Garotas Também São Pervertidas

2 Capítulo II - Cumplicidade


Notas iniciais
Obrigada à Carolmisaki, prisla e Rockbell pelos comentários. Talvez o próximo capí­tulo demore a ser postado; a faculdade toma muito do meu tempo.

Como iria fazê-lo, pensou Misaki num pequeno lapso de nervosismo.

Despediu-se com rapidez de suas colegas do trabalho, pois ele a esperava na saída dos fundos. Anteriormente, no vestiário, ligara para a mãe e avisara que dormiria na casa do namorado ― a resposta foi uma leve risada condescendente que fez a morena corar. No momento, entretanto, seus pensamentos estavam focados na maneira com que poderia provar a Usui que ele não deveria subestimá-la ― até mesmo sexualmente.

Tentou disfarçar o rubor das faces, ainda que sem resultado. Ao abrir a porta dos fundos, a brisa fria de inverno beijou-lhe a pele exposta e trouxe frescor ao rosto quente. O loiro, elegantemente recostado sobre o muro oposto, sorriu-lhe de forma obscena. Estendeu as mãos, chamando-a para si. Após uma breve deliberação, ela aconchegou-se em seus braços, para logo em seguida esticar o corpo na ponta dos pés para alcançar sua boca.

Misaki esperava mantê-lo sobre seu controle, ao tomar a iniciativa de beijá-lo empurrando-o contra a parede. Foi, o rapaz, porém, que dominou-a com seus lábios experientes. Enquanto aprofundava o beijo, pressionou seu corpo contra o dela, prendendo sua cintura com as mãos. Não satisfeito em brincar com sua língua, ele mordeu o lábio inferior da morena quando ambos recuperaram o fôlego.

― O que a presidente vai fazer comigo? — sussurrou ele ao pé do ouvido dela, mordendo o lóbulo em seguida. Seu tom era divertido, mas não conseguiu esconder sua excitação por completo. As mãos de Takumi desciam lenta e corajosamente para baixo, mas Misaki o impediu.

― Não aqui, i-idiota estúpido ― murmurou ela, corando. Os dedos dele se contiveram em seu quadril, e ele gentilmente a afastou para ver seu rosto.

― Presidente, sua pervertida. ― Deu uma risada quando a morena ofegou ultrajada por suas palavras, e antes que ela retrucasse, depositou um beijo suave no topo dos cabelos. ― Pode deixar; eu ainda te amo, mesmo que você seja pervertida.

― Digo o mesmo ― admitiu ela, ríspida.

Ambos permaneceram em silêncio durante o trajeto até o apartamento de Usui. Misaki aproveitou a situação para planejar suas ações seguintes. Aquele imbecil era bom em tudo ― tudo. Sabia exatamente como agradá-la — e ela simplesmente sucumbia à suas carícias. Odiava esta sensação ― sentia-se egoísta por não lhe proporcionar prazer. O triunfo que alcançou ao excitá-lo no Maid Latte não foi apenas fruto da satisfação de sua auto-estima; ficara feliz ao perceber que também tinha efeito sobre ele.

Estimulada pela confiança recém-adquirida, ela encontrou coragem para levar adiante uma das ideias que tinha em mente. Suspirou quando chegaram ao edifício, grata pela viagem cômoda sem interrupções em seus devaneios. No entanto, ao voltar-se para o namorado, percebeu que ele a observava com atenção. O loiro, que reprimia o riso para não perturbá-la, não conseguiu manter a expressão indiferente quando ela arquejou, envergonhada por ter sido apanhada.

― H-Há quanto tempo você está me olhando, s-seu alienígena pervertido? ― Misaki balbuciou baixo, temendo que alguém na recepção a ouvisse.

Takumi riu de novo enquanto aguardavam o elevador; respondeu pouco antes de entrarem no cubículo de metal:

― Desde que percebi que uma certa pessoa (que não tem o direito de chamar os outros de pervertidos) estava quieta demais, mergulhada em fantasias eróticas.

Eu não...– começou ela, elevando o tom de voz, para em seguida cortar a si mesma. Não daria a ele o prazer de demonstrar seu nervosismo. Prosseguiu, mais calma, para provocá-lo: ― Só estava me lembrando da reação de um funcionário do Maid Latte a um desafio meu. Eu ganhei, é claro.

