Notas iniciais
Muito fofos, é claro!
- O que vocês desejam? — perguntou o garçom.

Na minha mente veio rapidamente "Tom". Mas, a partir de alguns

momentos atrás, esse desejo fora realizado. O Tom era apenas meu.

- O especial da casa, para nós dois — respondeu Tom. Aí eu me

toquei que a pergunta se tratava de comida.

- Ok… Algo mais?

- Não, obrigado.

O garçom se retirou e, pela primeira vez desde que eu sentara

na mesa, eu observei à minha volta.

Inferno.

Eu fiquei boquiaberta com o que eu acabara de ver. A Erika,

sim, a Erika do Kington estava sentada na mesa exatamente

a nossa frente. Com a Victoria.

Ela usava um vestido preto curto demais e decotado demais,

com os cabelos caindo graciosamente sobre o seu rosto, negros

como os olhos, que emanavam certa frieza.

- Tom — chamei-o, indicando as piriguetes com o queixo.

Ele olhou distraidamente para as meninas, e pude ver uma

leve surpresa em seu olhar. Ele ergueu as sobrancelhas.

- Quem diria!

Eu olhei com desprezo para elas enquanto o Tom dizia:

- Não dê a mínima atenção para elas. Eu não vou deixá-las

estragarem a nossa noite.

- Com certeza.

Com um arrepio percorrendo o meu corpo, eu senti seus olhos

negros nos meus. Levantei-os para encará-la, e não pude deixar

de sentir uma raiva surda. Como o meu namorado dissera

(sim, meu namorado!), ela não ia estragar a nossa noite. Não hoje.

A Erika sorriu falsamente para o Tom, que ignorou-a completamente.

- Então, Agatah, o cinema na minha casa hoje ainda está de pé?

- Claro! Eu já tinha até me esquecido… Mas a minha mãe, ah

meu Deus…

- Pode deixar comigo. Me dê o número dela.

Eu o olhei surpresa enquanto ele pegava o celular. Essa eu

queria ver: o Tom convencer a mãe da namorada.

Eu digitei o celular da minha mãe e esperei-a atender, na

expectativa.

- Alô? Mãe?

- Filha! Tudo bem com você?

- Tudo, eu estou jantando.

- Ainda? Onde é que você está? Já estava ficando

preocupada!

- Ahm, eu estou no… no Fingers, mãe.

- No Fingers? — ela falava excitada. — Como?…

- Ah, bem… é que meu amigo é filho da dona, então, sabe…

- Seu amigo? Quem?

Tom fez um gesto me pedindo o celular.

- Um minuto mãe… ele quer falar com você.

Eu passei hesitante o telefone, não sabendo o que prever.

Olhei de esguela para a mesa da Erika e, aliviada, percebi

que a atenção dela não estava mais em nós.

- Senhora Katheryn?- perguntou Tom, cavalheiro.

- Sim... E o senhor é…?

- Tom Eagle, filho do Jason Mars e da Stephanie Eagle.

A senhora deve conhecer, imagino.

- Ah meu Deus! É claro que eu conheço! O Jason era meu

amigo quando pequena, eu lembro do seu sonho por ser ator!

E como ele está?

O Tom olhou boquiaberto para mim, e eu também não

sabia o que dizer. A minha mãe nunca tinha dito aquilo para mim!

- Nossa, eu não sabia — riu-se Tom, surpreso. — Ele está super bem.

Sua carreira está uma loucura!

- Que legal! Ah, com certeza o seu pai vai lembrar de mim. Pergunte

para ele! A Katy Angel, não se esqueça.

- Claro, pode deixar! Ahm, Katy, será que a sua filha pode vir conhecer

a minha casa hoje? É que ela adora carros, você deve saber, e o meu

pai tem uma coleção…

- Mas é claro! Fica mais fácil para mim assim… e quando você traz ela

de volta?

Pude ouvi-lo engolindo em seco, e eu coloquei todas as minhas

energias para dar certo.

