Gelo Do Coração
4 Castelo
Notas iniciais
Eu estava muito nervosa. Assim que o avião aterrissou, Celeste e Marlee seguraram em minhas mãos tentando aplacar seu nervosismo, nem percebendo que estavam me ajudando também.
Ashley foi a primeira a descer, depois Celeste, Marlee e por ultimo eu.
Haviam muitas pessoas e assim que apareci elas começaram a gritar meu nome. Tinham também muitos cartazes, Celeste e Marlee pararam para acenar e eu fui até as pessoas.
– Você é linda. – disse uma senhora.
– Obrigada, mas a senhora é muito mais. Tenho sorte que a senhora não participe da seleção, se não eu já teria perdido. – disse brincando. A senhora sorriu abertamente e me abraçou. Tentei manter meu corpo quente (algo impossível para mim). Beijei o alto da cabeça da senhora e seus cabelinhos brancos e segui cumprimentando algumas crianças.
No canto mais afastado tinha uma menininha ruiva com um cartaz escrito “Príncipe Maxon ama ruivas”. Sorri para a menina.
– Gostei do seu cartaz. – disse sorrindo.
A menina sorriu e vi que seus dentinhos da frente estavam faltando, isso era adorável. Escondi minha mão em um bolso do vestido e fiz um coraçãozinho de gelo.
–Tenho um presente para você, mas terá que prometer que guardara segredo. – disse em tom brincalhão.
– Eu prometo. – disse a menina. Estiquei a mão e coloquei o pequeno coração em sua palma.
– Gostou? – perguntei.
Os olhos da menina começaram a encher de lagrimas e ela me abraçou.
– Muito obrigada, eu amei, adorei e vou guardar. Como conseguiu? – perguntou ela.
– Eu faço magia. – disse brincando. Mal ela sabia que era a mais pura verdade.
Ouvi um grito e olhei para trás, Celeste me chamava. Sorri para a menina.
– Qual o seu nome? – perguntei. Ela parou de encarar o coraçãozinho e me olhou.
– Gin. – disse ela.
– Gostei de você Gin, tenho que ir agora. Adeus querida. – disse acenando.
– Adeus Rainha América. – gritou Gin.
***
Chegamos ao castelo e logo uma mulher chamada Silvia, nos falou de cada canto do castelo. Levou então todas as meninas para o Salão das mulheres onde nos arrumariam e fariam com que parecêssemos mais belas.
Assim que me sentei uma mulher começou a mexer em meu cabelo.
– Seu ruivo é tão perfeito que só vou aparar algumas pontinhas e dar mais volume aos cachos esta bem? Sua beleza já é natural querida. – disse a mulher.
– Obrigada. – sussurrei envergonhada.
Logo chegaram mais mulheres.
– Posso? – perguntou uma delas apontando para minhas luvas. Suspirei.
– Eu não gostaria de tira-las. – sussurrei.
– Tudo bem senhorita. – disse a mulher e foi buscar alguma coisa.
Terminaram meu cabelo, maquiagem e as unhas dos pés. Estava me sentindo linda.
A mulher que antes queria tirar minhas luvas voltou com uma caixa branca.
– Senhorita, peço que use isso. – disse ela abrindo a caixa.
Ali havia um par te luvas extremamente brancas, elas iam até o final do pulso e ali se fechavam em bolinhas que pareciam perolas.
– São lindas, não posso aceitar. – disse envergonhada. A mulher sorriu.
– Pode e vai senhorita, foram feitas para você. – disse e assim pegou minhas mãos.
A mulher me olhou esperando que eu concordasse. Assenti e ela tirou minhas luvas sujas e colocou as brancas, se percebeu o gelo não disse nada.
– Diga a suas criadas para fazerem um vestido branco para você amanha. – disse ela e assim saiu andando.
Algumas câmeras, que antes me filmaram fazendo os cabelos e maquiagem, focaram em mim novamente. Uma mulher apareceu com um microfone e sorriso gentil.
– Olá senhorita América. – disse a mulher e apontou o microfone para mim.
