Nunca, nunca mesmo fiquei tão entediada quanto agora, eu devo ter dormido e acordado umas 10.000 vezes e ainda estou aqui nesse avião sem ter nada pra fazer a não ser ver filmes chatos que já passaram na tevê tantas vezes que eu até decorei as falas.

E o pior de tudo é que não estamos nem na metade do caminho.


***


–Senhores passageiros: dentro de alguns minutos aterrissaremos em Seattle. Afivelem os cintos, mantenham o encosto dos seus assentos na posição vertical e verifiquem se suas mesinhas estão fechadas e travadas.


Acordo com o piloto falando. Até que enfim, nunca pensei que iria demorar tanto.

Charlie já me esperava, entreguei o carrinho com as minhas malas a ele e o segui até a sua viatura. Bem que ele podia vir em outro carro, sei lá, mas vir de viatura é UÓ todo mundo vai ficar olhando enquanto nós passamos.

O tempo estava igual ao da Itália frio e chuvoso, adeus sol, adeus tempo quente e tudo o que eu tinha na Itália. Pensando bem, não acho que dessa vez Renée vá me deixar voltar tão cedo, eu aprontei demais, mas quem garante que aqui eu vá ficar quieta? Só porque Charlie é o chefe de policia daqui? Ela está redondamente enganada!


–Bella é você já pode ir pra escola amanhã se quiser.

–Claro.


Ótimo quanto mais cedo eu for pra escola mais cedo eu acabo com todos e Charlie me manda de volta. Descemos do carro e vi um garoto muito lindo, moreno alto bonito e sensual, brincadeira a parte do sensual, de frente a nossa casa com a cara emburrada.


–Oi Jacob, o que aconteceu?

–Meu pai me mandou avisar que hoje todos vão se reunir pra ver a final de algum jogo lá em casa. E mandou perguntar se você vai.

–Não sei Jacob, minha filha acaba de chegar e eu não quero deixá-la sozinha. — Até agora o tal de Jacob ainda não tinha me visto

–Ah oi — Um sorriso dominou sua face — Sou Jacob você é a Bella não é? Charlie falou de você, mas eu tinha me esquecido que você chegava hoje.


Legal eu sou tão importante que até um garoto qualquer se esquece de mim.


–Oi, sim eu sou a Bella — dei um sorriso sem graça – Pai, pode ir não me importo que você vá ver...?

–A final de Basquete.

–É pode ir, depois eu tenho que arrumar minhas coisas. — Sou ótima pra inventar não? Vou sair e ver a cidade. Depois vejo o que faço com as minhas coisas.


Charlie pensou um pouco depois assentiu.


–Se quiser eu fico aqui com a Bella Charlie. – Jacob disse

–Não pre....

–Ótima ideia Jacob! -Charlie me cortou e ficou feliz com a ideia do Black, mas eu vou me vingar desse garoto por pensar que pode ser meu babá.



Depois de ser obrigada a passar à tarde com Jacob decidi ir pro meu quarto fiquei lá deitada vegetando a tarde inteira, o idiota ficou tentando falar comigo a tarde toda e eu simplesmente o ignorei. Aos idiotas o meu silêncio. Quando Charlie chegou Jacob estava na sala e eu continuava no quarto, só que ouvindo música, e pensando e novos passos de dança, como eu disse sou gogo girl.



Charlie veio falar comigo, mas fingi que estava dormindo.

Aos idiotas o meu silêncio²


Quando amanheceu o frio era enorme, essa cidade só não faz mais frio do que o Alasca por falta de espaço. Ò cidade pequena viu. Levanto-me e vou me vestir. Charlie não vai me levar e tenho que ir andando ótimo, mas é melhor ir andando do que ir no carro de policia, ta que na Itália eu vivia sendo levada pra casa no carro da policia, mas é porque eu estava encrencada e não por ser MEU PAI me fazendo um favor


–Bom dia filha. — Diz Charlie quando chego à cozinha.


Bom dia? Quando for de tarde te falo se foi bem mesmo.


–Bom dia. — Sabe quando você não tem um pingo de vontade de falar? Então eu estou assim.



Abro o armário da cozinha e vejo o que tem dentro, ao que parece alguém fez compras e pegou tudo o que um adolescente gosta. Pego uma caixa de barra de cereais e tiro de lá, pego cinco barras e deixo a caixa em cima da mesa e saio sem dizer tchau. Ótimo chuva. Alguém me leva de volta pra Itália, por favor, dou um doce pra quem fizer isso.

