Notas iniciais
Hey, parece que estou viciada em Germangie. Espero que gostem.

Angeles Carrara, 22 anos, menina bonita dos olhos puros, coração cheio de amor e sempre tão feliz por tudo e todos, porque pessoas assim sempre tem que ter seu coração partido? E lá estava ela, caminhando sem rumo pelas ruas de Buenos Aires, no momento ela gostaria de sumir, ah sim, para um lugar bem distante, onde todos aqueles sentimentos ruins que a dominavam sumissem e ela pudesse apenas fechar os olhos. Mas que tola era ela, o mundo real era cruel e doía, e a única coisa que ela poderia agora, seria beber.

Garçom
Aqui, nessa mesa de bar
Você já cansou de escutar
Centenas de casos de amor.

-Sabe, eu só queria entender. –Ela disse enquanto grossas lágrimas escorriam por sua face.

-O que gostaria de entender? –Perguntou o garçom olhando aquela menina a sua frente, a verdade é que ele estava cansado de ouvir histórias fracassadas de amor, mas aquela garota o intrigava, ela parecia tão certa, por quê diabos alguém a faria sofrer?

-Porque ele fez isso? A gente era tão feliz. –Deu de ombros.

-Como é o seu nome? –O homem se sentia preso a aquela mesa, ele tinha certeza que se tivesse alguma chance que fosse de tê-la nunca a abandonaria.

-Angie. –Soluçou e o encarou. –E o seu?

-Germán.

Garçom
No bar todo mundo é igual
Meu caso é mais um, é banal
Mas preste atenção, por favor.

-Eu sei que não deveria te alugar assim, todo mundo aqui sofre por alguma coisa. –Ela só queria alguém que a escutasse.

-Tudo bem, sabe não se sinta ofendida, mas casos como o seu já escutei aos montes. –Ele foi sincero.

-Eu sei... O meu é só mais um como qualquer outro por ai. E isso não significa que aquela senhora não esteja sofrendo menos que eu, mas parece tão avassalador que me faz sentir péssima. –Ela o encarou, ele podia prever que aqueles olhos de um azul viciante já tiveram dias melhores.

-Tudo bem... Me diga, o que te deixa tão mal? –Ele indagou curioso.

Saiba que o meu grande amor
Hoje vai se casar
Mandou uma carta pra me avisar
Deixou em pedaços meu coração

-Ele me esqueceu tão rápido, que as vezes chego a duvidar se ele me amou de verdade. –Ela disse, já não chorava mais, porém se encontrava completamente bêbada. Já devia estar em sua quinta dose de alguma bebida, que nem ela mesmo sabia dizer qual era.

-Posso te dizer uma coisa? –Ele pediu permissão, ele só era um garçom ali.

-Claro.

-As vezes isso pode ter sido algo com... Você só ainda não pode perceber, querida não tem noção de como é bonita, e se não deu certo, é porque ele definitivamente não te merecia. –Germán a encarou, o rosto da mulher a sua frente estava pensativo.

-Será que um dia eu vou perceber o que pode haver de bom nisso?

-Nada dura para sempre... E eu tenho certeza que um dia sua história, vai ser só mais uma história entre tantas. –Ele a amparou.

E pra matar a tristeza
Só mesa de bar
Quero tomar todas
Vou me embriagar
Se eu pegar no sono
Me deite no chão

-Acho que você já bebeu demais. –Germán encarou a mulher que virara mais uma dose.

-Sabe... Me trás mais uma, e fica com isso aqui. –Ela pediu e entregou a chave dela nas mãos dele. –Se eu dormir, me deite no chão ali fora e coloque isso no meu bolso, amanhã eu me ajeito.

-Tudo bem... –Ele disse e saiu.

Garçom, eu sei
Eu estou enchendo o saco
Mas todo bebum fica chato
Valente, e tem toda a razão

-Você deve estar rezando para esse bar fechar logo, e você nunca mais me ver na vida. –Angie disse gargalhando alto. Germán sorriu, não saberia explicar o que o atraia tanto naquela mulher, seus olhos, seu rosto angelical, a maneira como se portava quando estava bêbada, sem vulgaridades e com um bom humor que ele realmente não sabia de onde vinha.