- Eu estava pensando, se não for incômodo para você, é claro,

se a Agatah podia dormir na minha casa hoje… — Ele usou o tom

mais gentil que pôde. Houve um breve silêncio no telefone, no qual

eu olhava ansiosa para o Tom, apurando os ouvidos para escutar um

sonoro "não". O silêncio só me deixava mais ansiosa, tentando adivinhar

o que a minha mãe estaria pensando naquele exato segundo, ou qual

seria a sua expressão…

- Dormir? — repetiu ela, aparentemente tensa.

- Sim, será um prazer.

Eu lancei um olhar de desaprovação ao Tom por ter usado a palavra

"prazer". A Katy poderia levar a mal, mesmo inconscientemente.

- Você tem certeza? — ela ainda estava apreensiva.

- Claro! Não causará incômodo nenhum. Tenho certeza de que

meu pai gostaria de conhecer a sua filha! E, amanhã, quem sabe

vocês possam se encontrar novamente!

Eu sorri afirmativamente para o Tom, encorajando-o.

Houve mais uma pausa até ela milagrosamente responder:

- Está bem.

Eu suspirei aliviada e ele roubou um selinho meu ao desligar

o telefone, após agradecer gentilmente.

- Como você consegue? — perguntei, impressionada. — Você

precisa me ensinar!

Ele deu seu sorriso torto e deu de ombros.

- É um dom.

- É, eu já percebi esse dom há algum tempo.

Eu tinha me esquecido completamente da presença

desagradável da Erika, até ela aparecer na nossa frente.

- Ora, ora! Agatah, você no Fingers! E o Tom se rebaixando

ao seu nível… uma pena — disse Erika com desprezo.

- Olá, pulguenta! Sabia que é proibida a entrada de animais?

- disse Victoria, rindo.

Eu sorri falsamente para ela.

- É mesmo? Estranho, porque estou vendo uma piranha e

uma vaca bem na minha frente.

Elas fizeram uma cara de ofendidas.

- Como ousa…? — começou Erika.

- Erika — cortei-a -, por favor, volte para o seu pasto e nos

deixe em paz. E eu não sabia que piranhas podiam trair

alguém… ah é, esqueci que elas não têm sentimentos.

- Sua gata sarnenta… — rosnou Victoria.

- Eu sei o que vocês querem, e não vão ter — cuspi. — Acho

que vocês não vão conseguir ele tão cedo assim.

- É o que nós vamos ver. — E com essa frase "de dar medo"

pairando no ar, elas foram embora rebolando para uma mesa

bem ao longe. Graças a Deus.

- Uau. — Tom parecia impressionado.

- Obrigado — agradeci sorrindo, meio sem jeito. Eu sempre

quisera fazer aquilo! Foi uma sensação ótima, todos deveriam

experimentar. — Minha mãe deixou! Meu Deus… isso sim é

impressionante. E ela era amiga do seu pai!

- Pois é — riu-se ele. — Isso foi surpreendente!

- Eu nunca imaginaria…

- Aqui está a comida de vocês — anunciou o garçom,

servindo o nosso prato. Era uma comida típica alemã, e

eu não pude deixar de rir para o Tom.

- Sua mãe também é alemã?

- Na verdade, não. Meus pais se conheceram no Brasil,

muito antes da gente ir morar na Alemanha e eu nascer.

Aí eles quiseram se mudar para cá recentemente, minha

mãe queria montar um restaurante… e eu adorei a ideia,

é claro, como eu tinha dito. Eu odiava a fama de "filho do

Jason".

Eu sorri compreensivamente para ele. É claro que ele se sentia

incomodado com isso; quem não se sentiria?

- E então você veio para cá e eu tive a sorte de te conhecer —

comentei.

- Na verdade, eu tive essa imensa sorte — contrapôs ele

teimosamente.

Eu revirei os olhos.

- Que filme nós vamos assistir? — perguntei, servindo um

pouco de linguiça no meu prato. Acabara de perceber que

meu estômago reclamava de fome, mesmo depois de todos

aqueles acontecimentos.

- Não sei… qual você quer?

- Deixe-me ver… — Pensei em milhões de filmes que eu já vira

ou gostaria de ver. Eram milhares. Sugeri o primeiro que veio

em minha mente. — O que você acha de Harry Potter?

