Garota Totalmente Liberal
3 Sera?
Notas iniciais

Eu e Pedro saimos de fininho para eles não perceberem. Durante o caminho ele ficou me contando sobre os seus sabores de sorvete favoritos, até que...
— Gabyyyy. – Olhamos para trás juntos. Era a Victoria. Olhei para o Pedro um pouco decepcionada.
— Continua andando e ignora ela! – Ele segurou na minha mão e acelerou o passo. Continuamos andando e ela continuou gritando.
— Pedro, coitada. – Disse rindo.
— Coitada nada Gaby. Deixa ela gritando, uma hora ela cansa. – Ela estava correndo atrás de nós dois. Não demorou muito e o Maikon chegou para ajuda-la. Pedro olhou pra mim decepcionado.
— Ah deixa vai. Eles não vão desistir tão cedo. – Ele parou e eu parei junto, afinal ele estava segurando a minha mão. Victoria e o Maikon pararam na nossa frente ofegantes.
— Onde vocês estão indo? – Victoria perguntou se apoiando em mim.
— Ah, a gente vai tomar um sorvete! – Pedro respondeu sério.
— Hum, indo tomar um sorvete é? – Maikon começou a rir e deu um tapinha nas costas de Pedro, que riu também.
— Sim, tomar um sorvete! – Pedro repetiu a frase.
— E por que vocês estavam fugindo da gente? – Maikon perguntou ainda com um sorriso malicioso no rosto. Eu e Pedro olhamos um para o outro assustados, mas querendo rir ao mesmo tempo.
— Que? Do que você ta falando? Ninguém estava fugindo de ninguém! Apenas não ouvimos vocês chamando. – Pedro respondeu tentando esconder o riso. _ Vocês dois estão ficando loucos. – Ficamos nós quatro um olhando para a cara do outro. O clima estava bem estranho.
— Bom, então a gente pode ir com vocês né? – Victoria perguntou. Olhei para o Pedro e ele também olhou pra mim.
— Pode ué. – Ele riu como se fosse uma pergunta engraçada. E então la fomos nós quatro tomar sorvete.
— Aí, quem vai pagar pra quem, porque eu já vou avisando que só vou pagar pra Gaby. – Pedro perguntou durante o caminho.
— Ah ta bom, então eu pago pra Victoria. – Maikon respondeu depois de pensar um pouquinho. Esse foi o combinado.
Ficamos rodando o quarteirão todo em busca do tal carinha que vende sorvete que o Pedro disse. E depois de muito tempo finalmente achamos. Como combinado, o Pedro pagou três picolés pra mim e três pra ele, e o Maikon fez a mesma coisa com ele e com a Victoria. Eu peguei um de morango, um de chocolate preto e um de chocolate branco, a Victoria pegou um de coco, chocolate preto e outro de morango, o Maikon pegou um de coco queimado, um de coco e um de chocolate preto. Já o Pedro tem diabete, então temos que ficar de olho nele para ele não abusar. Ele pegou o primeiro sorvete de morango, o segundo de chocolate preto e o outro ele ia pegar de coco, mas antes que ele pegasse a Victoria me empurrou do lado dele.
— Pedrinho, você não pode abusar do açúcar lembra o que aconteceu da ultima vez? – Da ultima vez, o Pedro comeu muita bala na sala de aula, e depois tomou umas duas latinhas de coca-cola e ai ele passou muito mal na escola, de verdade. Ele desmaiou durante o jogo de futebol que estava jogando, e além de se machucar feio ele foi para o hospital e ficou internado. Eu não sei direito o que aconteceu porque quem ficou sabendo das coisas foi a Victoria e ela não quis me contar. Mas tudo bem, o importante é que ele ficou bem depois. Foi muito assustador e eu fiquei super preocupada. Até acabei chorando com medo do que podia acontecer com ele! _ Olha, pega um de fruta agora. Pega de manga, de manga é gostoso também. – Ele apenas olhou para ela e concordou com a cabeça.
Pagamos os sorvetes e saimos.
— Aí, vamos tirar uma foto? – Maikon disse já pegando o celular. Concordamos imediatamente. Tiramos umas cinco fotos, todos com sorvete de chocolate, só pra combinar, tipo aquelas fotos de internet, sabe?! Depois decidimos sentar na praça, estava muito sol e o sorvete já estava começando a derreter. Sentamos em uma raiz de arvore que já estava saindo pra fora da terra de tão grande. Claro que o Pedro acabou com o sorvete dele e depois com o meu também. Ficamos conversando e relembrando as coisas que passamos juntos, as nossas conversas, o inicio de tudo e por ai vai. Olhei para o Pedro e ele estava olhando para o nada quieto, fiquei morrendo de vontade de perguntar o que ele estava pensando, mas resolvi não falar nada. Do nada ele se levanta.
