Garota para Diversão
2 Capítulo 2 - O primeiro passo para o abismo
Notas iniciais
–Bom dia dorminhoca... Krys me disse com um amplo sorriso. Olha ta vendo isso aqui? Foi o que consegui só ontem a noite... Mostrou-me uma grande quantia de dinheiro. Você pode conseguir até mais, por ser estrangeira, e até por ser mais bonita!Hunf! Fez um bico adorável e sorriu logo em seguida.
–Você realmente acha isso?Mas eu nem sei o que fazer... Eu nunca me imaginei numa coisa assim...
–Nem eu, depois da morte dos meus pais, Eu cresci numa droga de orfanato onde eu era maltratada e fui violentada pelo zelador por dois anos, quando finalmente criei coragem e fugi de lá. Ah, mas eu me vinguei do infeliz antes, eu cortei fora o que ele mais prezava.
–Mesmo?Espantei-me seriamente ao pensar se ela falava do que eu imaginava.
–Sim, e ameacei-o de ir á polícia e mostrar as provas do abuso caso ele abrisse o bico, ele não iria se arriscar a ser preso. Daí, dei no pé, sem nem olhar pra trás.
–Vivi nas ruas, comi lixo, dormi na sarjeta, ninguém dava nada por mim, até que eu comecei a me vender por dinheiro e consegui me erguer. Fui crescendo e hoje me tornei mais forte.
–Quanto tempo já tem isso?
–Eu faço isso há 5 anos, eu tenho 19 agora.
–Nossa você é tão novinha...
–E você unnie quantos anos tem?
–21.
–AH, também é jovem, olha, eu vou te ajudar, ok? Não será fácil, mas ... Temos que tentar. Essa noite eu vou te levar comigo e te ajudarei. Coma agora e descanse mais um pouco.
Eu estava insegura e temerosa, e parece que as horas perceberam e só pra me sacaniar elas passaram voando por mim e logo Krys me acordava dizendo que eu deveria me arrumar. Eu pensei em desistir, eu poderia ir pra alguma lanchonete, agora que eu dividiria as despesa com alguém seria mais fácil,não? Pois é bem que eu gostaria que fosse tão simples, mesmo que eu fosse trabalhar em uma o dinheiro não seria suficiente pra ajudar e não sobraria e eu não poderia voltar.
“-Bom, já cheguei aqui, terei que enfrentar as conseqüências afinal.” Pensei comigo num tom desanimado.
–Vamos unni. Tome um banho, eu te ajudo com a make, use esse vestido.
Tomei meu banho desejando morrer ali no banheiro. Mas já percebeu uma coisa que a vida faz? Quando queremos sumir, ou morrer não conseguimos, mas quando queremos ir além, realizar sonhos, ser felizes ela nos dá uma rasteira e nós morremos da maneira mais idiota possível. Eu divagava sobre tudo isso, e quando percebi já havia tomado banho e já colocava o vestido vermelho tomara-que-caia, uma sandália super alta e caminhava pro quarto onde Krystal me esperava. Um vestido preto de paêtes bem curtinho, os cabelos cumpridos enrolados nas pontas, um sorriso enorme e uma maquiagem de noite, brincos enormes, ela realmente era uma moça muito bonita. Sentei numa cadeira e ela se pôs a fazer a maquiagem. Borrifou perfume sobre mim, e penteou meus cabelos.
–Seus cabelos são ruivos naturalmente ou são pintados?
–Ahn, são naturais...
–E os olhos, são lente, ou são mesmo verdes?
–São meus...
–Ahn, você é realmente bonita... Não se preocupe, eu arrumarei clientes pra você que não sejam pegajosos e insuportáveis. Tem uns bem interessantes, e alguns tem mão aberta e levam agente em cada lugar legal...
–Ahn... Respondi sem prestar muito atenção ao que ela disse, eu estava tão nervosa... Eu mancharia minha reputação, faria algo que eu disse que nunca faria... Eu sempre zelei pela minha honra, desde que me entendo por gente eu estaria disposta a morrer de fome ou do que fosse, mas sempre manteria minha dignidade. Porém quando experimentei tais coisas fui forçada a mudar de idéia e isso era tão horrível eu queria tanto estar sonhando, estar num pesadelo, onde eu pudesse despertar a qualquer momento. Juro que imaginei zilhões de asneiras, como casar com um milionário, achar uma mala com uma pequena fortuna dentro e me livrar desse tormento. Roubar um banco também seria uma solução. Eu sei parece um monte de idiotice, mas gente vocês não sabem a sensação que é estar prestes a jogar toda tua vida perfeita no lixo. Tipo, como eu sairia dessa depois, como me casaria, e teria filhos? E meus pais em casa nem imaginando, porque eu disse a eles que estava tudo bem. Claro, burrice mas eu tive a idéia absurda de vir pra cá, mexi na minha Poupança e tudo mais, como eu diria á eles que era uma farsa? Segundo eu soube era uma armação de uma companhia aérea que fez tudo pra vender passagens e uma agencia turística pra atrair mais gente também, eu até poderia processá-los mais não tinha provas de nada, e do jeito que estava quem daria atenção a uma morta de fome suja e sem eira nem beira, quando do outro lado havia gente com dinheiro afirmando que eu estava errada ou louca? Eu não tinha mais saída e finalmente me via entregando os pontos...
–Você ficou linda! Dê uma olhada. Ela dizia me mostrando um espelho. Olhei com desdém e pensei em puxar aquele espelho e cortar toda minha cara. Admito que ela fez um bom trabalho e eu que não era feia, mas a vergonha me consumia inteira.