Ele sorriu para mim, aprovando a minha sugestão.

- Com certeza. Eu adoro essa série! Mas… qual filme você quer?

Eu dei de ombros enquanto experimentava a comida.

Era sensacional!

- Meu Deus! Não é à toa que esse restaurante é tão

famoso!

Eu gemi saboreando a deliciosa e divina comida,

pensando como a minha futura sogra cozinhava

perfeitamente… O Tom riu da minha cara de prazer

e se serviu também.

- Escolha você qual dos filmes — disse após engolir

aquela gostosura. Deuses!

Ele comeu a primeira garfada e sorriu para mim,

fazendo uma cara de aprovação.

- Talvez o segundo, da câmara secreta? — sugeriu ele.

- Pode ser — Lembrei-me de que aquele era o mais

assustador. Ótimo, seria mais uma perfeita desculpa

para ficar agarrada com ele e… nossa, como a minha

mente apronta comigo! Eu sacudi a cabeça para me

afastar daquelas imagens tentadoras e mudei de assunto.

- Então, se você cozinha como a sua mãe… já estou te

aceitando para o casamento!

Ele riu gostosamente. Como a sua risada era perfeita!

Eu comi demoradamente a minha comida, apreciando-a.

Ficamos por um minuto em silêncio e, impressionantemente,

eu não me incomodei. Era reconfortante.

- Sabe, com você aqui do meu lado, eu quase me esqueci

da festa Kington! — confessei. — Vai ser amanhã… meu Deus!

- Eu também! — riu-se ele.

Subitamente, ele pareceu se lembrar de alguma coisa

importantíssima e deixou o garfo cair em seu prato, com

um baque que me assustou.

- Meu Deus! — exclamou ele, colocando a mão na testa,

surpreso. — Eu me esqueci! A Fernanda avisou que a

Marcela vem pra casa amanhã de manhã!

Eu olhei boquiaberta para ele e arfei, perplexa.

- O quê?! A sua prima?

Ele olhou para mim como se desculpasse sinceramente.

- Eu tinha me esquecido! Me desculpe, Agatah! Eu não

imaginava que seria no mesmo dia…

Eu sacudi a cabeça, sem conseguir acreditar no que

estava acontecendo. Como assim? A Marcela, de quem

eu morria de ciúme sem mesmo a ter visto uma vez na vida…

e eu já teria que aturá-la durante a festa e dividir o meu namorado!

- Eu simplesmente não consigo acreditar…

- Não há motivos para se preocupar, Agatah. Você é a minha

namorada agora. Nada vai nos impedir — reconfortou-me Tom.

- Ela não pode… ah, Tom, jura que não me trocará por ela? —

pedi quase chorando. Inferno, Agatah, por que diabos você

está chorando? E na frente do seu namorado?!

Eu tentei segurar o choro com todas as minhas forças.

Simplesmente não tinham razões para eu chorar, não

naquele momento… e eu não precisava me importar com

a prima idiota dele. Eu tinha que aceitar isso; ainda haveria

muitos obstáculos a enfrentar se eu realmente quisesse ficar

com o Tom, principalmente o Tom filho do Jason Mars.

Eu olhei para o meu namorado, meio que envergonhada

pela minha reação. Ele sorriu gentilmente para mim, limpou

uma lágrima no meu rosto e me aconchegou em seu peito macio.

- Obrigada — agradeci numa voz embargada. Eu ainda não

sabia o motivo pelo qual eu chorara, mas aquilo apenas

confirmou o meu profundo receio de perdê-lo.

- Eu nunca vou te trocar por garota nenhuma — prometeu ele.

- Muito menos te magoar com outro alguém.

Eu sorri e me perguntei se aquela promessa seria realmente

cumprida, e eu desejei com todas as minhas forças que sim.

- Você não deve se preocupar com qualquer coisa que a

Marcela disser ou fizer, promete?

- Prometo.

Notas finais
Boa volta às aulas! E boa sorte para todas vocês encontrarem o seu próprio Tom!O que vocês estão achando da minha fanfic???