— Aí, alguma de vocês duas tem um lápis para me emprestar? – Ele perguntou rindo. Victoria olhou pra mim confusa, o que será que ele vai fazer? Pensei comigo mesma.
— A Gaby tem um lápis sobrando. – Victoria falou rindo. Eu fiquei olhando para ela sem saber o que dizer. Sim, eu realmente tenho um lápis, mas é o meu lápis de reserva. Se ele estragar ou perder, como eu vou fazer quando acabar o grafite da minha lapiseira? _ Ah Gaby para de ser chata, empresta logo o seu lápis pra ele. – Olhei desconfiada.
— Mas o que você vai fazer com o lápis Pedro?
— Gaby só empresta o lápis vai, fica de boa ai. – Os três começaram a insistir muito e mesmo eu não querendo, emprestei do mesmo jeito.
Pedro saiu correndo em direção a parede da biblioteca que fica na praça, se ajoelhou e começou a escrever alguma coisa. Maikon não conseguiu se segurar e foi correndo ver o que ele estava escrevendo, enquanto isso eu e Victoria ficamos olhando de longe. Depois de alguns minutos, Pedro se levantou sorrindo e fez sinal para gente ir la.
— Eai gente? O que acharam? Agora essa praça vai ter pra sempre os nossos nomes. – Olhei para a parede e estava escrito os nossos nomes. Imediatamente eu achei muito fofo, com toda a certeza vou sentir muita falta dele!
Ficamos comentando por muito tempo sobre a grande idéia de Pedro, mas ele não deu muita bola. O assunto logo acabou e saímos de la, voltando para a raiz da arvore.
— Gente olha que maneiro! – Pedro apontou mostrando uma pilha de folhas secas em volta das arvores. Nós paramos e ficamos olhando.
— É, verdade! – Victoria respondeu sorrindo. _ Parece cena de filme né. – Pedro e Maikon ficaram olhando um pro outro rindo, e sem que a Victoria percebesse, eles a jogaram no meio das folhas. E foi assim que começou a nossa “brincadeira”. Um jogando o outro nas folhas. Eu fiquei apenas olhando, rindo, mas não por muito tempo, assim que os três perceberam que eu estava limpa, vieram correndo em minha direção tentando me jogar. Corri deles, mas não adiantou muito. Pedro me segurou pelo braço e foi me arrastando, Maikon veio rapidinho ajudar ele a me jogar nas folhas, e sim eles conseguiram.
Me levantei ainda rindo e limpando a minha roupa, e então percebi que a minha blusa tinha rasgado. Ai não acredito, minha mãe vai me matar, pensei comigo mesma. Olhei para os lados procurando os três, até que vi eles um pouco mais longe. Pedro, Maikon e Victoria estavam apostando quem subia mais alto na arvore e então decidiram provar um para o outro. Todos subiram na arvore menos eu é claro. Por alguns motivos básicos, primeiro, eu não sei subir em arvore, segundo, com certeza eu iria ficar toda suja e se eu chegar em casa toda suja minha mãe me mata, e terceiro, do jeito que eu sou gorda, eu com toda a certeza do mundo iria fazer alguma gordice e ai iria virar piada para eles eternamente. Então é melhor não arriscar.
— O Gaby, sobe aqui com a gente. – Pedro me convidou rindo.
— Ah não Pedro, eu não sei subir em arvore.
— Vai eu te ensino.
— Não Pedro para, eu não quero.
— Para Pedro você não esta vendo que ela não consegue subir aqui em cima. – Victoria disse rindo e os dois a acompanharam. Pedro parou de rir e ficou olhando na minha cara, logo depois pulou da arvore ficando na minha frente.
— Oh Gaby, para com isso, sobe la com a gente vai. – Fiquei olhando para ele
— É sério Pedro, eu não sei subir em arvore. Melhor deixar pra la. – Ele ficou me olhando.
— Ah é? Vamos ver então se você não vai subir. – Fiquei olhando para ele, tentando entender o que ele ia fazer. Ele saiu correndo, pegou a minha mochila e subiu na arvore. Foi tudo tão rápido que eu não consegui nem pensar direito, quando vi ele já estava la em cima.
— Ah Pedro, para vai, devolve a minha mochila!
