Garota milagrosa

11 Problemas no paraíso


P.O.V. Sam.

Todos os dias ás sete horas ela vem senta na mesma mesa e pede a mesma coisa. Panquecas com calda de chocolate e chá.

—Oi Andy? Panquecas com calda de chocolate e chá?

—Não. Hoje eu quero o meu bolo de aniversário especial.

Os outros garçons, os mais antigos vem carregando um bolo de suspiro e chocolate e cantando parabéns.

—Feliz aniversário de 19 anos Andy!

—Obrigado Morrice.

Ela estava comendo bolo o qual já tinha dividido para todos os presentes quando um garotinho de mais ou menos uns seis anos diz:

—Você nunca muda. Isso é estranho.

Ela parou de comer e perguntou:

—O que disse?

—Você não fica velha. Eu vi nas fotos do meu avô, ele ficou velho, mas você não.

Ela até afogou com o bolo.

—Tá tudo bem Andy? Quer um copo d'água?

—Eu estou bem obrigado Maria.

Maria, já idosa disse para o menino:

—Eu já expliquei isso pra você José, falei que ela é especial. Que ela é diferente e pedi pra não falar nada.

—Mas, se ela é especial devia ficar orgulhosa.

—Olha, José. Existem pessoas no mundo, pessoas ignorantes, que não sabem de certas coisas, mas pensam que sabem. Caçadores, homens de letras, pessoas que dedicam suas vidas a caçarem pessoas especiais. Elas não compreendem que a natureza busca um equilíbrio que o bem não pode existir sem o mal e que a luz não pode existir se não houver trevas, mas nem tudo são trevas. Nem todos são maus. Eles não pensam que nós temos pais, mães, avós, famílias não eles nos veem como monstros. Só que eles são os verdadeiros monstros, os caçadores sem código são os piores de todos. Nos chamam de coisas isso é pior que ser chamado de bicho.

—Porque eles querem machucar vocês?

—Porque somos um estado de existência que eles não compreendem. Somos diferentes e pra eles diferente é necessariamente ruim. Eu não nego meu pequeno João que existem os malvados, aqueles que não tem o mínimo de respeito por nada e nem por ninguém. Mas, a maioria não é assim. Mas, eles não querem nem saber. Eu fui pega por um caçador uma vez, era um homem sem alma.

Ela tirou as pulseiras e arregaçou as mangas. Dava pra ver as cicatrizes.

—Quem fez isso com você Andy? Porque?

—Porque eu sou diferente. Eu nunca me alimentei duma pessoa viva pequeno José. E o nome do monstro que fez isso comigo é John Winchester nem sei se tá vivo ou se tá morto e também pouco me importa. Aquele homem era horrível. Ele me prendeu com correntes de prata esterlina pura, atirou em mim e quando eu finalmente consegui sair eu só pensava... graças aos Deuses que a minha mãe veio me salvar. Ela não o matou, só o amarrou e largou-o a própria sorte. Não somos assassinas, eles é que são. Aquele homem matou a Amy.

Eu nunca tinha parado pra pensar, mas ela tava certa. Sobre tudo, absolutamente tudo.

—Amor, tenho que contar uma coisa.

—Claro, pode falar.

—John Winchester morreu.

—Como sabe disso?

—Porque ele era meu pai.

Tirei a camisa e mostrei a tatuagem.

—Você é um deles. Você é um assassino.

—Andy...

—Não me chama mais assim! Faz alguma ideia do que eu passei na mão do seu amado pai? Faz alguma ideia do que aquele homem fez comigo?

—Andy...

—Eu pensei que eu ia morrer!

—John não é meu pai biológico.

—Mas, ele te criou, te ensinou a caçar pessoas, a matar e a ser igual a ele. O que existe de nobre nisso? Cadê a nobreza? Os que tem um código eu entendo, sabe estão protegendo sua família e sua espécie. Mas, você não tem código tem?

—Código?

—Nous Chassons la chasse. Caçamos os que nos caçam.

—Mesmo? Isso existe mesmo?

—Sim. Existe, eles seguem o código. Á risca, caçadores que quebram o código são condenados a morte.

—Porque a sua vida, vale mais que a minha?

Ela não disse mais nada simplesmente se levantou e saiu.

—Você é malvado, fez mal pra Andy. Caçador idiota!

O menininho deu um chute na minha canela.

—Ai!

Logo eu ouço aquela risada.

—Dean?

—Apanhando de um menininho de seis anos Sammy?

—Eu tenho seis e meio tá?

O menino mostrou a língua pro Dean e saiu correndo.

—Seis e meio. Impressionante.

—O que você quer aqui Dean?

—Fiquei sabendo que existe um bando de vampiros morando aqui.

—Nova York é uma cidade enorme. É de se esperar que tenham seres sobrenaturais morando aqui como eu por exemplo.

—Você não é sobrenatural Sammy.

—Não? Sou filho de Lúcifer. Eu tenho poderes e o meu sangue é preto.

—O que?

—Ele nunca te contou não é? Porque eu não to surpreso.

—Sammy você tá legal?

—Não acredita?

—Não.

Fui até a cozinha, peguei uma faca, estendi a mão e a cortei. Saíram duas ou três gotas e o corte fechou.

—Caramba!

—Acredita agora?

—Como? Quando?

—As mudanças começaram com a puberdade. Só o pai sabia.

P.O.V. Dean.

O sangue era preto. Preto de tudo.

—Caramba! Isso é doideira.

—Eu sei.

—Você é demônio? A água benta não te afeta em nada.

—É porque eu sou metade mortal. Metade humano, somos filhos da mesma mãe só que não do mesmo pai.

—A nossa mãe dormiu com o diabo?

—Acho que ela não sabia. Ele tomou a forma do papai e visitou o quarto dela, ela nunca que iria desconfiar, só descobriu quando ficou grávida e eu comecei a fazer ela ter pesadelos.