Garotos

31 Capítulo 26 . O Garoto que Vivia nas Sombras


Notas iniciais
Aye, guys /morre/ eu... Desculpem... Tantos coreanos. Sério, eu fiquei muito preguiçosa para escrever depois que conheci kpop. Minha vida é uma droga por causa deles e eu amo eles ;; eu passei a tentar aprender a dançar e aprendi Why So Serious, do SHINee ;;
But anyway, aqui está o novo capítulo. Prometo responder todos os comentários um dia e eu provavelmente vou demorar com o próximo porque eu sou uma preguiçosa. Me desculpem, eu sou péssima nisso ;; amo vocês!
Vou tentar ser um pouco mais ativa, porém.
BÔNUS: uma leitora linda fez um cosplay lindo de um dos personagens lindos da fic ♥ ela fez um cosplay do Henry, do clube de ocultismo. LINDA ESSA YUNI! http://takoyaki-kun.tumblr.com/image/56705255465

Ah, e eu mudei o título do capítulo ;;

Boa leitura!

Tema: Idol.

O laboratório estava escuro e silencioso, uma vez que as cortinas estavam completamente fechadas e o horário de aulas já havia acabado. Os dois garotos lá dentro sabiam que, logo, teriam que deixar o prédio, mas tentavam aproveitar ao máximo o pouco tempo que tinham juntos. Alma deixou que as mãos fortes de seu namorado acariciassem-lhe os cachos de louro claríssimo, enquanto as pequenas mãos do garoto subiam e desciam as costas másculas alheias.

Alma admirava o corpo de seu namorado, pois era tão diferente do seu. O menino tinha um porte mais feminina, com a cintura fina, a estatura mais baixa, o quadril um tanto mais largo e os olhos mais redondos e azulados que qualquer outro, enquanto Kibum tinha um rosto quadrado e músculos mais definidos, as costas largas e era certamente muitos centímetros mais alto que Alma.

Gostava, então, de seu toque. Era algo que lhe queimava a pele e fazia-lhe os pelos eriçarem. Causava-lhe excitação e desejo mais que qualquer outro. Seus beijos eram como pequenas chamas sobre seus lábios rosados e apenas eles conseguiam fazer sua boca soltar sons ao qual não estava acostumado.

– Ah! – deixou escapar assim que as bocas separaram-se em busca de oxigênio. Estava com os olhos fechados até então e abriu-os apenas um pouco, a fim de mirar o rosto de seu namorado. Este mordia o lábio inferior, enquanto o peito subia e descia rapidamente.

Ficaram observando-se por longos minutos, saciando o desejo que tinham de apenas se ver. Haviam passado dois dias separados, e a abstinência do corpo, da visão e do toque alheio estava em níveis elevados. Assim que a respiração de Kibum voltou ao normal, o garoto deu um meio-sorriso, enquanto sua mão tocava o peito de Alma, empurrando-o ligeiramente para trás, sobre a mesa do laboratório. Alma, por sua vez, permitia-se deitar, sorrindo para Kibum sedutoramente, a fim de fazê-lo sentir ainda mais desejo. O fato era que o menor sabia que o outro sentia necessidade de tê-lo, que seu corpo fazia com Kibum as mesmas coisas que o do outro causava nele. E Alma sentia a necessidade de aumentar os níveis de desejo de Kibum em relação a ele.

Era como um instinto em verdade. Um instinto de proteção que tomava cada pedaço do corpo de Alma, porque ele queria proteger o que era seu naquele momento: Kibum, um dos ídolos mais cobiçados da Coreia do Sul e do mundo.

Alma já estava deitado sobre o tampo frio da mesa de mármore quando o sinal do colégio tocou e a voz masculina de um professor anunciou:

– Atenção, alunos, os horários de aula e de clubes está encerrado. Por favor, voltem aos seus dormitórios. Atenção, alunos, os horários de aula e de clubes está encerrado. Por favor, voltem aos seus dormitórios. O horário noturno começará em breve.

Quase imediatamente, Kibum levantou-se de cima do garoto, pondo-se de pé na sala. Ele estava ligeiramente descabelado, com a boca vermelha, os primeiros botões da blusa abertos e com um visível volume na calça, mas, em pouco tempo, consertou tudo mirando-se em um dos espelhos da sala. Alma, por sua vez, ainda estava deitado, observando-o arrumar-se tão rápido e tranquilamente como se nada houvesse acontecido.

Era sempre assim.

Kibum sempre se virava e dizia com o mesmo sorriso nos lábios finos:

– Vamos, Alma? O professor já mandou o aviso.

