Garota Sem Rumo (Ruivinha)

16 Capítulo 16 - Cortes


Notas iniciais
O único silencio que perturba e aquele que fala e fala alto, e quando ninguém bate a nossa porta, não há e-mails na caixa de entrada, não há recados na secretaria eletrônica, é mesmo assim você entende a mensagem

Martha Medeiros

Minha vida e baseada em problemas não resolvidos

Capitulo 16 – Cortes

Não sei quando foi meu primeiro corte muito mesmo o motivo ou de onde eu tinha visto ou soubera que era uma forma de acabar com a dor, talvez tenha visto em um filme.

A única coisa que lembro e que venho a muito tempo fazendo isso, para amenizar tudo que trago dentro de mim, toda a minha bagagem pesada que perdura por muito tempo, quando estou triste me vem a vontade de esquecer minha existência de esquecer o problema, mas não consigo minha mente divaga e sempre me leva de volta.

Eu tenho fases, sabe? As vezes me encontro assim meio a deriva perdida no mar de angustias que há em mim, qualquer música serve para ampliar minha dor me consolo nelas e vejo tudo passando em minha cabeça como um filme mal escrito, nessa fase tenho vontade de me cortar não para me matar e sim para sentir a dor física e assim diminuir a dor que sinto dentro de mim, um alivio isso me trás uma viaje que me leva pra longe, nesse dias eu me pego vagando pelas ruas assim sem rumo muitas vezes apenas apreciando o nada o vento batendo em meus cabelos ao som de uma melodia melódica. A noite sempre me encontro mais calma viajo novamente não importa onde esteja sempre me peco viajando, me enfio em meu mundo e nada me dirá dele a não ser eu mesma, nada me dá animo, nada me faz sorrir, nada me dá vontade de falar ou conversar, viro um robô, com movimentos restritos falo só o necessário e nada mais.

As pessoas não me entendem, viram e perguntam o que está acontecendo no inicio dava a filosofar sobre isso, mas ninguém entendia mesmo ou pouco se importavam, eram aquelas perguntas programas que não se esperava respostas tão sinceras – deveriam me achar louca – com o tempo passei a dá a resposta padrão “e nada não, sou assim mesmo, logo passa” as pessoas acreditavam e assim não me perturbavam mais, me deixavam quieta no meu canto, me acostumei com isso e odiava quando tinha pessoas insistentes que queriam saber o real motivo divagava sem ate a pessoa desistir de obter uma resposta sincera, ninguém entende mesmo. Meus amigos e que me aturavam nesses dias de repente me via em debates sobre qualquer assunto ou no auge de minha bebedeira falava da vida em geral, nesses dias eu era pura filosofia, era meus dias que minha mente criava e eu escrevia sem parar.

Falar sobre a dor esse sentimento que tantas conhecem e fácil pra mim as palavras fluem de mim, eu sou assim quando to triste meu textos são depressivos e quando to feliz naquela pequena fase que passa quase despercebida eu já não tinha vontade de escrever, nada fluía minha mente travava, eu somente parava e deixa aquele momento me contemplar, tinhas exceções às vezes escrevia – eram bons textos – e depois chorava ao ler-los.

A felicidade havia se tornado algo raro, não percebia que estava num momento de felicidade ate que ele passasse, por que e assim e tão simples se encontrar feliz que você nem percebe, as vezes encontrava a minha felicidade em um copo de cerveja, vinho, rum, vodka, energético – fútil – outras na companhia de uns amigos – mas sempre acompanhada do álcool – eram momentos marcantes e diferentes era por esses momentos que vivia, era por esses momentos que mais ansiava.

Tinha amigo meu como o Andre e o Berto que diziam que eu era outra pessoa depois de dois copos de cerveja, como se houvesse duas dentro de mim a tímida e a descontraída (a alegre e extrovertida) eu era outra pessoa, eu tinha consciência disso por isso o álcool se tronou meu amigo ele me libertava de toda a minha inibição da minha falta de coragem, me libertava de meus medos, eu poderia enfrentar um dragão e não teria medo, tomar as simples decisões da minha vida assim, era uma pena que não poderia ficar bêbada 24 h por dia, era impossível tal coisa, mas as vezes eu extrapolava e me tornava ridícula, bêbada, destruída caia, falava tudo embolado, derramava bebidas nos outros e fazia coisas que quando acordava me faziam sentir vergonhas de mim ou pior não esperava acordar pra perceber – era nesses dia em que eu me cortava em algum banheiro podre com qualquer coisa que pudesse me causar dor – aqueles micos empacáveis, aquelas frases que ouvi de quem gostava e me magoava ou eu conseguindo magoar alguém que amo ou simplesmente vindo a tona todos os meus antigos erros a bebida tinha esse dom em mim, me fazia lembrar de tudo, me fazia ver o quão patética eu era as vezes.

