Gazegirl's Day
1 Gravadora
Notas iniciais
“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” (Antoine de Saint-Exupéry)
Ana caminhava apressada pelos corredores da P.S. Company. O final da turnê do the GazettE se aproximava e o Natal também. Apesar dos staffs terem muito o que fazer, a garota estava feliz por voltar a Tóquio.
– Aki? – ela entrou na sala reservada para os membros do the GazettE, onde tinha deixado o namorado, mais cedo, naquele dia.
– Yo! Eu estou aqui – o baixista sorriu na direção dela, se erguendo do sofá em que estava deitado.
Ela foi até ele e se sentou ao seu lado, sendo envolta pelos braços fortes, que a aninharam em seu peito, protetoramente, como sempre faziam.
– Ficou aqui a manhã inteira? – a garota perguntou, rindo, divertida.
– Fiquei... Estava esperando Kouyou, mas ele não apareceu até agora...
– Isso é bem incomum... – ela disse, pensativa.
– É... Eu sei! Acho que é a primeira vez que ele não aparece por aqui antes de mim!
– Eu também não encontre a Ny-chan nenhuma vez até agora – ela observou.
– Ela também? Mas que coisa estranha... Acha que ficaram malucos de vez? Por que nos pediram pra vir até aqui, se eles mesmos não pretendiam aparecer? – ele disse, indignado.
– Pediram? – ela perguntou, surpresa.
– Pediram... Você não recebeu nenhuma mensagem também? – Akira tirou o celular do bolso e mostrou uma mensagem de texto que recebera naquela manhã.
“Aki-chan! Ohayou! Você e a Aninha podem vir até a gravadora hoje, onegai shimasu? Arigato! Kissus, Ny-chan”.
– Que estranho... Será que aconteceu alguma coisa, Aki?
– Quer ir procurá-los, koi? – o baixista sorriu, apertando-a mais em seus braços.
Ana não teve tempo de responder à pergunta do namorado, a porta da sala foi aberta com grande estrondo e Carolina apareceu, bufando, tentando recuperar o fôlego.
– Cheguei... Cheguei... – a garota disse, erguendo o tronco lentamente.
– Onde é o incêndio, Chibi? – Akira brincou, espantado com o estado que ela chegara.
– Minha irmã... – ela disse, mas ainda estava muito cansada. – Minha irmã... – ela repetiu, caminhando até os dois, se jogando sentada na poltrona perto do sofá em que eles estavam e passando o próprio celular para as mãos do baixista, para que ele lesse a mensagem de texto aberta.
“Chibiko! Larga qualquer coisa que estiver fazendo e corre pra gravadora o mais rápido que puder. Kissus, Ny-chan”.
– Sua irmã parece que está aprontando alguma coisa, Chibi... – Ana disse, pensativa.
– Por quê? – a mais nova conseguiu dizer.
Akira abriu o próprio celular e mostrou a mensagem de Sereny. Carolina franziu o cenho, com uma expressão também pensativa.
– Com certeza, está... Não a encontrou por aqui? – ela perguntou, olhando de um para o outro.
– Nenhuma vez e chegamos aqui bem cedo, né, koi? – Ana se virou para o loiro e ele confirmou.
– Kouyou também não apareceu por aqui hoje... Deve estar metido com a baixinha até o topo...
– Provável... Vou ver se Taka sabe de alguma coisa... – a namorada do vocalista do the GazettE se levantou da poltrona, caminhando na direção da porta.
– Vamos também – o rapaz se ergueu do sofá, erguendo junto a garota em seus braços.
Os três saíram da sala e caminharam pelo corredor, todos absortos em seus pensamentos. Encontraram Ruki sentado em uma das salas, analisando uma mesa repleta de fotos, gravuras e textos.
– Yo, Chibi! – ele se levantou, sorrindo muito contente para a namorada e a apertou em seus braços, selando-lhe os lábios. – Que surpresa boa! Não esperava vê-la hoje por aqui!
– A desgraçada da minha irmã! – Carolina passou os braços pelo pescoço do namorado, resmungando, mal humorada.
– O que a Ny-chan fez? – Takanori gargalhou.
– Mandou uma mensagem me chamando pra vir pra cá correndo e agora fica brincando de esconde-esconde! – ela disse, emburrada.
