Eu a via, ali, ao meu lado, tão sombria e indiferente a todo o ambiente que estava ao seu redor, Tão diferente da garota alegra e risonha que eu via sentada no canto oposto da sala de aula.

Daquele lado, ela ria, brigava e conversava. Do nosso lado, ela tinha a expressão zangada e palavras não ditas dançando no ar á sua volta.

Não havia qualquer esperança nela, ela desistiu daquilo tudo. Preferia simplesmente sofrer sozinha e deixar que seus pensamentos vagassem muito além das paredes da sala de aula, enquanto ela ouvia vagamente os risos e conversas de seus amigos, seus pensamentos sobre eles eram amargurados e vorazes:

“Como eles puderam fazer isso?! Confiei neles, acreditei neles, e olha só onde estou!”

Depois o arrependimento:

“Não. Não posso pensar isso deles, sempre me ajudaram e apoiaram. Sempre estiveram ali, ao meu lado.”

Pensamentos revolucionários, os dela. No dia seguinte, ela mudaria. E em todos os próximos dias, ela chegaria feliz e disposta a abandonar aquela situação.

-Dias Depois-

Eu não a via mais, ali, ao meu lado. Não conseguia mais enxergar aquele meu eu sombrio e indiferente. Ao me olhar no espelho eu só via o reflexo de minha nova vida: uma garota, uma felicidade, um sorriso.

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