Geisha
8 Capítulo 8 - Bela Recepção
Notas iniciais
Um escândalo! Resumo a nossa recepção a isso! Um verdadeiro escândalo! O Imperador se revoltou e disse que iria deserdar o filho, Kimura deu corda para a briga e passou a me insultar, Irie se revoltou e a briga ficou ainda maior. Mas então eu cansei de ser a pobre vítima protegida, ou o motivo daquela discussão. Lembrei-me de Mameha nessa hora e pensei no que ela faria, mas como eu não consigo ser tão incrível quanto ela, imaginei o que ela gostaria que eu fizesse. Enquanto os três discutiam e apontavam uns para os outros, eu segui até o centro do salão, de braços cruzados e séria. Eles pararam gradativamente e ficaram a me fitar.
- Mas o que... – Kimura iria começar.
- Kimura. – quando falei seu nome, a voz saiu ríspida e autoritária, fazendo-o se espantar – Você é um cretino.
- Como você ousa...
- Se averiguarmos a quantidade de “podres” em que você está metido, teremos mais que a quantidade de grãos de arroz na sua tigela do almoço. – eu lhe lancei um olhar ameaçador e ele se encolheu discretamente – Imperador.
- Ahn... Ora sua... – ele tentou.
- Com um simples e rápido discurso é possível abrir os olhos de seu povo para o modo como o senhor os ignora e só pensa em aumentar cada vez mais sua riqueza. Podemos começar com os empregados dessa casa, uma revolta interna tomando proporções cada vez maiores, seria algo do seu agrado? – ele se sentou no trono, revoltado, mas calado – Irie.
- O quê? Eu também? – eu suprimi um riso.
- Vamos conversar no quarto. Com vossa licença, senhor Imperador, Kimura.
Eu segui para o quarto e Irie foi logo atrás. Há! Me senti uma imitação de Mameha, pena que mal feita. Ela era superior demais, não tinha como copiá-la. Adentrei o quarto de Kimura e re-lembrei a decoração que eu costumava limpar quando trabalhava aqui. Um sorriso veio até meu rosto, mas logo me virei para Irie.
- Eu avisei que isso iria acontecer.
- Você cuidou de tudo... – ele estava embasbacado – Onde aprendeu a ser assim?
- Tive três excelentes professoras. – lembrei de Marine e Shizuka, além de Mameha – Então, para quando é o casamento?
- Daqui a três dias.
- Hum. – abaixei a cabeça, pensativa.
- Não se preocupe, o pior á passou. – ele acariciou meus cabelos.
- Tem razão. Vou dar uma volta pelo jardim. – despedi dele com um beijo no rosto e fui em direção ao jardim de rosas de minha infância.
Caminhando entre os corredores verdes salpicados de cores como vermelho, rosa, amarelo e branco, eu vi uma mulher, não muito velha, apreciando uma das rosas. Ela era laranja. Olhei em volta procurando por outras, mas só existia aquele exemplar perfeito. A mulher olhou para mim e sorriu.
- Naquela época, também só havia uma dessa. – ela dizia com uma voz tranqüila e uma expressão serena – Você está linda, Rika.
Finalmente reconheci a mulher. Aqueles longos cabelos escuros e as feições delicadas, era a mãe de Irie.
- Senhora... – eu me curvei a ela.
- Ora, por favor. Naquela época eu já não exigia isso, imagine agora que você será minha nora. – ergui novamente a cabeça e sorri. A lembrança, do dia em que simpatizei com ela, veio a minha cabeça.
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Uma pequena criatura, passeando pelo jardim. Carregava um pesado balde de água e decidiu parar um pouco para descansar. Parou ao lado de uma linda rosa laranja e estava encantada com a flor.
- Linda, não é? – quando foi ver de quem era a voz, imediatamente a criança se jogou ao chão, curvando-se em sinal de respeito. A jovem mulher agachou e a ajudou a levantar – Isso não é necessário. Diga-me, gostou dessa flor?
- Ela é muito linda, senhora. – aquela voz infantil ecoava perfeitamente dentro da memória.
- Tem razão. E por ser tão linda ela é também muito frágil. Toque-a com cuidado. – ela fez o que foi mandado e percebeu o quão sedosa eram suas pétalas.
- Ah! Tem razão! – era uma boba impressionada.
