Geisha

17 Capítulo 17 - Entre a dor e o prazer


Notas iniciais
Ok, ok, pessoas!! Depois de longos séculos afastadas de vocês, estamos de volta com mais um capítulo revelador de Geisha. E como esse capítulo era a parte chata, a história ficou meio emperrada, mas tudo já está resolvido. De agora em diante, muita emoção ai pra vocês.

[Narrado por Marine]

O que estava passando pela cabeça de Kimura naquele momento não era nenhum segredo. Iria me levar para o quarto e faria sexo comigo. Homens têm certas ilusões que a mente feminina não consegue compreender... Nada disso aconteceria se dependesse de mim. Bom... Pelo menos, agora, é isso que tenho em mente. Ele passou pela porta do quarto, eu entrei e a fechei com o pé, sem tirar os olhos dele.

- Que curiosidade... – ele disse sentando-se no parapeito da janela.

- Gosto de tudo muito bem esclarecido.

- E o que isso tem a ver com o motivo pelo qual eu desejo a Rika?

- Quero saber se vale mais a pena me afastar dela ou lutar com ela.

- Você lutaria com sua irmã por minha causa? – ele sorriu sarcástico.

- Se valesse a pena... – ele assoviou.

- Então tá... – ele se levantou e veio em minha direção, vagarosamente – Amo sua irmã. Desde o primeiro momento. – ele parou em frente a mim.

- Mentira... – não mudei minha expressão serena.

- Como pode ter certeza?

- Você não ama pessoas como a Rika. – ele riu.

- Rika é linda, inteligente, sexy. Eu amo pessoas que me desafiam, e Rika faz isso muito bem.

- Por mais que ela te desafie, ela jamais entraria em um quarto com você. Por isso você a deseja, e não a ama.

- Então... – ele se aproximou e colou meu corpo contra a porta – Está dizendo que você é a pessoa certa para mim?

- Não. Estou dizendo que você e Rika não combinam. E, além disso, sou seu trunfo para herdar o trono, esqueceu?

- Não, não esqueci. Mas, mostre-me o quanto você é melhor que ela... – sua boca veio de encontro a minha.

Um beijo quase sufocante. Mordi seu lábio e ele se afastou, era lindo o rastro fino de sangue escorrendo pelo canto da boca.

- Vadia... – abri um sorriso de canto e me aproximei devagar.

Pousei minha mão em seu ombro e a ponta de minha língua apagou o rastro de sangue, de baixo para cima. Lambi meu lábio superior, deliciando-me com o salgado gostinho de sangue, e ele acompanhou o movimento com os olhos.

- Gosta de sangue, não é? – ele perguntou ironicamente.

- Você gosta de sangue. Não lembra o que fez com Rika? – ele riu.

- Está quase me convencendo de que combinamos em tudo, baixinha.

- Quase tudo.

- O que, por exemplo?

- Você quer ser imperador e eu quero ser imperatriz. Mas você gosta da Rika e eu não. Eis uma coisa em que não combinamos. – ele gargalhou.

- Então, vai me fazer correr atrás de você como uma criança de cinco anos brincando de pique-pega? Eu terei uma recompensa?

- Acho que uma criança de cinco anos não pensaria em uma recompensa tão absurda quanto a que você pensou.

- É guerra, é? – me afastei e ri enquanto andava para a janela. Ele acompanhava minha lenta caminhada.

- Com apenas uma regra. – sentei sobre o parapeito da janela.

- E qual seria?

- Começamos a caçar amanhã... Tchauzinho. – e saltei para o jardim.

- Não acredito no que acabei de aceitar. Ai ai, Marine. O que você faz comigo? – pude ouvi-lo dizer.

=§=

[Narrado por Kimura]

- Mas mesmo assim... Eu não estava mentindo... – pensei em voz alta após Marine desaparecer.

Decidi que iria falar com Rika o que eu não disse durante todo esse tempo. Sai de meu quarto e segui o corredor até o quarto de Irie, onde Rika estava presa. Havia guardas à frente da porta, dois pra ser exato.

- Irie, mandou vocês?

- Sim, senhor. – respondeu um dos homens.

- Deixe-me entrar.

- Desculpe, senhor. Mas não temos permissão.

