Notas iniciais
Estou trabalhando em algumas coisas novas e não tenho ideia de quando vão ficar prontas, ou se eu realmente irei postar, mas, prometo que vou me esforçar bastante. Aproveitem.

Não, ela não podia estar acompanhada.

Mas é claro que ela estaria, uma mulher daquelas não costuma andar sozinha.

Soltei um suspiro quando á vi levantar de mãos dadas com o homem que a acompanhava, eles caminhavam em direção á pista de dança, definitivamente aquele não era meu dia de sorte.

—Quanto você pagaria pra ser aquele cara?- Esposito perguntou me estendendo outro copo, com alguma coisa desconhecida, que definitivamente não era whisky.

—Todo o meu dinheiro.

—Não é o bastante, você é praticamente um falido.

Dei um sorriso de canto, um gole na bebida e respondi: -Deve ser por isso que ele está la- apontei com a cabeça- e eu aqui, tomando essa coisa nojenta que você me deu.

Ele riu e virou a cabeça pra mim.

—Porque você não vai falar com ela? Sei lá, pede o telefone, paga uma bebida.

—Acha que eu sou cara de pau como você? -Arqueei uma sobrancelha. Ela está acompanhada.

—Não. Você, definitivamente é mais cara de pau que eu. E eu não acho que ele seja namorado dela, eles não se beijaram uma vez sequer... Não que ele não queira.

—Não acho que eu tenha chance.

—Espera ele ir no banheiro, o máximo que pode acontecer é você levar um não.- Ele levantou o copo, deu um gole e me deixou sozinho com o liquido esverdeado pela metade.

Ela se movia de um jeito de deveria ser proibido, pelo menos com aquele cara colado no corpo dela.

Tocava uma daquelas músicas da terra do Esposito, e eu adoraria perguntar onde ela aprendeu a dançar daquele jeito.

Ela movia os quadris enquanto o homem colocava as mãos em sua cintura, o jeito que ela olhava pra ele e mordia os lábios me faziam ter pensamentos nada inocente sobre nós dois.

Eu nunca quis tanto ser outra pessoa na minha vida.

Ele arfava enquanto ela roçava o corpo no dele, e o desgraçado descia suas mãos até a bunda dela.

Agora eu queria matar esse cara. Quem ele pensava que era? Eu iria arrancar as duas mãos dele, e jogaria num saco, e depois jogaria num rio, pra que elas ficassem bem longe daquela mulher.

A música acabou, e ela veio em direção ao bar, parou ao meu lado e pediu uma dose de vodka.

—Não é muito fã dos drinks coloridos?- Perguntei virando em direção á ela.

—Não está me perguntando isso de uma maneira machista, está?- Meu deus, eu queria ouvir aquela voz todos os dias que eu acordasse, e todas as noites que eu fosse dormir.

—De maneira alguma...-Levantei o copo com o liquido verde totalmente nojento e ridiculamente doce que eu estava tomando, enquanto fazia uma careta.

—Kate.- Ela deu uma risada baixa e estendeu a mão pra mim.

—Rick. –Retribui o comprimento.

E naquele momento meu amor pelo Javier aumentou uns 50%.

Nós ouvimos uns gritos e umas risadas, que eu conheceria de qualquer lugar.

Javi havia derrubado “acidentalmente”, um copo de cerveja nas calças do homem que acompanhava Kate.

Ele ficou realmente puto e eu achei que meu amigo hispânico fosse perder alguns dentes essa noite.

Ao que parecia ele estava se desculpando, mas suas feições admitiam que ele não se arrependia nem um pouco.

Já estava me preparando para ir socorrer o moreno quando o homem então veio na nossa direção pediu um pano ao garçom.

—Vamos?- Ele perguntou á Kate com uma cara nada amigável.

—Pra onde?

—Embora, eu te deixo no seu apartamento.

—Eu não vou.- Ela finalmente tomou o shot que estava esquentando na sua mão.

—O que?

—Eu não vou, não quero ir embora.- Ela disse se virando pra mim.

E então ele me olhou, olhou pra ela, jogou o pano sobre o balcão e foi embora pisando forte.

Soltei uma risada nasalada e virei pra ela.

—Desculpa, não deveria rir do seu namorado.

—Ele não é meu namorado- se apressou á explicar- é só um cara.

Eu não seria só um cara pra ela, não mesmo.

Então começou a tocar uma musica dançante dos anos 80, e ela me pareceu tão convidativa. Larguei o copo no balcão, estendi a mão pra ela e perguntei:

—Me concederia a honra?- com o meu melhor sorriso.

Ela abriu o sorriso mais bonito e branco que eu já tinha visto, pegou minha mão e respondeu: -Seria um prazer, senhor.

—Nunca mais me chame de senhor- olhei pra ela- não quero que pensem que estou abusando de você ou algo do tipo.

Ela deu um sorrisinho de canto e respondeu me olhando nos olhos: Eu sou maior de idade, mas, se você quisesse abusar de mim também não seria um problema.

Eu estava ferrado.

Deus, eu estava muito ferrado.

Nós começamos a dançar uma, duas, três músicas, e a cada música que começava ela me parecia ainda mais linda.

Nós estávamos suados e completamente bêbados, eu não lembrava mais de faculdade, não sabia onde meus amigos estavam, e muito menos me importava com a garota que veio ao bar comigo.

Só ela importava, o jeito como ela balançava suas pernas e ria como se aquela fosse a coisa mais engraçada do mundo.

Eu não sabia nada sobre ela, além do nome.

Os olhos de cor indefinida brilhavam mais que o sorriso branco que dançava no rosto dela.

Os cabelos balançavam fazendo com que aquele cheiro de cerejas e baunilha voassem estapeando meus sentidos me extasiando por completo.

E ai o mundo parou completamente, ela era linda, parecia que nos conhecíamos mais que uma vida inteira, eu só queria abraça-la e beija-la pra sempre.

Eu estava apaixonado por aquela mulher, pelo seu rosto suave, suas curvas singelas e seu corpo escultural.

Eu me apaixonei a primeira vista por uma garota no bar, na noite de quinta dançante, e eu poderia facilmente ama-la todas as noites da minha vida.

FIM
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