- Mas sabe... Apesar de tão linda e tão frágil, ela também é muito perigosa.
- Por que, senhora?
- Veja só. – ela mostrou seus espinhos – Com esses espinhos, ela acaba ferindo as pessoas.
- Que coisa horrível.
- Só que essa pequena rosa... Ela não é má. Ela não quer machucar ninguém. Pelo contrário, ela quer ser admirada por alguém. Ela quer que alguém fique feliz ao tocá-la. Mas esses espinhos a impedem de “sorrir”.
- Ela vai ficar sozinha, não é? – Rika era boba, ingênua, mas sabia sobre o que ela estava falando. Ela havia se identificado com a flor.
- Não.
- Não?
- Ela só precisa que a pessoa certa, aquela que a mereça, a leve consigo.
- Como é isso?
- Para se retirar um rosa, precisa ter muito cuidado. Para que você não a machuque e para que você não seja machucado. – ela puxou a rosa delicadamente e com uma tesoura que estava no chão (o jardineiro deve ter esquecido lá) ela cortou o cabo da rosa. A criança ficou impressionada e a mulher sorriu — Depois... Esta pessoa terá o cuidado e o trabalho de retirar cada um desses espinhos. – ela foi cortando um a um – E assim, a rosa terá um final feliz, ao lado da pessoa que a amou tanto que a mostrou como ela é bela e que não precisa se defender constantemente.
- Que história linda, senhora. – ela sorriu para a pequena e a entregou a rosa. – Que tal dar esta rosa como um presente? Para a pessoa que você ama...
- Para a pessoa que eu amo? – Rika tinha algo por volta dos nove anos, mas já sentia algo clamando em seu pequeno coraçãozinho. E então, apareceu o Irie.
- Oi, mãe.
- Ora, ora. Meu filho.
- Irie-sama, olhe que linda! – lhe mostrou a rosa.
- Ora! Laranja! Que cor diferente! Tem outra dessa?
- Não... Acho que é a única. – respondeu sua mãe.
- Poxa...
- I-Irie-sama...
- Rika?
- Pode ficar com esta... Não tem problema.
- Sério? – ela apenas balançou a cabeça confirmando. Ele pegou a rosa e sorriu.
- Obrigado, Rika. – a menina sorriu para ele, feliz por ter aceitado – Mas...
- Mas...
- Ela ficará melhor aqui. – ele estendeu a mão e colocou a rosa entre a orelha e uma mecha de cabelo da garota.
- Ah! Ficou linda, Rika. Não é, mãe?
- Maravilhosa. – ela sorria para a menina, seu rosto corou imediatamente.
- O-o-brigada. – escondeu seu rosto quente e se despedi.
Irie olhava a jovem saindo, quando sentiu uma mão tocar seu ombro. Ele ergueu o rosto e viu sua mãe sorridente.
- Cuide bem daquela rosa, meu filho. O menino fez um bico e a olhou emburrado.
- Do- do que você está falando...
- Nada não. – a mulher saiu rindo.
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- Você passou por cada coisa, não é, Rika?
- Com certeza. – meu sorriso ficou melancólico.
- Mas agora... Olhe pra você. Tornou-se a rosa mais linda que eu já vi na minha vida.
- Eu fico muito agradecida. – eu estava realmente contente em conversar com ela.
Ela me olhou por um instante e fez com a rosa laranja a mesma coisa que havia feito anos atrás: Cortou e retirou os espinhos. Andou até mim e me entregou a flor.
- Muito obrigada... De novo. – eu sorri. Ela olhou por cima do meu ombro e riu baixinho – O que foi? – Uma mão apareceu em frente a mim, pegando a minha rosa.
- Como vai, meu filho?
- Olá mãe, estou em casa.
- Ainda bem que a viagem foi tranqüila.
- Foi mesmo. – ele olhou para mim e enfeitou meu cabelo com a rosa, do mesmo jeito que fizera antes – Sabe... Ela fica... Melhor desse jeito. – ele sorria gentilmente. Meus olhos brilhavam de felicidade.
- Ok, ok. Eu não estou aqui. – a mãe dele virou de costas. Nós dois rimos.
- Bom... Se é assim... – ele pegou meu rosto entre as mãos e me beijou enquanto eu envolvia meus braços em volta de seu pescoço.
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