Gateway - Camping Green hil

24 Muito bom pra ser verdade!


Notas iniciais
Boa Leitura!!

Elizabeth não dormiu como imaginei e não consegui deixá-la pelo resto da manhã.

Depois do almoço fomos para o meu quarto. Ela estava radiante e feliz enquanto eu me sentia angustiado e ansioso. Várias vezes ela perguntou se havia algo errado e eu neguei.

Durante este tempo tivemos conversas inofensivas até uma hora que não agüentei mais e resolvi pisar em terreno minado. Iria tentar descobrir alguma coisa, ocultando o que eu já sabia.

“- O que você sabe de sua família verdadeira?”

Eu já havia perguntado isto antes e ela sempre dizia que não sabia nada. Não tinha a menor idéia do que havia acontecido, mas desta vez, ela não esperava pela pergunta e hesitou. Percebi que estava editando e depois de alguns segundos disse o de sempre.

“-Nada”

O que há de errado? Tem alguma coisa aí e eu vou descobrir.

“- Porque você está mentindo?” Perguntei olhando dentro de seus olhos verdes como se a resposta estivesse dentro deles. Eu merecia mais do que isto.

Ela gaguejou antes de responder.

“-O que você sabe da minha família?”

Droga! Não queria mentir pra ela, mas não podia dizer nada neste momento também. Então escolhi o caminho mais fácil, as meias verdades.

“-Não estou autorizado a dizer.” Usei a técnica de Kevin de sair do assunto, mas amenizei dizendo: “-Mas algo me diz que agora você sabe mais do que diz, não sabe?”

Ela pensou por um momento mordendo o canto da boca.

“- É! Sei sim...” ponderou. “Tenho uma irmã e uma mãe, como sei que você sabe, mas não sei nada sobre meu pai e vamos parar por aqui. Também não tenho autorização para dizer mais nada sobre o assunto.”

Como eu imaginava, ela sabia. Tinha alguma trama que estava rolando por trás de tudo isto. Elizabeth ao lado do chantageador. Sabia de Eva e de Paula e nunca me disse nada. Precisava descobrir esta história, mas como não arrancaria mais nada dela agora, resolvi arquivar em minha mente e deixar para pensar nisto em um segundo momento.

“-Está bem! Vem aqui!” Disse puxando-a em meus braços.

Fazia tanto tempo que não ficávamos tão perto assim, estávamos deitados e por alguns momentos esqueci-me de todos os problemas e fiquei sentindo a corrente elétrica que pulsava entre nossos corpos.

Trocamos olhares intensos e nos beijamos. O beijo começou delicado, até que ficamos ávidos. Estávamos de frente um para o outro em minha pequena cama, eu passava a mão por seus cabelos e pela lateral do seu corpo, enquanto ela puxava meu ombro colando cada vez mais meu corpo ao seu.

Apoiei meu corpo sem soltar o peso em cima do seu e nos encaramos, seus olhos eram pedras verdes brilhantes como esmeraldas e ardiam. Sabia que agora não era uma boa hora para deixar as coisas andarem sozinhas, mas neste estágio não conseguia refrear meu corpo que gritava pelo dela. A distância que tínhamos um do outro não era suficiente e então puxei uma alça de seu vestido delicadamente mostrando um dos ombros desnudos.

Minutos depois eu estava sem camisa. Estávamos arfando. Deitei de costas na cama, desta vez puxando seu corpo para cima do meu e recomeçamos o beijo, estava ficando cada vez mais quente.

De repente uma batida na porta nos interrompeu.

“-Não abra” Ela sussurrou sem descolar os lábios do meu.

Eu cheguei a considerar, mas perante a situação poderia ser alguma coisa importante, ou o Jake, além disto, teríamos muito tempo para ficar junto mais tarde. De onde eu tinha tirado tanto responsabilidade? Meu corpo ainda tremia um pouco e controlei a respiração antes de abrir a porta. No fundo eu queria me matar por ceder a minha maturidade recém adquirida, mas a minha mente trabalhava rapidamente e consegui seguir meu instinto de atender a porta. O que mostrou ser a coisa certa.