A presunção contida no tom de voz dela suscitou nele uma excitação feroz. Entretanto, seu autocontrole o impediu de agir impetuosamente; pensou que tal conduta só reforçava as petulantes palavras dela. Permitiu-se, no entanto, pressionar seu corpo contra o dela e acariciar seu pescoço. Viu a antecipação e o desejo explícitos nos olhos dela, mas deliciou-se com o suave gemido de protesto que Misaki deixou escapar quando ele não saciou sua ânsia .

Enfim, o elevador chegou ao andar onde Takumi morava. Ele deslizou seus dedos da garganta de Misaki até alcançar a extremidade dos fios castanhos e puxou-os levemente, enquanto se separava da morena. Um irresistível tom rosado cobria as faces dela, que fechou os olhos para desfrutar da sensação.

― Não aqui — sussurrou ele, irônico enquanto citava as próprias palavras dela. Os olhos amarelados se estreitaram, zangados, e as pernas bem definidas da moça marcharam rudemente até a porta do apartamento. Ele continuou a importuná-la: ― Alguém está muito impaciente...

Bastardo!,ela gritou em sua mente. Prometeu a si mesma que toda a provocação que ele lhe fizesse seria retribuída. Ainda sob efeito da ousadia, adentrou no apartamento escuro tão logo o loiro o destrancou. Andou com pressa até o banheiro, mas demorou-se na soleira para vislumbrar um Usui confuso, que fechava a porta atrás de si mesmo. Já dentro do cômodo, tratou de se despir das vestes andróginas, inadequadas para a situação. Atirou-as no corredor com um movimento brusco, para que seu namorado compreendesse seu convite implícito.

Quando o rapaz de olhos verdes alcançou-a, Misaki vestia apenas um simples, mas delicado conjunto branco de roupas íntimas. Era a primeira vez que ele podia contemplar suas curvas claramente, e não sob a penumbra de um ambiente com luz difusa. Muitas barreiras foram vencidas quando eles fizeram amor pela primeira vez, ainda que o acordo tácito de deixar as luzes apagadas se mantivesse. Até aquele momento. Ela desviou os olhos quando percebeu que ele a observava; ainda não havia vencido toda a timidez.

― T-tire a roupa também ― ela pediu, olhando para o chão.

Usui não lhe obedeceu. Queria aconchegar-se naquele pequeno corpo desde que ela lhe sussurrara aquelas palavras na cozinha do Café. Num gesto impetuoso, beijou-a com avidez; deslizou as mãos, sedentas para explorar a pele de Misaki. A garota, também excitada, enlaçou o pescoço dele para atingir seus cabelos. Puxou com urgência os fios loiros da nuca, estendendo-se sobre a ponta dos pés para alcançá-lo.

Impaciente, os dedos do rapaz apertaram as coxas da morena, para sustentá-la no ar e apoiá-la sobre a bancada da pia. Um gemido alto escapou dos lábios dela enquanto Takumi a carregava, e ela interrompeu o beijo para respirar. Os lábios e a língua dele, então, avançaram sobre a garganta de Misaki, ao mesmo tempo em que ela se sentou sobre o mármore. Arrebatada pelas sensações conflitantes da boca quente e a pedra fria, ela remexeu-se, inquieta, ofegando nitidamente.

― Não está mais confortável que antes? ― murmurou ele em seu pescoço, sorrindo. Deslizou a língua até o ouvido esquerdo, chupando levemente a pele sensível logo abaixo.

Você m-me deixa desconfortável. ― A força da acusação dela esvaiu-se em pequenos suspiros, que se intensificaram quando ele mordiscou o lóbulo da orelha.

― Parece estar gostando demais para alguém desconfortável. ― Para reforçar sua provocação, desceu os lábios até a base da garganta e iniciou uma lenta e deliciosa tortura ao lamber a pele exposta dos seios. Misaki sentiu os mamilos endurecerem sob seu sutiã, e mordeu os lábios para sufocar um gemido mais alto.

Não conseguia pensar em algum modo de reverter a situação a seu favor. Naquele momento, nem ao menos queria, na verdade. O alienígena pervertido honrava sua alcunha: sabia como enlouquecê-la, tanto de prazer quanto de raiva — esta última, no entanto, não lhe afetava em momentos como aquele. Havia só o prazer.