— Só se você subir aqui pra pegar.
— Para Pedro, eu não sei, já disse.
— Ah Gaby, tenta pelo menos.
— Não vou tentar nada. Me devolve vai. – Ele pegou a mochila e subiu bem mais alto, não contente, pendurou a mochila la em cima, desceu e saiu andando. Fiquei olhando para ver onde ele ia. Ele pegou a mochila dele e saiu. Corri atrás dele e o grudei pelo braço. _ Pedro, pega a minha mochila vai.
— E o que eu ganho em troca? — Fiquei pensando e tive uma idéia.
— Eu tenho uns dez reais aqui, se você quiser eu te dou, mas ai você tem que pegar a mochila. – Ele ficou me olhando e começou a rir.
— Se eu soubesse que era tão fácil pegar dinheiro da Gaby desse jeito, já tinha feito isso a muito tempo. – Ele subiu na arvore e pegou a minha mochila. Entregamos a mochila e o dinheiro ao mesmo tempo, para ser justo. Depois disso os três começaram a fazer varias ‘brincadeirinhas’ maldosas. Não agüentei, peguei a minha mochila e sai andando, segurando o choro.
— Oh Gaby, onde você vai? – Maikon gritou de cima da arvore, um pouco engasgado de tanto rir.
— Eu vou embora! Se for para vocês ficarem rindo da minha cara, é melhor eu ir embora. Tchau! – Continuei andando, mas eles começaram a rir e a zoar mais ainda. Comecei a andar mais rápido, até que alguém me puxou pelo braço.
— Gaby para vai, a gente só ta brincando. Vai vamos voltar. – Fiquei olhando para ele e ele sorriu. _ Vai vamos. – Decidi aceitar e voltar. Quando cheguei la, eles já estavam sentados no chão. Maikon e Victoria estavam comentando sobre a prova de geografia. Victoria ficou me olhando.
— Pronto? Acabou a gracinha? – Não respondi nada, apenas fiquei quieta.
— Galera, eu acho melhor a gente ir embora. Daqui a pouco bate o sinal para liberar o pessoal. –Maikon disse, olhando a hora no celular. Eles se levantaram e fomos embora. Chegando na escola, os portões ainda estavam fechados, ou seja, o sinal ainda não tinha batido. Sentamos no chão e ficamos esperando o sinal bater.
— Aí, onde vocês estavam? – Olhamos e era o Rafael que estava vindo em nossa direção.
— A gente foi dar uma volta. – Respondeu Pedro. Nos levantamos para conversar com ele que parou na nossa frente.
— Hum foram dar uma volta é? – Ficamos olhando para ele sem falar nada enquanto ele ria da sua própria piada. Ele parou de rir e também ficou sério. _ Ah qual é gente, eu to brincando! – Ele deu um tapinha nas costas do Maikon e logo mudou de assunto. _ Vocês vão vim segunda na festa de despedida né?
— Eu vou vir com certeza! – Maikon respondeu rindo.
— E vocês? Não vão vim não?
— Eu não vou vim. Tenho médico. – Pedro respondeu meio decepcionado. Sabemos bem que não é esse o motivo. Vai ter muito doce nessa festinha e bem, sabemos que ele ama doces, mas infelizmente não pode comer, então...
— Hum entendi. – Rafael deu uma pausa e ficou olhando pra mim e para a Victoria, talvez esperando que a gente dissesse alguma coisa, mas como não falamos nada ele decidiu perguntar. _ E vocês? Não vão vim?
— Eu não vou vim. – Victoria respondeu com desdém. _ Vou fazer o que aqui? Prefiro ficar na minha casa dormindo. – Rafael olhou pra mim esperando uma resposta.
— Bom, se a Victoria não vai vir eu também não vou. – Respondi sem olhar diretamente para ele.
— Ah, eu não acredito nisso. Gente vai ser o nosso ultimo dia juntos. Depois disso, nós vamos estar no primeiro colegial. Pode ser que a gente nem se veja mais. Temos que aproveitar isso! – Eu e Victoria nos entreolhamos.
— Mesmo assim, eu e a Gaby nem pagamos. – Victoria é bem rápida no raciocínio.
— Se o problema for esse pode deixar que eu resolvo. Eu pago pra vocês. – Eu e Victoria nos entreolhamos de novo.
— Você esta falando sério? – Victoria perguntou com um sorriso no rosto.
— Claro que eu to.
