Geisha
11 Capítulo 11 - Mentiras
Notas iniciais
Quando percebi Marine chegando dois segundos antes de Kimura, vi que tinha alguma coisa errada. Marine se sentou ao meu lado e Kimura permaneceu fitando-a.
- Onde esteve? – perguntei.
- Hitori dayo! Hitori, Rika! [Sozinha! Sozinha, Rika!]
Apoiei as mãos no chão, atrás do meu corpo e ergui a cabeça, fitando o céu.
- Hitori janai. [Você não estava sozinha].
Marine suspirou sabendo que não havia me convencido. De repente, Kimura se levantou e chamou a atenção de todos com seu bater de palmas.
- Por favor, senhores! Quero proporciona-lhes uma admirável apresentação. – todos prestavam atenção – Convido a irmã de Rika para uma dança. Que tal mostrar suas habilidades para nós?
- Não danço. – Marine foi curta e grossa, causou espanto a todos – Mas luto. Aceitas?
- Ora, ainda mais divertido do que imaginei. – ele tomou a espada de seu pai e a jogou para ela, tomando logo em seguida a sua própria.
Marine agarrou a espada e jogou a bainha de lado, Kimura fez o mesmo e os dois se destinaram ao centro da roda de convidados.
- Creio que irei gostar muito disso. – disse Kimura. Marine deu um sorrisinho de canto e tocou a espada dele com a sua.
E começou a dança de lâminas. Não havia uma investida de Kimura que Marine não defendesse, um show de esgrima. Ela havia cortado umas três vezes a roupa dele, estava deixando-o furioso. Kimura avançou contra ela, fazendo-a andar para atrás muito rapidamente a ponto de desequilibrar. Ele aproveitou este momento para retirar a espada de sua mão, com um golpe fez Marine jogá-la longe.
- Agora te peguei. – ele afundou a espada contra o peito de Marine.
Em um movimento rápido, ela pegou o leque que guardava no laço de sua yukata, abriu-o e deixou que a espada passasse por um de seus espaçamentos. Fechou-o, puxou-o e tomou a espada de Kimura. Em segundos, Kimura sentia a lâmina praticamente tocar sua garganta.
- Quem pegou quem? – todos começaram a aplaudir, aquilo era um xeque-mate.
- Você é muito boa.
- É. Eu sei. – ela jogou a espada no chão e saiu em nossa direção.
- Marine! – Aniya correu para abraçá-la e ela retribuiu sorridente – Sabia que você iria ganhar.
- E alguém duvidava? – Shizuka deu um sorriso malicioso.
A festa chegava ao fim e eu tinha o dever de acomodar minhas irmãs. Pedi licença ao meu marido e as conduzi pelos corredores até seus quartos. O primeiro foi de Aniya.
- Aqui está, Aniya. Fique a vontade.
- Uah! Que lindo, Rika! – o quarto era branco, com alguns desenhos em dourado na parede, formas curvilíneas e sutis, como o “desenho” do vento.
Ela pulou sobre a cama e nós a deixamos curtir o colchão macio.
O segundo quarto foi o de Shizuka. Um verde bem clarinho enfeitava as paredes com uma bela vista para o jardim, e ao lado da biblioteca do palácio.
- Eu não acredito. – pela primeira vez a vi sorrindo de verdade.
- Divirta-se com todos eles, Shizuka.
- Muito agradecida, Rika.
E por último, o quarto de Marine. Parede em um tom de azul anil contrastando com os desenhos delicados em prata.
- Gostei daqui.
- Marine...
- O que é?
- Quero que tome cuidado com o Kimura.
- O que eu tenho a ver com o Kimura?
- Vi como se olhavam durante a luta.
- Não viaja.
- Não quero que se envolva com ele.
- Ah, tá, ta...
Peguei o braço de Marine e apertei.
- Eu falo sério. – seu braço começara a queimar sob a palma de minha mão.
Ela grunhiu. Parecia brasa acessa. Então ela me encarou perigosamente, e uma espécie de bolha d’água começou a envolver minha mão, a consumir meu braço. Puxei-o rapidamente e me livrei do fluido terrível. Continuávamos a nos olhar, uma afrontando a outra, e então me retirei do quarto, deixando-a sozinha com suas idéias perigosas.
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