― N-nãofalei que e-era ruim ― gaguejou ela, aos suspiros. Ele riu contra o colo da morena, antes de depositar pequenos chupões durante o percurso. Completamente rendida, Misaki se permitiu arfar de modo frágil. ― É um desconforto gostoso ― admitiu. Ruborizou logo após dizê-lo, compreendendo o sentido daquelas palavras para ele. Não ousou abrir os olhos quando ouviu a risada atrevida do loiro em seu ouvido.

― Não é justo, Ayuzawa. ― Os dedos longos do rapaz dedilhavam suas coxas, atrevidos. ― Era eu quem deveria te provocar, e não o contrário ― disse, antes de sugar-lhe novamente o pescoço. As mãos, apertando-lhe a carne, aproximavam-se de maneira hábil de sua roupa íntima.

Encorajada pela confissão do rapaz, ela aproveitou a posição em que ele se encontrava para morder ― com cuidado ― seu pescoço exposto. Sorriu vitoriosa ao ouvi-lo respirar com dificuldade e moveu os dedos para a blusa que ele ainda vestia. Com rapidez desabotoou a camisa social ― sua habilidade com as complexas roupas de maid eram muito úteis agora.

― Não era eu quem deveria fazer isso, Ayuzawa? ― ele brincou; os olhos verdes queimavam com o desejo.

― Por que não fez ainda, então? ― perguntou ela, em tom de escárnio. Tentava tratar do assunto como uma disputa, pois assim conseguia disfarçar o acanhamento. É uma competição, pensou ela. Não poderia se comportar de forma submissa se pretendia ganhar.

E, assim, antes que ele demonstrasse alguma reação, puxou-o pelo tecido, selando sua boca na dele. Os lábios de Usui eram exigentes sobre os seus; sua língua roçava sobre a dela num ritmo alternadamente lento e frenético. Ao retirar, enfim, a camisa do rapaz, Misaki arranhou-lhe as costas com voracidade.

Em resposta, o loiro empurrou-se contra as coxas de Misaki, que deixou de explorar-lhe a boca para sufocar um gemido. Do quadril, as mãos dele foram para o fecho do sutiã da morena — momento que ele deliberadamente adiava, para que ela se acostumasse ao fato de que ele podia ver nitidamente seu corpo seminu. O desejo, porém, venceu a prudência, que se esvaiu por completo quando ela arrepiou-se diante de seus toques.

Apesar de não muito grande, o busto de sua namorada não eram inexistente, como o fatídico evento em que ela teve que vestir-se de homem deu a parecer. Se havia crescido ou se a faixa que ela usara o escondera muito bem, ele não sabia. Somente achava tentadores aqueles seios deliciosamente redondos e maleáveis, que nem por isso deixavam de ser macios. Acariciou-os com suavidade, para em seguida intensificar seu movimentos. Inebriado pelo doce som dos gemidos dela, também deu à sua lingua o prazer de explorar o mamilos rosados e eriçados.

Desfrutar do roçar os lábios em seus seios fez Misaki perder a linha de seus pensamentos. Entretanto, ao sentir o membro de Takumi pulsar agressivo sobre sua virilha ela ficou consciente do fato de o excitava tanto quanto ele o fazia. Numa tentativa de atiçá-lo, esfregou-se com alguma sutileza nas calças do rapaz, e quando ele revidou tornando suas carícias mais ousadas, ela comprimiu-se contra ele mais uma vez. O rapaz, devido ao contato, pôde senti-la contrair as coxas ao reagir; o pouco restante de sua sanidade dissipou-se.

Num ímpeto, agarrou-lhe as nádegas para alçá-la enquanto tomou sua boca num beijo selvagem, que foi correspondido com igual veemência. Caminhou a passos largos até a sala parcialmente iluminada, enquanto a carregava, e soltou-a (com certa rudeza) sobre o sofá. Sua namorada, contudo, apesar de também consumida pelo desejo, mantinha-se mais controlada que ele, pois sua ânsia pela vitória era tão grande quanto a sexual. Queria retribuir a ele tudo o que ele lhe proporcionara — e não somente porque odiava perder ou dever favores, mas sim porque prezava pela igualdade entre ambos, inclusive em seus momentos mais íntimos.

Aproveitando-se da posição em que se encontrava (sentada, enquanto ele permanecia de pé), a morena timidamente prendeu os dedos no cós das calças dele. Envergonhada demais para olhar para cima, ela prosseguiu, e logo o jeans do loiro estava no chão. O volume pronunciado nas boxers do rapaz e a consciência de que ele a observava a deixaram muito constrangida; ele, então, interviu, ajoelhando-se de modo a ficar à mesma altura que ela.

