeira chocando-se e isso a fazia lembrar o tempo em que Jon e Robb treinavam. Tudo que Arya queria era voltar para casa, para o Norte.

-Nunca vi ninguém tão concentrado em seus pensamentos. – Ela ouviu a voz e virou o rosto para o outro lado da cela de grades e viu Aegon em pé a encarando-a. Usava uma simples camisa e couro fervido, sua capa era negra e debrada em vermelho sangue. – Esta triste por não ter me matado?

-O que acha? – Ela perguntou sarcástica.

-Acho que nunca vi ninguém com olhos tão frios. – Ele a analisava. – Há quanto tempo é um Homem sem Rosto?

-Isso não é da sua conta.

-Isso passou a ser da minha conta dês da hora que tentou me matar! – Ele rebateu. Aproximou-se da cela. – Meus conselheiros querem vê-la. Exigem que eu a mate-a, mas não vou fazer isso, vejo mais utilidade em você do que em muitos homens.

-E essa utilidade resume-se em esquentar a sua cama? – Arya sentia a fúria esquentar dentro dela enquanto encarava Aegon.

-Também. Pode perceber que sou muito mais do que um rei, minha selvagem, posso ser a melhor coisa que já aconteceu com você!

-Não sou uma puta e principalmente não sou sua puta! Que isso fique claro! – Ela estava com medo, Aegon era direto no que queria e ela sabia que um maldito Lannister era conselheiro daquele homem.

Ele a encarou por longos minutos e disse com a voz abafada.

-À tarde virão buscá-la para ser apresentada ao conselho. – Ele afastou-se da cela. – Esteja pronta.

Arya remexeu-se nervosa. Não queria ver o conselho. Preferia ser morta de vez. Seu nome lhe causaria problemas e ela gostava de ser ninguém.

/~/~/~/~/~/~/~/~/~/~/~/~/~/~/

À tarde, guardas a levavam para uma tenda onde tinha vários estandartes voando ao vento. Ela reconheceu alguns. O leão carmesim dos Lannisters, O dragão de três cabeças dos Targaryen, o veado coroado dos Baratheon e a rosa dourada dos Tyrell. Ela entrou na tenda e viu Aegon sentado em uma longa mesa de carvalho rodeado de Lordes e Conselheiros puxa sacos. A sala ficou silenciosa enquanto todos a observavam como se fosse imunda.

Ela ouviu alguém se aproximando. Observou a porta da tenda ser erguida e olhou para a figura mínima que entrava. Tyrion Lannister a encarava-a surpreso. Observou com nojo as cicatrizes do anão. Ambos ficaram se encarando por alguns minutos, mas o anão quebrou o silêncio.

-Senhora Arya, senhora Arya Stark se não me engano. – Ele disse sorrindo. Alguns estavam com cara de choque. – Mas isso é uma surpresa. Uma adorável surpresa.

Arya o observava, não achava a língua para dar uma resposta à altura. Os olhos do anão brilhavam. Alguns Lordes começavam a se pronunciar quando foram silenciados por Jon Connington. Por fim, ela disse.

-Esta me confundindo senhor. – A voz dela soou bastante humilde. – Não sou essa tal de Stark.

Ela mentiu e mentia muito bem. Tinha aprendido a controlar seu rosto e sua voz. Tyrion a encara como se duvidasse das palavras dela.

-Você é sim Arya Stark. E isso é bom é muito bom. – O anão sorria de forma monstruosa para ela, Arya sentia vontade de chutá-lo.

-È como olhar para o fantasma de Lyanna Stark. – Ele virou-se para Aegon que olhava para Arya de forma intensa. – Devemos mandá-la para o Norte e selar a paz com os Stark.

- Então ela é Arya Stark? – Aegon perguntou com uma voz animada. Aegon estava com um maravilhoso gibão preto com o dragão vermelho no peito. Seus cabelos platinados estavam soltos coroados com a coroa de Aegon o Conquistador. Em sua cintura estava à espada Blackfire. Seus olhos violetas brilhavam intensamente. Tyrion fez uma reverencia, ao lado de Aegon estavam Sor Barristan e Jon Connington.

-Meu senhor, esta garota que tentou o matar, não é ninguém mais do que a filha de Lorde Eddard Stark e Lady Catelyn.

-Não sou essa tal de Arya. – Ela levantou a voz, Jon Connington a olhou irritado.

-Cale-se!

Arya sentia-se incomodada. Todos a olhavam. Começaram a deliberar. Aegon a encarava com intensidade. Por fim o Rei tomou uma decisão. Todos ficaram em quietos por alguns minutos e Aegon disse ao seu escudeiro Trystane Martell.

-Trystane, mande Meistre enviar um corvo para Porto Real dizendo a minha tia que encontramos Lady Arya Stark. Diga que assim que terminarmos com os Lannisters iremos imediatamente a Porto Real. Peça que entre em contato com os Martell, ela vai se casar com Quentyn Martell o quanto antes.

Arya congelou ao ouvir aquelas palavras. Sentindo-se irritada e desprotegida ela o questionou.

-O que vossa graça ira fazer comigo? – Ele passou a mão pelos cabelos e sorriu sedutor.

-Se for mesmo de alto nascimento, pretendo fazer de você minha noiva.

Todos os presentes os encaravam espantados. Jon Connington se pronunciou.

-Mas Vossa Graça, o senhor ia assinar um contrato com Lady Arianne Martell.

-Iria, os Martell vão casar Quentyn com Daenerys, já será garantido um lugar no conselho. – Aegon não parecia preocupado. Arya esbravejou com raiva.

-Não vou me casar com você seu cretino! – Ela tentou fugir, mas os guardas e a seguraram. Aegon a encarava curioso.

-Ninguém nega um Rei. Quando sua família souber que Lady Arya esta noiva de um Rei, irão logo jurar lealdade ao Trono de Ferro.

-Meus irmãos não vão permitir se não for minha vontade! – Ela fez sua voz soar com certeza, mas no fundo não tinha esperanças.

-Não deve falar assim com o Rei! – Jon estava furioso, tratar assim, o filho de seu príncipe prateado. – Ele devia executá-la por tentativa de regicídio. Vossa Graça oferece a você e sua família uma chance única e...

-Vá sentar no colo do estranho com essa chance única! – Arya o cortou. Jon fez menção de se levantar, mas Aegon o segurou.

-Calma Jon, ela é assim, pequena e selvagem. – Ele fez um sinal para os outros saírem da tenda, ficaram a sós, Aegon se aproximou dela e a abraçou pela cintura.

-Hoje a noite irá jantar comigo! – Ele sussurrou rouco apertando-a mais contra o seu corpo. – Ontem a noite você me deixou encantado.

Ela o empurrou e o fuzilou com os olhos. Queria que ele morresse. Queria ir para casa. Queria que os Sete Reinos explodisse.

-Não vou me casar com você! – Ela disse convicta. – E se sou sua noiva, tem que ter respeito comigo!

-Tenho todo o respeito por você, mas isso será só uma garantia de que seus irmãos não serão contra a união.

-Não vou me casar com você! – Ele a agarrou, beijou o pescoço dela a deixando-a tremula, olhou nos olhos dela com toda a intensidade daqueles olhos violetas e sussurrou.

-Veremos.

Ele a beijou com intensidade. Ele era puro fogo e derretia toda a camada protetora de gelo dela. Arya sabia que nas mãos dele estava perdida.

Notas finais
E então, gostaram ou odiaram? Deixe-me saber sua humilde opinião.
Comentem.