– Olá. – disse e sorri timidamente.
– Senhorita poderia nos contar o que fez hoje? – perguntou ela.
– Bem eu acordei, levantei da cama... – disse brincando. A mulher riu e algumas pessoas que estavam perto também.
– Ó além de linda, gentil é engraçada também? A algum defeito em você, senhorita? – perguntou ela rindo.
– Sou comilona, mas não diga isso... Espere, estamos ao vivo? Finja que disse que faço regimes. – disse fazendo piada.
Logos todas as selecionadas voltaram sua atenção para minha entrevista.
A mulher riu mais alto desta vez.
– Vimos que a senhorita usa luvas, poderia nos contar porque? – perguntou ela. Meu coração acelerou e tentei controlar meu rosto para não deixar transparecer nada.
– Tenho mãos de musica, ou seja não são as melhores. Mas se quer mãos perfeitas sugiro as da Celeste e as da Marlee, elas arrasam. – disse rindo.
Celeste e Marlee para comprovar o que eu dizia levantaram as mãos.
– Obrigada Senhorita, e essa é nossa ultima candidata a incrível América Singer, Carolina, Cinco. Boa Noite Illéa. – disse ela e a câmera desligou.
***
Abri a porta do quarto e olhei em volta.
– Senhorita? – chamou-me uma menina pequena parecendo tímida ao me ver.
– Olá, desculpe me disseram que esse era meu quarto. – disse.
– A senhorita Singer chegou Lucy? – perguntou uma mulher mais velha parecia a chefe delas.
– Sim Anne. – disse Lucy. Entrei no quarto.
Era lindo as paredes de um cinza claro, a cama enorme em tons de perola, uma penteadeira, um piano e alguns instrumentos, um grande espelho e uma penteadeira.
– Senhorita sou Anne a chefe das criadas, essas são Lucy e Mary. Somos suas criadas e estamos aqui para ajuda-la em tudo. – disse Anne.
Assenti.
– Sou América, podem me chamar apenas de Meri, por favor. – disse e sorri.
Elas assentiram e começaram a me despir para o banho. Enquanto faziam isso, me lavavam, peteavam meus cabelos, elas faziam um milhão de perguntas que me deixaram constrangida. Eu só queria ficar sozinha por algum tempo. Assim que terminaram e colocaram uma camisola verde clara em mim, me deitei na cama.
As três ficaram lá paradas me olhando. Senti minhas bochechas corarem.
– Podem ir, estou bem. – disse envergonhada.
– Não podemos senhorita. – disse Anne.
– Estou bem, vão comer ou descansar um pouco. – disse novamente.
– Ficaremos até que durma senhorita, pode ser que precise de alguma coisa. – disse Mary.
– Estou bem, vão dormir. Isso é uma ordem. – disse tentando parecer brava.
Elas riram e assentiram saindo do quarto.
Fechei os olhos .
Uma brisa fria começou a entrar da varanda.
Senti que estava quente demais em meu quarto, eu precisava tomar um ar ou se não morreria ali. Abri a porta de camisola mesmo e sai correndo para a porta.
Fui em direção a porta quando guardas me pararam.
– Preciso respirar. – sussurrei sem folego. O guarda parou em minha frente e segurou meu braço.
– Não pode sair. – disse ele. Ele estava me segurando onde as luvas não poderiam segurar o frio. Tentei respirar de novo para me acalmar e acabar não congelando o guarda, mas o ar ainda me faltava.
–Por favor. – implorei. Eu não conseguia mais. Acabei caindo nos braços do guarda. Fechei os olhos, estava faltando ar, eu precisava do frio se não morreria. Estava quente demais ali.
– Senhorita? – chamou-me ele.
Ouvi passos vindo na nossa direção.
– Deixem-na sair! – um homem gritou.
– Mas Alteza... – tentou falar o guarda que me segurava.
– Agora. – ordenou a voz novamente.
– Sim Alteza. – disse o segundo guarda. Acho que as portas se abriram pois uma corrente de ar gelado passou por mim me dando alguma força.