Na frase, estava implícita outra que machucava o coração do menor profundamente: “tenho que manter minha imagem de aluno impecável”. Para Kibum, tudo não passava de manter a imagem, porque ele era um ídolo famoso no mundo, porque sempre haveria boatos sobre ele, porque os paparazzi não pensariam duas vezes antes de contar ao mundo que ele namorava um garoto e fazia sexo com ele depois das aulas.

A imagem de Kibum era mais importante que qualquer outra coisa. Inclusive seu relacionamento.

Alma sentia seu coração quebrar-se sempre que pensava nisso, pois ele podia ver em sua mente tantas pessoas mais interessantes próximas a Kibum, enquanto este sorria e dizia:

– Ele? – o dedo apontado para Alma. – Quem é ele? Um ninguém.

Um completo ninguém, que não parecia ser valorizado nem mesmo pelo namorado, uma vez que este mantinha tudo em segredo de todos. Ninguém podia saber sobre eles, e Alma já estava ficando cansado daquilo: de nunca poder beijar Kibum quando ele quisesse, de nunca poder segurar sua mão enquanto caminhavam, de nunca poder ficar muito próximo a ele porque havia garotos e fãs demais à sua volta.

Kibum era um ídolo, e Alma não tinha como mudar isso. Então, ele apenas levantou-se da mesa, ajeitou as roupas e o cabelo e saiu do laboratório em direção ao seu dormitório. Aquela noite, ele iria apenas dormir.

Alma arrumou sua mochila bem cedo no outro dia. Colocou os livros e os cadernos e a pôs sobre os ombros. Seu colega de quarto ainda estava dormindo, de forma que o garoto abriu a porta silenciosamente e, pé-ante-pé, saiu do quarto.

Do lado de forma, o sol invadia o corredor, inundando-o em luz matinal. Alma respirava fundo, absorvendo os odores frescos da manhã enquanto caminhava pelos corredores vazios de início de dia. Todos ainda dormiam, esperando os despertadores tocarem sons infernais, mas Alma acordava quando o sol raiava, quando seu corpo respondia automaticamente a ele que já era dia.

As portas dos dormitórios deixavam o ar fresco entrar, e Alma correu até o lado de fora, inspirando o máximo de ar puro que conseguia. Seus cabelos louros eram levados pela brisa, e, logo, o garoto foi sentar-se em um banco próximo à maior árvore dos arredores do prédio. Aquele era um ponto de encontro entre ele e seu namorado. O fato era que ninguém iria a um lugar tão longe tão cedo, então eles estariam seguros.

Alma podia sentir seu coração bater forte no peito. Era sempre assim. Ele sempre ficava nervoso, com o coração prestes a explodir, como se espancasse sua caixa torácica. Sentia-se assim não porque iria encontrar-se com Kibum ou porque ficava imaginando beijos entre eles. Alma tinha medo de que Kibum não fosse encontrar-se com ele. Medo de ele o ter deixado. Medo de ser trocado.

Medo de perdê-lo.

Ele tinha que respirar fundo várias vezes enquanto esperava, em uma tentativa inútil de acalmar seu coração. Mas nunca conseguia o efeito desejado, movimentando as pernas a todo instante em uma típica demonstração de que estava nervoso. Mais do que nervoso, com medo.

Por fim, roeu as unhas. Estas estavam ligeiramente destruídas pelo fato de o garoto sempre as roer quando estava nervoso e com medo, o que era frequente desde que começara a namorar Kibum. Sabia que talvez aquele relacionamento o estivesse destruindo lentamente, mas ele não conseguia parar de repente. Era como uma droga agindo em seu corpo, e ele estava viciado no toque das mãos e dos lábios de Kibum.

Mirou seu relógio. Estava ali havia meia hora, e o coração martelou mais forte no peito. Ele nunca esperara tanto tempo. Normalmente o outro chegava com apenas poucos minutos de atrasado, mas lá estava ele, há meia hora sentado em um banco, esperando alguém. Seus olhos lacrimejaram, mas ele segurou as lágrimas. Deitou-se sobre o banco, fechou os orbes claros e, ainda que seu coração doesse ao bater em seu peito, deixou-se dormir.

Alma foi acordado uma hora depois, pelo primeiro sinal da Academia, o qual avisava que era do café da manhã. O garoto levantou-se em um salto e jogou os olhos de um lado para o outro à procura de algo. De alguém. Mas não havia nada ao seu redor. Nada a não ser uma árvore, a grama e a solidão.

Naquele dia, Alma não compareceu ao café da manhã.

No intervalo entre as aulas de Química e Física, Alma deixou sua sala de aula. Seu estômago reclamava de fome e sua visão estava ligeiramente turva. Ele precisava urgentemente de um copo d’água. Seu corpo clamava por qualquer coisa que entrasse em seu estômago.

