Notas iniciais
Ela canta Someone's Watching Over Me. Da Hilary Duff.

P.O.V. José Armando.

Vamos passar férias na fazenda da família. A fazenda Dona Carolina.

Assim que chegamos fomos recebidos pela nossa governanta Dona Rosário.

—Oi meu filho! Olha como cresceu esse menino!

Ela me abraçou.

—Já é um homem feito. Me lembro quando segurava você no colo.

A Dona Rosário Alvares Real trabalhava com a gente desde que eu consigo me lembrar. Ela tem uma filha que tem a minha idade.

—E a sua filha?

—Tá em casa. Ou não. Esmeralda!

—Mamãe!

—O que está fazendo aqui menina?

—Eu comecei a andar e vim parar aqui, além do mais vim ajudar o Adrian. Ele vai me ensinar a montar á cavalo mamãe.

—Ai Jesus! Cuidado ein minha filha.

—Eu vou ficar bem mamãe.

—Esmeralda?

—Quem tá ai? Quem é você?

—Sou eu Esmeralda, o Armandinho.

—Armandinho? Filho dos patrões?

—Sim. Eu mesmo.

—Oi.

Ela tinha ficado a maior gata. Estendi a mão pra ela e ela só pegou quando a Dona Rosário falou:

—Ele tá estendendo a mão pra você filha.

—Tá.

Esmeralda procurou a minha mão com as dela e quando achou apertou. Fiquei meio confuso.

—Como ele é mamãe?

—Ele é alto, branquinho que nem leite. Loiro, de olho azul e o cabelo dele parece daquele cantor que canta assim:

—Baby, Baby...

—O Justin Bieber?

—É esse ai memo. Agora vamos entrando que o café tá na mesa.

A Dona Rosário ficou para ajudar Esmeralda.

—Cuidado o degrau fia.

—Como é a casa mãe?

—É grande, cheia de vaso escrito em japonês, tem uns quadro bonito nas parede, tem um de bailarina ela tem aquela saia espigada e tá usando aquelas sapatilha que nem a sua.

—Ela parece comigo?

—Parece.

Cochichei no ouvido da minha mãe:

—Porque ela pergunta essas coisas?

—Porque ela nasceu cega filho.

A mãe dela perguntou:

—Onde você estava Dona Esmeralda? Você não viria pra cá e só pra cá.

—Estava na casa do Lúcio. Ele estava lendo pra mim.

—Já falei pra ocê num ir na casa daquele diabo! Aquele home quer fazer mar pro ocê Esmeralda!

—Não mãe! O Lúcio é legal.

—Acredita menina, aquele home não tem nada de legal. Fica longe daquela casa! Ele é doente da cabeça!

—Não mãe!

—Ele vive dizendo pra quem quiser ouvir que ocê é dele e só dele como se ocê fosse um bicho! Uma coisa que ele pode possuir.

—Tudo bem mamãe. Vamos trabalhar.

—Me ajuda a servir o café?

—Claro.

Ela encostou a bengala na parede e foi andando tocando nas coisas

—Estende as mão. Vou botar a bandeja e ocê leve pra sala tá.

—Tá bem.

Ela trouxe a bandeja e ficou segurando.

—Coloca na mesa.

—Eu vou esperar a minha mãe. Ela não erra e eu erro daí quebra e suja tudo.

—Erra?

—Ela é cega filho.

—Ah, desculpa deixa eu te ajudar.

—Obrigado Armandinho.

—Esmeralda! Ele é o patrão agora! É Seu José Armando.

—Tudo bem Dona Rosário, ela pode me chamar de Armandinho se quiser.

—Não, a mamãe tá certa. Desculpe seu José Armando.

—Agora que o café tá na mesa vamos começar a fazer a janta. Com licença.

—Toda.

—Com licença.

Estávamos tomando café quando de repente uma voz de anjo vem da cozinha.

—Uau! Quem tá cantando?

—Vai lá ver filho.

Era a Esmeralda que estava cantando. E fiquei apavorado quando vi aquela faca na mão dela.

—Eu sei usar facas seu José Armando.

—Como...

—Posso ouvir você.

Ela sorriu e continuou o que estava fazendo. Voltei pra sala apesar de ainda estar preocupado com aquela faca na mão dela.

—O foi meu filho?

—A Dona Rosário deu uma faca na mão da Esmeralda e ela tá descascando vegetais.

—O que?!

—Ela até que se vira bem.

—E a voz?

—É dela.

—Da Dona Rosário?

—Não! Da Esmeralda!

—Shh! Ela pode ouvir e parar.

Tomamos café da tarde ouvindo a voz de Rouxinol de Esmeralda Alvares Real.

O meu pai chegou.

—Uau! Quem que tá cantando?

—A filha da Rosário.

—Nossa! Ela tem uma linda voz.

—Sabia que ela toca piano Rodolfo?

—Piano? A filha da Rosário? A menina cega?

—É. Eu ensinei e ela aprendeu direitinho. Demorou um pouco e tive que usar um método diferente, mas ela foi certinho. Ela sabe tocar Betowen e outras músicas clássicas.

—Você sempre quis uma menina não é Branca?

—É. Por isso meio que adotei ela.

—Eu sei. Me lembro desses dois e como essa menina corria, parecia um tiro. Ás vezes duvido que ela seja cega.

—Se olhar atentamente verá que infelizmente ela é sim Rodolfo. O olhar dela está sempre perdido, ela sempre olha para o nada.

—E a sua festa de aniversário filho? O que vai querer fazer?

—Que tal um baile. Eu adoro bailes.

—Você fica lindo de terno.

Ouço um grito.

—O que foi isso?

—Foi na cozinha.

—Esmeralda!

Ela tinha se cortado.

—Tudo bem fia. A mãe tá aqui.

A Dona Rosário lavou a mão da filha e fez um curativo.

—Tá muito apertado?

—Não. Tudo bem.

—Deixa eu cortar.

—Mãe...

—Eu sei que só acontece de vez em quando, mas sua mão tá com sangue e pode pegar alguma doença ou infeccionar. Senta ali na cadeirinha.

—Porque você não vem sentar na sala com a gente?

—Não posso Ar.. Seu José Armando. Eu sou empregada.

—Ele tem razão Esmeralda. Vem, não tem problema.

—Mãe?

—Vai fia. Pode ir, mas não se esqueça que...

—Eu sou empregada e eles os patrões.

—Exatamente.