Garoto Misterioso
2 Esquecimentos e máquinas de matar
Notas iniciais
Abro os olhos e estou em casa. Não me lembro de nada do dia anterior. Minha cabeça está explodindo. Levanto e caminho até o banheiro.
Estou com maquiagem, provavelmente sai ontem para uma festa.
O pior é que não faço à mínima idéia do que aconteceu ontem. Nem sei que dia é hoje. Caminho até a cabeceira da cama e pego meu celular. São 07h52min!
– AH NÃO!
Corro para o chuveiro. Tomo um banho super rápido. Puxo uma calça jeans do guarda-roupa e uma blusa de seda. Olho-me no espelho e passo uma camada de base e corretivo de leve. Coloco rímel e um gloss. Vou para cozinha e pego minha garrafa de suco.
– Quase esqueci os livros. – Resmungo.
Volto para o quarto e pego os livros. Não deu tempo de colocá-los na mochila então os carrego na mão. Vou em direção ao elevador.
– Aimee? O elevador não está funcionando. — Alguém me avisa. Viro-me e vejo meu vizinho.
– Ah, poxa que droga. Obrigada por me avisar.
As escadas parecem não ter fim. Dou passos longos e rápidos. Chegando ao saguão tropeço com o cadarço do tênis.
– Merda — Resmungo.
– Deixa eu te ajudar. — Um rapaz que eu nunca vi na vida aparece me ajudando a levantar.
Olho atentamente para ele. Seus olhos são cinza e seu cabelo é castanho e bagunçado. Ele está usando uma jaqueta de couro preta e botas assustadoras. Ele me encara e dá um mini sorriso.
– O-obrigada. — Digo me ajeitando.
Ele se abaixa e recolhe meus livros que deixei cair.
– Aqui. — Ele me devolve.
– Nos conhecemos? — De alguma forma seu rosto é familiar.
– Não, cheguei ontem na cidade.
– Hum. Bom, estou atrasada. Obrigada de novo.
– De nada. Até mais.
Ando em direção a saída. Não consigo evitar e olho para trás. Vejo-o andando até as escadas. Ele é lindo... Meu Deus...
Abro a porta do carro e dirijo em silêncio sem evitar pensar naqueles olhos cinzas.
x.x.x
– AIMEE? — alguém me grita.
Olho para o corredor e vejo Grace correndo até mim.
– Me desculpe mesmo por ontem. Nunca mais chamamos o Jared. Ele é um babaca.
– Jared? O que ele fez? – Pergunto sem ter a mínima idéia do que ela está falando.
– Vomitou em você. Ué não se lembra?
– Vomitou em mim? Como assim? Não fomos a uma festa ontem?
– Claro que não. Eu, você, Thomas e Jared fomos ao cinema, só que você se irritou com Jared e foi embora.
– Não me lembro de nada.
– Tomou alguma coisa?
– CLARO QUE NÃO. — Digo arregalando os olhos para ela.
– Perda de memória?
– Parece que sim.
– Espero que tenha estudado para a prova surpresa de hoje.
– AH NÃO GRACE! Tinha prova e você não disse?
– Eu disse! Mas parece que você se esqueceu.
– Droga!
x.x.x
Bom, as provas costumam ser fáceis. Por que é o começo do período. Estou estudando arquitetura e ainda tenho mais quatro anos pela frente. Grace estuda na mesma faculdade que eu, mais ela faz direito.
O refeitório estava cheio demais, então decidi ficar no campo.
– Mee! Queridaaaa! — Nick veio correndo e me abraçou.
– Oi querido. Tudo bem? — Digo desanimada.
– Eu estou, mas você parece que comeu alguma coisa estragada. Só se for aquele sanduíche da cantina que parece mais vômito.
– Nem foi o sanduíche.
– Amiga então porque você está tão caidinha?
– Amor Nick. Amor.
– Vai se deprimir de novo? Vou te bater.
– Grace adora jogar na minha cara que eu não tenho namorado porque eu não dou uma chance a nenhum garoto. Eu dou chance. Uma chuva de chances. Eles que são idiotas.
– Eu sei Mee. Manda a Grace catar coquinho. Na nossa idade não temos que namorar, temos que pegar geral mesmo. Temos que ficar sem compromisso. Essa coisa de amor é conversar furada.
– Ah Nick... Preciso sair.
– Assim que se fala gata! Vamos para onde? Baladinha?
– Que tal aquele novo bar dance que abriu aqui perto?
– Adoooooooro!
x.x.x
Ajeito meu vestido vermelho colante e calço meu salto. Agora estou pronta para pisotear qualquer pessoa que fale sobre amor hoje. Pego meu celular e ligo para Nick.
– Nick? Estou pronta. Onde você está?
– Amor me desculpe. Esqueci de avisar que o pneu do meu carro furou. Estou aqui na oficina do lado da minha casa. Vou chegar atrasadérrimo na sua casa.
– Então tem como nos encontrarmos no bar?
– Está certo. Beijos gata. Não se divirta até eu chegar.
– Beijos.
Ótimo dia para meu carro estar emprestado com minha irmã.
Saio do apartamento e ando em direção ao elevador. Percebo alguém no elevador, com jaqueta de couro e um ar desconhecido. Fico tensa na mesma hora que percebo que é o garoto que encontrei hoje cedo.
– Oi de novo. – Ele fala com um sorriso.
– O-oi. – Digo. Minhas mãos estão suando. Porque minhas mãos estão suando?
– Você parece nervosa.
– Impressão sua.
– Nunca erro. O que foi? – Ele pergunta.
– Minha carona não vai vir.
– O cara deve ser um babaca de deixar uma moça linda como você andar sozinha.
Minhas mãos gelam.
– É um amigo. O pneu do carro furou. É normal.
Esse elevador não chega. Ai meu Deus.
– Você está com sorte hoje.
– Por quê?
– Vou te dar uma carona.
O elevador chega.
– Nem conheço você.
– Então vai ser uma chance de nos conhecermos. – Ele coloca os óculos escuros que estava pendurado em sua camisa e caminha até meu lado. – Minha moto está no estacionamento.
O sigo e avisto uma máquina de matar reluzente e preta.
– É uma bela moto. – Digo admiranda a máquina de matar que vou subir.
Ele sobe e me entrega o capacete. Monto devagar na moto. Procuro um lugar para me segurar.
– Segure firme. – Ele corre para fora do estacionamento. Levei um susto então de imediato coloquei minhas mãos em sua cintura. Senti seus músculos por baixo da camisa e me permiti um suspiro.
Quando o sinal ficou vermelho, tirei as mãos rapidamente. Ele as colocou no lugar logo em seguida.
– Aonde vamos? – Ele perguntou.
– Ao novo bar dance na rua principal.
– Sei onde é.
O sinal fica verde e o aperto ainda mais.
x.x.x
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