–Não gostou? Quer mudar alguma coisa? Tombou a cabeça pro lado .
–NÃO, você fez muito bem, é que eu ...
–É eu sei como é, mas não pensa nisso... Seja forte e pensa que é pra você voltar pra casa.
–Ok. Eu vou tentar...
–Ok, Ah, tem umas regras básicas: 1º sexo só com camisinha, mesmo que seja oral, 2º não pergunte nomes, nem nada da vida pessoal dos clientes, devido á status social, ou eles podem ser casado e tal, 3º Acabou, sai, seu tempo é dinheiro e você precisa de clientes pra fazer dinheiro, 4º e mais importante: Não se apaixone por um cliente! Você vai sofrer, sentirá muita dor, e no fim será só um objeto que ele irá usar pra se satisfazer e se descobre que gosta dele, já era vai te usar e não vai pagar. Agora vamos...
Ela me entregou uma bolsinha pequena com maquiagem e camisinhas. Disse-me pra sempre usá-las mesmo que algum cliente insistisse pra não fazê-lo. Fomos até o ponto que ela costumava ficar, lá já haviam duas meninas, amigas dela.
–Gente, essa é a Yeun-ah ela começa hoje conosco, sejam legais com ela. Ye,essas são Jea e Narsha. Elas moram no mesmo apê assim como nós.
–E aí... Narsha me olhou da cabeça aos pés. Ela é bonita...
–...E estrangeira. Completou Jea.
–Ola... Espero me sair bem...
–E vai unni não se preocupe. Krystal sempre tentava me animar.
Após alguns minutos uma limusine passou por nós com som bem alto, chamando a atenção. Ela então parou mas as meninas ignoraram. Fiquei curiosa e cutuquei a Krys pra saber quem era. Der repente um rapaz abriu o vidro e colocou a cabeça pra fora. Eu estava atrás da Krys. Todas estavam imóveis.
–O que quer? Rir de nós? Krys perguntou com muita irritação na voz.
–Calma, vim ver se tem novidades... Ele disse e depois riu debochado. Mas ei, quem é essa gracinha atrás de você? Ei lindinha deixa eu te ver...
Eu caminhei timidamente ficando á frente da Krys, mas ela me segurou e lançou um olhar mortal pro rapaz.
–Deixa minhas meninas e vai seguir teu caminho Senhor. Ele riu mais. Abriu a porta e saiu, Krys recuou meio assustada e me puxou junto.
–Olha, eu não mordo, só se me pedir. Ele disse segurando o rosto da Krys. E rindo logo após. Krys soltou-se bruscamente dele fazendo-o gargalhar.Eu realmente gostei da sua amiga. Ele se aproximou de mim, seu rosto á poucos centímetros do meu. Prendi a respiração e fui soltando lentamente, apesar de tudo o filho da mãe era bonito. Alto, um corpo muito bom, nem gordo, nem magro, os braços bem delineados saltavam pela jaqueta apertada, uma calça jeans que mostrava um bumbum sarado, uma pele branca, um perfume inebriante... Engoli em seco e fiquei olhando nos olhos dele.
–Como se chama lindinha? Aproximou-se do meu ouvido e sua respiração quente se chocou contra o meu pescoço, me arrepiando minimamente.
–Ye-Yeuna... Era difícil até me concentrar.
–Mas apesar do nome você não tem nada de coreana, de onde é?
–Brasil, meu pai é filho de coreanos...
–Ahn........ Novamente me arrepiei.
–Vem comigo linda?
–Ahn... eu...eu...eh
–Não, é a primeira vez dela e não será com o Senhor, eu ainda vou instruí-la e...
–Shhh! Com licença, o que você poderia ensinar pra ela que seja melhor do que eu posso ensinar? Eu saberei cuidar da sua princesa. Não se preocupe.
–Você vem?Perguntou sorrindo e juro seu sorriso era lindo. Olhei para Krys, ela apenas baixou o rosto e disse que eu decidisse se queira ou não.
Uma hora eu teria que ir, mesmo não querendo, fiquei tão inebriada, tão envolvida pelo desgraçado que acabei aceitando e entrei na limusine.
–Fique calma, eu não farei mal á você! Quer champanhe?
–Não senhor, obrigada! Eu apertava meus dedos visivelmente nervosa quando ele gargalhou.
–Senhor? Adoro isso, Eu sou algum velho agora? E ria mais ainda. Ah e não fique nervosa querida. Serei bonzinho com você. E beijou minha nuca.
–Pra onde iremos Senhor? Perguntou o chofer abrindo a janela á espera de uma resposta.
–Pro meu apartamento... Sorriu pra mim e tomou um gole de champanhe no gargalo da garrafa.
–Então é sua primeira vez nisso? Perguntou sério e co uma expressão curiosa...
–Sim. Baixei o rosto
–Porque uma menina tão linda, faria algo assim?
–Preciso de dinheiro! Quero voltar para casa.
–Hummm... Há quanto tempo está no País?
–Um ano... Eu estava sempre nervosa e alerta.
–Trabalhou no que antes?
–Lanchonetes, lojas, porém fui demitida, e acabei na rua.
–Entendo... Bom vamos nos divertir hoje, prometo e quero saber um pouco mais sobre você... Aproximou-se novamente beijando minha orelha. Meu corpo tremia, me arrepiava involuntariamente.
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