No começo não existia nada.

Até que surgiu a consciência.

A consciência de que se era algo e que estava sozinho, na mais vazia escuridão. Não havia nada além de si, sendo assim se era tudo e nada ao mesmo tempo.

No nada não havia tempo, por isso não se sabia há quanto tempo criara consciência, ou quanto se passará quando começou a expandir. Pois a noção de tempo e espaço não existia.

Perda e dor também não eram conhecidos, mas perder pedaços daquilo que se considerava como si mesmo era estranho.

Os pedaços passaram a ter consciência e com eles vieram novos conceitos.

Quantidade, pois agora eram vários.

Espaço, pois não estavam sozinhos e cresciam.

Tempo, pois o crescimento e surgimento de novos pedaços ocorriam em momentos diferentes.

Eles não tinham nomes, nem individualidade.

Existiam por existir, sem propósito.

Foi então que o primeiro, o sozinho, pai e mãe de todos os outros, criou para os demais o noção de luz, morte e criação.

Em um clarão, este deixará de existir e em seu lugar algo novo surgirá. Algo menor, porém com uma forma menos definida que de perto era possível ver outras partes ainda menores. Essas partes menores replicavam as ações do primeiro e seus pedaços, cada vez mais, surgindo novas formas, novos tipos, alguns até se juntavam em formas mais solidas.

Os pedaços a tudo observavam, não por curiosidade, tal coisa não existia entre eles, observavam, pois era só isso que havia para fazer.

Aquelas partes que viraram solidas por sua vez, começaram a apresentar um comportamento estranho, elas se agrupavam em torno de umas que eram maiores e mais brilhantes, aqueles que mais se assemelhavam ao primeiro. E fui a uma dessas que algo diferente ocorreu, algo menor, de breve existência surgira nela.

Tempo era irrelevante para os pedaços do primeiro, mas não para tais seres que surgiram, e esses seres deram aos pedaços nomes, como uma forma de compreenderem, de se aproximarem de algo que não podiam compreender.

O primeiro que deu origem aos demais, chamaram ironicamente de Origem e ao primeiro pedaço Chronos. E assim por diante.

Para cada pedaço um nome e uma função, não fazia sentido, pois esses pedaços nada queriam saber a respeito daqueles pequenos seres, mas tais seres os usavam como respostas para suas dúvidas, medos e esperanças.

Todos esses conceitos criados por esses mesmos seres, para os pedaços não havia motivo de criar tantas variáveis, chamada de emoções pelos pequenos seres, que no fim só traria mais problemas.

Mas foi então que um dos pedaços menores, este vindo de Chronos, logo sendo irmão e filho de Origem, que decidiu conversar com esses seres.

Moirai foi o nome dado a ele por esses seres, e Moirai desenvolveu algo que chamavam de curiosidade.

E curiosidade é algo perigoso.