No caminho, porém, ele foi subitamente arrastado por uma mão que surgiu por trás até o banheiro mais próximo e lançado dentro de uma das cabines. Ele balançou a cabeça tentando acabar com a tontura da fome e a forma de Kibum surgiu à sua frente. O maior não esperou nenhuma palavra nem dirigiu alguma ao outro, apenas beijou-o com volúpia enquanto suas mãos passeavam por seu corpo.

Alma foi pego de surpresa, arregalando os olhos enquanto era tocado. Quando as mãos, porém, tentaram invadir sua calça, o menino gritou:

– Pare! O que pensa que está fazendo?

Kibum afastou-se ligeiramente, surpreso com as palavras do outro.

– Hã... Tocando e beijando você – ele respondeu o óbvio.

– Não, essa parte eu sei, estava claro – Alma afastou-se mais. – Como você chega assim de repente sem nem se explicar por que não foi ao banco hoje?

Os dois ficaram em silêncio por alguns momentos, encarando-se. Alma tinha um olhar machucado em seu rosto, enquanto Kibum parecia procurar uma resposta que retirasse aquela expressão do garoto.

– Meu colega de quarto acordou mais cedo hoje e eu não pude sair sem que ele me perguntasse para onde eu ia tão cedo – Kibum respondeu, tentando amenizar a situação com um sorriso. – Se eu contasse, poderia destruir minha imagem, desculpe.

“Destruir minha imagem”.

De repente, Alma sentiu suas pernas fracas, sua visão ficou demasiada turva, e a causa para isso não era apenas fome. Tropeçou em seus próprios pés e caiu nos braços alheios, sentindo a cabeça girar como se estivesse em uma atração de um parque de diversões. Sentia vontade de chorar e gritar, mas não o fez. Não queria demonstrar mais fraqueza do que já demonstrava. Após ouvir a voz do namorado perguntar se ele estava bem, Alma pôs-se de pé, a cabeça baixa.

– Eu acho melhor... – sua voz estava ligeiramente trêmula, por causa de todos os sintomas em seu corpo de fome e tristeza. – Acho melhor nós terminarmos, Kibum.

O coreano piscou algumas vezes, sem entender o que o garoto queria dizer.

– O quê? Alma, agora eu pergunto o que pensa que está fazend... – porém, antes que pudesse terminar, seu namorado levantou os olhos lacrimejantes, a expressão em seu rosto ainda mais machucada.

– O que eu penso que estou fazendo? – Alma praticamente gritou, sentindo seu corpo explodir em raiva. – Estou terminando com um cara que pensa que a imagem dele é mais importante que o nosso relacionamento. Eu entendo que você não possa fazer nada em relação a isso, sei que é um ídolo, então tem que proteger sua imagem, mas eu não gosto de ser deixado de lado. Eu vivo em medo constante de que você vai me trocar. Então, é melhor você encontrar alguém que tenha confiança, alguém que possa viver nas sombras sem se machucar. Eu não sou esse alguém. Eu tenho medo, não tenho autoconfiança e quero poder estar com você sempre. Eu te amo, Kibum, ainda te amo, mas... Não acho que me amo o suficiente para estar com você.

Sem reação, o coreano apenas mirou o garoto. Não sabia o que dizer e como agir. Seu coração batia forte no peito, pois a palavras de Alma o aceleravam extraordinariamente. Era como se ele reagisse à verdade que elas traziam e à surpresa de descobrir os medos que tomavam a mente e o coração do outro.

Seu corpo foi empurrado para o lado, e Kibum levou alguns segundos para perceber que Alma estava saindo do banheiro em disparada. O coreano queria ir atrás dele, queria chamá-lo pelo nome, beijá-lo e dizer que o amava. Que o amaria duas vezes mais, por ele e por si mesmo. Mas sabia que o garoto estava machucado demais, amedrontado, confuso e não o ouviria. Ir atrás dele apenas machucaria ainda mais seu coração.

Então, Kibum não se mexeu e, na cabine do banheiro, deixou-se chorar sozinho.

Alma estava sozinho em seu quarto, quando seu colega de quarto, Ricky, chegou. Os olhos escuros do garoto estavam arregalados e preocupados, enquanto ele corria em direção à cama. O menino jogou-se sobre Alma, abraçando-o fortemente.

– Alma! – ele gritou, já chorando. – Os professores me disseram que você não estava se sentindo bem e teve que voltar para o quarto! Eu fiquei tão preocupado, mas eles não me deixaram voltar!

Ricky abraçou ainda mais o garoto, apertando-o contra si mesmo. O fato era que Ricky era um garoto adoravelmente sensível que se apegava facilmente aos outros, o que facilitou a amizade entre ele e Alma, que eram melhores amigos desde que começaram a dividir o quarto na sétima série.

