Gaunt's
2 Apenas um jogo ?
7 anos depois
A batalha de Hogwarts finalmente chegara ao fim. Harry Potter, Rony Weasley e Hermione Granger foram engrandecidos e, pelo período de mais ou menos sempre desde do que acontecera, não se falava em outra coisa que não fosse a queda definitiva do Lorde das Trevas. Mas, apesar dessa grande excitação, naquela noite muitas vidas foram perdidas, famílias foram dizimadas e amizades destruídas, muitos nunca iriam conseguir superar totalmente suas perdas e, por muito pouco, o nome de Severo Snape não se juntou a lista dos mortos. Agora ele devia a sua vida à Evelyn Gaunt.
Depois que Voldemort retirou as suas forças do castelo e todos se juntaram no Salão para cuidar dos feridos Evelyn foi para as estufas pegar algumas ervas medicinais e o encontrou agonizando e terrivelmente ferido, se ela não soubesse exatamente o que fazer, o que talvez tenha sido fruto da sua adoração por poções e antídotos, ele teria morrido com certeza.
Para Evelyn, por outro lado, não havia muito o que se comemorar. Mesmo sete anos depois do que aconteceu ela ainda chorava pelo seu irmão, na opinião dela seu destino fora pior do que a morte. Henry era aliado de Voldemort muito antes que alguém pudesse desconfiar, estava do seu lado quando comemoraram a morte de Harry e lutou até o fim junto dos seus comensais e, depois que Voldemort foi destruído e a sua derrota ficou evidente, Henry Gaunt liderou o grupo de sobreviventes para fora do castelo e por muitos anos eles ficaram assim, reclusos, escondidos em algum lugar longínquo... Mas agora infelizmente não mais.
– Leu o Profeta Diário de hoje ? — perguntou Snape.
Eles estavam sentados na arquibancada dos professores no campo de quadribol, o ano era de 2005 e aquele era o ultimo jogo da temporada. Corvinal contra Sonserina, esta estava ganhando de 240 a 190 e Jeremy Colt e Peter Kurt disputavam pelo pomo de ouro. A partida estava na sua reta final e, apesar de já estarem lá há duas horas, o jogo continuava empolgante até mesmo os menos fanáticos estavam indo a loucura. Gritos histéricos dominavam as arquibancadas, as torcidas pareciam competir para ver quem berrava mais alto e com mais vontade, todos riam e se divertiam muito como se tudo aquilo fosse a coisa mais importante do mundo e, talvez, para aqueles jovens adolescente essa realmente era a mais pura das verdades, pelo menos naquele momento.
– Claro, quem não... Ah, o Kurt quase pegou — comemorou Evelyn — Vamos lá Jeremy, você consegue ! — gritou se levantando e acenando para o garoto loiro que voava habilmente na sua vassoura com a mão esticada em busca do pomo.
– Evelyn, trate de sentar — exclamou a professora Minerva do outro lado da banca — os professores não devem torcer pra ninguém.
– Desculpe — disse se sentando novamente — como se ela não estivesse rezando para a Sonserina perder — cochichou para Snape que riu talvez um pouco alto demais, fazendo Minerva contorcer a boca contrariada e praguejar baixinho.
– Bom, e o que você achou ?
– Não sei, acho que eu não concordo com o corte de orçamento no setor de 'Controle de Criaturas Mágicas', principalmente depois do incidente com os diabretes em Kent.
– Não é disso que eu estou falando — falou impacientemente Snape — A explosão no Ministério e o ataque a família trouxa — de novo ele teve a indelicadeza de tocar no pior assunto possível para se conversar com Evelyn Gaunt: Henry Gaunt.
– Para mim já é suficientemente cruel matar alguém, e pior ainda se esse alguém nem poderes tem para se defender... Matar uma família de trouxas é...
– Covardia.
– Não, é pior que isso, só que simplesmente não há palavras para descrever.
– E você acha que Henry tem algo haver com isso ? — com mais essa pergunta a empolgação que ainda restava em Evelyn se esvaiu, seus olhos perderam o brilho e ficou ainda pior quando Peter Kurt finalmente capturou o pomo e a torcida de Corvinal foi a loucura com a vitória e conquista da taça.
– Droga — lamentou ele sem nem ao menos notar que o que tinha acabado de fazer.
– Eu não sei — disse desviando o assunto porque de fato não tinha certeza e, principalmente, porque se recusava do que dependesse dela a falar do seu irmão, além disso era dificil para ela aceitar que ele pudesse fazer coisas tão cruéis como aquelas — vou descer para conversar com eles — disse se levantando para cumprir com as sua obrigações como líder da casa de Sonserina.
Ela assumira o cargo de professora de poções e a responsabilidade pela sua casa quando o professor Slughorn se aposentou definitivamente no ano anterior, esse era o seu segundo ano na escola e quase todos os dias pôde viver sem ter que falar sobre seu irmão mas desde que ele começara a agir ela tinha que enfrentar cada dia como uma verdadeira guerra, muitos pais pediram sua demissão e o Ministério não a perdia de vista por um segundo sequer, se não fosse a persistência de Snape e a dela própria Evelyn estaria, no mínimo, sem emprego e, no que dizia a respeito da Ordem, com uma passagem só de ida para Azkaban principalmente se dependesse do trio de ouro, eles adoravam alegar 'preservação contra possíveis danos futuros e precaução contra uma ameaça maior'.