-Nunca. –Ele respondeu sorrindo e observou ela fazer cara feia para um cara bêbado que disse alguma gracinha.

-Fique aqui, vou buscar uma água para você. –Ele se retirou.

Garçom, mas eu
Eu só quero chorar
Eu vou minha conta pagar
Por isso eu lhe peço atenção

-Eu não quero isso. –Angie bateu pé e empurrou para longe a água que Germán havia ido buscar.

-Por favor. –Ele pediu.

-Olha, eu tenho dinheiro aqui, e vou pagar tudo o que eu bebi, me traga mais. –Ela disse e voltou a chorar.

-Não chore de novo. Por favor. –Ele pediu. –Bebe a água, você está muito, muito bêbada.

-Ele não podia ter feito isso. –Ela disse e começou chorar mais e mais.

Saiba que o meu grande amor
Hoje vai se casar
Mandou uma carta pra me avisar
Deixou em pedaços meu coração.

-Ele casa hoje. –Ela disse.

-Eu sei, e te mandou uma carta. –Germán disse enquanto a ajudava a beber a água.

-Acho que eu nunca mais vou me recuperar. –Ela soluçou o encarando.

E pra matar a tristeza
Só mesa de bar
Quero tomar todas
Vou me embriagar
Se eu pegar no sono
Me deite no chão

-Olha, o meu turno já está quase acabando, se esperar um pouco eu te levo na sua casa. –Germán disse enquanto passava pela mesa dela.

-Me deita ali fora, eu quero ficar ali. –Ela disse autoritária e tombou a cabeça na mesa.

Saiba que o meu grande amor
Hoje vai se casar
Mandou uma carta pra me avisar
Deixou em pedaços meu coração.

Angie não sabia de mais nada, seu coração estava em pedaços e sua alma pesada, sua cabeça latejava e seu corpo estava mole, só conseguia fantasiar seu ex entrando na igreja, feliz ao lado de outra mulher, e via a si própria se arrastando no chão da igreja, pedindo, implorando para que ele não fizesse aquilo. Ela nunca se rebaixaria a tanto por alguém, mas por um momento aquilo lhe pareceu uma saída e tanto, se levantou cambaleando e riu por estar tão estupidamente bêbada, se aproximou de Germán e lhe entregou um bolo com algumas notas de dinheiro. Germán observou a mulher lhe estender aquilo e o pegou devolvendo-o ao bolso dela. Se sentia mal por aceitar o dinheiro de uma pessoa no estado em que ela estava, se fosse assim, ele deixaria todo mundo sair de graça, mas ela era diferente, ela era especial, e ele tinha vontade de curar todas as mágoas dela, até não sobrar nem uma.

E pra matar a tristeza
Só mesa de bar
Quero tomar todas
Vou me embriagar
Se eu pegar no sono
Me deite no chão.

Germán terminou seu turno um pouco triste, Angie havia desaparecido e ele tinha a impressão de nunca mais poder vê-la. Era engraçado o quanto aqueles olhos tinham mexido com ele, ele nunca levava tão a sério as histórias que lhe eram contadas ali naquele bar. O que mais o preocupava era que ele havia ficado com a chave dela, para onde ela iria, passaria bem a noite? Quando saiu se surpreendeu ao encontrar a loira sentada no chão, com os olhos fechados e parecia respirar tranquilamente. Sobre sua perna havia um papel, ele o pegou curioso, e leu naquela caligrafia caprichada e bem desenhada. “Se eu pegar no sono, me deite no chão. Você ficou com as minhas chaves.” Ele sorriu e balançou negativamente a cabeça e se abaixou ao lado dela, a pegou em seus braços e caminhou em direção a seu velho carro que estava a algumas ruas dali.

-Centenas de casos de amor. –Ele disse e sorriu a observando. –Nenhum tão importante como o seu.

Notas finais
Comentários e Críticas são bem vindos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!