“-Preciso ver. Fique aqui. Já volto.” Disse a Elizabeth.

“-Eu a matei, não consegui fazer nada a respeito. Ela está morta.” Jake dizia com certo desespero na voz. Era estranho um guerreiro como ele estar desta maneira. Eu ainda não entendia o que estava acontecendo. Mas enquanto minha mente encaixava as peças do quebra cabeça e antes mesmo de fazer qualquer pergunta esclarecedora Jake concluiu sem perceber a presença de Elizabeth.

“Paula está morta.”

Fechei os olhos e esperei a tormenta. Elizabeth estava sentada na cama e o primeiro som que meus ouvidos registraram foi um leve ranger da cama, agora sem o peso de Elizabeth. Eu tinha certeza que nosso momento romântico havia acabado. Olhei para trás ainda esperando algo e por um momento tive esperança de independente do que tivesse acontecido, ela iria escutar antes de reagir.

Mas estava vendo a raiva nascer em seu ser que trouxe o típico olhar de leoa antes do ataque. Neste momento Jake percebeu sua presença e constatou a grande besteira que tinha feito. Antes que eu abrisse a boca para explicar qualquer coisa, ela pulou em minha direção esmurrando meu peito e gritando:

“-Era por isto que você queria saber de minha família? Para mandar seu capataz matá-la? Eu não acredito! Minha irmã? O que ela fez pra você?”

Muita coisa, eu pensei em silêncio. Mas não conseguia formular um pensamento coerente. De onde saiu todo este amor pela irmã? A única coisa que consegui fazer foi segurar seu pulso:

“-Acalme-se. Vamos conversar.”

“-Conversar? Você mata minha família e quer conversar? Eu te odeio. Nunca mais fale comigo.”

E depois de uma bofetada inesperada que não doeu na pele, mas sim dentro da minha alma, ela correu porta afora. Como eu conhecia a fera, não faria muito sentido correr atrás dela. Ela só me bateria e não conseguiríamos ter uma conversa civilizada. Segui-la só pioraria a situação ainda mais, então deixei pra depois.

Senti-me pesado e dei um suspiro profundo para refletir com clareza. Paula morta? Embora Paula fosse minha recente inimiga, eu senti alguma coisa forte por ela, a notícia de sua morte não era algo agradável ou muito menos que eu iria comemorar.

Poucos segundos se passaram e eu ainda estava parado segurando a porta e Jake no corredor do lado de fora com um ar perturbado.

“-Como fui estúpido? Perdoe-me Davi...” Jake já estava resmungando ha algum tempo com a cabeça baixa quase ajoelhando no chão, mas puxei seu enorme pulso pra cima impedindo-o.

“-Não se preocupe, já estou acostumado com os ataques dela. Vai passar” Disse tentando parecer ser casual, mas desta vez não tinha tanta certeza do que estava dizendo. Algo me dia que cada volta seria mais difícil.

“-Eu devia ter checado se você estava sozinho. Eu falhei duas vezes. Permitindo a morte de Paula e contando a Elizabeth desse jeito. Não sei onde eu estava com a cabeça. Me desculpe por...”

“-Pare de se torturar Jake.” Eu o interrompi. “Vamos lá! Entre e me conte o que aconteceu.”

Acomodamo-nos no quarto. Eu em minha cama e Jake na cadeira do computador.

“- Segui para a cidade com duas equipes, uma para resgatar seu amigo e outra para capturar Paula e a tal Sabrina. Supus que provavelmente as duas estariam na praça esperando por você e seu amigo continuaria sozinho dentro do guarda roupa. Então mandei Jacob para a casa e fiquei na equipe da praça.

Somente Paula estava lá. Não havia nem um ser humano nos arredores, nem Sabrina. Para ter certeza de estarmos sozinhos, joguei um feitiço em torno da praça para não sermos vistos. “Qualquer humano que olhasse em nossa direção veria a praça vazia e se alguém quisesse entrar em nosso perímetro mágico, assim que chegasse perto iria ter vontade de voltar de onde tinha vindo sem saber o porquê.”