De volta ao chão, Evelyn se deparou com uma agitação do galpão do time da Sonserina, jogadores enfurecidos e alunos discutindo entre si tumultuavam o lugar, depois de algum esforço ela conseguiu expulsar os não autorizados dali, liberando o espaço e finalmente conseguindo chegar perto do jogadores.
– Prof.ª Gaunt isso não é justo ! O Kurt me puxou pra trás pela cauda da vassoura quando eu estava a uns dois milímetros do pomo — disse indignado Jeremy Colt chacoalhado a cauda depenada de sua vassoura para Evelyn enquanto a Madame Ponfrey limpava um ferimento de balaço feito no braço do garoto
– É, professora, foi injusto ! — gritou o capitão, Tom Jerkins, entrando no galpão — eles trapacearam.
– Eu já vou verificar isso mas vocês precisam se acalmar, tudo bem ? — disse tentando apaziguar os ânimos — não saiam daqui, eu volto daqui a pouco.
Ela saiu fechando a grande porta de madeira atrás de si e quase trombou com Snape que a esperava do lado de fora.
– Corvinal trapaceou, nós teríamos ganhado se Peter Kurt não tivesse roubado.
– Minha nossa, você esta parecendo um deles — disse apontando para o galpão fazendo Snape fechar a cara — Vamos, lembre-se que você é o diretor, tem que agir de maneira racional e não por ódio.
– Eu vou expulsar aquele pirralho.
– Não, não vai. Falta apenas uma semana para acabar as aulas e Peter Kurt esta no sétimo ano, lembra ? Venha, vamos resolver isso. Leve os meninos pra sua sala, eu vou buscar Filius e o time da Corvinal, não queremos mais confusão — determinou dando uns tapinhas no ombro de Snape e se divertindo com a sua irritação infantil — Ah, e peça para os outros professores reunirem os outros alunos no Grande Salão para aguardar a nossa decisão, um pouco de humilhação pública para o trapaceiro vai fazer com que isso não aconteça de novo — e saiu em direção ao campo.
'A atitude dela fora muito madura', Snape pensou e, talvez, ela não fosse mais aquela criança que o fazia perder a cabeça com suas rebeliões juvenis.
***s*****
– Fuinhas Trapaceiras ! — gritavam de um lado.
– Cobras mentirosas ! — gritavam do outro.
– Chega ! — gritou Snape já não aguentando mais toda aquela agitação.
Quatorze jogadores enfurecidos, três professores irritados e um diretor rabugento presos dentro de uma sala discutindo sobre uma partida de quadribol certamente não era uma coisa que daria certo. A principio Evelyn pensou que tudo poderia ser resolvido pacificamente a base de uma boa conversa, mas talvez tivesse subestimado a relevância de um mero jogo de escola para aqueles garotos e garotas, pois sim, a prof.ª Hooch, a técnica de quadribol, teve que separar três vezes Marion Truman da Corvinal e Catherine Alton da Sonserina pra que as duas não se matassem a tapas e unhadas.
– Por Merlin ! — Desesperou-se Filius, pequeno como era estava completamente perdido em meio aquela confusão e corria sérios riscos de ser esmagado.
– Olhem aqui... Eu... Eu... — Evelyn respirou fundo sentia uma dor de cabeça intensa e uma tontura absurda, a imagem a sua frente já não era mais a mesma estava embaçando e as vozes se misturavam. Engoliu em seco e tentou com todas as suas forças se manter em pé, mas aquilo era muito mais forte que ela.
"- Parabéns, Titus, não pensaria em algo melhor — disse uma voz que apesar distante Evelyn poderia ter reconhecido a quilômetros — falta pouco, muito pouco, em breve estaremos comemorando nossa vitória."
– Não... — ela tentava permanecer acordada mas era quase impossível.
– Evelyn ? — chamou uma voz que se distanciam cada vez mais,
Ela abriu os olhos, a sua volta todos estavam estáticos encarando-a fixamente e um silêncio mortal reinava no lugar, Snape levantava sua cabeça segurando um lençensanguentado contra o seu rosto enquanto Rolanda Hooch dirigia os alunos estupefatos para fora da sala. Foi tudo o que ela conseguiu ver antes de desmaiar novamente.
"– Você parece bem entusiasmado, o que planeja dessa vez ? Devo dizer que a última emboscada que armou foi incrível, deixamos algumas feridas profundas no orgulho do Ministério.
– Realmente, meu amigo, mas dessa vez será maior, e garanto que nunca mais zombarão do meu nome ou da honra de minha família.
– Claro, milord, as pessoas estão com medo, apavoradas, talvez esteja chegando a hora de retomarmos o poder, aproveitar enquanto tudo esta tão vulnerável. O Ministério desabando, as pessoas enlouquecendo, a mais famosa escola de magia e bruxaria desandando, tudo de mais importante para o mundo bruxo esta mergulhado em caos. Eles estão se destruindo e talvez seja a nossa oportunidade de retomar o poder restabelecer a ordem e sair vitoriosos e com milhares de seguidores e adeptos, vamos usar a fraqueza deles a nosso favor.
– Você pensa grande e eu admiro sua sede de poder mas para esse momento planejo algo diferente. Primeiro precisamos eliminar nossos opositores mais fortes e apenas aí poderemos crescer e ficar mais poderosos do que nunca."
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