Gato De Cheshire: As Sombras De Ícaris
6 Capítulo 6
Alles sai pelos telhados, quase sem tocá-los, olhando os cádins deslizando pelo chão e ao redor das bolhas luminosas das casas protegidas.
Pisando no batente de pedra de Landscape, ele ouve discretamente o movimento no interior do cômodo ao lado.
- Assassina, você diz? – A voz de Landscape soa maviosa como sempre.
Um aceno de cabeça.
Alles simplesmente desaparece pela janela, voltando à periferia, descendo por entre os homens e mulheres rudes que lá habitavam, seu casaco púrpura esvoaçando com seus movimentos.
- Oh, senhor Alles! É bom vê-lo novamente! Como o senhor está? – uma dama estranhamente trajada em marrom se dirigia a Alles com certa intimidade na voz.
- Oh, olá Dama de Marrom
- O que procura hoje?
Alles não prestava muita atenção.
- Viu Dyon hoje?
- Dyon?
- Sim, foi o que eu disse, certo? Ou pelo menos é o que eu acho que disse, a menos qu-
- Dyon estava na taverna de Milkar até poucos minutos atrás.
- Oh! Excelente! Com sua licença.
Ele diz, saindo calmamente.
Em passos apressados, Alles atravessa as ruas de pessoas armadas, marcadas com cicatrizes de batalhas com os cádins.
- Dyon? – ele diz, pisando dentro da taverna de Milkar, que era batizada com exatamente esse nome: TAVERNA DO MILKAR.
Uma briga de bar tinha andamento, dois homens rolavam pelo chão de madeira, batendo nas mesas e cadeiras, a maioria ao redor simplesmente continuava a beber, mas uma pequena aglomeração já havia se formado e agora fazia apostas sobre quem sairia sem levar uma facada, as apostas estavam 15 contra 4 para o que estava por baixo, aquele que estava por cima pressionava um pequeno talho de metal para baixo na direção do rosto de seu adversário, e já estava vermelho de fazer força, o que era muito divertido cromaticamente, uma vez que este era ruivo.
O de baixo tinha o cabelo castanho, e olhos de uma tonalidade pálida, suas roupas eram constituídas de peças brancas e pretas, e mesmo com a iminente ameaça de morte, seu olhar permanecia morto, tal qual um cadáver.
- Dyon, o que você e esse senhor de colorações curiosas fazem no chão? – Alles pergunta, facilmente abrindo caminho entre os observadores.
O senhor distraiu-se olhando por um segundo na direção de Alles, então levou um murro no nariz, que fez um desconcertante barulho de uma casca de amendoim sendo pisada, e então caiu para trás, curvando-se sobre si mesmo, com a mão sobre o pobre nariz quebrado.
- Nada Alles, o que você quer? – perguntou, seco, fechando as abotoaduras do camisa e os botões do colete.
- Preciso falar com você.
- Isso é evidente. O que me interessa saber é: Pra que?
- Aparentemente, Landscape está mantendo sob sua tutela uma assassina fugitiva do Reinado de Âmbar.
- Landscape, é?... Ok, conte comigo. – disse, esfregando a manga branca na linha de sangue que escorria pelos lábios cortados.
- Excelente, venha comigo. – Alles saia do aposento, seus pés mal permaneciam no chão.
- Fique no chão, eu não voo. – disse, muito frio.
Era naturalmente muito seco, e igualmente intenso. Frequentemente envolvido em brigas, Dyon era um dos contatos de Alles. Um dos contatos BONITOS de Alles, e era geralmente usado para extorquir informação por... Métodos.
Mas como não existe resposta se não há pergunta, nada jamais era discutido sobre o assunto, pois na periferia, pouco impressionava, segredos eram irrelevantes e pouco surpreendia.
Dyon era o mais estampado e objetivo exemplo disso, sua expressão era pintura enquadrada de um legítimo morador da periferia, frio, marcado, e extremamente malicioso.
Os moradores da periferia era facilmente identificados pela demais população, andavam sempre armados, e para aqueles que viviam na segurança da capital, eram como um bando de cães, armados, perigosos e cruéis.
Mas para Alles, que não era senhor do caos de seus pensamentos, Dyon era uma companhia agradável, uma boa pessoa de comentários perspicazes e um senso de humor confuso.
Os dois rumavam à casa na colina onde Cheshire e seus estrangeiros habitavam, e eventualmente, Alles precisava ser puxado de volta ao limiar do chão, para não começar a flutuar imbecilmente pelos ares como lhe era comum.
Os dois caminhavam como se não fosse a dark hour, e estivesse tudo bem, até alcançarem o alto da encosta verde, Alles bate na porta, e pode se ouvir um suspiro frustrado dentro da casa.
Charlotte atende a porta, e ela parece estar rindo, rindo da frustração de Antonie por saber que sua paz teria terminado ali.
- Cheshire já vem, quer entrar?
- Não obrigado, vim apenas dizer-lhe que sairemos hoje, e se ele quiser me encontrar, sabe onde.
- Claro... – o olhar vazio e pétreo de Dyon a deixava desconfortável.
Alles toma impulso no chão e some, subindo como uma flecha, Dyon acende um cigarro preto, soprando a fumaça de fragmentos cintilantes e seguindo colina abaixo, com seu caminhar entediado.
“Estrangeiros... Hump” ele pensa com certo desinteresse contido.
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