Olho para o caminho e saio correndo. Na metade do caminho a chuva para e eu estou completamente encharcada, meu tênis um All star preto tem mais água dentro do que um rio. Minha calça jeans cinza clara está cinza escuro e é difícil andar com ela grudada em mim, a única coisa que se salva em mim é minha camiseta da banda Atreyu, mas é só porque a jaqueta de couro que estou usando é impenetrável, acho que se alguém atacar um míssil em mim não vai ter qualquer efeito sobre mim.

A rua está completamente cheia de poças d’água e me vem um carro, mais especificamente um volvo prata e joga água em mim. E o que restava da minha paciência vira pó.


–Seu infeliz! Filho de uma renegada vem aqui pra eu te dar uma surra!


E o inacreditável acontece, o carro para e volta de marcha ré. Ótimo agora eu estou ferrada.


–Me desculpa eu não vi você. — Um garoto loiro de topete maior do que o do Elvis fala.

–Não te perguntei se você não me viu, o que interessa é que você jogou água suja em mim! E agora eu não posso ir pra escola molhada — Ta eu já estava encharcada, mas ninguém precisa saber disso certo?!


O garoto olhou para o lado passageiro do seu carro e falou com alguém, a porta abriu e de dentro saiu um cara, e como se diz os mexicanos: Ai caramba! O cara tem cabelos curtos e um tamanho assustador, mas muito lindo.


– Entra ai que a gente te da uma carona pra escola. — O topetudo falou

–Vai a merda! Até parece que eu vou entra nesse carro. Vou pra casa.


Minha vontade é de entrar, mas não! Nem conheço os caras. E depois o que eu vou fazer na escola encharcada pegar uma gripe que vai me matar futuramente? Não. Vou pra casa que eu ganho mais. Eles ficaram parados por um tempo, talvez esperando eu voltar chorando e pedindo pra eles me levarem. Estão enganados se pensam que eu vou fazer isso.

–Merda de cidade viu!


***

Minha cama estava praticamente implorando pra eu ir me deitar nela, mas a cidade me chama baby.

Já são 3 da tarde e o "centro" esta vazio, não tem quase ninguém, cadê os adolescentes que gostam de cabular aula? Cadê as pessoas se esbarrando e sendo ignorantes, indo pra lá e pra cá resolvendo problemas?

Vou pra uma pracinha que tem ali, e vejo três caras de provavelmente 22 anos sentados nos balanços fumando. Devo admitir que é impossível dizer qual é o mais bonito. Dois deles são morenos e fortes com cabelos curto e pretos, o outro é branco alto forte, o seu tamanho me lembra o garoto do carro, seu cabelo curto do mesmo modo do garoto do carro.

Me cento em um dos bancos e fico aproveitando o pouco de sol que tem. Fecho os olhos e fico com a cabeça jogada para trás.



–Esse sol é bom não é? — Uma foz rouca fala ao meu lado.

–Sim, pena que é pouco. — Digo ainda de olhos fechados.

–Você é nova na cidade não é? — Outra voz pergunta

–Por quê?

–Pra não ter se acostumado com isso, só pode ser nova.


Abro meus olhos e vejo que são os mesmos caras que estavam no balanço.


–Sou sim.

–Ah... Você é a filha do Chefe Swan não é?

–Sou sim... Isabella Swan, mas me chame de Bella.

–Claro! Meu nome é Felix, esses são Quil e Embry — Disse apontando para cada um.

–Você não devia estar na escola? — Embry pergunta.

–Devia, mas um idiota jogou água em mim ai eu desisti.


Eles riram.


–A gente também devia, mas a escola de La Push tá um saco essa semana. — Diz Quil.



Arregalo meus olhos.


–Quantos anos vocês tem?

–Embry e eu temos 16, mas o Felix tem 20


Meu queixo vai ao chão, eu daria todos os doces que eu tenho escondido apostando que eles têm mais de 22, olha o tamanho deles.



***

Quil, Embry, Felix e eu ficamos muito tempo conversando, tanto tempo que eles tiveram que me levar pra casa, já que estava escuro. Minha sorte é que Charlie ainda não havia chegado em casa. Nós combinamos de nos encontrar amanhã no mesmo lugar, e descobri que eles são como eu, adoram zuar.

Quando Charlie chegou, comeu e foi dormi, apenas perguntou se meu dia tinha sido bom e eu disse que sim, acho que ele teve bastante trabalho hoje, incrível não? Uma cidade pequena pode dar trabalho. Irônico!


Notas finais
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