Usui pretendia beijá-la com delicadeza para acalmá-la, mas a voracidade com que ela lhe respondeu fez com ele o esquecesse. Misaki enlaçou os dedos nos fios dourados do rapaz e permitiu que a língua dele invadisse sua boca pequena, enquanto ele percorria seu corpo com os dedos ágeis. Conseguiu retirar com facilidade a única peça que cobria o adorável corpo de sua namorada, ao mesmo tempo em que sugava-lhe a garganta, os ombros, os seios.

Reagindo às suas carícias, a morena gemeu próxima de sua orelha e num gesto instintivo mordeu o lóbulo, e o rapaz arrepiou-se. Misaki, então, imitou-lhe as ações, roçando os lábios e a língua no pescoço de Takumi. Reuniu toda a ousadia que possuía para sussurrar-lhe ao ouvido, ainda que corada:

― E-eu quero você.

Ela permaneceu atenta aos movimentos do loiro: de início, seu corpo endureceu, surpreendido; em seguida, lhe deu um beijo breve, mas apaixonado; depois abaixou-se, procurando nos bolsos da calça o preservativo. Misaki remexeu-se, inquieta. Você consegue, encorajou a si mesma uma voz interior. Quando ele levantou, pronto para retirar as boxes, ela o impediu. A timidez lhe reprimia a fala, mas ela conseguiu retirar a embalagem das mãos dele e depositá-la sobre o sofá.

Ela o encarou enquanto o despia, corada porque ele também o fazia. Estava curiosa para observar suas reações, mas retraiu ao sentir aqueles olhos verdes quentes sobre os seus.

Acidentalmente, os dedos dela roçaram no membro exposto dele, e Usui lançou a cabeça para trás, fechando os olhos enquanto ofegava. Misaki, confiante por não ser mais observada, abriu o pequeno pacote e tentou deslizar a camisinha sobre o pênis.

Agradeceu ao fato de que ele ainda não havia aberto os olhos, e num estado de completo rubor, continuou a mover o preservativo de forma lenta, devido à inexperiência. A demora, no entanto, era muito aprazível ao loiro, que gemeu de maneira ruidosa. O som não era agudo, suave como o de Misaki: era grave, selvagem. Masculino. Por instinto, as entranhas da morena se contorceram em resposta. Não aguentava mais ― e muito menos ele.

Em um apartamento sem quartos — e por consequência, sem camas ―, era no sofá que ambos faziam sexo. O modelo era grande o bastante para que Misaki se deitasse sobre ele sem incômodos, mas limitava eles a uma única posição: missionário. Porém, estimulado pelas novas sensações que a garota lhe ofereceu e pela visão sem obstruções de seu corpo, Usui ajoelhou-se e decidiu-se por tomá-la daquela forma.

― Envolva suas pernas em mim ― ele pediu, sério. Os pelos da nuca da morena arrepiaram-se ao ouvi-lo; ela obedeceu, solícita.

Vagarosamente, ele penetrou-a, enquanto agarrava-lhe os quadris. Parcialmente estendida sobre o sofá, Misaki mordeu os lábios novamente para abafar um grito. A sensação de ter seu interior preenchido era tão intensa que ela, de maneira inconsciente, desejava extravasá-la por meio vocal. Quando o loiro começou a investir contra ela, isto foi inevitável.

E foram os dois corrompidos pela luxúria; dominados pela paixão sem restrições. Expressavam seu amor por suspiros, murmúrios, gemidos, gritos. Ao sentir-se cada vez mais próxima do arrebatamento, a morena chamou pelo namorado; queria que alcançassem o orgasmo juntos ao menos uma vez. Gritou seu sobrenome repetidas vezes antes de perder-se no clímax. A resistência de Takumi não durou muito mais ― os gemidos de Misaki o enlouqueciam, e ao senti-la contrair-se contra seu membro durante o orgasmo, ele também alcançou o Éden.

Exaustos, abraçaram-se, num silêncio tranquilo. Permaneceram assim, trocando pequenos carinhos entre si, até que o cansaço de ambos abrandou. Ainda estavam famintos um pelo outro, e mais que dispostos a perder toda a noite juntos para saciar esta fome.

Notas finais
Bem, não vai ser fácil para Misaki provocar este aliení­gena pervertido. Mas nossa tsundere preferida não vai desistir! E, de qualquer forma, Usui sai ganhando *risos*.