— Ah então beleza. – Victoria respondeu rindo ainda mais. Rafael chamou o Gustavo, que era quem estava cuidando desse assunto. Gustavo é o menino mais gato da sala, e talvez o mais legal também. Ele veio rapidinho ver o que o Rafael queria. Não sei por que, mas o Rafael tem um certo poder sobre os meninos. Não sei se eles tem medo dele ou se admiram muito ele, só sei que todos fazem o que ele quer sem reclamar.
— Oh Gustavo, coloca ai que a Victoria e a Gaby ja deram o dinheiro da festa de segunda. – Gustavo olhou sem entender nada.
— Mas Rafael, cadê o dinheiro? _ Rafael pegou a carteira de dentro do bolso e tirou uma nota de 50,00, logo em seguida entregou o dinheiro para ele que ficou olhando sem entender.
— Aí cara, eu to pagando a parte das duas aqui. E pode ficar com o troco. – Gustavo pega o dinheiro e anota em um papel os nossos nomes, eles se cumprimentam com um abraço e ele sai. Rafael continuou falando com a gente, mas logo saiu para dar em cima de umas meninas que estavam passando na rua. Eu fiquei muito feliz e animada, eu adoro festas e agora eu acho que a Victoria também vai. Olhei para ela sorrindo e perguntei esperando ouvir um sim.
— Então você vai vir?
— Claro que não! – Ela me disse como se a resposta fosse óbvia. _ Ele pagou aquilo porque ele quis. – Minha alegria acabou naquele mesmo instante. Eu queria muito ir, mas sem a Victoria eu vou ficar sozinha.
O sinal bateu e as pessoas começaram a sair. Já era a hora de ir embora! Victoria automaticamente abraçou o Maikon, logo em seguida fez o mesmo com o Pedro. Eu fiquei olhando para eles esperando que algum deles me abraçassem também, e então o Maikon veio em minha direção sorrindo, isso me deu um certo alivio e logo eu sorri de volta.
— Pensou que eu não ia te abraçar é? – Ele sorriu, acho que eu dei muito na cara. Ele me abraçou forte e me girou, me fazendo rir e gritar ao mesmo tempo. _ Vou sentir saudade disso, minha baixinha. _ Ele disse no meu ouvido.
— Eu também! – Ele me soltou e eu me virei na esperança de dar um abraço em Pedro, mas percebi que ele não estava mais ali. Fiquei olhando para os lados e vi que ele já estava indo embora. Por um impulso maior, corri atrás dele que já estava virando a esquina. Quando o alcancei, grudei no braço dele e ele virou um pouco assustado.
— Ei, onde você esta indo?
— Embora pra minha casa. – Ele me respondeu rindo, como se a pergunta fosse idiota.
— Sim eu sei, mas você não nem me dar um abraço?
— Ah Gaby, pra que isso?
— Ah para vai, vem ca me dar um abraço. – Eu fiquei na ponta do pé para poder abraçar ele, mas ele não se esforçou nem um pouco e continuou parado do mesmo jeito. Abracei ele quase caindo e então ele me segurou pela cintura, mas não se aproximou muito. Ficamos ali abraçados e então ele foi me distanciando. Fiquei olhando pra ele.
— Tchau Gaby, a gente se vê por ai e boa sorte na sua prova para aquela escola. – Ele se virou e continuou andando. Eu fiquei olhando ele ir embora, um pouco chateada claro, mas voltei pra la sorrindo como sempre. Vi que a Victoria estava vindo em minha direção com a minha mochila.
— Cadê o Maikon?
—Ja foi embora, você ficou la de fogo com o Pedro. Ou você acha que todo mundo tem que esperar a sua vontade. Toma – Ela jogou em mochila em cima de mim. _ Viu, vamos dar uma passadinha rápida na pracinha ali para beber água e ai a gente vai embora.
Durante o caminho ela me contou que o Pedro tinha passado o numero dele pra ela. Isso me deixou decepcionada. Por que ele não passou o numero dele pra mim também? Paramos para ela beber água.
— Gaby, segura o meu celular, por favor? – Disse que sim com a cabeça e sorri.
— Victoria, posso pegar o numero do Pedro no seu celular? – Para a minha surpresa ela disse que sim. Imediatamente peguei o meu celular e anotei o numero dele. Devolvi o celular para ela e então fomos embora.
Quando cheguei em casa fiquei pensando em mandar uma mensagem, mas imagina o que ele ia pensar de mim? Afinal, ele deu o numero dele para a Victoria e não pra mim. Pensei melhor e decidi deixar quieto e esquecer essa historia.
Fale com o autor