Me soltei do guarda e sai correndo. A grama estava fria, o ar voltou aos meus pulmões, me joguei em um banquinho temendo não conseguir ir mais longe. Coloquei meu rosto enterrado em meu braço, então comecei a arfar, o frio estava voltando.
– Senhorita? Querida? – chamou uma voz.
– Não sou sua querida. – rosnei. A pessoa pareceu espantada, pois durante um tempo não disse nada.
– Desculpe, mas não dei o que a senhorita queria? – perguntou ele.
O ignorei e voltei-me para minha dor.
– Não esta com frio? – perguntou ele.
Levantei os olhos e o encarei. Ali estava o Príncipe Maxon. Fiquei em estado de choque por alguns segundos.
– Não... Alteza. – disse envergonhada.
– Porque a senhorita estava gritando então? – perguntou ele.
– Esse castelo parece um forno, como consegue manter 34 garotas presas nesse lugar? – perguntei. Eu estava brava com ele, como conseguia ser tão ignorante aos problemas de todos? Parecia que ele vivia em seu próprio mundo, o Maravilhoso Mundo de Maxon.
– Eu não estou entendendo querida. – disse ele.
– Pare de me chamar assim não sou mais querida para você do que as outras 34 garotas que você mantem nesse forno. – disse irritada.
– Todas são queridas, apenas preciso descobrir qual delas a de ser a mais querida. – disse ele. Bufei e voltei a enterrar meu rosto em meu braço.
As lagrimas começaram a se aglomerar em meus olhos. Minha respiração ficou novamente travada, então comecei a chorar de verdade. Eu estava pensando em Aspen, em minha mãe, papai, Ger, May e até na menininha que conheci... Como será que eles estão? Melhor que eu imagino.
– Com licença senhorita, mas vai continuar chorando? – perguntou o príncipe. Ele parecia incomodado com minhas lagrimas.
Levantei o rosto para ele.
– Isso é ridículo. – disse.
– O que? – perguntou ele.
– O concurso, a competição. Tudo! – disse.
– Sei que isso parece ignorante senhorita, mas é de se esperar que todas estejam felizes de estar aqui. Por que você não esta? –perguntou ele e se sentou no banco.
– Eu estou aqui por engano, não é como se quisesse mesmo. – disse sendo sincera. Ele pareceu confuso e um pouco decepcionado.
– Eu não estou entendendo. – disse ele confuso. Suspirei e encarei seus olhos.
Ele tinha olhos lindos que pareciam brilhar a medida que se concentrava no que eu ia dizer.
– Eu não queria estar aqui, tive que vir para ajudar minha família. – disse. Comecei a corar.
– Você quer dizer pelo dinheiro? – perguntou ele.
– Também, e há sentimentos que preciso descobrir ainda. – disse envergonhada. Ele assentiu.
– Desculpe não consigo ler seu broche. – disse ele.
– Meu nome é América Singer. – disse.
– América, perfeito. Nosso antigo pais que lutou muito, e você senhorita Singer, pelo que luta? – perguntou ele. Sorri.
– Na verdade luto apenas pela comida, vou ficando até que você me chute. – disse.
O príncipe riu. Jogou sua cabeça para trás e bateu em seu joelho, era algo engraçado de se assistir.
– Você é o que?
– Desculpe?
– Dois? Três? – perguntou ele.
– Sou Cinco. – disse.
– Bem então a comida é algo por que vale apena lutar. – disse ele e sorriu.
Assenti.
– Bem senhorita América, tenho que entrar e peço que faça o mesmo logo. E por favor, não conte a ninguém sobre nosso encontro, não era para conhecê-las antes de amanha. – disse ele.
– Sim, não contarei.
O príncipe sorriu e puxou minha mão. Olhou a luva com um olhar de interrogação, mas mesmo assim beijou-a e saiu.
Fiquei olhando o príncipe ir embora. Assim que ele desapareceu pela porta, fechei meus olhos e fiquei mais alguns minutos ali.
Suspirei me levantei e fui para o meu quarto. O dia amanha seria cheio.
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