O vocalista franziu o cenho, sem entender, buscando explicações nos rostos dos dois amigos também ali.
– Achamos que ela está planejando alguma coisa... – Akira completou. – Não recebeu nenhuma mensagem suspeita dela hoje?
– O de sempre... – Takanori puxou o celular do bolso e mostrou também uma mensagem.
“Taka-chan! Ohayou! Preciso que vá até a gravadora! Sua mesa ficou uma desordem! Kissus, Ny-chan”.
– Ela fala assim com você normalmente? – Carolina gargalhou.
– Ah, ela fala!
– Mas a baixinha está mesmo aprontando, então... – Ana disse, reflexiva. – Quando ela toma esse tipo de precaução, pode ter certeza de que ela está amarrando todas as pontas de algo muito maior!
– Eu tenho até medo dela fazendo esse tipo de coisa! – o baixista apertou a namorada contra seu corpo.
– Ah, achei vocês! – os quatro escutaram a voz do líder do the GazettE e se voltaram para a porta. – Alguém viu a Ny-chan?
– Mensagem? – Carolina perguntou e o moreno se surpreendeu.
– Hai...
– Ela está mandando muitas mensagens hoje... Quando minha irmã quer aprontar...
– O que foi que ela lhe disse, Yuk-chan? – Ana perguntou, docemente para o baterista e ele retirou o celular do bolso, buscando a mensagem.
– “Ohayou, líderes mais lindos da minha vida” – o moreno leu em voz alta, dando risada. – “Gomen por atrapalhar sua folga, mas estamos com um problema para o Gran Finale da turnê e precisamos de vocês dois na gravadora, o mais rápido que puderem... Gomen, gomen... Prometo que compenso vocês! Love you both! Ny-chan”.
– Por que pro Kai e pra Mari foi tão elaborado? – Ana estranhou.
– Então, não aconteceu nenhum problema? – Yutaka perguntou, espantado.
– Iie... Ou não teria motivos pra ela me trazer até aqui... – Carolina disse.
– Ou me mandar arrumar minha mesa... – Takanori completou.
– Por que ela só nos chamou, sem nenhuma explicação, koi? – Akira perguntou para Ana, indignado.
– Talvez porque nós dois tenhamos experiências demais com ela e Uruha pra precisarmos de qualquer explicação...
– Não gostei! – o baixista disse, emburrado e a namorada lhe deu um beijo.
– Mas, então, o que é que está havendo por aqui? – Kai continuava tentando entender.
– A Ny-chan nos mandou até agora quatro mensagens nos trazendo até aqui – Ana explicou. – E pode ter certeza de que Monique e Yuu também receberão pelo menos uma...
– Por falar nisso, onde está a Mari, Yuk? – Carolina perguntou.
– Como não encontramos a Ny na sala de reuniões, nos dividimos pra procurar... Fiquei de encontrá-la de novo lá...
– Bom, vamos até ela, então... Acho que temos de nos reunir... – Takanori concluiu e os cinco caminharam juntos.
Mariana estava esperando sentada e se surpreendeu quando o namorado entrou, acompanhado por tantas pessoas e nenhuma delas ser Sereny.
– Também não a encontrou? – ela perguntou e ele negou com a cabeça. – Ohayou, pessoal!
– Ohayou, líder! – eles responderam, em coro e ela sorriu.
– Estão achando que a Ny-chan chamou todos nós aqui porque está preparando alguma coisa... – o baterista se aproximou da namorada, tocando-lhe os ombros.
– E os problemas do Gran Finale? – ela perguntou, sem entender.
– Aparentemente, era só um motivo pra trazer nós dois até aqui...
– Hum... – Mariana assentiu, calmamente. – Alguém tem ideia do que seja?
– “Nick e Yuu” – todos escutaram a voz do guitarrista moreno do the GazettE, vindo da porta e se voltaram para encará-lo. Ele lia a mensagem em seu celular. – “Vão até a gravadora, onegai, e encontrarão todos os outros na sala de reuniões. Basta ligar o projetor. Arigato. Aishi, Ny-chan”... Alguém pode me explicar o que está havendo? – ele terminou, confuso.
Carolina se soltou dos braços do namorado e ligou o projetor que a irmã mencionara na última mensagem. Os oito presentes na sala viram Sereny aparecer na tela branca.
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