Os assassinos de Landscape tomaram a praça, empurrando as pessoas e gritando o nome de Alles.

Não muito longe de lá, Alles era levado à reboque.

– Ora, você tinha razão, rapaz das janelinhas, diga-me, você é vidente?

– O que?! – disse, atordoado. – Olhe, eu entendo que você é doido, mas será que poderia andar com as próprias pernas, iriamos mais rápido.

– Evidentemente que posso rapaz, que pergunta mais tola, se estou de pé claro que posso andar... A menos é claro que eu fosse uma artvads, ai eu não poderia.

– Uma o que?

– Artvads rapaz, veio de debaixo da terra?

– Quem?

– Você. – disse pegando Antonie pelo braço e puxando-o para o ar. – Você não é muito perspicaz, não é?

– Santo Deus! – disse, ao sentir o chão sumir de debaixo dos próprios pés.

– Amigo seu? – disse, pousando suavemente num telhado.

– Eu rezo pra que seja! Me ponha no chão!

– Chão é muito relativo rapaz. – disse, indo de telhado em telhado, até uma rua muito longe dali.

Ao chegar lá, Antonie já estava certo de que iria morrer, foi então que o chão voltou para debaixo de seus pés, seus olhos estiveram fechados com força nesses últimos tempos.

– Não foi tão difícil rapaz, agora diga-me, de onde você veio.

Com alguma dificuldade Antonie se pôs de pé, agora realmente irritado com o sujeito.

– Não é da sua conta, seu maluco voador!

– Que nome estranho para um lugar. – ele sorri, simpático.

– Ah! Eu desisto! Você é completamente doido! Eu vou embora daqui!

– Eu permitiria isso facilmente, claro. Mas por acaso você sabe onde é “aqui” exatamente?

Antonie parou, voltando a olhar para o estranho de casaco purpura, com seu cabelo loiro e olhos vidrados.

– Onde você me trouxe...?

– Estamos na fronteira com a periferia, e já são quase sete solstícios de lua.

O sangue de Antonie gelou dentro do corpo.

– E como eu faço pra voltar...?

– Não tenho muita certeza, rapaz... – disse, pensativo. – Vou tentar leva-lo de volta.

– TENTAR?!

– Sim, é aquilo que você faz quando não tem certeza de que vai atingir o seu objetivo, sabe?

– EU SEI O QUE UMA TENTATIVA SUA BESTA!

– Ah, que bom. – disse, sorrindo. – Então talvez você não seja tão lento quanto eu pensava.

– Eu vou morrer... – ele suspira.

***

– Antonie está demorando. – Charlotte comenta.

Mary estava agarrada no tropler, contando toda a sua a vida a pasta escorregadia que por alguma razão parecia interessada.

– Tenho certeza que ele ficará bem, Antonie é inteligente.

– Tem razão... Só ando um pouco paranoica com essa história toda de mudança de dimensão.

O toque de recolher soa, e Cheshire entra no quarto.

– Onde está Antonie?

– Não sabemos, ele deve estar voltando.

– Soou o toque de recolher, se ele não voltar logo vamos ter problemas.

Cheshire sai pela porta da frente, indo pra cidade.

– Cheshire! – Charlotte grita.

– Fique ai dentro, e tente evitar que Mary destrua tudo!

– Ei! Eu ouvi isso! – Mary diz, revoltada.

Charlotte suspira.

– Malditas viagens dimensionais.

Horas e mais horas se passam, Cheshire volta com Antonie, que nesse momento gastava o próprio fôlego ofendendo alguém.


– Cretino! Insano! Lesado!

– Opa, calma Antonie, o que foi?

- Alles! É isso que foi! AQUILO quase me mata!

– Calma Antonie, Alles não é mal. – Cheshire diz.

– Não me venha defender aquele lunático, Cheshire! Se eu tivesse o meu coração arrancado e virasse uma bolha de gosma, eu juro, eu voltaria pra arrancar o dele!

– Alles não tem um coração, Antonie. Agora acalme-se, nada iria acontecer a você enquanto estivesse com ele.

– Como você tem tanta certeza?!

– Ele fez um acordo com os cádins.

– Calma... Você disse que ele não tem coração? – Charlotte pergunta.

– Não. Por isso ele tem aqueles olhos vidrados. – disse gesticulando com as mãos.

– Oh... Mas estão como ele...

– Está vivo?

– É...

– Alles é mágico, e fez um acordo com os cádins, eles mantêm o coração dele preso numa caixa embaixo do castelo da princesa Genébra, onde Landscape não pode entrar.

– Por que?

– Um coração por um passe livre pelo reino na dark hour... Vale muito.

Uma batida na porta.

Cheshire caminha até a porta, abrindo-a.

– Alles...?

– Olá felino. – disse sorrindo. – Seu cabelo parece... Desbotado. Andou tomando chuva? Talvez seja por isso que gatos não gostam de água, ela desbota o pelo deles... Mas... se assim fosse gatos brancos não teriam medo de água... Talvez ninguém saiba o que branco signifique realmente... Ou então existe uma cor ainda mais pálida que branco... Gatos invisíveis! Por mil montanhas de gelo! – ele parecia repentinamente ansioso. – Sendo assim, como eu vou saber se pisei num gato ou não?! Oh, não! Eu posso ter esmagado gatos transparentes sem saber! Eu sou uma pessoa horrível! – então ele se pôs sentado no chão deprimido. – Nunca mais eu me moverei...

Cheshire suspira, arrastando Alles para dentro por um dos braços.

– Não! Cuidado com os gatos invisíveis! Seria homicídio de sua própria espécie!

– Alles, você nunca pisou num gato invisível, ele miaria.

Subitamente tudo parecia resolvido, Alles se pôs de pé, voltando a sorrir. – Diga-me felino, por que me chamou a este lugar que eu suponho que seja onde você e seus estrangeiros habitam.

Antonie que voltava da cozinha com uma coisa rosa e doce nas mãos, parou diante da visão de Alles.

– Ah não! Ele não!

– Olá rapaz. – ele acena lentamente.

Charlotte havia se sentado numa cadeira.

– Olá minha criança, não sabia que você conhecia o rapaz e o felino recém-desbotado.

- Olá Alles. – Charlotte suspira.

– Você conhece esse lunático, Charlotte? – Antonie pergunta.

– Conheço sim, infelizmente

– O chamei aqui por que preciso da sua ajuda para encontrar uma assassina chamada Eliza, que fugiu do reinado de Âmber, procurada por assassinar dois regentes.

– Oh, mas que terrível. – ele diz, pondo-se sentado, esvoaçando seu casaco púrpura.

– Ele atentou contra a vida da minha rainha. Se puder me ajudar na busca, eu agradeceria.

– Claro felino, eu não deixaria que lutasse sozinho. – disse sorrindo. – Tem algo dela que eu possa usar para localizá-la?

– Tenho. – ele diz, puxando um pedaço de casaco que ela havia deixado.

Alles tomou em mãos, olhando fixamente para o pedaço de tecido.

– Vou encontra-la... Ela está com Landscape.

– Landscape?

– Não me repita, foi o que eu disse não. Sairei a caça hoje, mandarei um mensageiro avisá-lo.

– Muito bem.

Com isso Alles sai porta a fora, a porta se abre para ele, ele toma impulso no chão e some, para fora da película das velas.


Notas finais
Maaais um capítulo, após muito tempo.
Bem, eu não sei se vou continuar escrevendo aqui no Nyah, estou avisando isso em todas as minhas histórias em andamento.
Me digam se eu devo ou não.
Se não, au revoir mes amis!