Garotos educados não dizem "Adeus"
1 Começando pelo final
Notas iniciais
Antes que você leia a história, devo dizer que eu morro no final. É um tanto estranho começar algo por onde deveria acabar, como se estragasse a grande surpresa, mas esse não seria o fim de todos nós? Mas se você está se perguntando do que vale uma história se já sabemos de seu fim, devo lamentar, afinal para alguém contar algo, não se dá por onde acaba e nem por onde começa, e sim por onde ela segue. Boas histórias não precisam nem ao menos de um final, mas não estou garantindo que essa seja uma boa história, muito pelo contrário.
Sim, eu me chamo Miguel, quando tudo acabou eu tinha meus dezesseis anos e acabei como um suicida, resumindo-se a um número de mortos por tal causa em algum jornal, pois nem os locais me deram atenção, outro jovem morto não é o tipo de assunto que eles querem exatamente fazer alarde, infelizmente está cada vez mais comum.
Fui muito cedo, não deixarei saudades, só para pessoas próximas. Quero dizer, não deixei um livro genial, uma atuação genial, uma bela música para reconfortar e nem uma descoberta científica, nunca saberei como é estar totalmente livre e dependente apenas de mim, enfim, sou apenas um garoto normal que se foi.
Não vou pedir que evite julgamentos, é quase automático, mesmo que não perceba que está julgando, pois é uma defesa natural, para saber se deve ou não confiar em alguém. Eu só estou começando uma história por onde acho que devo começar, não sei se levará isso para a vida ou apenas se esquecerá de tudo que falei.
Eu sou Miguel, tenho dezesseis anos, uma breve história sem sentido e estou morto.
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