Garota Sonhadora
1 Milagres? Eles Existem?
Notas iniciais
Hoje foi um dia, esquisito, mais precisamente. Claro que na minha vida a maioria dos dias é fora do comum, mas esse? Nossa! O que foi esse dia?
Eu acordei com o som da chuva na minha janela, era genial acordar assim, principalmente porque meu carro meia boca estava no conserto, de novo, pra variar. Eu tinha um Ford KA, um dos modelos mais antigos, é tudo que sei sobre carros, normalmente é meu irmão que faz os ajustes que ele precisa e, pois bem, meu irmão está viajando, em um intercambio, a 4 meses e pedir pro meu pai olhar meu carro é a mesma coisa que apostar corrida com uma tartaruga, ele vai concordar e depois de 90 dias dar uma olhada, só que meu querido KAzinho, não pôde esperar, coitado, e então aqui estou eu, andando de ônibus, novamente.
Por ser dia de chuva, minha preguiça estava com toda sua força em cima de mim, normalmente ela pesa um elefante, mas hoje estava mais pra uns cinco. Meu celular já tinha batido o recorde de sonecas, quando minha mãe “sutilmente” bateu na porta para que eu acordasse. Faço Psicologia na UNIFESP, e eu adoro minha faculdade, de verdade, mas não sei ainda se é isso que quero para mim, a questão é: meus pais se mataram a vida toda para que eu passasse na UNIFESP e eu só tinha o dever de escolher o curso, talvez se eu dissesse que queria fazer Designer Gráfico, ser uma escritora, ou seguir algo voltado para artes, mataria os dois de desgosto, então escolhi psicologia, pois é.
Nos dias preguiçosos eu não tenho coragem de passar maquiagem para ir à faculdade (e eles são muitos!), então apenas peguei uma calça Jeans, uma blusinha mais ou menos, minhas sapatilhas mais confortáveis e estava ótimo! Tenho 1,57, não sou magrela, mas também não me encaixo nas gordinhas, acho que sou padrão, nem lá, nem cá, me acho bonita, tanto que não ache que preciso de maquiagem excessiva como algumas garotas por ai às 7h da manhã, não mesmo!
– Quer que eu te leve? – Pergunta minha mãe com toda aquela vontade de que eu diga não.
– Tudo bem mãe, ainda tenho tempo. Obrigada!
Pisco para ela, para que não se sinta culpada, porque sei que se sente, mas minha mãe é complicada, porque eu sei que ela não quer me levar, mas se sente ofendida por eu dizer não. Vai entender, quero dizer, não sou a pessoa mais fácil de entender no mundo, sei que não, mas a minha mãe com certeza ganha de mim!
Olho meu celular e vejo uma mensagem do Rick, ele é meu amigo desde uma festa que bem, eu estava como sempre desolada pelo fim de um relacionamento, e não era para menos, eu havia terminado com ele a menos de 48 horas e ele já estava beijando outra na minha frente? Vamos com calma colega, eu ainda estou aqui, lembra? E então eu estava bem, bem triste com o fato, pelo menos eu achei que estava, até o Ricardo esbarrar em mim, com um copo de vodka que acabou com meu vestido, já que eu praticamente fiquei banhada a vodka, muito elegante para um inicio de festa. Ele me pediu mil desculpas e então o pedi para que pelo menos me pagasse uma bebida, descobri nesse dia que ele fazia UNIFESP também, só que engenharia e daquele dia em diante, nunca mais nos separamos.
Rick: Quer que eu te pegue em casa?
Eu: Não precisa, já estou esperando o ônibus, nos vemos no intervalo, ok?
Rick: Ok!
Normalmente aceito as caronas que a vida me dá, só que não sei por que, nesse dia lindo, cheio de chuva, me dei ao luxo de ir de ônibus. Eu tenho problemas sérios!
Entrei no ônibus e milagrosamente havia um lugar, apenas um, o que me deixou muito feliz, eram mais ou menos 30 minutos da minha casa até a faculdade de ônibus. Mal notei quem estava ao meu lado, como de costume, claro! Apenas senti uma mão me cutucando, provavelmente a pessoa havia dito algo, porém com a música nos fones no volume quase no máximo, eu podia não ter ouvido.
– Moça, você deixou cair isso! – Olhei para ele sem reação, ele era simplesmente fascinante de lindo. Sabe aqueles caras que você vê no ônibus, tem uma paixão repentina (e platônica!) e depois você sente como se tivesse perdido o amor da sua vida? Então! Só que eu já havia passado por isso com ele no mínimo umas três vezes, dá para acreditar?
– Ah! Muito obrigada, é um conteúdo da minha prova, acho que estaria encrencada se perdesse. – E então ele sorriu, meu senhor, ele sorriu.
– Imagina! Fico feliz em ser o responsável por uma nota bacana na sua prova. – E piscou para mim.
– É, só isso aqui não me faz ter nota, mas deixo pensar assim. – E então a conversa foi se desenrolando, uns 25 minutos pelo caminho da minha faculdade e então levantei interrompendo o assunto sobre séries favoritas, não podia acreditar que nosso vício por The Walking Dead era parecido.
– Bom, eu desço aqui, foi.. bom falar com você! – Eu nunca sei muito o que dizer quando um cara L-I-N-D-O está na minha frente, até porque não acontece muito.
– Posso pelo menos conseguir seu celular, Alicia? – Olho para ele alguns segundos me perguntando se era um sonho. – Tudo bem se não puder, eu entendo.
– Não... Digo, sim! – E foi assim que estranhamento eu consegui o celular de um dos caras que eu já imaginava filhos juntos.
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