Gateway - Camping Green hil
8 Tudo surpreende!
Notas iniciais
Tudo pode surpreender!!
Boa leitura!!
Ao fim, fomos em direção ao refeitório. Estava ansioso para ver Elizabeth que havia marcado comigo depois do almoço. Iria aproveitar todo o tempo em sua companhia, sabendo que tinha apenas trinta minutos depois do almoço, não sabia nem por onde começar. Chegando ao local das refeições, procurei por ela. Ao meu lado estava Kevin e do outro um rapaz que não havia encontrado ainda. Kevin me apresentou:
“Davi. Este é Ramon, príncipe de Ethyn.”“Muito prazer Ramon”. Ofereci minha mão num aperto cordial, como já tinha feito com dezenas de pessoas, mas desta vez tive um pressentimento ruim. Achei muito estranho. “O prazer é meu Davi. Espero que esteja sendo bem tratado aqui.” Perguntou Ramon com um leve sorriso sarcástico.“Estou sim” Respondi sem dar muita atenção a minha intuição. Poderia estar louco mesmo, já que nunca tive estas coisas de intuição, pressentimento, sempre achei que era coisas para as meninas.Prosseguimos com a conversa falando sobre armas e lutas. A cada frase eu enviava um olhar em busca de Elizabeth. Ramon me disse que era um dos melhores elfos arqueiros do mundo dele. E que a precisão era de 98% de acerto. Deveria ser algo extremamente útil numa luta. E neste papo sobre lutas continuamos até o final do almoço e sem Elizabeth, para minha frustração.Saímos da tenda e fomos tirar os trinta minutos de intervalo. Aproveitei o meu tempo livre para deitar ao pé de uma arvore e pensar um pouco. Tinha andado poucos metros quando notei que Ramon estava atrás de mim. Ele era loiro, com olhos azuis, cabelos um pouco abaixo dos ombros meio rebeldes, minha altura mais ou menos. Embora fosse esguio, como todo jovem neste lugar tinha músculos definidos. Sentamos a sombra da arvore e ele iniciou a conversa:“- Já se entendeu com Elizabeth?”Como as pessoas eram diretas aqui, não é? Faziam-me perguntas diretamente, não sondavam nada antes de entrar em algum assunto pessoal. Suspirei e respondi:“- Acho que sim. Mas não há vi hoje em nenhum lugar. Você a viu?” Enquanto perguntava me lembrei que Ramon era Elfo e deveria treinar todas as manhãs com Elizabeth, já que era arqueira também.“- É claro que vi. Eu a vejo todos os dias.” Notei o sarcasmo no tom de voz de Ramon, mas prossegui:“- Certamente”. Assenti. “Fale-me um pouco sobre ela.”“- O que quer saber?”“- Tudo. Você deve saber que ela será minha esposa em breve. Gostaria de saber um pouco mais a seu respeito.” Concluí mais tentando acabar com a arrogância dele do que esperar por alguma informação sobre Elizabeth.“- Você sabia que há uma lenda antiga que diz que a princesa prometida ao príncipe para governar os portais dimensionais se apaixonou por outro homem antes de conhecer o príncipe, fugiu com o amante, não se casando com o prometido?”Fiquei sem reação. Filho da mãe de Elfo.... Onde ele queria chegar? Apenas levantei uma sobrancelha e permaneci com a máscara de tranqüilidade que era totalmente superficial naquele momento. Que cara estranho? Ele pareceu não perceber minha agitação e rapidamente me recuperei.“- É??”. Queria ver onde ele iria chegar.“- E o mal foi exterminado do mesmo jeito, não é necessária a princesa para destruir o mal, somente o príncipe é necessário.”Por que ele falava tudo aquilo? Será que Elizabeth já tinha alguém? Mesmo assim a curiosidade me queimou e perguntei:“- Interessante. Mas se não há necessidade da princesa? Por que ela é preparada para isto tudo desde que nasceu?” O instiguei.“- É para o depois, para a linhagem real. Embora vivamos por muito tempo, o rei precisa de filhos para substituí-lo no trono.”Mais informação desconhecida. Até onde tudo isto iria?“O que quer dizer com muito tempo?”“Você não sabia? Vivemos séculos.”“O que? Quantos?”“Não muitos, em torno de três, alguns um pouco mais outros um pouco menos. Sei lá.”“- Vocês vivem por trezentos anos?”“Vocês?” Ele riu. “Nós. Você realmente não sabia?”“- Não. Estou aqui há cinco dias e a cada dia recebo uma informação nova. Mas como isto funciona? Quantos anos têm o ministro?”“- Envelhecemos como os humanos até os dezoito anos. Depois é como se ficássemos cinco anos na mesma idade. Cinco anos com dezenove, cinco com vinte e assim por diante. Acredito que o ministro tenha algo em torno de duzentos e vinte anos.”Não disse nada. Minha máscara de tranqüilidade e confiança estava prestes a cair novamente.Respirei fundo e me recompus pela segunda vez num mesmo diálogo.Não falei mais sobre Elizabeth, pois ainda não confiava neste Ramon. Depois precisava perguntar a Kevin quem era ele e quais suas intenções.Levantei da arvore e segui para meu próximo treinamento, junto com Elizabeth na área dos Metaformos. Quando me aproximei notei que, como em todas as aulas, havia um pouco de cada reino, alguns elfos, anões, fadas, ursos e algo que era estranho, havia poucos humanos e muitos outros animais que não tinha visto antes, como onças, panteras, gaviões, uns leões alados, ursos brancos, lobos, vários tipos de animais, mas lembrei do que Kevin disse no primeiro dia sobre humanos se transformando em animais selvagens. Fiquei encarando a multidão e ainda não tinha procurado Elizabeth quando escutei a confirmação dos meus pensamentos:
“- Os animais são os metaformos já transformados para treinarmos.” Era Elizabeth se aproximando por trás de mim.Com um sorriso perguntei.“- O que vamos aprender?” Ela sorriu.“- Você vai ver. Será muito legal.” Neste momento, um humano pediu a atenção e começou a aula teórica. Sentamos no gramado bem perto um do outro, mas sem nos tocarmos. Podia sentir a eletricidade correndo por minha pele. Toda vez que estava próximo a Elizabeth tinha certeza de que ela seria minha. Às vezes nossos olhares se cruzavam e um sorriso surgia. Toda a história contada por Ramon que a princesa havia fugido fora esquecida e superada. Nós estávamos envolvidos um com o outro. Eu podia sentir.Com os ursos aprendemos a atacar sem o uso de arma, só com os corpos, já com os metaformos aprenderíamos o oposto, a nos esquivar dos ataques também sem o uso de armas. Havia técnicas para isto. Trabalhamos a tarde inteira em pares e para minha alegria o meu par era Elizabeth. Ela atacava, eu defendia, eu atacava, ela defendia e assim passou a tarde, nos tocando, sorrindo e flertando. Saí de lá mais apaixonado do que estava.“- Vou poder te encontrar a noite?” Perguntei ansioso.“- Certamente que sim, mas não sei se haverá tempo para conversarmos a sós, já que hoje é dia de reunião.” A cada cinco dias Demétrius discute e informa as estratégias.“- Gostaria muito de conversar com você.” Estávamos andando em direção as barracas para nos prepararmos para o jantar.“- Eu também” Ela disse, tocando minha mão. “- Mas tenha paciência. Teremos muito tempo para isto.” Senti a corrente elétrica passando entre nós e sorri em resposta.Despedi-me de Elizabeth apenas com um sorriso e fui em direção ao meu quarto com meus pensamentos presos a ela.
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