- É uma ordem!

Por um instante eles pareciam hesitar, mas não podiam desobedecer ao filho mais velho do Imperador. Eles destrancaram a porta e permitiram minha entrada. Percebi Rika adormecida sobre a cama, encontrava-se de bruços e com a yukata sobrepondo levemente seu corpo. O laço devia ter afrouxado enquanto dormia. Aproximei-me devagar. Por um instante, me senti envolvido a tal ponto que já estava analisando cada centímetro do corpo frágil e indefeso que se encontrava a minha frente.

Não pude resistir à grossa mecha de cabelo que acompanhava o contorno de seu corpo. Peguei a mecha e a enrolei em minha mão, aproximei-a de meu rosto e senti o doce perfume do cabelo ruivo. O perfume ia ficando mais intenso conforme eu aproximava do pescoço. Ela deu um suspiro sossegado e se virou, envolveu meu pescoço com seus braços e tocou suavemente meus lábios com os seus, porém seus olhos permaneciam fechados.

=§=

[Narrado por Rika]

Estranhei a textura dos lábios e quando abri meus olhos tive a pior das surpresas.

- Kimura! – gritei empurrando-o depressa. Ele me agarrou pelos pulsos, ergueu-os sobre minha cabeça e os manteve presos com força.

- Pensou que fosse o Irie?

- Óbvio. Quem mais eu pensaria em beijar?

- Ora, ora. Já fizeram as pazes então?

- A gente brigou por acaso?

- E ele te prendeu aqui por que mesmo?

- Zelando pela minha segurança.

- Aham!! – ele deu uma gargalhada estrondosa.

- O que você quer? – eu já estava irritada.

- Mais um beijo.

- Esquece. Saia daqui.

Kimura soltou meus pulsos e vagarosamente foi se afastando de mim, mas manteve-se sentado sobre a cama, com a perna direita sobre a esquerda e os braços apoiados por trás de seu corpo.

- Marine me perguntou o por quê de eu ser obcecado por você.

- E você respondeu que você é doente? Um maníaco sádico? – ele deu uma risadinha.

- Não contei nada.

- Hum. – torci o canto da boca e revirei os olhos.

- Mas quero contar pra você agora. – ele me olhou com tremenda simplicidade. Seu olhar era carinhoso, sincero e em certa medida indefeso.

Juntei os joelhos e deixei as pernas dobradas caírem de lado, dando ao meu corpo somente o apoio do braço esquerdo sobre a cama.

- Então... Comece. – ele sorriu com minha pose de ouvinte interessada.

- Lembra-se do que aconteceu há 10 anos?

- Eu fui comprada, transportada e escravizada por sua família?

- Digo, antes disso. – seu semblante pareceu machucado após ouvir minha dura frase.

- Eu morava com meus pais.

- Sim... Um belo dia, você estava indo buscar água no rio próximo de sua casa, lembra-se?

- L-Lembro... – respondi espantada com a descrição da cena.

- O que vem a sua cabeça depois disso?

-Eu... Eu estava buscando água. Então, vi um garoto do outro lado do rio. Parecia que tinha perdido algo na água e foi tentar pegar. Mas ele não sabia nadar e se afogou, pois o rio era bastante profundo.

- E até hoje eu não sei nadar... – pela primeira vez na minha vida, pude ver ternura nos olhos de Kimura, que me fitavam incessantemente.

Eu não podia acreditar que o garoto indefeso que eu encontrei naquele dia era o mesmo crápula que deixou uma imensa cicatriz em minhas costas.

- Mas o que você... – ele tocou meu rosto e imediatamente interrompeu minha frase.

- Você me salvou. Levou-me para debaixo de uma árvore. – ele sorriu – Uma menina de sete anos. Tão carinhosa, cuidadosa e... Mais forte que eu.

- Eu disse que iria buscar umas frutas para você, mas quando voltei à árvore, você não estava mais lá.

- Os guardas me encontraram e me levaram de volta para casa.

- Você... – baixei completamente a minha guarda – Foi o primeiro amigo que eu tive.

Kimura pegou meu rosto entre as mãos e uniu sua testa a minha, pronunciando com uma voz doce e suave:

- E você foi meu primeiro amor, Rika. Eu jurei pra mim mesmo que ficaria mais forte que você, porque eu que iria protegê-la.