Fazia meses se não anos que não me cortava, mas depois daquele dia no Angel parece que o vicio retornou a mim depois de tanto tempo sem fazer isso, sem usar essa válvula de escape, que tudo se acumulou dentro de mim, e agora tudo queria ao mesmo tempo sair de mim – EXPLODIR!!!- queria me enfiar debaixo do meus lençóis e só sair quando a tempestade em mim se acalmasse, mas eu não podia me dar esse luxo, pobre não pode enlouquecer, então me levantava, enxugava as lagrimas e colocava o meu sorriso mais falso e continuava a minha vida. Era uma forma de demonstrar a minha tristeza, expressar a minha dor de forma visível, mas não saudável eu me matava aos poucos e o pior era que ninguém percebia.

Eu aprendi muito cedo a mentir e eu aprendera bem, Sabia mentir muito bem para pessoas a minha volta fingindo muitas vezes que estava tudo bem e todos acreditavam em minha mentira sem seque desconfiar ou perceber, a mentira era tão convicta que quando me encontrava bem era nesses dias que me perguntava se estava tudo bem – era estranho isso – a minha melhor mentira era mentir pra mim mesma, eu sempre me iludia diariamente eu preciso disso, eu vivia de minhas ilusões de meus sonhos impossíveis e das mentiras de que um dia iriam se realizar, mas sem eles como iria viver? Como iria suportar a monotonia de casa dia? Ter uma vida sem graça, sem sonhos ou ilusões, para mim parecia ser impossível, mas eu transcenderá o limite de sonhos e mentir, vivia minhas ilusões e as pessoa ainda acreditavam em mim e isso me dava mais vontade de continuar.

Chegava em casa em minha solidão e me deprimia mais constatando que minha vida era sem graça, uma rotina interminável, tudo sempre a mesma coisa eu vivia pelo meus fins de semana onde eu poderia fugir da regra, da rotina e me entregar ao que queria, me sentava na varanda ou na laje levava comigo meu celular e uma garrafa de vinho me deitava e ficava olhando pra lua ouvindo uma música sempre me perdendo em seu significado e deixando a dor transparecer, explodir de dentro de mim assim, era uma válvula de escape, assim como a escrita também se tornou uma válvula, onde eu poderia descontar toda a minha raiva, onde eu sempre encontraria consolo alguém pra contar tudo que se passava em minha mente perturbada sem criticas ou descrenças, só na esperança que se um dia alguém ler entenda tudo o que passei.

Deve época em que vivia um mundo da internet, imaginava historias com os carinhas que ali conhecia fazia planos de nos encontramos e realizamos as minhas fantasias mais obscuras – BDSM – nada nunca foi colocado em pratica, tantas conversar, tantas pessoas, por mais que conversemos nada faria parecer que realmente conhecia essas pessoas só conhecia o que estava ali à mostra pro mundo, não sabia seus jeitos, sorrisos ou maneiras e muito mesmo o que escondiam dentro de suas mentes

A mente de uma pessoa e um mundo a parte, você nunca saberá o que se passa lá

Por isso sempre me mantive distante, ali também poderia desenhar uma pessoa, deixar que vissem meu melhor lado, meu melhor ângulo, algumas conversar fúteis e sem interesses e outras cheias de segundas intenções, eram tantos, algumas pessoas que conhecia em festa como Gabriel, Matheus, Ninha, Vanessa entre outros, também tinha pessoas que nunca vi antes como Leo – esse era de meu interesse um DOM (para um bom entendedor meias palavras bastam)- sem mundo viver o que sempre conversamos, sem nunca nos vemos, mas a minha imaginação era fértil e me levava pra longe, muito longe.

A internet me trouxe muitos amigos novos alem daqueles que já conhecia, meu raio de sol e meu miguxo que morava na argentina, agora me tornara amiga de Gabriel e ele o meu, um garoto tão perdido quando a mim tão novo e já tem filhos, mas mesmo assim ainda vive uma vida inconseqüente como eu.

Onde começa Ruiva em mim?