– O que você tem?

Alma sorriu para o menino, tentando esconder a dor dentro dele.

– Foi apenas um mal estar, Ricky. Eu já estou bem – mas não estava. Ele queria apenas que Ricky parasse de se preocupar com ele.

O menino continuou abraçando-o por algum tempo, e Alma não pediu que ele parasse. Precisava daquilo, do conforto de ter alguém ao seu lado, pois o garoto sabia que não tinha tanta confiança e amor próprio e que precisava sentir dos outros o que ele não sentia por si mesmo.

No momento seguinte, o toque do celular de Alma ecoou pelo quarto. Era uma mensagem. Ricky levantou-se primeiro e pegou o aparelho sobre a escrivaninha. Seus olhos escuros surpreenderam-se ao ver de quem era a ligação, e ele jogou o celular para o garoto rapidamente, como se houvesse levado um choque. Alma pegou o celular em mãos e olhou surpreso para o nome de Kibum na tela.

– Não sabia que você era amigo do Kibum! Aquele cara é famoso!

O coração de Alma apertou-se com as palavras. Sim, ele era famoso, e, por causa disso, o relacionamento deles tinha terminado. Engoliu em seco enquanto seus dedos trêmulos clicavam para ver a mensagem.

“Ligue a televisão”.

Alma não tinha televisão em seu quarto. Na verdade, nenhum dos garotos tinha televisão no dormitório. Então, ele caminhou curioso até a área de vivência do prédio, onde os meninos podiam assistir à televisão e conversar. Já havia um grupo enorme de pessoas assistindo a um canal de música e fofoca, em que uma mulher acabava de anunciar uma notícia quente.

“O jovem ídolo do pop coreano, Kibum, acabou de revelar aos alunos da escola onde estuda, a Academia Saint John para garotos, seu namoro com um dos estudantes. É uma notícia surpreendente que acabou de ser colocada na internet com um vídeo gravado por um dos alunos”.

O vídeo que foi colocado na tela em seguida fez Alma derrubar seu celular. O barulho fez os garotos virarem para ele surpresos, e o menino levou as mãos à boca, sentindo as lágrimas invadirem seus olhos claros.

“Eu tenho que admitir algo a vocês. Eu amava um garoto aqui da escola. Mas ele acabou de terminar comigo, porque eu sempre o troquei pela minha imagem. Eu prezei por muito tempo a imagem de conquistador que eu tinha, com medo de ser rejeitado pelos meus fãs. Porém não percebi que estava machucando a pessoa com quem eu mais me importava no mundo. Meus fãs são também preciosos para mim, quero que saibam que sem vocês e não teria nada disso, mas eu percebi que aquela pessoa é a minha mais especial. Eu soube disso no momento em que ele me disse que estava machucado, pois eu me machuquei com as palavras dele. E ele precisa de mim agora, porque se sente fraco e sem confiança. Ele precisa de mim, então eu quero que entendam: eu o amo e não vou mais esconder. Eu quero que ele sabia que não precisa mais ficar na sombra, negligenciado pela pessoa que ele ama. Tudo bem, Alma?”

Os olhares foram da televisão para Alma, de Alma para a televisão, e apenas um dos garotos teve coragem de perguntar:

– É de você que ele está falando?

No entanto, sem responder, Alma saiu em disparada pela porta. Já estava anoitecendo quando ele passou correndo pelo pátio, pelo gramado e chegou à maior árvore dos arredores, onde havia um pequeno banco sobre o qual estava sentado um coreano de cabelos e olhos escuros, o corpo de músculos ligeiramente mais definidos, com um porte diferente do de Alma e por cujo toque Alma ansiava mais que tudo.

– Kibum! — Alma jogou-se nos braços do namorado e recebeu um abraço de volta. – Você não precisava fazer isso. Como... o que vai ser da sua carreira agora?

– Alma, eu precisava, sim. Você precisava de mim e como eu poderia negar minha ajuda. Você não tem autoconfiança nem amor próprio como você mesmo disse, então não acha que eu preciso amá-lo duas vezes mais? Por mim e por você?

Alma podia sentir as lágrimas em seus olhos. Ele deu um sorriso para Kibum e agradeceu enfim, abraçando-o mais forte em seguida.

O coreano não se importava muito com o que seria de sua carreira. Ele era inteligente e poderia cursar faculdade e conseguir outra profissão, mas ainda não queria perder aquele garoto. Ainda queria passar suas horas ao seu lado, amando-o como ele deveria ser amado.

Notas finais
Então, o que acharam? Espero que tenham gostado! Próximo é um capítulo de presente para uma leitora linda que fez cosplay do Henry ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.