Imediatamente eu fiquei alerta de novo.

- Amor?! Você tem noção de como me tratou até hoje, seu cretino? – eu bati em seu peito, mas ele revidou da maneira mais inadequada possível. Ele me beijou, um beijo de verdade, envolvente e eu... Eu não resisti.

- Por que sempre me tratou tão mal? – insisti na pergunta após descolar com delicadeza nossos lábios.

- Porque sempre a desejei pra mim. Quem insistiu em te trazer para o palácio fui eu. Você deveria ser minha criada particular, minha amiga, minha mulher. Mas você chegou e logo se encantou pelo Irie. Estava tudo errado... Tudo errado! – ele estava inquieto neste momento. Suas palavras e suas lembranças pareciam perturbá-lo.

- Kimura, isso é doença. Você não pode querer que as pessoas se tornem seus objetos.

- Mas você é! – ele apertava suas mãos em meus braços.

- Kimura! Isso machuca!

- Entenda! O Irie se meteu em nossas vidas, poderíamos estar juntos agora se não fosse por causa dele.

- Kimura, entenda você! Eu AMO o Irie!

- Kimura!! – a voz de Irie ressoava em cada fibra das paredes do quarto.

Eu e Kimura encarávamos Irie com medo, pela primeira vez.

- Como sempre... Chegando na hora certa... – reclamou ironicamente Kimura.

- Saia do meu quarto. – ele foi curto.

- Ahn? Quem você... – uma adaga voou em nossa direção e fincou na parede. Kimura e eu fomos separados pelo fio de uma adaga voadora.

- Saia, agora!

Ele fechou a cara e saiu obedientemente. Irie dispensou os guardas e fechou a porta. Veio até a cama, sentou-se ao meu lado e pegou meu queixo. Ergueu meu rosto de forma inclinada e admirou o sutil risco de sangue que a adaga fizera. Ele lambeu as gotículas que escorriam. Eu me senti protegida, da mesma maneira que um filhote de tigre é acariciado pela mãe que lambe seu pelo. Eu definitivamente enlouqueci depois que me casei... Já estava até beijando o Kimura!

- Vocês se beijaram? – eu apenas assenti com a cabeça – E por que não o recusou?

- Não fui capaz de fazer isso. Sinto muito.

- O que sente por ele agora?

- Pena.

- Pena? De quê?

- De não poder satisfazer sua vontade. Afinal... Eu amo você, e não ele.

- Mas por que o beijou?

- Querido, por motivo nenhum. Não sei explicar. Eu posso beijar o guarda, você quer? É só pedir que eu faço.

- Então você faz qualquer coisa que eu pedir?

- Sim, senhor.

- Então...

- Só não peça para eu largar minhas irmãs no campo de batalha. – eu o interrompi e levantei da cama, ficando de costas para ele.

- Na verdade, eu iria pedir que me ajudasse a levar enormes pilhas de papéis até minha mãe.

- O quê? – virei-me para ele com um sorriso prestes a se abrir.

- Ela aceitou cuidar da parte administrativa para que eu pudesse me unir à batalha.

- Então, você vai lutar comigo? – eu já estava sorrindo.

- Ah, acho que sim.

Eu pulei em cima dele e ele me girou sobre a cama, colocando seu corpo sobre o meu. Um meio sorriso se abria em seu rosto.

- Parece que a pomada que passei em seu ombro funcionou.

- Uhum. Funcionou perfeitamente bem.

- Desculpe por ter discutido com você.

- Está tudo bem. Agora, você estará ao meu lado pra me proteger. – eu ri.

- Convencida.

Eu o beijei e senti meu peito encher de felicidade.

- Eu te amo, Irie Nurahyon.

- E você, Rika. Com esse seu jeito arrogante, maluco e insubmisso... Você tem meu coração em suas mãos.

- E eu cuido direitinho dele, tá? Nem vem. – ele me beijou sorrindo.

- Eu sei. – não pude resistir a enorme vontade que tive de abraça-lo.

Notas finais
Arigatou e matta ne ^^v
Não se esqueçam dos meus amados reviews u.u
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.