Garota Replay
1 Capítulo 1
Estava eu, em meu quarto, dormindo acordada pensando em Tito, meu melhor amigo, quando de repente a porta se abriu, me assustei: eram meus pais. Sim, aqueles cujo passam o ano viajando, conhecendo lugares, graças a aposentadoria bem gorda deles. Eles abriram um sorriso e com palavras dóceis disseram sentir minha falta. Ótimo, meus pais que não via a quase nove meses estão aqui, cheios de saudade. Acho que tem uma lágrima no meu rosto
Naquela noite, mesmo cansados, fomos todos a um restaurante chique de Copacabana e usufruímos da melhor comida daquele lugar, até porque, como eles não estavam gastando dinheiro com viagens e hotéis caros, precisavam comer do melhor. No meio da sobremesa, recebi um telefonema: era Tito, meu melhor amigo. Queria falar comigo, mas tinha que ser naquela hora, até porque o mundo iria acabar em alguns minutos. Tentei explicar que estava em um jantar super legal com meus pais, porém depois do tanto que insistiu fui ao seu encontro.
Ali mesmo, no calçadão de Copacabana, nos encontramos e sem delongas me mostrou uma fotografia do meu agora ex-namorado agarrando uma morena alta de coxas avantajadas, quase uma
Bruna Marquezine. E foi lá, em frente a praia, em que desmaiei.
Não me lembro de muita coisa, apenas de uns paramédicos me colocando em uma maca, na qual não parecia muito confortável. Acordei horas depois do acontecido e do meu lado estava o meu futuro ex-namorado e acreditem, chorando, quase uma cena deprimente – e a traída era eu — . Do outro lado estavam meus pais e Tito, com um incrível olhar de “Eu bem que te avisei”.
Depois de algumas horas de repouso, entra no quarto — incrivelmente caro de uns dos melhores hospitais da região , porque como eu já disse, era apenas status para meus pais – um médico e com uma cara séria chama meus pais para uma conversa a sós. Restaram apenas Tito e Tadeu, meu insignificante e, coitado, deprimente ex-namorado.
Tadeu pede para ficar sozinho comigo, pois gostaria de conversar e esclarecer tais acontecimentos e antes que pudesse responder, Tito interfere com um “Se manca, mané”, e dali o ataca com um belo murro no nariz, julguei errado por instantes, mas logo passou, pois quem queria socar era eu. Tedeu, que não gostou da atitude respondeu com outro soco, que apenas mostrou o quão idiota é.
Nesse momento, meus pais entram no quarto e ordenaram que os dois saíssem do quarto pois a querida Thizi (eu) não podia ficar estressada
Já em casa, recebo outro telefonema de Tito, que mais uma vez queria me encontrar, mas tinha que ser um segredo. Não sabia se poderia aceitar, mas aceitei. Pedi a Nil que mantivesse segredo dos meus pais, que estavam em uma reunião da minha faculdade de administração -sério?- e eu a ajudaria nos serviços de empregada.
Dentro do meu carro, tranquila e com medo ao mesmo tempo, fui dirigindo até uma lanchonete. Parei no semáforo em frente a uma danceteria (isso mesmo, daquelas que tocam apenas músicas anos 60 e 70). Fiquei observado aquela alegria da minha janela até que viro para o lado, só para desparecer da felicidade alheia. Para minha surpresa me vi, exatamente, havia uma garota, igual a mim – mais arrumada, mas igual a mim -.
Ela me olhava com uma cara de quem esperava por algo e eu, paralisada, fiquei olhando aquela garota que era minha cara, meu corpo e meu sorriso. Isso mesmo, tinha uma pessoa, idêntica a mim, sentada do meu lado.
Antes que pudesse dizer qualquer coisa, o carro de traz buzinou e toquei o carro com a menina do meu lado.
Foram 5 minutos aterrorizantes dentro do meu carro, até que cheguei na lanchonete e o estacionei . Antes que pudesse pensar, resmunguei um “Quem é você?” e “Eu estou morta?”, até porque no céu haviam carros e trânsitos, além do calor insuportável do Rio de Janeiro. E a garota respondeu um “Você é uma idiota, devia ter aceito” e depois sumiu. Sumiu, desapareceu. E a idiota aqui ficou sem entender.
A noite já estava terrível, mas Tito me aguardava e eu precisava entrar, não queria ser a idiota novamente.
Lá estava ele, com aquele olhar de superioridade, vestindo uma camisa azul-marinho de botões pretos. Seu cheiro era do melhor perfume. Senti que era uma ocasião especial. Me sentei e dei um sorriso, só porque ainda estava tentando digerir meu xerox que odeia a mim.
Ele segurou minha mão e com toda sensibilidade do mundo, fofo né? E disse sentir pelo que estava acontecendo, mas não poderia esperar nenhum segundo a mais para me contar o que sentia e, sem pausa alguma, começou dizer que me amava e queria ter algo mais comigo, que gostaria de andar de mãos dadas, de poder me chamar de “minha namorada”.
Sorri. Pois eu sentia o mesmo, mas logo depois me veio a garota que era incrivelmente parecida comigo e me calei, tentando entender tantos problemas. Ele na espera de uma resposta, apertou minha mão, pelo menos eu acho que era na espera de uma resposta e não para sentir minhas mãos gordinhas e, eu engolindo tudo o que havia acontecido no caminho disse ser recíproco e que gostaria de um tempo, pois as coisas estavam acontecendo em uma velocidade da luz, literalmente.
Ele sorriu e do bolso tirou uma caixinha, daquelas para guardar aneis e/ou alianças: PRONTO,AGORA É PEDIDO DE CASAMENTO.
Me desesperei e saí correndo, mas ele me puxou pelo braço e disse com toda ternura: “Esse anel é para você, eu te amo e vou esperar você se sentir pronta”. Não tive outra reação a não ser beijá-lo, fui correspondida.
E ao abrir meus olhos vi a outra de mim, dizendo que previu um futuro diferente e do nada sua voz mudou, ficou parecida com a do Barney (aquele dinossauro roxo) e com uma cara de safada ela dizia: “Acorde, vai se atrasar para aula”.
Pois é, era apenas um sonho, nada foi real: meu desmaio, meu beijo, meu término de relacionamento, minha cópia. Nada.
Até porque eu moro com o Tito, e nunca namorei nenhum Tadeu… Mas, me lembro vagamente de quando criança ver uma menininha igual a mim, pela qual minha mãe disse ser minha irmã, será que tenho uma irmã gêmea que não conheço? Ah, talvez num próximo sonho eu descubra.
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