“-Então, como não pretendia lutar com Paula e somente capturá-la resolvi assumir sua forma através de magia para poder chegar bem perto e assim surpreendê-la com a rede mágica[1]. Mas esqueci de um pequeno detalhe” Ele parou como se para consultar a memória e baixou o olhar. Provavelmente era o ponto no qual havia falhado. Apenas aguardei e ele continuou:

“-Paula é fada! Conhece a magia. Assim que me aproximei, já transformado em Davi, com uma das katanas em punho, ela percebeu que não era você de verdade e jogou uma esfera de fumaça para fugir. Ela se transformou em mim para poder comandar minhas equipes e seguiu ao interior da praça onde havia muitas árvores, esconderijos perfeitos. Quando aparecia alguém ela dava ordens dizendo que era para todos matar quem tivesse a forma de Davi. O feitiço demora um pouco para passar, então fiquei em sua forma por alguns minutos que me renderam duas lutas com os da minha própria espécie. Ninguém havia se ferido. Tinha dado ordens extremas para não haver feridos desnecessários, principalmente Paula, que era da família real. Não tínhamos esta permissão.”

“- Mas Jacob, que já tinha ido resgatar seu amigo e não encontrara ninguém com ele, estava de volta e deu de cara com Paula com a minha aparência. Ele é um dos melhores e percebeu de imediato que era uma copia. Os dois começaram a lutar. A fumaça tomava toda a praça, portanto ninguém os via. Ele imaginou que seu oponente era algum soldado das trevas, pois a energia negativa irradiava dela e seguiu a luta até o final. Ninguém esperava que a delicada e bondosa Paula tivesse tanta maldade dentro dela. Somos capazes de identificar estes sentimentos. Quando consegui encontrá-los já era tarde demais, o corpo de Paula jazia em seus braços. Jacob estava com o rosto distorcido de angústia quando descobriu que tinha tanta energia negativa em Paula, ele não esperava, na verdade nenhum de nós. Pequena Paula! Todos nós a conhecíamos.”

Jake abaixou novamente o olhar. Podia sentir a dor que ele sentia. Por mais que não tivesse sido o próprio Jake que viera a fazer isto. Não queria nem pensar em como deveria estar sentido Jacob neste momento. Levantei da cama e toquei seu ombro tentando não demonstrar tanta tristeza e piorar seu estado de culpa.

“-O que passou, passou. Não vamos mais aprofundar estas feridas. Deixe-as cicatrizar agora. Você fez o que achava que era certo e ponto final. Mas me diga, onde está o corpo de Paula agora?”

“-Como ela já pertencia ao mal, não consegui movê-la da praça, ou a deixava para os humanos encontrá-la ou jogava o pó da destruição para exterminá-la de vez. Não tive dúvida e optei pela segunda opção. Paula não existe mais.”

“- Fez certo Jake.”

Não sabia o que estava dizendo, mas o que foi feito, estava feito. Ficamos em silêncio por alguns minutos. Ele ainda remoendo a dor e eu lembrando-me da Paula que conheci.

Depois de mais um tempo, Jake me disse que a mulher fugiu, assim que percebeu que estava sendo atacada. Deixou Paula pra trás. Sabrina abandonou Paula. Quem será está mulher? Precisava montar esta parte do quebra cabeça ainda.

Juan estava em segurança em sua casa. Will com alguns tralhos foram na forma de policiais e disseram que Sophia era uma paciente que havia fugido de uma instituição psiquiátrica. Achei graça, nem eu conseguiria inventar uma história tão boa assim.

Já era ora do crepúsculo e Jake me deixou em meu quarto com a expressão melhor do que entrou. Embora ainda sentindo o peso da morte de Paula.

E eu? Tinha um grande problema. Como lidaria com a ira de Elizabeth? Precisava esperar a fera se acalmar. No dia seguinte a procuraria.