Garota de Maresia
2 Can't Take My Eyes Off Of You
Notas iniciais
Luke bateu a porta, ansioso para sair de casa rápido. O toque de Gary na cintura de sua mãe fazia com que tivesse arrepios.
Contornou a entrada da casa e adentrou a garagem, pulando algumas latas de tinta no chão e esticando-se para alcançar a prancha, presa sobre as vigas de madeira no teto. Puxou-a e ergueu-a sobre a cabeça sem dificuldade.
Tomou cuidado para não bater com a prancha na van, seu único meio de transporte para competições de surf em outras praias. O dia em que Susan White, mãe de Luke, o levasse para outra praia em função de surf, ela também o levaria para viajar e de quebra lhe daria um carro decente.
Ele riu ao imaginar uma situação dessas.
Espreguiçando-se, encostou a prancha ao lado da porta e voltou para dentro para poder vestir sua Short John – mais comumente conhecida como "macacão de surfar". Tentou ser o mais rápido possível, e agradeceu pelo neoprene deslizar facilmente por sua pele.
Finalmente pronto, pôs-se a andar em direção à praia. Precisava aproveitar todo o tempo disponível para treinar e ganhar o campeonato. E passar o menor tempo possível em casa. Luke também não podia aceitar que Gary se mudasse para sua casa com sua filha.
Aquela garota era mimada, controladora e, se fosse realmente morar na casa de Luke, tornaria a vida do garoto um inferno.
Luke estava descalço, e ao andar sobre a calçada em frente à praia sentia os grãos de areia sob seus pés. Sobraram apenas alguns turistas próximos do mar, mas já se preparavam para deixar a praia antes que escurecesse.
Luke não se importava em surfar à noite, por mais que sua mãe dissesse que era perigoso e…
— Caramba.
Ele parou de andar assim que olhou para a garota que vinha em sua direção. Ela era incrível.
A pele dela era clara, algo difícil em Onset. A maioria das pessoas dali tinha a pele bronzeada. Luke não conseguia pensar em mais nada que não fosse a vontade de tocar os cabelos dela. Era castanho e ondulado, chacoalhando conforme ela caminhava.
Os olhos castanhos dela encontraram os dele, e Luke quase derreteu. Ela sorriu, um sorriso incrível.
Luke podia sentir a prancha deslizando sob seus dedos, mas não se incomodou. Abriu um sorriso bobo.
— Luke? É você?
Seus olhos se desviaram lentamente, relutantes, para o garoto parado ao lado dela, mas não processou as palavras dele. A prancha deslizou um pouco mais, e Luke voltou os olhos para a garota.
— Qual é o seu n… AAAAAAAAAAH!
Ele saiu do transe quando a prancha soltou-se de sua mão e caiu sobre seu pé esquerdo, esmagando tudo. Depois, ela tombou para o lado e deixou Luke com o pé vermelho e dolorido.
— AH, CARAMBA! – gritou, sentando-se no chão e segurando o pé. – ISSO ESTÁ DOENDO MUITO!
O som da risada fez com que ele levantasse os olhos apertados para a garota, que estava rindo muito.
— Luke! – exclamou novamente o outro menino. – Sou eu, Jack, não se lembra de mim?
Sim, ele se lembrava. Mas não se lembrava da outra garota.
— Oi, Jack – soltou entre dentes. – Como vai?
— Estou bem – Jack respondeu prontamente. – Mas você não parece muito bem.
Luke assentiu com a cabeça, ainda com os olhos colados na menina. Constrangida, ela baixou os olhos para a calçada.
— Lembra-se de Alice?
Então esse era o nome dela!
— Hm, sinceramente não, me desculpe – murmurou Luke, colocando-se de pé e tentando se controlar. – Prazer, sou Luke.
Ele estendeu a mão e ela a pegou, provocando um terremoto nas entranhas de Luke.
Não conseguia tirar os olhos dela. Parecia um anjo. Só não tinha asas.
— Você surfa? – perguntou para Jack, esforçando-se para parar de encarar Alice. E se ela o achasse esquisito?
— Ah, não – respondeu Jack. – Mas Alice anda dizendo que gostaria de aprender. Talvez você possa ensiná-la.
O coração de Luke deu um salto. Ele olhou para ela, que sorriu.
— Ah, claro – falou ele, sorrindo. – É só marcar. Estou livre o mês inteiro.
Alice soltou uma risada.
— Amanhã, então? – sugeriu, olhando dentro dos olhos dele. A voz dela era tão linda quanto o resto.
— Com certeza. – confirmou Luke, esquecendo-se da presença do resto do mundo. – Às oito?
Ela assentiu com a cabeça.
— Hm, foi mal, Luke – interveio Jack. – Nós temos que ir. Não podemos nos atrasar para o jantar.
— Foi bom ver vocês – Luke despediu-se.
Jack e Alice sorriram e foram andando.
Luke continuou seu caminho até a praia, saltitando e rindo.
— Isso! – exclamou, dirigindo-se para o mar.
Surfou algumas ondas, voltou para casa e passou o resto da noite praticando o que diria para Alice no dia seguinte.
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