Notas iniciais
Há uma sombra em todos nós. Uma sombra que nunca nos abandona... “- Fuja!!!Garlock fuja!!! Eles querem você! - Não!!! MÃE!!!! O sangue escorria de seus ferimentos. Sua carne, lacerada pelas lanças dos caçadores de vampiros, já não mais a sustinha em pé. Eu ainda pude ver sua execução. Pude vê-los cravando a lâmina sagrada em seu peito e retirando seu coração com ela. Era terrível.” Quando tudo falha, só restam trevas... e no escuro, é difícil decidir o que é melhor... “ - Senhores, estamos reunidos hoje para decidir uma missão de espionagem.” Quando a morte sonda as almas dos homens, quem pode impedir que alguém se erga e se revolte? Quem pode aplacar a dor de um coração solitário? Quem pode saber do que é capaz, ante o que já não se lembra? “Minha mente foi em direção ao passado e imagens nebulosas se formaram em minha mente. Uma casa branca, pequena. Uma sombra na janela. Uma menina de olhos chorosos... raios... chuva... gritos... gosto de sangue... ruflar de asas... uma menina grita e uma voz sussurra uma benção...” Quando a mente quer se lembrar, não há quem possa impedir. Cada homem deve trilhar o seu caminho, seja ele de alegria ou de sofrimento. Mas... O que fazer quando seu caminho se perde? Quando a razão de existir muda? O que fazer... Quando não se é mais o que era? O que fazer... quando a vida lhe dá um novo começo?

A chuva caía copiosa do lado de fora do castelo. Raios riscavam o céu enquanto trovões ribombavam como explosões. Como se o próprio céu protestasse com o que acontecia lá em baixo, protestando contra o caos e os gritos de batalha que ecoam do castelo de Impéria. Não fosse o temporal que desabava, o castelo seria uma visão divina e imponente, mas com o tempo, parecia que todo o mal da Terra havia se refugiado dentro de suas paredes, parecia que o mal habitava aquele lugar. Uma multidão tentava entrar no castelo pela porta da frente enquanto gritos são ouvidos dentro do castelo, ecoando nas paredes e no teto, invocando mais e mais guardas. Três guerreiros se entreolham e, enquanto os três corriam pelo castelo, esbaforidos pareciam se mirar em uma esperança para não cair de cansaço. Suas armaduras estavam danificadas, suas lâminas apresentavam dentes e lascas, eles estavam suados, cansados, arfavam, seus passos apesar de serem ininterruptos, já começavam a vacilar, mas eles não paravam. A determinação em seus olhos era como uma chama que iluminava suas almas. O rapaz que liderava o trio arfava enquanto corria. Seu cabelo negro, amarrado em um rabo de cavalo, voava e chicoteava atrás dele. As outras duas o acompanham um pouco atrás. Uma, menor que o homem, de cabelos curtos e luzes verdes, empunhava uma espada curta e uma adaga curva, enquanto a outra, de cabelos longos e azuis, maior que os dois, empunhava uma cimitarra. Nenhum deles queria falar nada, mas então a menor, impaciente, falou:

– Quanto mais Ryu? Onde está o maldito?

– Não falta muito Luccia! Nós logo estaremos na sala do trono!

A maior então, depois de passarem mais uma curva e deixarem no chão mais alguns soldados, disse:

– Me surpreende o número de soldados imperiais que o apoiou! Que magia ele usou?

– Ouro Ryoko! O melhor persuasor que existe! Agora corra! Ele não vai ficar nos esperando eternamente!

Eles continuaram correndo, até que se viram em um corredor iluminado apenas pela luz dos trovões e eles pararam de chofre, arfando. À sua frente uma porta de carvalho se erguia imponente no outro extremo do corredor. Eles apenas trocaram olhares e então, tomando um longo fôlego, correram novamente. Seu inimigo os aguardava, mas quando chegaram ao meio do corredor foram surpreendidos por um som estrondoso do ribombar de um trovão, ao mesmo tempo em que uma das janelas se espatifava com a chegada de um intruso, espalhando cacos de vidro, gotas de chuva e penas para todos os lados. Os três pararam e prepararam as armas. Agachado, pensativo, o recém-chegado se erguia lentamente. Suas quatro asas, duas de penas, brancas como asas de águias e duas de pele, prateadas como a luz das estrelas, farfalharam uma vez e se ajeitaram em suas costas. Seus olhos verdes se abriram lentamente e, de igual forma, se postaram nos três guerreiros. Ele segurava uma espada brilhante, larga, de lâmina perolada. Por alguns segundos eles se encararam, mas logo o recém-chegado se vira e se encaminha para a porta, para espanto dos guerreiros. Ele alcança as portas, no mesmo instante em que os outros três saem de seu torpor e recomeçam a correr, mas ele já tinha entrado e, para assombro maior dos três guerreiros, havia no trono outro, igual na aparência, mas diferente na aura. Suas asas eram negras, tanto as de penas quanto as de pele, sua espada, desembainhada em cima do colo, era vermelha, assim como seus olhos, e ele sorria para o recém-chegado. Quando ele falou, sua voz era rouca e cheia de ironia.

– Oras... vejam quem retornou dos mortos... Seja bem vindo, Garlock Galahad.

Garlock respondeu ao olhar do outro, sua voz, apesar de soar calma à primeira vista, reverberava como um trovão, cheia de ira.

– Espero que tenha feito suas preces Sckarion... Pois hoje é seu último dia!

O outro gargalha e, em resposta, dispara do trono como um míssil, num vôo rasante, em direção a Garlock. Suas espadas colidem enquanto Galock abre as asas para amortecer o impacto e uma onda de choque derruba os três guerreiros no chão, ao mesmo tempo em que quebra todas as janelas do aposento deixando entrar um vento tempestuoso na sala do trono. A luta é feroz e violenta, as espadas se movem tão rapidamente que suas lâminas parecem apenas borrões perolados e vermelhos. Mas logo Sckarion começa a levar a melhor. Sua espada se movendo ainda mais rápida e, finalmente, com um ataque forte e devastador, Garlock cai, mortalmente ferido, e o riso de Sckarion ecoa por todo o palácio, vitorioso.

"E assim eu acordo, suando frio, ao som de um trovão. Tudo não passou de um sonho... Apenas um mau sonho. Me sento na cama e me ergo, olhando pela janela a chuva que cai e parece querer inundar a cidade. O sentimento de urgência me enche e olho para o canto onde minha espada Katana permanece descansando. Um brilho velado escapa pela bainha e eu suspiro. No reflexo da janela, um par de olhos vermelhos e uma vasta cabeleira branca me encaram de volta. Suspiro. Ainda tenho muito trabalho para fazer..."

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